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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

A AMEAÇA DO DESIGN. UM CATÀLOGO DO MNE

 Deixam os designers à solta e fazem asneira. Ficam a brincar com coisas sérias, aqui numa publicação académica (e que também é acessível para quem tem o MNE como um pólo precioso na cidade)!

Exemplo: as cores a complicar a página, e o texto não justificado. Passa-se do azul a um ocre algo apagado na capa (aí está bem) e dentro em cada página, sem se saber porquê, a fazer feitios em manchas irregulares, variáveis e arbitrárias. São supostas "modernices" que dificultam a leitura.




Mas muitas vezes os designers gráficos não lêem, não precisam nem gostam de ler... interessa-lhes fazer "arte". A distribuição do texto pelas páginas que a máquina cumpre com a eficácia pedida passa então a dar lugar a efeitos acidentados e inúteis, a preciosismos inúteis.
No caso assinaa o Design Lisa H. Moura (Frau im Monde)




Acontece que é uma edição do Museu de Etnologia assegurada pela nova Museus e Monumentos EPE (a mostrar "imaginação" onde devia haver sentido patrimonial) e pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda, que tem ou tinha competências conhecidas.






quarta-feira, 27 de agosto de 2025

2025, no MNE e no CIAJG, colonialismo e "primitivismo"

ISTO NÃO É / ISTO NÃO ERA UMA EXPOSIÇÃO
LEMBRANÇA de MAGRITTE no MNE e CIACJ: Um labirinto de lençóis e uma mesa-serpente de fotocópias


Centro Internacional das Artes José de Guimarães

Problemas do Primitivismo – a partir de Portugal

problemas-do-primitivismo

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

2024, Museu de Etnologia, como não "descolonizar"

UM ESTENDAL DE LENÇÓIS NÃO É UMA EXPOSIÇÃO.



É a pior exposição do ano (ou da década: "Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário", no MNE

É principalmente uma lamentável operação política de desinformação e propaganda woke / “decolonial” (o racismo invertido) apresentada num lugar institucional, num museu do Estado, em contra-corrente (à maneira do Bloco) com as políticas oficiais de relacionamento com o passado colonial e os novos países de língua portuguesa. E é também uma indigente concepção de design expositivo e montagem, que trai a grande escola das mostras do MNE.
UM ESTENDAL DE LENÇÓIS NÃO É UMA EXPOSIÇÃO.
A prof Isabel Castro Henriques é uma respeitável senhora mas isto não se faz nem deve ser tolerado. É um mt infeliz fim da carreira, à frente de um grande número de colaboradores com actividades nesta área.
O catálogo - nos textos que li e na paginação - é também uma muito mau trabalho, e não apenas por ser uma soma de escritos apressados e descuidados. E aponto em especial o surpreendente pequeno texto de Diogo Ramada Curto, em contradição com o que antes publicou sobre a matéria, e em particular sobre a recepção das obras de Gilberto Freyre. (Ver texto a propósito)
Um silêncio comprometido ou envergonhado cobre esta exposição, que teve já uma vigorosa crítica do antropólogo José Teixeira (aqui no Facebook e no blog Nenhures). Mas é indispensável "desconstruir" esta exposição incluída nas comemorações do 25 de Abril; ela deve ser discutida em especial na sua dimensão partidária e pela sua gravidade política até deverá merecer a atenção da AR sem se deixar a iniciativa ao populismo da direita, aliás simétrico. Não é só um disparate, é um erro grave perante a história.

E Isto não deve (não pode), não devia, ficar visitável até meados de 2025 - mas já vamos em Abril de 2026 e ainda lá está. O MNE não tem verbas para novas exposições, ou para expor o seu excepcional património.


1. Uma exposição não é um labirinto de lençóis. O que há de melhor: as pinturas do são-tomense Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete ("Canarim") 1894-197? : "a arte de um curioso artista Nativo da Província Portuguesa. S.Tomé". E tb se encontra a habitual Mónica de Miranda, Porto 1976, dita afrodescentente, que representa Portugal na Bienal de Veneza de 2024: são fotografias sem interesse e duas maquetes foleiras...




