segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 4 : grupos de nativos

Sem se tratar de um levantamento etnográfico programado ou metódico, tanto quanto se percebe pelo acervo que deixou - sempre em chapas de vidro, aqui impressos por Roberto Santandreu a partir dos negativos integrais -, Veloso de Castro fotografa lugares e grupos indígenas, à margem das suas responsabilidades militares. É um observador interessado, atento aos usos locais, onde os registos em pose, mesmo quando são frontais, nunca têm a rigidez hierática e submissa da então habitual fotografia etnográfica e antropométrica. A composição recusa a simetria e a imobilidade obrigatória das figuras, apesar de ter de empregar sempre o tripé. A última destas imagens é um raro instantâneo.

Divergindo dos "levantamentos" anteriores e seguintes, já dos anos 30, as fotografias não incidem sobre o "primitivismo" e a rudeza dos indígenas, não objectificam os corpos e as figuras. Pelo contrário parecem resultar da curiosidade e da empatia estabelecida com os seus modelos.

"Celeiros do Libôlo - Dala Cachibo" 1908 (neg. 80x 101mm)

"Dala Cachibo - Tipos Libôlo", 1908 (81x106mm). Junto ao celeiro, provável família polígama

"Entrada de uma casa indígena" 1912 (neg. 87x120mm) - é certamente a casa de um feiticeiuro

cemitério indígena usando vasos e recipientes europeus

Dois sobas com as suas famílias

"Soba Cachiga e outros importantes", 1908 (neg. 81x111mm) com soldados nativos e um graduado negro, mais um oficial branco


"Mucusso - Mulheres do Baixo Cubango" 1910 (neg. 86x115mm)


na cidade, prováveis prostitutas


"Calulo - Desporto dos indígenas - Jogo da pela" 1908 (beg., 79x111mm)








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