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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111 (4) : ANOS 2000

 2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas

obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.). 

CONVITE. 19 JAN A 2 MARÇO
Ulisses e as Sereias com Guitarra Portuguesa 1001, pastel, fundo litográfico sobre tela



desdobrável capa e folha 2. design H. Cayatte e JP


as duas 1ªas páginas manuscritas, de 26 pag. 
("Para o Júlio, 
meu amigo 
António 
24.7.01)


2013, 12 jan. ATIRAR A ALBARDA AO AR, pinturas e desenhos. 

Exp. proposta por Alexandre Pomar, vinda da Árvore, Porto, 2012, por ocasião do Prémio Casino do Estoril (a qual foi acompanhada pela edição de um catálogo e do livro, textos de Laura Castro) e da realização do filme "Só o teatro é real" Um filme de Tiago Pereira sobre Júlio Pomar, produção da Fundação Júlio Pomar com música de Ricardo Jacinto.

 Júlio Pomar : atirar a albarda ao ar / org. Árvore-Cooperativa de Actividades Artísticas ; coord. Laura Soutinho ; comis. e texto Laura Castro.



https://www.rtp.pt/noticias/cultura/julio-pomar-atira-a-albarda-ao-ar-em-lisboa_v624936

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No livro que assinalou os 50 anos da 111 (1964-2014), um pequeno texto dedicado a Manuel de Brito abre o volume.

30.10.2014

Se Manuel de Brito não tivesse existido não seria fácil inventar um outro igual, ou pelo menos, a ele semelhante.

A chave do seu indiscutível êxito está em que Manuel de Brito era tão bom conhecedor do meio que o viu nascer e em que cresceu que, como a história o provou, não se viu segundo.

Tímida e pouco informada a sociedade portuguesa (da época?) não era naturalmente propícia a que lhe pusessem em causa hábitos e convicções.

As mãos e os olhos, conjuntamente hábeis, que o instinto de Manuel de Brito soube usar, foram a alavanca do êxito.

Usei a palavra alavanca levado pela voga que hoje lhe dão, mas logo me apetece recusá-la por inadequada: em vez de alavanca, termo que me soa de modo demasiado brutal, assaz mecânico, prefiro evocar a habilidade de Manuel de Brito, qualidade que na gíria das famílias da época se usava aplicar aos artistas.

Assim se poderia dizer (e ele bem gostaria de o ouvir) que na sua época Manuel de Brito foi um artista.





Mais tarde a Gal, 111 deixou de referir J. Pomar entre os artistas da galeria, sem ter havido uma ruptura comunicada. A decisão resultava  de questões de exclusividade devido à realização de exposições noutras galerias, em geral de desenhos: a Gal. 111 não se interessava pela comercialização de desenhos, mas reagiu às outras exposições em galerias.


2001: QUELQUES DESSINS (1965-1988), Gal. Flora J, Paris, catálogo tx de Lydia Harambourg  e JP (extractos) / ALGUNS DESENHOS, Gal. Valbom (2003)

2002: TROIS TRAVAUX D'HERCULE ET QUELQUES CHANSON RÉALISTES, Gal. Patrice Trigano, Paris, cat. com tx de Pierre Cabanne

2003: DESENHOS PARA GUERRA E PAZ, Gal. João Esteves de Oliveira, catálogo. 

2004: MERIDIENNES-MERINDIENNES, Gal Patrice Trigano, cat tx de Marcelin Pleynet

2004 FABLES ET FICTIONS, esculturas e as suas fotografias por Gérard Castelo Lopes, Gal. Le Vion Bleu, Sidi Bou-Said, Tunísia, catálogo

2009: 9 avril - 9 mai, NOUVELLES AVENTURES DE DON QUIXOTTE ET TROIS (4) TRISTES TIGRES, Gal. Patrice Trigano, desdobrável


2008, nov,. Desenhos para Dom Quixote de la Mancha, Gal. João Esteves de Oliveira, cat. com tx do artista e J. esteves de Oliveira

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Na 111 em 2016 "Júlio Pomar e Vítor Pomar - Ver o que salta aos olhos", exp. proposta por Vítor Pomar 30 de junho a 09 de setembro de 2016

https://111.pt/wp-content/uploads/2016/07/Press-realese-Julio-Pomar-e-Vitor-Pomar.pdf








terça-feira, 13 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111 (3) Anos 1980 e 1990

 3. JP e a 111 - ANOS 80. Depois de 1985: 1989 e 1990 (as séries brasileiras)



1988 - MASCARADOS DE PIRENÓPOLIS, expostos no Arco Madrid (Gal. 111) e na Galeria 111, Lisboa. Catálogo com texto de Manuel Castro Caldas (separata com tradução). Com a apresentação do livro "Os Desenhos do Circo de Brasília" texto de Paulo Herkenhoff ("Pomar visto do Brasil"). .
Manuel de Brito não aceitava compradores estrangeiros, como continuará a fazer, no ano seguinte com Paula Rego, alegando ter clientes interessados. Era um erro, de todos os pontos de vista, q irá justificar o afastamento da feira.