Já há catálogo, 344 páginas e 40 €. Mas se os textos do Diogo Ramada Curto e da Joana Pereira Leite / João Pina Cabral são tão insuficientes ou preguiçosos, como serão os outros? O primeiro, em "Do mito do Luso-tropicalismo ao mito da Lusofonia", alinha com a vulgata pós-colonial sustentado no oposicionismo datado de Alfredo Margarido, este então mais interessado na "denúncia" do que na compreensão das realidades sociais e culturais (esperava mais do DRC). O segundo sobre a oposição ao regime em Moçambique fica-se pela rama, falando de repressão sobre a Frelimo e da intervenção de advogados democratas. Lembram aquilo a que assistiram, sem falar, por exemplo, de figuras como D. Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, e Sarmento Rodrigues, governador...

Recordo a propósito uma recente exposição exemplar no Museu do Quai Branly, "L'Afrique des Routes. Histoire de la circulation des hommes, des richesses et des idées à travers le continent african". 2017. Teve colaboração qualificada de investigadores portugueses.





No museu de Museu Nacional de Etnologia, Desconstruir... Descolonializar..., a autoflagelação masoquista póscolonial, o "pensamento woke" decolonial tipo Bloco e em geral a falta de bom senso de que o país é vítima.
Alguns exemplos de desafios, atitudes, intervenções e lutas que testemunham oposições ao regime e ao colonialismo (incluindo as manifestações contra o centralismo de Lisboa por parte dos colonos de Angola e da maçonaria local, a Kuribeka, crescentemente autonomistas), que estão ausentes da exposição por não servirem o gosto pela vitimização e também por preguiça e ignorância.

Da Exposição-Feira de Angola 1938 e do desconhecido e polémico Plano de Fomento que Carmona promulgou antes de chegar a Luanda até ao livro de Fanon editado em 1972, e que traduzi.



domingo, 10 de novembro de 2024

2024, Diogo Ramada Curto, luso-tropicalismo, Diamang (desconstruir e descolonizar)

 Não esperava que o Diogo Ramada Curto alinhasse com o primarismo, o obscurantismo e a deturpação da história (quando não é ignorância) que impera na exposição do MNE, a pretexto de Desconstruir e Descolonizar....

