terça-feira, 16 de junho de 2026

2026, "Colecção do Estado": questão de preços, competência e idoneidade: "Como paga o Estado?"

Como paga o Estado? A quem?

O que se passou com os 40 mil euros pagos por uma importante pintura da Maria José Aguiar, a melhor compra da chamada “colecção do estado” em 2025, deve ser esclarecido. Deve saber-se quem vendeu e de que modo se comprou, mesmo que eu não concorde com essa suposta “Colecção do Estado” , uma espécie de saco roto (das esmolas?), nem respeite a comissão de compras.

Festa das Cruzes, 1974, de Maria José Aguiar

Se foi a própria artista que vendeu o quadro, poderia ter sido um acto de justiça e um gesto de humor da própria MJA, mas uma colecção institucional (estado ou não) não compra assim, negoceia com o artista ou a sua galeria (neste caso não tem) ou com intermediários, ou colecionadores, e adquire um conjunto significativo de obras: por exemplo, compra alguma(s) e recebe outra(s) como oferta. Se quer obras de um determinado artista procura no mercado (há para isso dealers, galeristas ou não ), informa-se sobre preços correntes e de leilões. Por mais que eu considere excelente e representativo esse quadro, e a melhor compra realizada em 2025, os 40 mil euros pagos são excessivos, absurdos e duvidosos. Deixam em duvida qual a parte da intermediação e em especial a idoneidade e a competência da comissão de aquisições. Os preços registados na Artprice pela MJA vão dos 2000 aos 4500 euros, obras vendidasm, e mesmo que os leilões estejam desacreditados são uma referência a ter em conta.
Deixemos o varão e os varões (assinalados?) em paz e foquemo-nos numa obra relevante.
Maria José Aguiar, que foi também professora da escola do Porto, afastou-se da circulação galeristica, julgo que desagradada. Foi em anos recentes reconsiderada e redescoberta à volta das orientações Pop. Mas uma obra por um preço exorbitante não basta para a representar nos museus públicos. Não se compra assim e impõe-se o inquérito.
Espero que ela se divirta com este quiproquó e esta imprevista notoriedade mediática.
Quanto à Coleção do Estado, que começou por comprar para Serralves, quando o museu estava ainda em projecto, e depois se dispersou e interrompeu e acabou a actuar - à maneira dos processos expeditos e levianos do António Costa - como instrumento de apoio a artistas, a pedido dos próprios (de alguns próximos), e à revelia das entidades especializadas, ela é um erro muito caro e uma arbitrariedade. Veja-se também nos anos Costa o irresolúvel caso do Museu do Design (na CML) e a “biblioteca” Manguel.
Para apoios a artistas deve haver bolsas, de trabalho, de viagem, de atelier, e prémios e programas pagos de exposições.
Convém distinguir as intenções, as práticas e as obras.

Mas se esta cena estranha chamar a atenção para a pintura da Maria José Aguiar já valeu a pena o preço.
Em tempo: embora integrada na malha da Museus e Monumentos EP, a comissão de compras depende directamente da ministra da cultura.


fonte: Artprice

e também:

quarta-feira, 10 de junho de 2026
Um varão de blusões, o mercado das identidades, a Helena Mendes Pereira, a Zet Galeria, o Muzeu, a dst. Sobre os mercados institucionais

quarta-feira, 27 de maio de 2026
2026, a arte contemporânea do Estado, as aquisições de 2025 são caso de polícia. €79.950 pelo varão de roupa usada?

segunda-feira, 18 de maio de 2026
2026, MMP EP, AVERIGUAÇÕES : "Colecção do Estado"... valores de compra absurdos 

1992, AAS : "Une si jolie famille", Bruxelas

"Une si jolie famille". Bruxelas, Botanique, 1992


E a primeira presença internacional, depois de três colectivas em Londres: 

"Making Time", Museum of London, 1987;

"Masks and Faces", The London Institute gallery, 1988; 

"BA Photography Degree Show", London College of Printing, 1988. (não disponho de informações sobre estas exp.)

Além de representações nacionais na Europália 81, Anvers, e na

Bienal dos Jovens Criadores, Valência, 1992.