1990, 14 dez. - LOS INDIOS, Arco Madrid (Gal. 111), fevereiro (7 quadros que não estiveram à venda, cedidos pela galeria de Paris, enquanto outros 8 se encontravam no Rio de Janeiro), e LES INDIENS, Galerie Georges Lavrov, Paris, setembro. (10 quadros). Catálogos com o mesmo texto de Michel Waldberg.
Apresentação do livro "Pomar", texto de Mário Dionísio, Publ. Europa-América - é a versão portuguesa de "Pomar" com texto de Michel Waldberg, Éditions de la Différence.

As séries brasileiras estiveram na antologia “Pomar/Brasil” (org. FG: Rio, São Paulo, CAM) mas nenhuma obra podia ficar no mercado brasileiro. Tudo estava capturado pelo mercado nacional.





















Os Desenhos do Circo de Brasília, 1987, estudos para painéis de azulejo, q se seguiram às decorações murais para o Alto dos Moinhos, Metro de Lisboa, participaram em "Pomar/Brasil" e tiveram circulação no Brasil - galerias Paulo Figueiredo, Brasília, e Anna Maria Niemayer, no Rio, acompanhadas pelo referido volume com texto de Paulo Herkenhoff editado pela 111.




Entretanto, Manuel de Brito organiza duas mostras antológicas em Macau: "Pomar" 1989, Gal. do Leal Senado - catálogo com texto de Helmut Wohl; e "Júlio Pomar", com obras da sua colecção, em 1999, Centro de Arte Contemporânea com a Fundação Oriente; cat com tx de José Luís Porfírio.. É levada em 2000 à Galeria Nacional de Pequim

Outras exp em galerias: 1986 - Desenhos, Clube 50, Lisboa, "Páginas de álbum, estudos de bichos", e Gal de Arte de Vilamoura, a convite de Cruzeiro Seixas. 1987, Gal. Gilde, Guimarães.
1996, "Cinco figuras de convite", azulejo, Ratton

4. ANOS 90
Pomar não expõe na 111 na década de 1990.

Em galerias de Paris nos anos 1990-2001:
FABLES ET PORTRAITS, Galerie Gérald Piltzer, 1994, com a publicação de um livro, texto Claude-Michel Cluny.
L'ANNÉE DU COCHON OU LES MÉFAITS DU TABAC, Gal. Piltzer, 1996 (a série dedicada a Ulisses e outrostemas); com um deficiente Jornal da exposição com texto de José Cardoso Pires)
LES JOIES DE VIVRE, Galerie Gérald Piltzer, 1997 (passagem a grandes formatos durante uma grave situação de saude, um cancro; regresso ao tema do Xingu; publicado um álbum com ensaios de Marcelin Pleynet e António Lobo Antunes.
LA CHASSE AU SNARK, L'ENTRÉE DE FRIDA KHALO AU PARADIS, CONTES MORAUX, Galerie Gérald Piltzer, 1999, e Salander O'Reilly Gallerie, Nova Iorque, 2000; publicação de um álbum com texto de Marcelin Pleynet, ed Piltzer.
QUELQUES DESSINS, Galerie Flora J, 2001; com livro homónimo. (A exp entrou em itinerância em Portugal: "Alguns desenhos", Gal. Valbom 2003)
Nesses anos de voragem do mercado, e altos valores, Manuel de Brito recusa-se a comprar em França, o que incrementa a acção de intermediários, galerias Antiks, Cordeiros, Quadrado Azul, Fernando Santos, Valbom etc, e de vários dealers.

