Ether
EXPRESSO Cartaz 20 10 1990
Realizadas para acompanhar um ciclo de conferências sobre o Estuário do Tejo (e expostas na FIL em Junho), estas fotografias são o cumprimento rigoroso de uma encomenda sobre um determinado ambiente. Na secura dos seus enquadramentos frontais, dominados pelo poder das linhas horizontais do rio e do horizonte, elas fornecem informações e são elementos de uma pesquisa, sem procurarem concessões à anedota ou ao design. É nesse modo de ver e dar a ver que elas [são] exemplarmente límpidas.
(R.Rodrigo da Fonseca 25 - de 3ª a sáb. 15-20h. Até 17 Nov.)
2: 27 10 1990
O Tejo e as praias de Algés e da Trafaria, em Abril de 1990 - um projecto documental (fotografias a preto e branco, de formato quadrado). Objectos meditativos sobre espaços marginais da cidade, sobre a apropriação e a transformação da paisagem ribeirinha, estas imagens expõem uma ausência de «vontade de arte» que as distingue imediatamente da produção fotográfica predominante em que, até à exaustão, o «medium» ou os autores se contemplam. Na sua absoluta transparência, na ausência de marcas intencionais de ordem plástica ou conceptual, e de externos protocolos de legitimidade, elas reencontram a paisagem como género portador de significados, fazendo da constatação pura uma condensação de sinais, um levantamento arqueológico (na própria coexistência dos tempos inventariados) e simbólico de um espaço.
13 out.- 17 nov. 1990
Catálogo Ether/Urbe, 19 fotografias 1990
Impressor AAS Lisboa sem indicação de tiragem.
Colecção CAM, doação do autor, 2020
Edição única. Prova analógica em brometo de prata, 40x40 (FG: 50x50cm, sic. Inv. 20FP749 1-19)
Bibliografia:
Susana Lourenço Marques, “Ether / Um laboratóirio de fotografia e história, Dafne ed. Porto 2018. Pp. 260-267.
<Erro de datação 2 nov. e não 20 e 27 out.; erros de informação: “Fotografando espaços industriais inoperantes, zonas residenciais votadas ao abandono ou áreas comerciais desactivadas””, p. 267>
António Sena, História p. 357: AAS “que procura, através de uma ilusória neutralidade da visão fotográfica, uma denúncia radical da paisagem habitável” (sobre 'Olhares de Transição', série 'Algarve, 1990', col. FCG?, reproduz 3 fotos p/b, p. 158-160)
<a "neutralidade" é objectiva ou real, não "ilusória", é construída como propósito ou estratégia fotográficos, é uma conseguida ausência de estilo; inexpressiva, se se quiser. E porquê "denúncia" e mesmo "denúncia radical" a contrariar a "neutralidade". Há observação e registo, e o comentário (?) deixado em aberto, não impeditivo, por vezes discreto ou secreto>
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1) Excertos de 2 mails do Augusto
Na inauguração a única pessoa que apareceu foi o Alexandre e o Toé disse "olha lá vem o Alexandre Pomar" e eu com os meus medos fugi a correr.
24 02 2019
Consegui restaurar as 19 fotografias originais!
Descolar das placas de cartão originais e emoldurar como merecem. Foi um processo arriscado mas correu bem.
19 05 2019
2) Numa conversa que não consigo datar, o Augusto afirmou que a impressão a preto e branco foi uma recomendação (ou uma exigência?, já não sei) do António Sena