Une si jolie famille (Portraits photographiques), 26 set a 8 nov 19921



São 6 fotografias e os personagens presentes vão subindo de 1 a 6, crianças e adultos; alguns repetem-se (todos os 3 homens, as mulheres não sei), as roupas mudam e os lugares da casa (ou as casas) e as mobílias variam, mas todos se dispõe sempre à volta de uma mesa de refeição. O Augusto comparece duas vezes (nos 2 e 5, ao lado de outro homem e com uma criança ao colo).


É uma encenação fotográfica, o que é único no seu trabalho enquanto série (há fotos com encenação discreta e ocasional noutras séries ou livros), e é também raríssima a auto-representação, não sendo aqui propriamente auto-retratos. 


O título da série é o título colectivo do projecto e do catálogo, e trata-se de uma representação dos 12 países da então Comunidade Europeia, concebido como um álbum de família ou um refrato colectivo. São retratos pouco originais as outras representações (nomes que não conheço), e excepto um caso, também com encenações, de grupos, todos P/B.


É aqui o retrato, individual e colectivo, a vários títulos identitário (a figura singular, um par de mulheres e outro de homens, as famílias ± alargadas) que se mostram e assim se questionam; quem são? que relações se estabelecem? Que grupos formam? E a repetição das figuras em situações diferentes adensam as dúvidas. É um jogo, um puzzle, um questionamento?


Do texto no catálogo: “Dès que nous abordons la mise en scène, nous quittons un peu plus le réel pour rejoindre la métaphore. C'est le cas avec la séquence imaginée par Augusto Alves Da Silva qui propose entre autres choses son regard sur l'évolution d'une famille dans le cadre délimité d'une salle de séjour. Du personnage solitaire à la tribu de six individus, il passe en revue la plupart des possibilités de cellule familiale dans un mouvement évolutif, n'omettant pas le cas échéant de remplacer un élément du groupe par un autre. Il y parle donc aussi de l'intrusion, de l'exclusion, du départ, de ces accidents qui jalonnent la vie d'une famille.” Alain D'Hooghe




1994: A série foi incluída na exp. "Depois de Amanha", CCB, Lisboa'94, comis. Isabel Carlos

com o título "QUE BELA FAMÍLIA", Fugicrome 75x93cm
e um texto de António Sena no catálogo: "Photomaton e Senso Comum". pp 27 a 34.

(os candieiros e as mesas sempre redondas, as janelas fechadas)

sexta-feira, 12 de junho de 2026

1996, 2026, HOCKNEY em Nova Iorque: "Snails Space" (e Arikha e Ross Bleckner)

 Hockney (duas exposições em NY) mais as flores de Arikha – 1996




Nova York 1996. Por ocasião de Picasso e o retrato, no MoMA, Hockney, numa coincidência feliz, e também Arikha e Ross Bleckner


EXPRESSO/Revista de 10-08-96, pp. 72-76

"Flores de Nova Iorque"

"Três exposições voltam à pintura de flores: Hockney, Arikha e Ross Bleckner. As emoções continuam a habitar o território da arte"


Os girassóis de David Hockney são uma homenagem a Van Gogh e fazem parte de uma série de naturezas mortas de 1995. As figuras humanas, que foram, por muito tempo, o motivo mais constante da sua pintura, desapareceram das últimas obras, mostradas em Maio-Junho em duas exposições simultâneas em diferentes andares do mesmo edifício da rua 57, nas galerias Andre Emmerich e Robert Miller.

No início dos anos 90, a abstracção passou a dominar a pintura de Hockney, aplicada numa exploração de formas e ilusões espaciais que partiu da observação da paisagem e do mar para prescindir depois de toda a aparência representativa, seguindo uma nova direcção mais especulativa, sem, no entanto, nunca se afastar da comunicabilidade directa e lúdica. Como que a compensar essa deriva pelos caminhos do imaginário, estimulada pela experiência do desenho cénico para óperas, o pintor regressa agora ao real através da observação dos objectos mais próximos e simples, naturezas mortas em que os motivos (girassóis ou antúrios, três pães num prato, algumas maçãs sobre uma toalha, duas alcachofras, uma truta sobre uma mesa azul, etc) são vistos num enquadramento cerrado, em pinceladas muito rápidas de cores quase puras.


