terça-feira, 23 de junho de 2026

2018, A carta dos 200 artistas; 2019-20, início das aquisições e exposição de aquisições. E uma polémica entre artistas

Em 2018 (10 10 )

"Primeiro-ministro anuncia programa a dez anos para comprar arte portuguesa"

"António Costa anunciou medida, inscrita no próximo Orçamento do Estado, ao receber artistas que escreveram carta de protesto sobre o estado das artes plásticas no país. Para 2019 prometeu 300 mil euros, um valor que deverá vir a aumentar gradualmente. Para os artistas "é um princípio", falta ainda muita coisa."

https://www.publico.pt/2018/10/10



A carta, emoldurada, entregue ao primeiro-ministro na residência do primeiro-ministro 
Foto Miguel Manso / Público

"Esta delegação de 20 artistas representou os mais de 200 nomes que já subscrevem a carta de protesto que foi divulgada terça-feira à imprensa e que foi entregue ao chefe de Governo emoldurada, com as páginas simbolicamente dispostas em forma de cruz sobre um fundo negro.

Esta carta entrou na sala pela mão de dois dos artistas, que usavam fatos protectores e óculos escuros e que permaneceram em silêncio e a suster em braços a versão emoldurada de 150x150cm durante os cerca de 25 minutos de comunicações do primeiro-ministro e dos representantes dos signatários. “Falta uma base de apoio para a arte”, brincou o artista Pedro Proença depois de, num intróito bem-humorado, o primeiro-ministro ter cumprimentado Manuel João Vieira com um “presidente Vieira, tudo bem?”, aludindo às candidaturas do músico e artista à Presidência da República em 2011 e 2016."

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2018 10 09

Mais de 200 artistas plásticos escrevem ao primeiro-ministro: "Perdeu-se uma geração de artistas"

Signatários, entre os quais figuram alguns dos mais importantes artistas nacionais como Julião Sarmento ou João Cutileiro, defendem criação de colecção de arte portuguesa contemporânea e criação de agência independente da DGArtes.



“Com a crise dos últimos anos perdeu-se uma geração de artistas — ou terão os artistas de continuar a emigrar por falta de solução, nem vinda do Estado, nem do mercado?”, encetam os signatários, denunciando que “o mercado da arte em Portugal é uma falácia” na ausência de “estratégia cultural”. Galerias sem capacidade económica, feiras com “pouca consequência artística” como a ArcoLisboa, escassez de coleccionadores com espólios regularmente actualizados e estruturados a comprar de facto em Portugal ou de mecenas entre os “cinco ou seis milionários com capacidade para intervenção relevante no mercado” são alguns dos diagnósticos dos artistas. Que declaram a situação do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado “comatosa” e exemplo de má gestão da instituição pública.

O tema da crise, encetada em 2008, trespassa a carta-denúncia, que recorda como as mais importantes instituições que adquirem arte contemporânea portuguesa – e elencam CGD-Culturgest, CCB/Berardo e FLAD-Fundação Luso Americana Para o Desenvolvimento — “não compram há pelo menos dez anos”, com a Fundação Serralves ou o MAAT e EDP a fazer compras com baixo orçamento e “critérios por vezes questionáveis”, lamentam. Sobre as colecções da banca, lamentam ainda que estejam “por resolver os imbróglios da Colecção Berardo, Miró/BPN e Banco Privado/Ellipse Foundation e BESArt” assim longe do público.

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Se Raquel Henriques da Silva concorda que não há apoios para a arte contemporânea que se traduzam na aquisição de obras de arte pelo Estado central – embora possa haver alguma coisa através da Fundações de Serralves e de algumas câmaras como a de Lisboa –, discorda de algumas soluções apresentadas pela carta, tendo dúvidas sobre se a gestão de uma colecção de arte deva ser feita fora dos museus de arte contemporânea, como já foi feito no passado com as colecções da Secretaria de Estado da Cultura e do antigo Instituto de Arte Contemporânea (IAC).

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2020 07 27


"No Museu de Arte Antiga, a ministra anunciou um reforço de verbas para a arte contemporânea"

Estado comprou 65 novas obras este ano. A comissão de aquisições terá 650 mil euros para fazer compras em 2021.https://www.publico.pt/2020/07/27


Minutos antes, Sandra Vieira Jürgens, porta-voz da comissão de aquisições, tinha anunciado que a verba de 2019 tinha permitido comprar peças a 57 artistas até aqui não representados na colecção

A ministra lembrou igualmente que Governo reactivou uma política de aquisições de obras para a Colecção de Arte Contemporânea do Estado, que estava interrompida há duas décadas, tendo actualmente esse acervo atingido as 1290 obras. As novas aquisições vêm reforçar o acervo que anteriormente correspondia à Colecção da Secretaria de Estado da Cultura a chamada Colecção SEC, criada em 1976, e actualmente afecta à Direcção-Geral do Património Cultural.

No seu discurso, a ministra lembrou outros investimentos que o Estado tem feito em instituições como Serralves, como a compra da Colecção Miró, que ficou em depósito no Porto. (...)

No mesmo sentido, foram também depositadas em Coimbra 193 obras da antiga colecção do Banco Português de Negócios, ao abrigo de um acordo de 25 anos celebrado com a autarquia, o que levou à criação do novo Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (CACC), inaugurado no início deste mês.