Publicado no Facebook




Vejam-se três passagens do seu artigo, rápido e leviano, com erros óbvios:
1. "Só a partir da década de 1920 <será gralha?>, surgiu o luso-tropicalismo mas as propostas freyrianas só encontraram eco em Portugal, depois da Segunda Guerra. <no seu livro de 2022 abaixo referido DRC escreve o contrario> Margarido considerou que o atraso na recepção da obra de Freyre se deveu, sobretudo, ao facto de não existirem em Portugal condições para entender a linguagem das ciências sociais ou da sociologia. De qualquer modo, as ideias de Freyre foram usadas de modo truncado, tendo em vista a sua instrumentalização na consciência e na prática coloniais portuguesas. Na argumentação de Margarido, ...etc" pág. 260.
2. “Por exemplo, o sonho salazarista de que Portugal não era um país pequeno exprime um "delírio nacionalista" e imperial, bem representado em mapas destinados à propaganda <foram da iniciativa do colonialista Henrique Galvão, depois perigoso oposicionista>. Após 1974-1975, o mesmo sonho imperial - que já fora reformado para se afirmar o carácter excepcional do "mundo português", deixando cair as noções de império e colónias - acabou por ser transferido para o domínio da língua e da cultura. Uma operação que permitiu continuar a afirmar a "grandeza" de Portugal, esquecendo a cultura dos outros.” p 262
3. "Em estreita ligação com a influência da sociologia de Florestan Fernandes, o que continua a estar em causa debaixo das ideias de lusofonia não são meros <meros!> projectos culturais ou linguísticos, evocados em discursatas diplomáticas de circunstância ou comemorações; o que está verdadeiramente em causa são interesses e políticas económicas determinados por fluxos migratórios e pelo mercado laboral. Pois é nestes últimos que será possível encontrar o nexo dos movimentos de abertura e de contracção de angariação de mão-de-obra, tanto os que se prolongam no tempo como os sazonais. Só através da compreensão de tais movimentos (e das políticas que lhes correspondem) se poderá fugir aos riscos de abordagens que tendem a concentrar-se em meras <meras!> políticas culturais e da língua, que são quase sempre áulicas, circunstanciais e comemorativas. Que a cultura em tempos pós-coloniais e as políticas etc..." p. 263/4
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Como se sabe a formulação do luso-tropicalismo surge só nos anos 50, embora esteja em grande medida subjacente na teoria de G Freyre desde pelo menos "Casa Grande & Sanzala", de 1933, que escreveu em Portugal durante a ditadura de Getúlio Vargas. O livro teve eco por cá junto dos sectores democratas do colonialismo progressista, tal como aconteceu depois com "O mundo que o português criou" (1940), o qual "foi mal recebido pelo campo político em Portugal, onde reinavam as concepções racistas" (Laurindo Mekie Pereira, ver comentário).
António Sergio escreveu o prefácio da edição brasileira, que foi incluido na ed. portuguesa de Livros do Brasil (anos 40 e anos 70, 2ª ed.). <A BN não tem essa primeira ed. brasileira mas posso vender o meu exemplar...> Na Fund. Mário Soares existe uma versão fotocopiada do prefácio vinda do Arquivo Mário Pinto de Andrade. Está acessível.
Lembremos também, sem alargar a pesquisa, que não me compete fazer, os artigos da Seara Nova de Maria Archer (foi-lhe dedicado um colóquio em 2022: https://www.publico.pt/.../homenagear-escritora-maria...
E a revista «O problema colonial», Seara Nova (n.º especial), n.º 68/69, 9 de janeiror 1926 , é anterior. https://pt.reviseara-nova/issue/iss_0000000670

DRC interessa-se em especial pelo percurso de José Osório de Oliveira, intelectual do regime que então se relacionava com G.F. e mais tarde veio a tomar a defesa da Diamang contra ele, Freyre....
A cumplicidade de G Freyre com o regime afirma-se em 1952-53 graças a um convite de Sarmento Rodrigues <ministro do Ultramar e responsável por reformas da administração colonial, foi governador de Moçambique de 1961 a 64 e mandado de regresso por Salazar - era um liberal do regime > para percorrer as colónias, mas é preciso relevar a crítica pesada que Freyre faz ao domínio da Diamang como a excepção portuguesa no campo das relações com os negros, o que motiva em resposta um maior investimento da empresa do comandante Ernesto Vilhena <ministro das Colónias e dos Negócios Estrangeiros da República, deposto pela junta de Sidónio Pais, fundador da Diamang em 1917 e presidente até 1966, maçom e grande coleccionador de arte, abertamente racista, impulsionou o Museu do Dundo> nas publicações e iniciativas culturais. E GF distancia-se do regime quando começam as guerras de libertação.
A sua obra e o seu pensamento são por cá mal conhecidos e o nome é usado como um espantalho na vulgata póscolonial.
A ligeireza de Diogo RC é tanto mais estranha quanto ele percorre a bibliografia da época e sobre a época no capítulo “Um álbum fotográfico da diamang” no livro "O colonialismo português África de Livingston a Luandino", ed 70, 2022.
Na capa da ed. especial Seara Nova: "O Infante D. Henrique iniciador de descobrimento científico do planeta e da obra de colonização europeia"

sábado, 22 de setembro de 2001

2001, MNE, "Isumavut" Inuit

 Etnologia 2001 – “Isumavut” Inuit

a propósito das Pinturas Cantadas das mulheres de Naya, Bengala, Índia, a arte das mulheres esquimós Inuit do Canadá.