Flores


1995, 2026, HOCKNEY: That's the Way I See it ("A mão e a máquina")

 David Hockney 1993, em livro

That's the Way I See it (1993 Thames & Hudson, Londres)
(Así lo Veo Yo, Ediciones Siruela, Madrid / C'est Ainsi que Je le Vois, Éditions Plume, Paris)

Hockney em 1995, a propósito do livro That's the Way I See it (de 1993 Thames & Hudson): "A mão e a máquina", Os últimos 20 anos da obra de Hockney mostrados e contados pelo próprio pintor: do corpo-a-corpo com Picasso e dos cenários para óperas até às pesquisas de fotografia e das novas tecnologias. Com 'regresso à pintura'


Antes, a Gulbenkian e Sommer Ribeiro tinham exposto Desenhos de David Hochney em 1977 (há catálogo), com grande escândalo de Azeredo Perdigão por causa de dois homens deitados na mesma cama, escândalo que o presidente traria à superfície muito mais tarde;
em 1985 mostraram David Hochney – Fotógrafo (catálogo),
e pouco antes em 1984 Rake's Progress, juntamente com as gravuras de Hogarth. Foi aí que assisti à mais extraordinária cena do presidente, diante do embaixador inglês e outros dignatários, num ataque descabelado a DH – "arte é arte, isto (Hogarth) é arte e aquilo não é nada", irado quando alguém ousou apontar a evolução das artes ou dos gostos. "O belo é o belo, e o belo não se discute", gritava ele frente ao representante de sua magestade, tudo por causa dos tais dois homens muitos anos antes, sem que disso se tivesse falado na ocasião, ao que julgo. A inauguração tinha pouca gente, mas a cena foi uma vergonha. Eram "bons tempos", apesar de tudo, e comparando com o que veio depois. 
Além de peças soltas, nunca mais se viu Hockney por cá, que é persona non grata para muita gente, desde que ousou fazer perguntas sobre uns ladrilhos comprados muito caros, de um tal Carl André. Chamava-se qualquer coisa como "Não há alegria na Tate" o artigo que então publicou.



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Expresso Revista de 29-04-95, pp. 102-105

a propósito do livro That's the Way I See it (1993 Thames & Hudson, Londres)
(Así lo Veo Yo, Ediciones Siruela, Madrid / C'est Ainsi que Je le Vois, Éditions Plume, Paris)

"A mão e a máquina"

Os últimos 20 anos da obra de Hockney mostrados e contados pelo próprio pintor: do corpo-a-corpo com Picasso e dos cenários para óperas até às pesquisas de fotografia e das novas tecnologias. Com regresso à pintura"

David10

1999 em Paris, HOCKNEY

Em Lisboa foi exposto três vezes (1977, 1984 e 1985). Fui ver o David Hockney a Paris em 1999, a Londres em 2012 e a Rouen em 2024, mas não o quis ver na Louis Vuitton e até estava em Paris. 

Aconquistadoespaco


Em 1999 eram 3 exposições 3, no Centro Pompidou, no Museu Picasso e na Maison Européenee de Photographie. Ele tinha então 61 anos e estava em plena forma. 


Em Lisboa teve 3 exposições na Gulbenkian, ao tempo de Sommer Ribeiro: 1977, desenhos; 1984, The Rake's Progress, gravuras, com Hogarth; 1985, polaroids.


Fui vê-lo a Londres em 2012 e a Rouen em 2024. Em 2025 estava em Paris mas evitei o gigantismo da exp. da Louis Vuitton/Frank Gehry (400 obras…), e a opção de privilegiar os últimos 25 anos, que não são os melhores da carreira. E não gosto do edifício que representa o mercado do luxo e do turismo de massas. 


HOCKNEY  2012

Rouen 2014
E O GRANDE LIVRO:

Captura de ecrã 2025-06-10  às 14.04.49

No site oficial: https://www.thedavidhockneyfoundation.org/chronology


quarta-feira, 10 de junho de 2026

2003 Augusto Alves da Silva, La Gomera, Canarias, Gal. Elba Benitez

Um varão de blusões, o mercado das identidades, a Helena Mendes Pereira, a Zet Galeria, o Muzeu, a dst

Sobre os mercados institucionais

Volto à conversa com a Helena Mendes Pereira, permita que a trate assim, com admiração, sem nos conhecermos ainda pessoalmente. Sou um chato, mas acho que a Helena, com a sua apreciável ingenuidade e o acelerado voluntarismo, meteu-se em trapalhadas, enfiou o pé na argola ou pôs a pata na poça, mais coloquialmente.





