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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Um varão de blusões, o mercado das identidades, sobre Helena Mendes Pereira, a Zet Galeria, o Muzeu, a dst

Sobre os mercados institucionais

Volto à conversa com a Helena Mendes Pereira, permita que a trate assim, com admiração, sem nos conhecermos ainda pessoalmente. Sou um chato, mas acho que a Helena, com a sua apreciável ingenuidade e o acelerado voluntarismo, meteu-se em trapalhadas, enfiou o pé na argola ou pôs a pata na poça, mais coloquialmente.





Quero dizer que o artigo do DN (09 06 26 - um ensaio sobre a arte que tem, afinal, por assunto a "identidade") seria uma boa oportunidade para nos elucidar sobre o mercado da arte - o mercado não é o mal, a arte sempre existiu no mercado, ou nos mercados, a igreja, os príncipes, o poder, em suma, antes de se ter democratizado entre menos ricos com a ascensão das burguesias no séc. XIX (o povo foi sempre só consumidor, ou entra no mercado dos cromos). E hoje os museus, nacionais, locais, fundacionais, empresariais, pessoais, ou seja, as colecções institucionais ou afins, são hoje um grande mercado poderoso e influente, preponderante (seguido com devoção pela crítica e a imprensa: ...o "Y" ou o "E" viajou a convite de X). Mas note-se que o mercado dos cromos continua a ser maioritário e descontrolado - basta ver as feiras de artesanato, as galerias discretas, as decorações de hotel.
Na minha opinião, essa presença ostensiva e mesmo agressiva dos mercados institucionais, que se diz ser "política cultural", e de que a imprensa é o reflexo cúmplice, tem afastado o público amador (ou "amante", não gosto da palavra assim empregue) e os pequenos ou médios coleccionadores privados, mais compradores devotados que coleccionadores - a palavra coleccionador assusta.