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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Castro Soromenho, Elmano Cunha e Costa (e Manuel Ribeiro de Pavia): A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, 1946-48

O acervo fotográfico de Castro Soromenho

https://sobrecs.wordpress.com/acervo-castro-soromenho/acervo-fotografico/

O acervo fotográfico de Castro Soromenho encontra-se acessível no site dedicado ao escritor (site activo até 2020, mas acessível em 06.01.26). É uma grande colecção de provas originais de várias autorias e procedências não identificadas (também de postais). Em grande número foram produzidas por Elmano da Cunha e Costa, e incluidas no livro A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, 1946-48,  em 84 “estampas”, extra-textos legendados, por vezes com duas ou três fotos. Entre estas provas  contam-se muitas com marcas de corte e reenquadramento destinadas a essa edição, que dispõe de um “Indice das estampas - fora de texto”, sempre sem atribuição de autoria. 

Vol. 3. 38.  Uma grande orquestra – Jingas

Numa das edições que conheço, com encadernação editorial (392 pags. + 88 estampas reunidas no final), não existe nem indicação do editor; apenas a referência à “execução” na Empresa Nacional de Publicidade. (Em 1928 a Empresa do Diário de Notícias foi convertida na Empresa Nacional de Publicidade - ENP, controlada pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias e pela Caixa Geral de Depósitos.)

Noutra edição, com encadernação diferente e com as estampas distribuídas ao longo do volume, é indicada no rosto a Terra Editora, Lisboa, 1946 a 1948, e no verso a autoria da “realização gráfica” de Manuel Ribeiro de Pavia, de quem são as capitulares e inúmeras gravuras impressas a duas cores, preto e vermelho. O fotógrafo também não é referido. Pavia, 1907-1957, era então um frequente ilustrador de autores neo-realistas e expositor nas EGAP.

É referida por Cláudia Castelo e Catarina Mateus (em O Império da Visão, 2014, ver abaixo) uma 2ª edição , da Editorial Sul, Lisboa, 1956, com “nova selecção fotográfica do mesmo autor, mais uma vez sem os devidos créditos”.



Castro Soromenho foi funcionário colonial e escritor, com um itinerário intelectual e político que o afastou do regime, o fez anticolonialista e escritor angolano, e que o levou ao exílio. É um percurso fascinante

BIOGRAFIA DE CASTRO SOROMENHO (extractos)

https://sobrecs.wordpress.com/biografia/

“A respeito dessa segunda fase, que se aproxima do neo-realismo, disse Castro Soromenho, em entrevista a Fernando Mourão[9]: “… depois de reviver [em Portugal] a minha vida de Angola, fazendo tábua rasa de idéias feitas e dando-me conta de erros de interpretação originados pelo clima social vivido desde a infância numa sociedade em formação, heterogênea pela sua própria natureza (…) Colocado, no tempo e no espaço, numa posição que possibilitou novas perspectivas, o homem e a sua vida, a terra e o meio social revelaram-se na sua forte autenticidade. (…) Desde que nos meus romances surgiram novas realidades sociais e se me apresentaram as suas contradições, logo se me impôs, naturalmente, uma nova técnica – e um novo estilo literário. O neo-realismo teria de ser o novo caminho”.

No ano de 1946, começa a sair em fascículos A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, terminada a a edição no final de 1948. 

Em 1948, Castro Soromenho é encarregado, juntamente com os escritores Adolfo Casais Monteiro e António Pedro, da propaganda eleitoral no rádio do General Norton de Matos, candidato oposicionista à presidência da República. O programa de rádio não pôde ir ao ar e Norton de Matos desiste da candidatura por falta de condições políticas. Nesse mesmo ano, o escritor faz sua primeira viagem à França.

Voltando atrás:

Infância e juventude em Portugal e África. Com menos de dois anos, Castro Soromenho (n. 1910, Chinde, Zambézia - 1968 São Paulo) vai para Angola (Huambo). Por volta de 1916, quando tinha cinco ou seis anos, seus pais decidem enviá-lo a Portugal, junto com seu irmão Nuno, dois anos mais novo, para cursar o ensino primário e secundário como aluno interno num colégio localizado em Lisboa. Vive em Portugal até aos 15 anos e conclui o quinto ano do liceu. 

 

Em 1925, regressa a Angola vivendo no distrito da Huíla durante dois anos e cursa a Escola Primária Superior “Artur de Paiva”...

De junho de 1928 a janeiro de 1929, trabalha como funcionário numa agência de recrutamento de mão-de-obra da Companhia dos Diamantes, em Vila Luso, Distrito de Moxico. Permanece menos de um ano nesse cargo. Ingressa no Quadro Administrativo de Angola e exerce os cargos de Aspirante e de Chefe de Posto, funções que manteve até aos 27 anos de idade.

Nesse período, Castro Soromenho passou a maior parte do tempo nos sertões do leste de Angola (Luchazes, Moxico e Lunda) e fez, provavelmente, diversas viagens a Portugal. Devido à falta de registros oficiais dessa fase de sua vida, é difícil identificar com segurança as regiões nas quais serviu. Mas no relatório Distrito da Lunda (que se refere ao período de 1931 a maio de 1933), Castro Soromenho consta na “relação do pessoal administrativo colocado no distrito da Lunda, Circunscrição de Saurimo”, como “Aspirante”.

Nos sertões de Angola, Castro Soromenho dedica-se ao estudo da vida dos nativos, dentro dos padrões de sua cultura, e a questões coloniais. O interesse pela etnografia dos povos africanos persistiria ao longo de toda a sua vida.