Quero dizer que o artigo do DN (09 06 26 - um ensaio sobre a arte que tem, afinal, por assunto a "identidade") seria uma boa oportunidade para nos elucidar sobre o mercado da arte - o mercado não é o mal, a arte sempre existiu no mercado, ou nos mercados, a igreja, os príncipes, o poder, em suma, antes de se ter democratizado entre menos ricos com a ascensão das burguesias no séc. XIX (o povo foi sempre só consumidor, ou entra no mercado dos cromos). E hoje os museus, nacionais, locais, fundacionais, empresariais, pessoais, ou seja, as colecções institucionais ou afins, são hoje um grande mercado poderoso e influente, preponderante (seguido com devoção pela crítica e a imprensa: ...o "Y" ou o "E" viajou a convite de X). Mas note-se que o mercado dos cromos continua a ser maioritário e descontrolado - basta ver as feiras de artesanato, as galerias discretas, as decorações de hotel.
Na minha opinião, essa presença ostensiva e mesmo agressiva dos mercados institucionais, que se diz ser "política cultural", e de que a imprensa é o reflexo cúmplice, tem afastado o público amador (ou "amante", não gosto da palavra assim empregue) e os pequenos ou médios coleccionadores privados, mais compradores devotados que coleccionadores - a palavra coleccionador assusta.

domingo, 7 de junho de 2026

2026, Atelier-Museu: A sequência da assemblagem (1967) e da colagem (1975) na obra de JP. Parte I

Metro 1964

1967 assemblages

1967-75 Rugbys, Maios, Banhos Turcos, Retratos, até Gris/Chardin em 76

1975 guaches recortados

1976 serigrafias

Considerando a exp do Atelier-Museu "A cola não faz a colagem", deve dizer-se que os comissários não entenderam seguir um critério estritamente focado na colagem e assemblagem, fazendo digressões periféricas e interrompendo a exibição sequencial de colagens entre 1980 e 2000.

Parte-se, no Piso 1, sem ordenação cronológica (há vários começos), de uma pintura que se pode dizer premonitória, um Metro de 1964 (50x150cm), que teve o motor de um brinquedo colocado sobre um rasgão da tela: foi um acidente feliz e um 1º objecto colado. É exposto ao lado de uma das 1ªs colagens de 1976, Sem Título, nº 154, uma banda de tela também horizontal, 37,5x93cm, com as figuras recortadas em tela crua, e de uma pequena tartaruga em bronze de 2003 (o único bronze presente, e eles partem de assemblages de peças encontradas numa fundição francesa).


Metro 1964, pormenor com objecto colado


De facto, a colagem como processo sistemático aparece muitos anos mais tarde nas séries que vieram a ser referidas como O Espaço de Eros e Teatro do Corpo, títulos de textos de catálogos de exposições em Bruxelas 1978 e Paris 1979. Note-se q a anterior exp de JP ocorrera num já longínquo 1973 na 111 (5 anos antes e nas vésperas do 25 de abril, que interrompeu o mercado de arte, e só volta a expor na 111 em 1982, os Tigres). Na individual de1973 havia apenas 'pinturas pintadas' (Banhos Turcos e Retratos); antes Jorge de Brito comprara quase por completo as importantes séries dos Rugbys e Maios'68, que não se mostraram em Paris e só se puderam ver na antologia de 1986 devido à captura da sua colecção.
1978 é o ano da 1ª retrospectiva, na FCG, levada ao Soares dos Reis e em parte a Bruxelas. Aí se mostraram pela primeira vez, com surpresa e escândalo, as séries eróticas que vinham de 1976 e também em estreia as assemblages de 1967 e 1977.

sábado, 30 de maio de 2026

2026, "A cola não faz a colagem", Atelier-Museu Júlio Pomar, visita orientada: uma cronologia, antes das colagens e das rupturas de 1966-68

Antes da colagem. E a ruptura de 1967

Com obras que vão de 1944 (pinturas anteriores ao neo-realismo) até aos anos 2000 (as pinturas com objectos, em especial), a exp "A cola não faz a colagem", centrada na prática da colagem e da assemblage, não segue um itinerário cronológico, e ainda bem. Uma visita pode ter vários começos e proporcionar pistas diversas sobre uma produção sempre a transformar-se.

