II. Alice Neel, em "The American Century" Parte II, Whitney Museum 1999, é primeiro associada à vaga do "expressionismo figurativo" de meados de 1950, depois ao cinema Beat de Robert Frank e Alfred Leslie, de 1959, e volta a comparecer nos anos 1970 numa nova conjuntura de "retorno" à figura.
NA exposição anual do Whitney de 1972, "The Family (John Gruen, Jane Wilson and Julia)" de 1970
Nessa década - escreve-se - ela situava-se entre "alguns artistas mais velhos" como Philip Guston, que mudara de direcção em 1969, "a sair da opressiva academia da pintura formalista" (sic), da abstracção para uma figuração crítica e caricatural, e Cy Twombly (menos justificadamente) graças a alusões mitológicas e literárias ± vagas em gestualidades abstractas.
Mas Neel é especialmente alinhada com Philip Pearlstein, com os seus modelos nus friamente recortados em interiores domésticos - a este Pearlstein é habitual ligá-lo, por um lado, ao já antes referido Alex Katz (Parte I) e, por outro, aos "foto-realistas" como Richard Estes e Duane Hanson, escultor. Chuck Close, com os seus retratos muito ampliados é outro nome de que a aproximam forçadamente.
Trata-se então, no balanço periódico das tendências, das reviravoltas da crítica e do gosto, de um largo movimento de "regresso à figuração" e de "reconsideração da viabilidade da pintura", em competição directa com as "alternativas" da performance e da instalação, já depois da afirmação minimalista e pós-minimalista e conceptual, num período que era dito revolucionário, entre 1966 e 1972, de "intenso questionamento do cânone modernista" (sendo o modernismo norte americano o tardo-formalismo herdeiro de Greenberg).
CATÁLOGO DA RETROSPECTIVA DE 1974 NO WHITNEY
Alice Neel disse muitas vezes que não tinha nada a ver com esse "New Realism" foto- ou hiper-realista, mas o momento da sua primeira promoção museológica junta-a a essa nova figuração pós-Pop dos anos 60 e 70. No catálogo reconhece-se que vinha trabalhando desde os anos 30, reconhecida pelos seus retratos crus (francos) e desafiadores de personagens fortes representados sobre fundos lisos...
Em 1972 entrara pela 1ª x na exposição anual do Whitney, depois de uma campanha a seu favor, e aí expôs "The Family (John Gruen, Jane Wilson and Julia)" de 1970 (na foto). Em 1974 o Whitney dedicou-lhe a primeira retrospectiva, com 58 pinturas e um catálogo de 10 páginas (ver capa).
Em 1980 fez parte da grande exposição do Whitney "The Figurative Tradition", desde 1900 (The Figurative Tradition and the Whitney Museum of American Art - Paintings and Sculpture from the Permanent Collection, de Patricia Hills and Roberta K. Tarbell.) Expôs os retratos de Warhol e John Perreault, de 70 e 72.
Em 1982 participou em duas exposições itinerantes do mesmo museu, focadas nas décadas mais recentes: "Five artists and the figure" com Duane Hanson, Alex Katz, Philip Pearlstein, Alice Neel, George Segal - mostrou 5 quadros de 1966 a 1981, com Warhol, The Soyer Brothers, e Gus Hall, o secrertário-geral do PC norte-americano; e "Focus on the figure : twenty years", text by Barbara Haskell, desde os Pop à "bad painting", já com Eric Fichl, David Salle, Schnabel, Jonathan Borofsky, etc. Expôs aí "Jackie Curtis and Rita Red", de 1970.
Entretanto chegava a Lisboa (Fund Gulbenkian) tb em 1982 a grande exp. "Realismo Norte-Americano desde 1960" com origem na Pennsylvania Academy of the Fine Arts, apresentando 140 obras realizadas por 93 artistas: "Contemporary American realism since 1960", 1981, itinerante com promoção diplomática. https://gulbenkian.pt/historia-das.../exhibitions/434/ Estava representada com o retrato de Linda Nochlin com a filha, de 1973. Uma escolha estratégica: Nochlin era uma crítica e historiadora feminista que escrevera sobre o Realismo histórico e sobre a ausência de obras deu mulheres nos museus: "Why Have There Been No Great Women Artists?"
A vaga realista foi uma das vertentes da década pluralista (1980'), e não mudou a circulação mainstream, introduzindo alguns nomes no mercado e relegando a maioria para posições discretas. Aliás, "realismo" (tal como "expressionismo") é um conceito sem maior eficácia crítica nem destino teórico, em que muitos dos artistas referenciados não se reconhecem.
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