Aos vinte e dois anos de idade, ainda quando vivia nos sertões, escreve seus primeiros contos, entre os quais Aves do além que é publicado no jornal Ultima Hora em abril de 1934. Esses contos seriam posteriormente reunidos no primeiro livro do escritor, Nhárí, de 1938.

Em 1936, renuncia à carreira administrativa, contra a vontade de seu pai, por incompatibilidade profissional e ideológica... Fixa-se por pouco tempo em Luanda onde trabalha como jornalista no Diário de Luanda e colaborador do Jornal de Angola. Nesse ano de 1936, é publicada sua primeira coletânea de contos, Lendas Negras, nos Cadernos Coloniais, n. 20. No começo de 1937 (ou no final de 1936), Castro Soromenho vai para Portugal e jamais retornaria a Angola.


Ilustrações de Pavia




Alguma Bibliografia

1. ROGER BASTIDE E ANGOLA - A LUNDA -- NA OBRA DE CASTRO SOROMENHO, FERNANDO AUGUSTO ALBUQUERQUE MOURÃO - DO CENTRO DE E S T U D O S AFRICANOS, U.S P

https://sobrecs.wordpress.com/wp-content/uploads/2010/03/bastide-a-lunda-na-obra-de-castro-soromenho.pdf

2. "Castro Soromenho: escritor africano", MANUEL RODRIGUES VAZ

https://triplov.com/revistaTriplov/castro-soromenho-escritor-africano/

3. "CHINUA ACHEBE E CASTRO SOROMENHO: COMPROMISSO POLÍTICO E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA EM PERSPECTIVAS LITERÁRIAS" Stela Saes (USP)

https://www.abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1456150869.pdf

4. José Augusto França – "Castro Soromenho: nota brevíssima à sua memória"

https://revistas.usp.br/africa/article/view/95967/95225

5. Pavia africanista, Almanaque Silva, 2011

https://almanaquesilva.wordpress.com/2011/01/18/a-africa-negra-de-pavia/

6. "Etnografia Angolana" (1935-1939): histórias da coleção fotográfica de Elmano Cunha e Costa" de Cláudia Castelo Catarina Mateus

https://www.academia.edu/30853492/_Etnografia_Angolana_1935_1939_hist%C3%B3rias_da_cole%C3%A7%C3%A3o_fotogr%C3%A1fica_de_Elmano_Cunha_e_Costa

domingo, 7 de janeiro de 2018

Cronologia FOTOGRAFIA PORTUGUESA (1916-1965

CRONOLOGIA in progress

apontamentos  - registada a 8 de Dez. 2013 - com Actualizações

Boletim Photographico (1900 - 1914), Arnaldo Fonseca e Júlio Worm editores
Illustração Portuguesa (1903-1924), suplemento semanal de O Século. Joshua Benoliel, Aurélio da Paz dos Reis, António Novaes e Arnaldo Garcez.
Arte Photographica (1915 - 1931) editado por B. dos Santos Leitão

1907, criação da  Sociedade Portuguesa de Photographia (integrada na  Sociedade Propaganda de Portugal)
1910, exposição de “Photographia Artística ” ,  Salão de Illustração Portuguesa

Afonso Lopes Vieira, Anibal Bettencourt, Júlio Worm, Maria Lemos de Magalhães,
Domingos Alvão
San Payo

Visconde de Sacavém,  Photograms of the Year

 1916
Exposição Nacional de Photographia, Dezembro SNBA, org. B. dos Santos Leitão. Com Arnaldo Garcez, Domingos Alvão, Fernando Carneiro Mendes, J. de Almeida Lima, Brum do Canto, Pedro Lima (tx o + intrigante e sugestivo profissional: retrato de Santa Rita > Paris)  (AS 224)

1922
António Ferro dirige a Ilustração Portuguesa

1924
Ilustração Moderna, dir. Marques de Abreu (1879-1958)


1926
(-1938) Ilustração

1927
(- 1933) Magazine Bertrand

1928
(-1935) O Notícias Ilustrado, supl. gráfico do Diário de Noticias. Dir. Leitão de Barros. Imp. rotogravura (mm ano que Vu, 1928-38)

Salazar Dinis, Denis Salgado, Ferreira da Cunha, João Martins, Mário Novais e Horácio Novais,  Judah Benoliel.

1929
I Exposição-Concurso de Fotografias, Março SNBA, org. B. dos Santos Leitão (ver 1916), dir. de Arte Fotográfica. Com João Martins, Silva Nogueira e o pp
Salão Kodak?


1930
I Salão dos Independentes: participação de  Mário Novais e de Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt, escritores da Presença
Presença, Jan. publica Branquinho da Fonseca e Edmundo de Bettencourt

terça-feira, 10 de abril de 2012

Castro Soromenho

Castro Soromenho escritor africano

Por RODRIGUES VAZ


Completaram-se 100 anos no passado dia 31 de Janeiro que, em 1910, na Vila de Chinde, Moçambique, nascia Fernando Monteiro de Castro Soromenho, filho de pai português que foi governador de Luanda e de mãe cabo-verdiana, o qual, depois de ter passado a sua infância e juventude em Angola, se veio a tornar, durante a sua segunda estada em Portugal, um dos pioneiros da ruptura com a até aí chamada literatura colonial.

http://jornalcultura.sapo.ao/letras/castro-soromenho-escritor-africano