Nas obras experimentais de 1944, com estudo do cubismo e de Léger, as formas recortadas e lisas "circulam" no espaço abstracto e plano da tela, como voltará a acontecer na série dos "Banhos Turcos d'aprés Ingres" (1968) e nas colagens do chamado "Teatro do Corpo" que lhe sucedem (1976).

"Pintura", 1944, ø 86cm. Col. Rui Victorino (1944 e 45, Exposições Independentes, Coliseu do Porto e IST, Lisboa)

São de 1960 esculturas de FERROS SOLDADOS, associadas às ilustrações para D. Quixote sem serem ilustrativas; o seu desenho em volume liga-se à sua pintura gestual e a uma nova escultura expressionista da época. Não tiveram continuidade, até por razões oficinais, e só já no novo século a escultura voltou a ter importância em peças em bronze que resultaram da assemblagem de peças encontradas numa fundição francesa (só uma pequena tartaruga é mostrada).

Bispo, Sem Título (Pássaro) e Guerreiro, 1961 (antigas Colecções Manuel Torres, 1 e 2; e Alice Jorge>Atelier-Museu, 3)

Estão num lugar próximo das ASSEMBLAGES que Pomar realizou nos anos 1967 e 1977 (e continuou depois até ao fim) com objectos recolhidos nas praias, usados pelo mar e dispostos num jogo formal não representativo mas com referências corporais e por vezes eróticas. Uma tradição clubista-dadaísta que só deu a conhecer na 1ª retrospectiva, 1978, e ocupou a mostra "Trabalho de Férias" que se deferia ter chamado ...de Verão.

Sem título, 1967 ou 1977?, alt. 49cm

sexta-feira, 29 de maio de 2026

2026, COLAGEM / ASSEMBLAGEM, Atelier-Museu Júlio Pomar: de 1964 (Metro acidentado) a 2002 (Expulsão do Paraíso)

1. 1964

A primeira inclusão de um objecto num quadro de JP aparece numa pintura de 1964: METRO (col. Manuel de Brito, exposto pela 1ª vez em 1966 na SNBA e depois incluído em várias antologias). Um corte acidental da tela justificou a colagem de um motor de brinquedo, o que se adequa bem ao tema da energia mecânica do Metro e à questão da velocidade do trânsito que é representado e em especial do movimento como aparição-formação-passagem de uma imagem fugaz. O formato de 50x150cm encontra-se noutras telas da época (Uccello em 1964 - e corridas de cavalos/Vincennes por três vezes, os primeiros Rugby já de 1967).


quinta-feira, 28 de maio de 2026

2026, Paris

 Kerry James Marshall: no Musée d'Art Moderne de Paris de 18 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027

ZURBARAN

7 Oct 2026 - 25 Jan 2027, Louvre


TINTORETO

11 set a 24 jan, Jacquemart-André

quarta-feira, 27 de maio de 2026

2026, a arte contemporânea do Estado, as aquisições de 2025 são caso de polícia

€79.950 pelo varão de roupa usada?

€40.000?

€41.032??
Quem está a roubar? (notas publicadas no facebook desde 15 05, revistas)
Algum jornal dito de referência pega no escândalo dos preços pagos pelas aquisições anunciadas para a chamada colecção do Estado no Relatório de 2025 agora divulgado? Sim, parece que um orgão da Imprensa vai tratar do assunto> A empresa MMP (Museus e Monumentos, que depende do MC) foi alertada sobre as dúvidas que se levantam, e agradeceu a informação que enviei, mas fará averiguações? Da PJ nada se sabe.
São bastantes as vozes informadas que falam em casos de polícia e que dão exemplos de valores anteriores dos mesmos artistas que agora surgem multiplicados por insondáveis manobras comerciais, à distância dos preços do mercado. Obras ora relevantes ora indigentes, de artistas com e sem notoriedade ou só "emergentes", aparecem com números empolados e injustificados, que não são especulativos porque o mercado está sem regras e sem procura.



