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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

2026, Alice Neel em "The American Century. Art & Culture (1950-2000)", Whitney (11)

 I. Qual é o lugar da Alice Neel na arte do séc. XX - na arte norte-americana e em geral?



Nas exposições em que o MoMA fez a revisão do seu século XX, alice Neel não está, nem mesmo na secção "Modern Art despite Modernism", 2000, organizada por Robert Storr (que mais tarde a defendeu).
O Whitney incluiu-a em "The American Century. Art & Culture (1950-2000)", de Lisa Philips, 1999. No catálogo, que é uma importante publicação, como a parte I 1900-1950, ela aparece referida na secção "The Second-Generation New York School and Beyound" (anos 1950-60) e adiante em "American at the Crossroads: 1964-1976" - "The Ascendance of Alternatives" "Questioning the Canon" (ou seja é sempre o "canon modernista" que como vanguarda serve de guia e referência até ao pluralismo pós-moderno). Além de figurar como participante no filme "Pull My Daisy" de 1959, Robert Frank e Alfred Leslie, que lhe trouxe uma maior projecção, ligada à Beet Generation.



No primeiro dos capítulos surge associada ao chamado "Expressionismo Figurativo" em que aí se identificam Alex Katz , Larry Rivers , Fairfield Porter, pintor e crítico (https://whitney.org/artists/1045), e Bob Thompson (um afro-americano de singular e breve carreira, 1960-68: (https://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Thompson_(painter).)
A "pincelada expressionista", a aparente improvisação e a emotividade da cor seriam traços comuns apesar da diversidade de estilos, que se distinguem bem do que seria o próximo realismo fotográfico e também dos "artistas mais populares mas tradicionais" (sic), que eram Edward Hopper e Andrew Wyeth.
Entretanto, a par de Nova Iorque, outras figurações surgem no mesmo período na Costa West, designadamente a Bay Area Figurative School, em que se destaca Richard Diebenkorn .
Acontece que a actividade de Alice Neel é muito mais precoce, vem desde 1927, acompanhou à sua maneira o realismo social do New Deal e nunca passou pela abstracção: a sua integração nessa vaga de meados dos anos 1950 é uma "repescagem" que segue a sua crescente notoriedade à época, e uma facilidade da crítica perante um percurso singular e irredutível a movimentos e estilos colectivos. Mas antes isso que ser ignorada.
Dois retratos, Elsie Rubin, pintora, de c. 1958 e John Perreault, poeta, crítico no Artnews, etc, 1970. Todas as obras das colecções do Whitney.

2026, Alice Neel, "The American Century" Parte II, a vaga dos realismos nos anos 60-70 (10)

 II. Alice Neel, em "The American Century" Parte II, Whitney Museum 1999, é primeiro associada à vaga do "expressionismo figurativo" de meados de 1950, depois ao cinema Beat de Robert Frank e Alfred Leslie, de 1959, e volta a comparecer nos anos 1970 numa nova conjuntura de "retorno" à figura.

NA exposição anual do Whitney de 1972, "The Family (John Gruen, Jane Wilson and Julia)" de 1970

Nessa década - escreve-se - ela situava-se entre "alguns artistas mais velhos" como Philip Guston, que mudara de direcção em 1969, "a sair da opressiva academia da pintura formalista" (sic), da abstracção para uma figuração crítica e caricatural, e Cy Twombly (menos justificadamente) graças a alusões mitológicas e literárias ± vagas em gestualidades abstractas.
Mas Neel é especialmente alinhada com Philip Pearlstein, com os seus modelos nus friamente recortados em interiores domésticos - a este Pearlstein é habitual ligá-lo, por um lado, ao já antes referido Alex Katz (Parte I) e, por outro, aos "foto-realistas" como Richard Estes e Duane Hanson, escultor. Chuck Close, com os seus retratos muito ampliados é outro nome de que a aproximam forçadamente.
Trata-se então, no balanço periódico das tendências, das reviravoltas da crítica e do gosto, de um largo movimento de "regresso à figuração" e de "reconsideração da viabilidade da pintura", em competição directa com as "alternativas" da performance e da instalação, já depois da afirmação minimalista e pós-minimalista e conceptual, num período que era dito revolucionário, entre 1966 e 1972, de "intenso questionamento do cânone modernista" (sendo o modernismo norte americano o tardo-formalismo herdeiro de Greenberg).

