Menez no Museu
PALÁCIO ANJOS, ALGÉS, 2009

foto *L: Menez no Centro de Arte Colecção Manuel de Brito, Palácio Anjos, Algés
Quando os museus oficiais são privatizados pelos respectivos directores (Chiado), ou quando se despejam ao sabor de insondáveis devaneios (Gulbenkian), crescem as responsabilidades de outro tipo de instituições, menos centrais e, afinal, mais sujeitas ao escrutínio público. É o caso do Centro de Arte de Algés que acolhe a Colecção Manuel de Brito – o único panorama (mesmo parcial) do século XX que é agora visitável em Lisboa (que os estudantes estudem artes através de cromos assegurará sem sobressalto a descendência das actuais e invisuais autoridades).
Mostram-se as primeiras décadas de 1900 através de um acervo de variável importância, de bastante irregularidade mesmo, quanto à representatividade de obras e autores, mas a uma colecção pessoal tem de se começar por agradecer que exista e se exponha. As insuficiências são também as dos próprios artistas, que, muitos deles, não encontraram condições nem ânimo para ultrapassarem as atávicas dificuldades. O panorama é diversificado e este não é o melhor período da colecção.
Duas obras que antes (em 1994, no Museu do Chiado) não se mostraram, testemunhando a cumplicidade inicial, no Porto, entre António Quadros (A Galinha Pedrez) e Eduardo Luiz (S./T., ambas certamente de 1959) são surpresas com interesse – a tela de Charrua, terceira na parede, deveria procurar outras companhias (apesar dos azuis).
Mas a mostra dedicada a Menez é agora o que mais importa, começando a ilustrar o que foram as "escolhas electivas" do galerista, tal como se designaram os núcleos autorais mais extensos na apresentação da colecção em 1994, por ocasião de Lisboa capital cultural. E começa por surpreender a quantidade das obras reunidas, de pintura sempre, sobre tela e papel, e num caso de moderna tapeçaria: 13 telas numa sala e 24 papéis e obras diversas noutra sala, mais algumas peças em vitrine com catálogos e livros.