O caso mais espantoso é a "obra" The Tearoom (blusões de cabedal, cabides, etc) vinda directamente de algum bar especializado ou loja de roupa usada e que teria custado ao Estado €79.950...
João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira.
Adquirido na Galeria Cristina Guerra

Descrição: Blusões de cabedal, cabides, estrutura metálica e espelho. Dimensões variáveis

segunda-feira, 18 de maio de 2026

2026, MMP, AVERIGUAÇÕES : "Colecção do Estado", 3 obras de PANCHO GUEDES + valores de compra absurdos + Disparates oficiais sobre JOÃO ABEL MANTA

Duas notas no Facebook e dois casos comunicados por email à empresa Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

1. "ALGUÉM ESTÁ METER A UNHA NAS COMPRAS DO ESTADO (do Estado da Sandra).

A tal comissão que compra obras para a chamada Colecção do Estado adquiriu em 2025 três trabalhos de PANCHO GUEDES - Família vegetal, 1974 / A força do seu olhar, 1996 / Um navio aborigene, 2005 - que de modo algum representam adequadamente a sua produção de pintor. Raramente Pancho Guedes aceitou vender obras da sua autoria, mas estas peças estiveram há alguns anos presentes na exposição individual de uma galeria (vendeu-as ou estiveram em depósito?). Agora integraram as aquisições da Comissão segundo o relatório comunicado. Onde foram buscar estas obras?

domingo, 17 de maio de 2026

2007, Margarida Correia, "THINGS" na 111

Margarida Correia

 05/18/2007 (no Blog Typepad, depois Wordpress, agora Blogspot)

Com Edgar Martins, com Brígida Mendes, com Margarida Correia, e outros haverá, muitas das fotografias de novos autores portugueses estão a ser feitas fora de portas. Importa agora a terceira, com uma primeira exposição na Galeria 111, "Things", depois da presença forte na Monumental em 2006, com "Saudade", onde tinha sido também possível consultar o prometedor catálogo de  "Gueiko e Maiko", de uma exposição em Torres Vedras. 

A partilha de espaços de escrita <no Expresso>tinha então adiado um primeiro comentário, e agora confirma-se que se consolida a coerência do trabalho e a continuidade dos processos e  projectos, com a variação suficiente para se tratar de um aprofundamento de direcções.  A revisão do percurso pode fazer-se em https://www.margaridacorreia.com/


 

 Living room I, 2006, C-Print (74 x 94 cm)  

Tratava-se então (2006) de uma série de trípticos ou de composições triplas, onde constavam uma fotografia familiar recuperada, em geral cena ou retrato de grupo; o registo isolado e objectivo, actual, de um objecto reconhecível nessa primeira imagem, quase sempre uma peça de vestuário (ou chapéu, óculos), e  de um retrato contemporâneo de alguém que usa esse mesmo objecto. Nesse jogo de reconhecimentos abria-se um trânsito entre épocas, gerações, gostos ou modas vestimentares, mas era também o retrato contemporâneo, em condições de encenação e cumplicidade com o fotógrafo, que se afirmava como género, ou como problematização de uma prática. De uma adivinhada circulação familiar (passando de mães a filhas os objectos e as suas memórias, ou situações) transitava-se também para uma relação de companheirismo entre artista e modelo. O que poderia ser um exercício escolar tinha uma eficácia e uma abertura de sentidos, uma suspensão de certezas, que lhe asseguravam outra projecção.    

Agora importam os cenários domésticos e os retratos neles situados, sempre discretamente expostos, avolumando-se uma ideia de concentração sobre dois lugares (Roterdão e Lisboa) e duas famílias, num processo de lenta aproximação do observador a espaços e relações de intimidade - o site confirma a identidade e a localização de duas séries paralelas. Importam as figuras retratadas, entre exposição e intimidade, os espaços ou cenários em que se incluem, a relação entre ambos (as figuras e os seus lugares), alguns objectos que  assumem uma presença mais relevante e certamente significativa, algumas redes de relações familiares que se sugerem ou esboçam, mas também os lugares por si mesmos, só parcialmente ou parcimoniosamente legendados. Há sempre sucessivas leituras para cada fotografia, isolada, em sequência, revendo-se o conjunto, etc.