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

2026. Alice Neel e Isabel Bishop (4)

 Isabel Bishop e Alice Neel.

Fazem-se grandes retrospectivas de obras individuais (e individualizadas), mas não se sabe nem se mostra nada do que faziam outros (outras) artistas na mesma época, com afinidades e distâncias. Cultiva-se uma historia de bolhas e de génios, de fenómenos e de excepções mediatizáveis (de "descobertas"), sem terem rectaguardas nem companhias, sem raizes ou confrontos com os movimentos activos no início ou no curso da respectiva carreira. Sem catálogos editados a tempo (é o caso de Serralves) a falta de informação de contexto é mais abissal.

A.N. data não indicada / abaixo 1974


sábado, 29 de outubro de 2005

2005, Madrid, Museu Thyssen, Tomàs Llorens, «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945», "Regresso ao real"

 Regresso ao real 

    Realismo e modernidade revisitados em Madrid 


Expresso 29-10-2005   

 

«Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945»
comissário: Tomàs Llorens,
Museo Thyssen-Bornemisza / Fondación Caja Madrid, Madrid, Outubro 2005





Ultrapassado o limiar do século XXI, é verosímil que a percepção e a memória da arte dos anteriores cem anos venham a sofrer transformações comparáveis às que aconteceram quanto ao século XIX, relegando o que teve curso preponderante nos salões e nas academias para as reservas dos museus. É certamente o que tem vindo a preparar-se, há alguns anos, em retrospectivas da primeira metade do século XX e das longas carreiras criativas que estiveram no centro da modernidade desde o seu início e muito para lá do tempo das suas emergências como vanguarda, Picasso e Matisse, em especial. Trata-se, em grande medida, de desmontar a geopolítica da arte que se estabeleceu a partir do 2.º pós-guerra, com a deslocação do centro de Paris para Nova Iorque e a fixação, pelo formalismo abstracto norte-americano da Guerra Fria, da concepção historiográfica hoje ainda dominante, que entende o modernismo como encadeamento e sucessão de inovações técnicas. A exposição que se apresenta em Madrid sob o título «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945» (até 8 de Janeiro), da iniciativa de Tomàs Llorens, é um dos passos dessa revisão.


Intencionalmente polémica, questionável em várias das opções (por exemplo, a ausência de Picasso, como reconhece o comissário), a mostra começa por ter o mérito de dar a ver um grande número de excelentes obras de artistas menos popularizados, ou ignorados fora dos seus âmbitos nacionais, como o alemão Alexander Kanoldt, os norte-americanos Charles Sheeler e Guy Pène du Bois, os holandeses Dick Ket, Pyke Koch e Charley Toorop, o espanhol José Gutiérrez Solana, o inglês Stanley Spencer, o italiano Fausto Pirandello, entre outros. A seu lado, a presença de artistas de maior notoriedade com longos percursos independentes, como Morandi, Hopper e Balthus, e de outros associados a movimentos históricos relevantes, como Sironi e Severini, Dix e Grosz ou Siqueiros e Orozco, estabelece as coordenadas de um panorama multipolar e plural, onde a diversidade de orientações não pode ver-se como mera sucessão de «escolas» nem autoriza a síntese num estilo realista definido. Derain, e a singularidade da sua irrecusável decadência em oposição ao curso dos tempos, e Max Beckmann, com as alegorias modernas que respondem, a nível cimeiro, ao espectáculo histórico do período entre guerras, parecem definir as linhas extremas das diferentes tensões que a exposição procura explicitar.

sábado, 30 de julho de 2005

2005, Corot, Museo Thyssen, "Corot por inteiro"

Corot por inteiro

Museu Thyssen-Bornemisza

COROT. Naturaleza Emoción Recuerdo

comisario: Victor Pomarède

catálogo 408 pag.


        

            Em Madrid, uma obra do século XIX sob novas abordagens 


            Expresso30 –07-2005 

  

 


 Camponeses debaixo das árvores ao amanhecer / Peasants under the Trees at Dawn / Paisagem de Morvan ao Amanhecer, c. 1840-45, 27.3 × 38.8 cm National Gallery Londres