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sábado, 4 de julho de 2026

2002, David Golbatt no CCB: "Documentário crítico"

"Documentário crítico" 

 

A sociedade da África do Sul fotografada por David Goldblatt 

 

David Goldblatt "FIFTY-ONE YEARS"

CCB, até 5 de Janeiro

 

Expresso 23/11/2002





https://www.macba.cat

 

        (Em 2008, Intersections Intersected, Fundação de Serralves)


Na grande exposição sobre a fotografia em África que Okwui Enwezor comissariou em 1996 para o Museu Guggenheim («In/sight: African Photographers, 1940 to the Present») apareciam em lugar de destaque a revista «Drum» e os fotógrafos que, a partir dos anos 50, deram testemunho do aparecimento de uma nova cultura sul-africana cada vez mais distanciada das raízes tribais e também do seu crescente confronto com o horror do regime do «apartheid».


Jürgen Schadeberg, emigrante alemão, foi o primeiro animador fotográfico desse magazine dirigido à população negra, que ao longo das décadas de 50 e 60 se tornou uma publicação quase-continental, com edições na Nigéria, Gana e depois Estados Unidos e Índia. Pioneiros como Eli Weinberg (nascido na Letónia), o lituano Leon Levson e Ernest Cole, seguidos por jovens foto-repórteres negros como Bob Gosani ou Peter Magubane, acompanharam as transformações do quotidiano popular, a emergência dos primeiros líderes e a repressão imposta pelas leis segregacionistas, em carreiras marcadas por longas prisões e exílios forçados. Nos anos das lutas decisivas, fotografar as zonas de «agitação» era um acto criminoso que podia ser punido com penas até dez anos.


David Goldblatt, participante na mesma exposição em Nova Iorque (ao lado do moçambicano Ricardo Rangel), produziu a partir das mesmas datas uma obra documental de características diferentes, distanciada da linha da frente das lutas políticas e da actualidade jornalística, com a reserva de um olhar independente mas empenhado, que se tornou profundamente influente na compreensão das tensões que atravessaram e atravessam a sociedade sul-africana.

 

A magnífica retrospectiva de 51 anos de trabalho que faz escala no CCB, no âmbito de uma itinerância iniciada em 2001 na AXA Gallery de Nova Iorque que se prolongará pelo menos até 2004, na Cidade do Cabo, com organização do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, é apresentada por Corinne Diserens e pelo mesmo Okwui Enwezor, o nigeriano que foi entretanto director da última Documenta de Kassel. Selecção extensa de uma obra mais marcadamente pessoal que militante, apesar do seu intrínseco significado político, a mostra é um poderoso testemunho sobre a sociedade sul-africana e a sua transformação ao longo das últimas décadas, construído graças a uma prática do documentário fotográfico entendido como aprofundada exploração crítica das realidades sociais e das suas contradições profundas. Mas a exposição e o seu circuito são igualmente uma prova de como a grande tradição documental da fotografia, que por algum tempo se quis declarar extinta, tem vindo a ganhar um espaço crescente nos meios da arte contemporânea.


Filho de emigrantes judeus lituanos fugidos às perseguições do final do século XIX, Goldblatt nasceu em 1930, nos arredores mineiros de Joanesburgo. Interessado pela fotografia desde muito cedo (as primeiras imagens vêm desde 1948, numa prática de rua aprendida com a «Life» e a «Picture Post»), tornou-se fotógrafo «freelance» em 1963, após ter vendido o pequeno comércio de roupas do pai, e trabalhou para a empresa mineira Anglo American Corporation e para magazines empresariais, que se vêem também no CCB. Faz falta, porém, uma cronologia que situe o visitante no contexto histórico que vai da imposição das primeiras leis do «apartheid», em 1948, às eleições democráticas de 1994, passando pela instauração dos passes para os negros em 1951 e pela criação das regiões «independentes» («homelands» ou bantustões) a partir de 1958, impondo as grandes deslocações da população não branca que Goldblatt acompanhou em algumas das suas séries.


 A um primeiro livro publicado em 1973 em colaboração com a escritora Nadine Gordimer, dedicado às terríveis condições de trabalho nas minas de ouro (On the Mines), seguiu-se em 1975 a edição de um ensaio fotográfico longamente trabalhado sobre a população branca de origem holandesa instalada desde meados do século XVII na África do Sul (Some Afrikaners Photographed). Com esse projecto, que assegurou a notoriedade internacional de Goldblatt a partir da sua exposição na Photographer's Gallery de Londres e da entrada nas colecções do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, define-se a direcção principal de um trabalho concentrado «sobre a existência das pessoas vulgares e sobre os pequenos pormenores da vida quotidiana que desvendam tão bem a estrutura interna da injustiça e a essência daqueles que a impõem ou a combatem», como escreveu Lesley Lawson na excelente monografia publicada em 2001 na colecção «55» da Phaidon Press. Era também de uma reflexão autobiográfica que se tratava nesse trabalho, a partir da sua particular condição de branco hostilizado pelo anti-semitismo dos Afrikanders, orientada para a atenção minuciosa sobre os discretos sinais contraditórios inscritos nos retratos, nas situações e nos cenários aparentemente mais banais.