Numa grande variedade referencial das imagens fotográficas, surgem fotografias isoladas (retratos, pormenores de interiores domésticos, objectos), mas também dípticos e trípticos, por vezes incluindo páginas de álbuns fotografadas onde se reencontram os objectos vistos nas fotos actuais. Havendo um prévio projecto estabelecido, a produção dos trabalhos (as fotografias isoladas ou em séries) parece construir-se como o avolumar da distância entre o programa e o resultado - nada é óbvio ou unívoco. A cada aproximação as imagens parecem resistar mais à ideia da ilustração de um projecto, ganham  sempre mais  densidade significante,  atraem mais a curiosidade   do observador e mantêm-no à distância.

Note-se como mesmo no caso mais directo de apropriação de uma fotografia anterior se criam as sucessivas instabilizações de sentidos, num contexto (ensaio ou ficção?) em que o que se vê é sempre a pequena parte do iceberg.

(?) 


Daphne de Jong, MOMA (1982), 2006, C-Print, 25" x 20" (64 x 51 cm)




sexta-feira, 15 de maio de 2026

1987, "OS PINTORES DA EUROPA" à escolha para Estrasburgo em 16 de maio

 OS PINTORES DA EUROPA, parte I, 16 maio 1987

Propostos 16 pintores para a escolha de 2 nomes pelos leitores do Expresso


1987, "OS PINTORES DE EUROPA", exposição-concurso e colóquio

 UM EPISÓDIO EUROPEU EM 1987, OBVIAMENTO ESQUECIDO

A PINTURA DA EUROPA APRESENTADA EM ESTRASBURGO, EXPOSIÇÃO CONCURSO por iniciativa da revista EIGHTY

16 países e 75 artistas - 4 portugueses. 

Por Portugal: António Dacosta e Graça Morais, por escolha dita institucional; Paula Rego e Eduardo Batarda escolhidos por votação "popular". Participaram na selecção o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, o Tempo e o Expresso (4 páginas e "16 PINTORES DOS ANOS 80", na Revista de 16 maio)

Arquivo Expresso, 12 dezembro 1987 (artigos de José Luis Porfírio: "Grandes e pequenos em Estrasburgo" e A P: "Por um lugar no mercado" - exposição e colóquio no Parlamento Europeu com Bonito Oliva)

terça-feira, 5 de maio de 2026

2026, "Tratado", livro de amigos e de retratos do José M. Rodrigues, edição EGEAC

 Já saiu o livro da exposição do José M. Rodrigues na Galeria Avenida da Índia, 28 09 a 22 12 2024. "Tratado". Era um espaço ingrato, árido, enorme, mas o livro é perfeito.

São retratos de amigos e familiares, tornados intimidades fotográficas e exercícios de invenção do que pode ser o retrato. Sempre em poses demoradas, pensadas caso a caso, ao ritmo (não ao acaso) das relações, das cumplicidades, das situações de comunicação mútua, intercomunicação encenada e afinal sempre surpreendida, vivida e/ou vívida. É um trabalho muito pessoal, mesmo íntimo, mas aberto, uma escolha de amigos que paradoxalmente se dirige a todos os não-participantes e observadores disponíveis. Retratos frontais ou não (os rostos ocultados, até por vezes de costas), dialogando com a paisagem ou o próximo ambiente natural, a vegetação, com alguma iluminação dirigida e por vezes com uso de espelhos. Mãos, cabelos, corpos, alguns auto-retratos não narcísicos, rostos singulares ou grupos de 2 e 3, nomes com datas nos títulos, no final, em geral muito recentes (2022-24) mas também vindos desde 1996 - o retrato e/ou a presença de modelos, os rostos e corpos, são uma das muitas "vertentes" da muito extensa e diversa obra do José Rodrigues.
Magnífica impressão na Maiadouro, em apenas 300 exemplares, edição EGEAC / Galerias Municipais. 40 fotografias em páginas duplas, abreviando a exposição.
Magnífico design gráfico de Arne Kaiser https://www.arnekaiser.com/ Os livros são cosidos e todas as fotos ocupam mais do que uma página, com cortes meticulosamente medidos.
Textos a ler de Óscar Faria, comissário da exposição, de José Bértolo sobre "alguns livros de José M. Rodrigues", do próprio artista e dos responsáveis pela programação da galeria (Sara Antónia Matos e Pedro Faro).