terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026
VELOSO DE CASTRO, a descoberta de um militar-fotógrafo na Angola colonial dos anos 1904-1914
Não há fotografias coloniais, isto é ultramarinas, isto é, no caso, africanas, angolanas, como estas. Não se trata de defender o colonialismo "bom" de um fotógrafo militar envolvido em acções de guerra e de levantamento territorial (não se trata de julgar o passado, nem de o justificar ou avalizar*), nem se trata de apreciar as fotografias do tenente Veloso de Castro, realizadas em Angola entre 1904 e 1914, apenas como arte fotográfica.
* "O exame do passado requer uma abordagem crítica, porque não de trata de endossar ingenuamente as categorias de pensamento em vigor à época, mas requer igualmente uma capacidade de recuo, já que também não se trata de julgar os antecessores a partir de posturas intelectuais contemporâneas” (...nem endossar/avalizar nem julgar). In RETOUR D'ANGOLA, ed. Musée d'Ethnographie de Neuchâtel, 2010, exposição e catálogo modelares sobre a 2ª Missão Suíça em Angola, 1932-33, que além de fotografar fez grandes recolhas de espécies animais e objectos, o que nunca aconteceu com as explorações portuguesas.
" (...) Um d'estes cornbatentes tivemol-o mais tarde no Cunene, e para lá fôra preso pelo capitão Montez na segunda viagem por este feita com os despachos de Naloeque. Era notavel pelo seu ar de sobranceria e indifferença e por usar um cinto e suspcnsorios respectivos, do equipamento de um dos nossos soldados de
infanteria. Tambern tinha uma espingarda Snyder e os amuletos de guerra que usava suspensos do pescoço
eram dois mechanismos de rclogio, que disse ter recolhido em 1904 no Pernbe, dos nossos mortos, e que invuluraveis se consideravam todos os cuamatos quando usassem qualquer objecto dos que nos tivessem pertencido; d'elles todos se haviam munido n'esse anno de indelevel e pungente memoria.
Este soldado cuarnato, que no Cunene sempre esteve persuadido que morreria ás nossas mãos, foi despedido em paz quando lá chegou a columna, sem que da sua bocca saisse o menor agradecimento e sem que désse sequer mostras de admiração. Quanto aos que apparecerarn cm Naloeque , também se retiraram em paz e com as suas espingardas, que não foram apprehendidas com o fim de facilitar mais tarde a reunião de maior numero e a sua entrega." pp. 242-3, JVC, A CAMPANHA DO CUAMATOI EM 1907, Breve narrativa acompanhada de photographias, Loanda, Imprensa Nacional, 1908 - não um álbum, mas um extenso livro de c. 292 págs.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
VELOSO DE CASTRO, Angola 6: A ACÇÂO MILiTAR
Veloso de Castro faz a reportagem da segunda campanha dos Cuamatos, de 1907, que contou em livro.

712 – Assalto ao Cusso – 3ª fase, 1908
sábado, 17 de janeiro de 2026
VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 6: pretos e brancos
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 5 : TRABALHO
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 4 : NATIVOS
Sem se tratar de um levantamento etnográfico programado ou metódico, tanto quanto se percebe pelo acervo que deixou - sempre em chapas de vidro, aqui impressos por Roberto Santandreu a partir dos negativos integrais -, Veloso de Castro fotografou lugares e grupos indígenas, à margem, mas no ambiente, das suas responsabilidades militares. É um observador interessado, atento aos usos locais, onde os registos em pose, mesmo quando são frontais, nunca têm a rigidez hierática e submissa da então habitual fotografia etnográfica e antropométrica. A composição recusa a simetria e a imobilidade obrigatória das figuras, na necessária posição de autoridade, apesar de ter de empregar sempre o tripé e de encenar ou imobilizar os "figurantes", mas aceitando movimentos e imprevistos. A última destas imagens é um raro instantâneo.
Divergindo dos "levantamentos" anteriores (Cunha Moraes e Serpa Pinto) e seguintes, já dos anos 30 (a Missão Suíça de 1932-33 editada em 1934 pelo Museu de Neuchâtel, Fernando Mouta 1934, Elmano da Cunha e Costa (1933-29), as fotografias não incidem sobre o "primitivismo" e a "rudeza" dos indígenas, não objectificam os corpos e as figuras. Pelo contrário parecem resultar da curiosidade e da empatia estabelecida com os seus modelos. Não fotografa o "gentio", os cafres, e percebe-se que o enquadramento militar (as "campanhas de pacificação") estabelecia uma relação mais digna e correcta do que o que se reconhece nos meios das missões ou dos agricultores colonos. Depois de os sobas prestarem vassalagem, as relações de trabalho parecem seguir com préstimo para as duas partes. Não conheço outras fotografias assim.
É um artista, um amador, e um militar, e um colonial. É assim que fotografa.
Ver a seguir nº 5 O Trabalho e depois os colonos, famílias mistas
"Celeiros do Libôlo - Dala Cachibo" 1908 (neg. 80x 101mm)
"Dala Cachibo - Tipos Libôlo", 1908 (81x106mm). Junto ao celeiro, provável família polígama
"Entrada de uma casa indígena" 1912 (neg. 87x120mm) - é certamente a casa de um feiticeiuro
cemitério indígena usando vasos e recipientes europeus
Dois sobas com as suas famílias
"Soba Cachiga e outros importantes", 1908 (neg. 81x111mm) com soldados nativos e um graduado negro, mais um oficial branco
"Mucusso - Mulheres do Baixo Cubango" 1910 (neg. 86x115mm)












































