
Alexandre Pomar
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
AS COMPRAS “DO ESTADO” DESDE 1976. (4) A COLECÇÃO SEC DESTINADA A SERRALVES, E DEPOIS DE 2019

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026
VELOSO DE CASTRO, a descoberta de um militar-fotógrafo na Angola colonial dos anos 1904-1914
Não há fotografias coloniais, isto é ultramarinas, isto é, no caso, africanas, angolanas, como estas. Não se trata de defender o colonialismo "bom" de um fotógrafo militar envolvido em acções de guerra e de levantamento territorial (não se trata de julgar o passado, nem de o justificar ou avalizar*), nem se trata de apreciar as fotografias do tenente Veloso de Castro, realizadas em Angola entre 1904 e 1914, apenas como arte fotográfica.
* "O exame do passado requer uma abordagem crítica, porque não de trata de endossar ingenuamente as categorias de pensamento em vigor à época, mas requer igualmente uma capacidade de recuo, já que também não se trata de julgar os antecessores a partir de posturas intelectuais contemporâneas” (...nem endossar/avalizar nem julgar). In RETOUR D'ANGOLA, ed. Musée d'Ethnographie de Neuchâtel, 2010, exposição e catálogo modelares sobre a 2ª Missão Suíça em Angola, 1932-33, que além de fotografar fez grandes recolhas de espécies animais e objectos, o que nunca aconteceu com as explorações portuguesas.
" (...) Um d'estes cornbatentes tivemol-o mais tarde no Cunene, e para lá fôra preso pelo capitão Montez na segunda viagem por este feita com os despachos de Naloeque. Era notavel pelo seu ar de sobranceria e indifferença e por usar um cinto e suspcnsorios respectivos, do equipamento de um dos nossos soldados de
infanteria. Tambern tinha uma espingarda Snyder e os amuletos de guerra que usava suspensos do pescoço
eram dois mechanismos de rclogio, que disse ter recolhido em 1904 no Pernbe, dos nossos mortos, e que invuluraveis se consideravam todos os cuamatos quando usassem qualquer objecto dos que nos tivessem pertencido; d'elles todos se haviam munido n'esse anno de indelevel e pungente memoria.
Este soldado cuarnato, que no Cunene sempre esteve persuadido que morreria ás nossas mãos, foi despedido em paz quando lá chegou a columna, sem que da sua bocca saisse o menor agradecimento e sem que désse sequer mostras de admiração. Quanto aos que apparecerarn cm Naloeque , também se retiraram em paz e com as suas espingardas, que não foram apprehendidas com o fim de facilitar mais tarde a reunião de maior numero e a sua entrega." pp. 242-3, JVC, A CAMPANHA DO CUAMATOI EM 1907, Breve narrativa acompanhada de photographias, Loanda, Imprensa Nacional, 1908 - não um álbum, mas um extenso livro de c. 292 págs.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
VELOSO DE CASTRO, Angola 6: A ACÇÂO MILiTAR
Veloso de Castro faz a reportagem da segunda campanha dos Cuamatos, de 1907, que contou em livro.

712 – Assalto ao Cusso – 3ª fase, 1908
O CASO DA COLECÇÃO ELLIPSE. COLECÇÂO BERARDO. COLECÇÂO CACE (3)
... E O ATAQUE AO ACERVO BERARDO DO/NO CCB. CARTA PESSOAL A UMA MINISTRA MAL INFORMADA
2. Se José Berardo ganhar os processos judiciais q se eternizam, levantados pelos bancos de que é devedor, é provável q lhe interesse manter a colecção no CCB e ressuscitar o (seu) respectivo nome original. A sua ambição foi dotar o país com um museu de arte contemporânea... e depois moderna por dedicação, amor à arte (e à camisola), responsabilidade social e altruísmo. Nunca quis vender as obras que adquiriu, e ouvi-lo a comentar as peças da colecção era uma experiência muito generosa.
3 Se o comendador José Berardo perder os processos, no todo ou em parte (falta reavaliar a colecção que entretanto, desde 2006, muito se valorizou), o Estado não vai comprar o acervo, pq não terá dinheiro para isso - já perdeu uma oportunidade favorável.
