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coisas várias, artes (plásticas, fotográficas e comestíveis), escritos, promoções e embirrações
O
trabalho de Mauro Pinto é resultado de uma forte referência da tradição
do fotojornalismo Moçambicano e da sua tradução para uma linguagem
contemporânea, reinventando consigo novos
formalismos e temáticas. Há uma clara dualidade no seu trabalho, entre a
continuidade de nos mostrar os alertas sociais que se apresentam ao seu
redor e o rompimento de uma dialéctica de leitura directa,
experimentando, sem preconceitos, novas soluções estéticas e
conceptualmente mais complexas. O seu trabalho assume uma dicotomia
entre o regional e o global, entre norte e sul, entre a abundância e a
escassez. Mauro Pinto é um fotógrafo comprometido com um olhar de alerta
do seu tempo. Representa a resistência de um contexto periférico e a
coragem da inevitável afirmação de um olhar original em circuitos
regionais e inter-continentais, afirmando-se como um fotógrafo de
contrastes e de forte dinamismo social
O
que desenho nesta proposta não é um mapa, não são somente as
linhas limítrofes da cidade de cimento e da Mafalala, ou a topografia
de tecido urbano com a especulação imobiliária que pulsa. O que
trago para aqui é uma certidão de nascimento narrativa, pessoal e
colectiva. É uma árvore genealógica descrita nestes móveis, nesta luz,
nestas bugigangas, pertencentes a estes negros, mestiços, emigrantes,
imigrados, resistentes.“Dá licença” passa assim a ser uma interjeição afirmativa para iniciar um relato e afirmar uma existência.