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segunda-feira, 13 de julho de 2026

1995, MENEZ, "Nome: Menez"

Nome Menez 

Expresso, 15-04-95 

 

Três quadros agora expostos na sede da CGD, e pertencentes à respectiva colecção, dão a ver a pintura de Menez mais e melhor do que podem as palavras, e são já um espaço de memória, no momento da sua morte.

«As suas imagens são uma encantação do desconhecido e têm em si suspenso o reflexo duma profundidade inomeada e oculta», escrevia Sophia de Mello Breyner, apresentando-lhe em 1954 a primeira exposição. Ou, Maria Velho da Costa, no catálogo de uma exposição na Quadrum, em 1977: «Quanto da visão é a sabedoria do véu. Vivacíssimo o olhar sob lágrimas reconhece a primeira claridade, ao tempo em que as coisas não haviam perdido pela evidência o seu destino de presença plena, a decifrar dos nomes». E ainda, segundo Júlio Pomar, em 1980: «O mundo em que Menez consente em mostrar-se — ou que ela re-encontra e nos propõe — ergue-se e define-se fora dos hábitos que obrigam as coisas a escolherem-se um nome».





1999 na 111, 2009 em Algés: MENEZ

 Menez no Museu

PALÁCIO ANJOS, ALGÉS, 2009 

ver a menez

foto *L: Menez no Centro de Arte Colecção Manuel de Brito, Palácio Anjos, Algés

Quando os museus oficiais são privatizados pelos respectivos directores (Chiado), ou quando se despejam ao sabor de insondáveis devaneios (Gulbenkian), crescem as responsabilidades de outro tipo de instituições, menos centrais e, afinal, mais sujeitas ao escrutínio público. É o caso  do Centro de Arte de Algés que acolhe a Colecção Manuel de Brito – o único panorama (mesmo parcial) do século XX que é agora visitável em Lisboa (que os estudantes estudem artes através de cromos assegurará sem sobressalto a descendência  das actuais e invisuais autoridades). 

 Mostram-se as primeiras décadas de 1900 através de um acervo de variável importância, de bastante irregularidade mesmo, quanto à representatividade de obras e autores, mas a uma colecção pessoal tem de se começar por agradecer que exista e se exponha. As insuficiências são também as dos próprios artistas, que, muitos deles, não  encontraram condições nem ânimo para ultrapassarem as atávicas dificuldades. O panorama é diversificado e este não é o melhor período da colecção.

Duas obras que antes (em 1994, no Museu do Chiado) não se mostraram, testemunhando a cumplicidade inicial, no Porto, entre António Quadros (A Galinha Pedrez) e Eduardo Luiz (S./T., ambas certamente de 1959) são surpresas com interesse – a tela de Charrua, terceira na parede, deveria procurar outras companhias (apesar dos azuis).

Mas a mostra dedicada a Menez é agora o que mais importa, começando a ilustrar o que foram as "escolhas electivas" do galerista, tal como se designaram os núcleos autorais mais extensos na apresentação da colecção em 1994, por ocasião de Lisboa capital cultural. E começa por surpreender a quantidade das obras reunidas, de pintura sempre, sobre tela e papel, e num caso de moderna tapeçaria: 13 telas numa sala e 24 papéis e obras diversas noutra sala,  mais algumas peças em vitrine com catálogos e livros.

1990, MENEZ entrevista

 MENEZ: a entrevista em 1990

MENEZ: antes das palavras


Como fala um pintor daquilo que pinta, se detesta o marketing das teorias e das poses, se recusa o cerco dos nomes e a aparência mais fácil das coisas? Menez acaba de ser distinguida com o Prémio Pessoa 90 e a sua pintura oferece-se numa admirável retrospectiva apresentada na Gulbenkian.


Entrevista de Inês Pedrosa e Alexandre Pomar, Expresso Revista de 22 de dezembro de 1990.

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QUASE todos os quadros dela se chamam «Sem Título», porque não se podem chamar. Ela não quer dar-lhes nomes, compreendê-los, cercá-los. Ama demasiado a pintura, teme tranquilamente as palavras. Não quer dizer nada que assuste os segredos da vida.