A ameaça de meter a Col Berardo sob a tutela do chamado CACE, Colecção do Estado, de que agora se fala sem haver nenhum bom senso - meter aí as obras e a correspondente responsabilidade curaturial... -, não tem sentido nem pernas para andar. O que se espera, na hipótese bastante improvável de o Berardo perder os processos, é q os vários bancos credores, cedendo às recomendações do Estado, venham a manter as suas partes de colecção no CCB, onde muito se valorizarão, considerando-as nas suas contas enquanto activos, como fazem com as outras propriedades.
4. Mas deve recordar-se que no CCB estão só as obras que foram objecto de depósito inicial por parte das Fundações de Berardo, no início desta história. As peças da colecção pessoal, aquisições posteriores, que prolongavam no tempo e diversificavam o acervo (julgo q o grande Matta, a América Latina, figurações recentes), foram legitimamente retiradas por ele no contexto do conflito judicial.
Outro acervo importante, resultante das aquisições orientadas por Jean-François Chougnet, 1º diretor do Museu (o melhor director q por cá trabalhou na área dos modernos), foi adquirido por Berardo a preço de custo, aliás custo muito bonificado por ser Chougnet e por ser para o Museu: nos anos iniciais (2 ou 3?) do Museu do CCB, Berardo e o Estado metiam 500 mil euros para compras, cada um, anualmente, e o contrato permitia em caso de resolução a entrega das obras a uma das partes, descontando o valor já entregue (no total 2 ou 3 mihões); são obras recentes e muitas de artistas portugueses, tipo Cabrita e Sarmento. O Estado não se chegou à frente.
Berardo tem exposto no Funchal e tem pronta a antiga garagem da Rodoviária em Azeitão (perto da Bacalhoa) que comprou para as acolher. Mas o CCB seria o seu lugar "natural". Em toda esta história, desde o 1º contrato Estado/Berardo ao tempo e por ordem de Sócrates, depois com a renovação cega do contrato por Castro Mendes, o Estado foi acumulando erros e desleixos.
5. Ao CCB, ao MAC/CCB, à data da sua criação por António Costa e Adão e Silva, foi atribuída a colecção Berardo, que lá se encontrava em exposição e nas reservas, bem como as colecções Ellipse e Teixeira de Freitas em depósito. O Estado (o MC, o MMP ou a ambiciosa funcionaria D. Sandra) nunca poderia transferir a col. Berardo para qualquer outro lado, porque não depende do Estado e sim dos tribunais, e o comendador é ainda o proprietário. Aliás, para q uma obra qualquer saia do CCB para ser cedida para uma exposição internacional ou local é necessário (ou era até há pouco) pedir a autorização escrita de Joe Berardo. (Julgo q continua a ser assim - ele continua a ser o legítimo detentor da propriedade mesmo q os bens estejam judicialmente arrolados.) Mudar a orientação quanto à Col. Ellipse porque mudou o governo e se decide fazer diferente é um erro.
6. Diz-se que a colecção do BPP, Banco Privado do Rendeiro, foi atribuída em comodato a Serralves, e aí se deverá manter, não no inacessível barracão da Rua das Fisgas de Alcoitão. Outra colecção, essa pessoal do João Rendeiro, foi adquirida (no todo, ou com falhas?) por Serralves ao tempo da direcção de João Fernandes, também a preço de custo apenas corrigindo a inflação. Contou-me o João que foi uma negociação muito renhida: Rendeiro tinha comprado a preços bem favoráveis por as obras se destinarem ao depósito e apresentação em Serralves, e esse foi um argumento decisivo para fazer os preços.
7. No domínio da relação entre a arte contemporânea (ou não) e banqueiros fraudulentos (Berardo não é tal) há ainda o caso Oliveira e Costa do BPN, com a colecção egípcia, a malfadada colecção Miró, que era um fundo de mercadso mas encheu o olho dos papalvos e o Estado comprou por junto em vez de escolher o melhor, e isso seria o bastante..., mais algumas obras contemporâneas ± avulsas. Aliás nunca se soube quanto teve o Estado de pagar à Christie's para suster o leilão Miró... Tudo isto é uma história menos interessante.
PS. O problemático personagem Paulo Mendes publicou um texto no Público invocando o nome de uma associação de artistas, AAPP, sem perguntar nada aos associados, que agora aparecem em grande número a assinar a CARTA à Ministra (aliás os associados da AAPP são poucos e restritos, e as eleições da direcção não são sérias, o site é escasso). Aí apoiava a conjura a favor de Alcoitão e da D. Sandra contra o CCB. Agora os abaixo assinados da Carta tiraram-lhe o tapete: interditem-no que o gajo não é sério.
