segunda-feira, 11 de novembro de 2024

2024, Museu de Etnologia, como não "descolonizar"

UM ESTENDAL DE LENÇÓIS NÃO É UMA EXPOSIÇÃO.



É a pior exposição do ano (ou da década: "Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário", no MNE

É principalmente uma lamentável operação política de desinformação e propaganda woke / “decolonial” (o racismo invertido) apresentada num lugar institucional, num museu do Estado, em contra-corrente (à maneira do Bloco) com as políticas oficiais de relacionamento com o passado colonial e os novos países de língua portuguesa. E é também uma indigente concepção de design expositivo e montagem, que trai a grande escola das mostras do MNE.
UM ESTENDAL DE LENÇÓIS NÃO É UMA EXPOSIÇÃO.
A prof Isabel Castro Henriques é uma respeitável senhora mas isto não se faz nem deve ser tolerado. É um mt infeliz fim da carreira, à frente de um grande número de colaboradores com actividades nesta área.
O catálogo - nos textos que li e na paginação - é também uma muito mau trabalho, e não apenas por ser uma soma de escritos apressados e descuidados. E aponto em especial o surpreendente pequeno texto de Diogo Ramada Curto, em contradição com o que antes publicou sobre a matéria, e em particular sobre a recepção das obras de Gilberto Freyre. (Ver texto a propósito)
Um silêncio comprometido ou envergonhado cobre esta exposição, que teve já uma vigorosa crítica do antropólogo José Teixeira (aqui no Facebook e no blog Nenhures). Mas é indispensável "desconstruir" esta exposição incluída nas comemorações do 25 de Abril; ela deve ser discutida em especial na sua dimensão partidária e pela sua gravidade política até deverá merecer a atenção da AR sem se deixar a iniciativa ao populismo da direita, aliás simétrico. Não é só um disparate, é um erro grave perante a história.

E Isto não deve (não pode), não devia, ficar visitável até meados de 2025 - mas já vamos em Abril de 2026 e ainda lá está. O MNE não tem verbas para novas exposições, ou para expor o seu excepcional património.


1. Uma exposição não é um labirinto de lençóis. O que há de melhor: as pinturas do são-tomense Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete ("Canarim") 1894-197? : "a arte de um curioso artista Nativo da Província Portuguesa. S.Tomé". E tb se encontra a habitual Mónica de Miranda, Porto 1976, dita afrodescentente, que representa Portugal na Bienal de Veneza de 2024: são fotografias sem interesse e duas maquetes foleiras...




Já há catálogo, 344 páginas e 40 €. Mas se os textos do Diogo Ramada Curto e da Joana Pereira Leite / João Pina Cabral são tão insuficientes ou preguiçosos, como serão os outros? O primeiro, em "Do mito do Luso-tropicalismo ao mito da Lusofonia", alinha com a vulgata pós-colonial sustentado no oposicionismo datado de Alfredo Margarido, este então mais interessado na "denúncia" do que na compreensão das realidades sociais e culturais (esperava mais do DRC). O segundo sobre a oposição ao regime em Moçambique fica-se pela rama, falando de repressão sobre a Frelimo e da intervenção de advogados democratas. Lembram aquilo a que assistiram, sem falar, por exemplo, de figuras como D. Sebastião Soares de Resende, bispo da Beira, e Sarmento Rodrigues, governador...

Recordo a propósito uma recente exposição exemplar no Museu do Quai Branly, "L'Afrique des Routes. Histoire de la circulation des hommes, des richesses et des idées à travers le continent african". 2017. Teve colaboração qualificada de investigadores portugueses.





No museu de Museu Nacional de Etnologia, Desconstruir... Descolonializar..., a autoflagelação masoquista póscolonial, o "pensamento woke" decolonial tipo Bloco e em geral a falta de bom senso de que o país é vítima.
Alguns exemplos de desafios, atitudes, intervenções e lutas que testemunham oposições ao regime e ao colonialismo (incluindo as manifestações contra o centralismo de Lisboa por parte dos colonos de Angola e da maçonaria local, a Kuribeka, crescentemente autonomistas), que estão ausentes da exposição por não servirem o gosto pela vitimização e também por preguiça e ignorância.

Da Exposição-Feira de Angola 1938 e do desconhecido e polémico Plano de Fomento que Carmona promulgou antes de chegar a Luanda até ao livro de Fanon editado em 1972, e que traduzi.



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