Outras exposições em galerias:
1993 Tapeçarias recentes, Gal. Tapeçarias de Portalegre;
"Caracóis", azulejos, Ratton Cerâmicas, com álbum de poemas de Pedro Tamem


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 4 : grupos de nativos

Sem se tratar de um levantamento etnográfico programado ou metódico, tanto quanto se percebe pelo acervo que deixou - sempre em chapas de vidro, aqui impressos por Roberto Santandreu a partir dos negativos integrais -, Veloso de Castro fotografa lugares e grupos indígenas à margem, mas no ambiente, das suas responsabilidades militares. É um observador interessado, atento aos usos locais, onde os registos em pose, mesmo quando são frontais, nunca têm a rigidez hierática e submissa da então habitual fotografia etnográfica e antropométrica. A composição recusa a simetria e a imobilidade obrigatória das figuras, na habitual posição de autoridade, apesar de ter de empregar sempre o tripé e de encenar ou imobilizar os "figurantes", mas aceitando movimentos e imprevistos. A última destas imagens é um raro instantâneo.

Divergindo dos "levantamentos" anteriores (Cunha Moraes e Serpa Pinto) e seguintes, já dos anos 30 (a Missão Suíça de 1932-33 editada em 1934 pelo Museu de Neuchâtel, Fernando Mouta 1934, Elmano da Cunha e Costa  (1933-29), as fotografias não incidem sobre o "primitivismo" e a "rudeza" dos indígenas, não objectificam os corpos e as figuras. Pelo contrário parecem resultar da curiosidade e da empatia estabelecida com os seus modelos. Não fotografa o "gentio", os cafres, e percebe-se que o enquadramento militar (as "campanhas de pacificação") estabelecia uma relação mais digna e correcta do que o meio das missões ou dos agricultores colonos. Depois de os sobas prestarem vassalagem, as relações de trabalho parecem seguir com préstimo para as duas partes. Não conheço outras fotografias assim.

É um artista, um amador, e um militar, e um colonial. É assim que fotografa.

Ver a seguir nº 5 O Trabalho e a seguir os colonos, famílias mistas

"Celeiros do Libôlo - Dala Cachibo" 1908 (neg. 80x 101mm)

"Dala Cachibo - Tipos Libôlo", 1908 (81x106mm). Junto ao celeiro, provável família polígama

"Entrada de uma casa indígena" 1912 (neg. 87x120mm) - é certamente a casa de um feiticeiuro

cemitério indígena usando vasos e recipientes europeus

Dois sobas com as suas famílias

"Soba Cachiga e outros importantes", 1908 (neg. 81x111mm) com soldados nativos e um graduado negro, mais um oficial branco


"Mucusso - Mulheres do Baixo Cubango" 1910 (neg. 86x115mm)


na cidade, prováveis prostitutas


"Calulo - Desporto dos indígenas - Jogo da pela" 1908 (beg., 79x111mm)








VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 3 : OS RETRATOS

O retrato na obra de Veloso de Castro, numa brevíssima amostra diversificada.

Os auto-retratos não só actos narcísicos, é evidente a ambição de se afirmar como artista


Tenente Veloso de Castro, 1910

"Avestruzes no rio Cubango", 1910 (neg. 85x115mm)

Retratos de grupo (brancos):


"Um grupo de Maianga", 1909 (neg. 80x115mm). + "Visita dos Belgas", 1912 (neg. 87x120mm)


Retratos de nativos (muito longe das fotos etnográfiacas antropométricas): há sempre a atenção à individualidade dos modelos, a afirmação da sua dignidade, uma cumplicidade empática


"Protótipo de Quissama - Um caçador, 1909"

"Prisioneiro de guerra", 1907 (neg.103x787mm.) O prisioneiro Cuamato da campanha de 1907 a quem é concedido conservar a sua arma e os adereços-amuletos vindos da derrota portuguesa de 1904 no Cunene


"Mulher do Lubango", 1910 (Vénus africana, a notar os dentes arrancados, sinal de beleza)

Rapaz de ambaca, 1905 (neg.94x77 mm)



"Casal de Gingas", 1905 (neg. 93x77 mm)

"Actual rei do Congo", 1914 (neg. 95x145mm) Sendo uma foto em pose, frontal, note-se a disposição das outras figuras e dos seus olhares

sábado, 10 de janeiro de 2026

VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 2: AS PAISAGENS

José Veloso de Castro não se fecha num género de fotografia. Tudo lhe interessa e tudo é tema de grandes fotografias: a paisagem, o retrato e o auto-retrato, a reportagem das acções militares, as populações nativas e os colonos instalados (as famílias mistas, o que é raríssimo ou único), as cenas de trabalho indígena ou oficinal, etc.

Aqui algumas paisagens, e é admirável a integração da figura na paisagem, o que só pode ver-se nas provas ampliadas a partir das chapas ne vidro (é um dos casos em que o aproximo do olhar de Sebastião Salgado):