O NOVO MUSEU RENDEIRO: A Colecção do Estado da D. Sandra
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
JULIO POMAR e a GALERIA 111 (4) : ANOS 2000
2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas
obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.).

2013, 12 jan. ATIRAR A ALBARDA AO AR, pinturas e desenhos.
Exp. proposta por Alexandre Pomar, vinda da Árvore, Porto, 2012, por ocasião do Prémio Casino do Estoril (a qual foi acompanhada pela edição de um catálogo e do livro, textos de Laura Castro) e da realização do filme "Só o teatro é real" Um filme de Tiago Pereira sobre Júlio Pomar, produção da Fundação Júlio Pomar com música de Ricardo Jacinto.
Júlio Pomar : atirar a albarda ao ar / org. Árvore-Cooperativa de Actividades Artísticas ; coord. Laura Soutinho ; comis. e texto Laura Castro.
https://www.rtp.pt/noticias/cultura/julio-pomar-atira-a-albarda-ao-ar-em-lisboa_v624936
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No livro que assinalou os 50 anos da 111 (1964-2014), um pequeno texto dedicado a Manuel de Brito abre o volume.
30.10.2014
Se Manuel de Brito não tivesse existido não seria fácil inventar um outro igual, ou pelo menos, a ele semelhante.
A chave do seu indiscutível êxito está em que Manuel de Brito era tão bom conhecedor do meio que o viu nascer e em que cresceu que, como a história o provou, não se viu segundo.
Tímida e pouco informada a sociedade portuguesa (da época?) não era naturalmente propícia a que lhe pusessem em causa hábitos e convicções.
As mãos e os olhos, conjuntamente hábeis, que o instinto de Manuel de Brito soube usar, foram a alavanca do êxito.
Usei a palavra alavanca levado pela voga que hoje lhe dão, mas logo me apetece recusá-la por inadequada: em vez de alavanca, termo que me soa de modo demasiado brutal, assaz mecânico, prefiro evocar a habilidade de Manuel de Brito, qualidade que na gíria das famílias da época se usava aplicar aos artistas.
Assim se poderia dizer (e ele bem gostaria de o ouvir) que na sua época Manuel de Brito foi um artista.

Mais tarde a Gal, 111 deixou de referir J. Pomar entre os artistas da galeria, sem ter havido uma ruptura comunicada. A decisão resultava de questões de exclusividade devido à realização de exposições noutras galerias, de desenhos e azulejos: a Gal. 111 não se interessava pela comercialização de desenhos, mas reagiu às outras exposições em galerias.
2001: QUELQUES DESSINS (1965-1988), Gal. Flora J, Paris, catálogo tx de Lydia Harambourg e JP (extractos) / ALGUNS DESENHOS, Gal. Valbom (2003)
2002: TROIS TRAVAUX D'HERCULE ET QUELQUES CHANSON RÉALISTES, Gal. Patrice Trigano, Paris, cat. com tx de Pierre Cabanne
2003: DESENHOS PARA GUERRA E PAZ, Gal. João Esteves de Oliveira, catálogo.
2004: MERIDIENNES-MERINDIENNES, Gal Patrice Trigano, cat tx de Marcelin Pleynet
2004 FABLES ET FICTIONS, esculturas (em bronze) e as suas fotografias por Gérard Castelo Lopes, Gal. Le Vion Bleu, Sidi Bou-Said, Tunísia, catálogo
2009: 9 avril - 9 mai, NOUVELLES AVENTURES DE DON QUIXOTTE ET TROIS (4) TRISTES TIGRES, Gal. Patrice Trigano, desdobrável
2008, nov,. Desenhos para Dom Quixote de la Mancha, Gal. João Esteves de Oliveira, cat. com tx do artista e J. esteves de Oliveira
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Na 111 em 2016 "Júlio Pomar e Vítor Pomar - Ver o que salta aos olhos", exp. proposta por Vítor Pomar 30 de junho a 09 de setembro de 2016
https://111.pt/wp-content/uploads/2016/07/Press-realese-Julio-Pomar-e-Vitor-Pomar.pdf









