Expresso de 22/9/2001

"Construir a tradição"
Gravuras e esculturas de nove mulheres artistas do Canadá
Expresso de 22/9/2001

ISUMAVUT: A Expressão Artística de Nove Mulheres de Cape Dorset

(Museu de Etnologia, Até 16 de Dezembro)

ver: Isumavut: The Artistic Expression of Nine Cape Dorset Women – Isumavut

As paredes brancas lembram as superfícies geladas do círculo polar ao
mesmo tempo que conferem ao espaço do museu a aparência habitual de uma
galeria de arte. Uma exposição vinda do Canadá dá a conhecer exemplos
do que hoje por vezes se designa como arte autóctone contemporânea,
numa das suas numerosas variedades regionais. É para o Museu de
Etnologia uma orientação algo diferente da sua actividade regular, na
qual a dimensão estética dos objectos não é geralmente valorizada por
si mesmo enquanto arte, já que aquela não se separa das funções
utilitárias, rituais e simbólicas das peças expostas, tomadas como
representação de uma cultura tradicional.

A exposição vem do Museu Canadiano das Civilizações – link , de Otava, e apresenta 92 obras de mulheres artistas inuit, ou esquimós, segundo a designação usada até há pouco. Organizada em 1992-94 e colocada depois em itinerância, foi trazida a Lisboa pela Comissão dos Descobrimentos no quadro das celebrações dos 500 anos da chegada dos irmãos Corte Real à Terra Nova e é constituída por gravuras, desenhos e esculturas, sempre acompanhadas por breves textos nos quais as artistas inuit comentam ou elucidam aspectos das suas obras e da sua vida. O título «Isumavut», seguido por «A Expressão Artística de Nove mulheres de Cape Dorset», traduz-se por «o que nós pensamos» ou «a nossa opinião», e é através desses testemunhos que se pode conhecer o contexto cultural de que as obras emergem.

Não são formas de arte tradicional que se expõem, mesmo que os temas das obras quase sempre se refiram a antigos modos de vida da população esquimó do Canadá. A utilização predominante da gravura em pedra e da litografia a cores, em provas impressas de grande qualidade, alerta-nos desde logo para técnicas e condições de produção que não são habituais na arte popular. Por outro lado, a criação artística na antiga sociedade inuit, conhecida através da produção de pequenas esculturas em marfim, osso e pedra, era exclusivamente uma actividade masculina.

O que é especialmente significativo nesta mostra, para além da beleza das obras, é o facto de ela documentar a criação de uma arte autóctone (e também do artesanato que lhe está associado) que tem como destinatário a população branca do sul, surgida numa situação de transformação radical das condições de vida da respectiva população e constituindo-se rapidamente como uma actividade económica significativa, em parte alternativa ao colapso do comércio tradicional das peles. Para uma população activa que ronda as dez mil pessoas, num total de 25 mil habitantes, o número dos artistas e artesãos oficialmente reportoriados ascende a quatro mil. Fortemente estimulada pela administração do Canadá, que lhe assegurou um mercado museológico, galerístico e «turístico» de grande dimensão, adoptada, simultaneamente, como arte oficial e como verdadeira indústria de exportação, a produção dos artistas inuit está também intimamente associada ao processo de afirmação da identidade cultural do seu povo e de conquista da autonomia política, que conduziu, já em 1999, à criação da nova região administrativa do Canadá, Nunavut.

Na década da 50 tinha-se completado a sedentarização da população inuit e também a destruição da sua economia de subsistência. Na década seguinte, Cape Dorset, uma povoação que tem hoje 1500 habitantes, no sul da ilha de Baffin, tornava-se a capital artística da região sub-ártica por influência directa de James Houston, um artista de Toronto que aí se instala e introduz a prática da gravura, segundo métodos aprendidos no Japão, promovendo a fundação de uma cooperativa pioneira a que estão associadas várias das artistas apresentadas. Os seus testemunhos na exposição e no catálogo dão conta do estímulo económico directo que esteve na origem desta produção artística, orientada intencionalmente para a fixação de testemunhos sobre as formas tradicionais de vida.

Usando temas da fauna do ártico e cenas da vida quotidiana ou da caça tradicional, a par de representações de espíritos e imagens mitológicas e chamânicas, numa direcção mais livremente imaginária, estas obras constroem a memória colectiva e local de uma sociedade em mudança.