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2015 07 25

Uma viagem ao acidentado mundo da Colecção SEC

Muitas peças estão por localizar. Outras têm entradas como a misteriosa “Gaveta Lis” que ninguém na tutela parece conhecer. Poucos parecem conhecer também a própria Colecção SEC. O PÚBLICO foi consultar o “dossier verde” onde se elencam as suas obras. Uma viagem cheia de acidentes de percurso.

https://www.publico.pt/2015/07/25


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José Loureiro

A caixa de tintas e pincéis
Segundo o que se vai relatando, as coisas funcionam com total transparência na bondosa comissão criada pelo Governo para comprar arte contemporânea para o Estado: amigo escolhe amigo, que por sua vez escolhe amigo, tudo em perfeita harmonia.

https://www.publico.pt/2020/08/26

E assim, o homeostético do passado deu lugar ao homoagradecido do presente, com o bónus adicional de ir às compras. Nesta nobre função se vão revezando. Já foi um, o engraçadíssimo ex-candidato à Presidência da República Manuel João Vieira, coube agora a vez a este, o da caixa. Brevemente, outro será.

Não concebo como alguém com o mínimo de sentido do ridículo, para já não falar de sentido de serviço público, aceita fazer parte de uma comissão destas e o Estado português a patrocina.

Para além de recordar o antigo colega Pedro Portugal, J.L. contesta a regra da sucessão de comissões, quem, aliás, iria ser abandonada 

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Resposta: 

Pergunta à caixa!

A reconfiguração de poder promovida pelos artistas que esteve na base do ressurgimento de uma política estatal de aquisição de arte contemporânea importuna muitos agentes. Seria bom levar o tema a debate público, para que se clarifiquem mecanismos e opções e não sejam permitidas opacidades burocráticas e tráfico de influências.


Como redactores de uma carta sobre o calamitoso estado das artes em Portugal, assinada há quase dois anos por mais de 400 artistas de relevo, e que teve como principal consequência (deveria ter tido várias) o ressurgimento de uma política de compras por parte do Estado abandonada há mais de duas décadas, não nos é evidente se foram motivos de foro estilístico (ou outros?) que levaram José Loureiro a não assinar a carta. Estilo à parte, goste-se ou não, a acção revelou-se eficaz, que é o que interessa.

Na sequência desta carta (não um “manifesto”, como refere José Loureiro), foi convocada uma Assembleia de Artistas para eleger os representantes a integrar a comissão de aquisições do Ministério da Cultura. Os quatro mais votados foram Manuel João Vieira, Pedro Portugal, Pedro Proença e António Olaio. Desta votação saiu uma lista de cinco nomes, que incluía três artistas (entre os quais Manuel João Vieira, que se sacrificou pela defesa da pintura) e duas curadoras. A lista foi apresentada à ministra Graça Fonseca, que aceitou sem objecções e nomeou mais três representantes do Estado. 
A Comissão de Aquisições de Arte Contemporânea foi criada por despacho conjunto dos ministérios das Finanças e da Cultura (Despacho n.º 5186/2019), que estabelece as suas funções e onde se diz: “No final de cada biénio, a Comissão apresenta ao membro do Governo responsável pela área da cultura uma proposta relativa aos membros [...], para efeitos de designação no biénio seguinte.”

A nova comissão, que entra em funções em Janeiro de 2021, foi escolhida pela precedente e validada pela ministra. Não há cabala Homeostética

Esta reconfiguração de poder, promovida pelos artistas (signatários da carta), importuna muitos dos agentes da arte contemporânea nacionais que exercem uma extraordinária pressão para que representantes das galerias façam parte da comissão... (Hã? Um bêbado a guardar a taberna?). Há movimentações sub-reptícias para que a forma de nomear a comissão seja diferente, por exemplo, tirando os artistas e posicionando representantes de instituições, ou insinuações de que o dinheiro dava mesmo jeito era ao Museu do Chiado. Seria bom levar o tema a debate público, para que se clarifiquem mecanismos e opções e não sejam permitidas opacidades burocráticas e tráfico de influências.

"O já referido despacho dispõe que os artistas que pertençam à comissão não podem ver adquiridas obras suas por um período de dois anos e que não devem ser comprados artistas já representados na Colecção do Estado."


2018 10 09


Mais de 200 artistas alertam primeiro-ministro para o estado da arte em Portugal

Mais de 200 artistas vão entregar uma carta ao primeiro-ministro, na qual alertam para a "situação preocupante da arte contemporânea em Portugal"

Os signatários alertam para “o ‘fim’ do mercado e o ‘fim’ da crítica”, assinalando que o mercado da arte em Portugal “é uma falácia”.

“Nem há horizonte nem há visibilidade. A escala e posição demogeográfica de Portugal são os argumentos quando não há estratégia cultural”, criticam.

Escrevem ainda que “as galerias em Portugal não têm capacidade económica para uma atividade sustentada e regular de investimento na produção, circulação e promoção do trabalho dos artistas nacionais”. “O circuito do Art World é frequentado por um muito reduzido número de galerias e sem fôlego competitivo, face aos parceiros internacionais”.

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