Depois dos inquéritos humanos que realizou nos subúrbios de Joanesburgo, que na mostra se organizam em vários capítulos locais («Intersecções»), Goldblatt dedicou-se a um inventário exaustivo da paisagem construída do país, interpretando a história recente através da arquitectura e dos seus símbolos (South Africa: The Stucture of Things Then), e os últimos trabalhos, que utilizam já a cor tratada digitalmente, acompanham as dificuldades sociais explosivas que marcam a actualidade sul-africana.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O IPM (Instituto Português de Museus) 1991 a 2002,:Simoneta Luz Afonso (1991.1996) e Raquel Henriques da Silva (1996.2002)

IPM, Simoneta Luz Afonso

e Raquel Henriques da Silva

1  - 1991: A nomeação de Simoneta Luz Afonso como directora do IPM 

e 1996: Simoneta sai do IPM


SLA, 1998, "Revista de Museus" nº 05

2 -  2002: Mudança em tempo de crise 

Raquel Henriques da Silva deixa a direcção do Instituto Português de Museus. Museus vão ter novo director mas menos dinheiro. 

a propósito do nº 5 da "Revista de Museus", antigos escritos de circunstância


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Europália bis


Expresso Cartaz, Actual, 7 Dezembro 1991

(Santana Lopes anunciou que as exposições da Europália'91 na Bélgica seriam repetidas em Portugal, embora nada tivesse sido contratualizado nesse sentido. Para tal precisou de dar continuidade às funções de Simoneta Luz Afonso, antes responsável pelo comissariado das exposições da Europália, criando o Instituto Português de Museus sob a sua direcção. Assim não se pagariam novos comissariados às equipas sobb a sua dependência, mas por isso algumas exposições decisivas sobre a fotografia (António Sena) e arquitectura (Paulo Varela Gomes) não tiveram continuidade)

Na segunda-feira, Santana Lopes empossou Simonetta Luz Afonso como (primeira) directora do Instituto Português dos Museus. Nos discursos de ambos reconheceu-se o estado de abandono do património, saudou-se o êxito das exposições da Europália e referiu-se a necessidade de conseguir condignas condições de visibilidade e segurança para as peças que regressarão da Bélgica. Fizeram-se promessas (“O Estado está disposto a cumprir as suas responsabilidades», disse Santana Lopes) e estabeleceram-se as «linhas de força” de urna nova política museológica (começando S.L.A. pelo «estudo científico das colecções, sua informatização e criação de um banco de dados e imagens com futuras ligações internaclonaís»). 


Entretanto, durante a mesma cerimónia, o Gabinete do SEC distribuiu aos jornalistas urna informação intitulada «Projecto da apresentação em Portugal durante 1992 das exposições do festival Europália». Esta será uma segunda tarefa atribuída a S.L.A., mas ela esteve ausente dos discursos. Se se tratou de anunciar uma «Europália-bis», optou-se por um modo estranhamente discreto, quase envergonhado, à margem das coisas sérias de que trataram os discursos. 


Já se sabia que estão a fazer-se esforços para apresentar algumas das exposições em Lisboa no seu regresso de Bruxelas, e que outras serão cedidas a Madrid por ocasião da respectiva Capital Cultural de 92. É oportuno, inegavelmente, mostrar a pintura flamenga conservada no Funchal em paralelo com a colecção do Museu de Arte Antiga; é desejável que os instrumentos científicos da Universidade de Coimbra se possam ver (em Queluz) antes de regressarem ao seu depósito confidencial; outras exposições, construídas de raiz, como a relativa à arquitectura contemporânea, devem, naturalmente, circular no país e no estrangeiro <mas tal não aconteceu>. 

Também se sabe, porém, que durante a preparação da Europália nunca se quis estabelecer qualquer programa de exploração futura das exposições, devendo cessar os compromissos do Comissariado com a devolução aos respectivos proprietários (Estado, Igreja, autarquias, particulares) de todas as peças reunidas para a embaixada enviada à Bélgica. 


Por isso, todo o projecto de exposição implicará que se recomecem os contactos com vista à cedência das peças, e que se substituam os objectos não emprestados. Haverá que renovar seguros, repetir, em muitos casos, os transportes, rever (nalguns casos traduzir textos) e reeditar os catálogos, para além de se terem de reconsiderar os planos expositivos em função dos novos espaços, certamente com a colaboração dos anteriores comissários sectoriais. A estas operações haverá que somar as acções relativas à montagem das exposições em lugares tão pouco preparados (em termos de equipamentos, climatização, iluminação, segurança, etc.) como são o Mosteiro dos Jerónimos (“Portugal e Flandres”), o Museu Machado de Castro (“De Goa a Lisboa”), a Central Tejo («Tríptico»!!) ou o Centro Cultural de Belém ( «O triunfo do barroco» ??) . 

Mas há ainda uma questão de fundo: as exposições da Europália foram pensadas para a representação do país no exterior e são, em geral, mostras generalistas ou de vasta síntese histórica. Para lá do interesse pontual de algumas peças menos conhecidas (além do caso excepcional dos «mecanismos do génio» e das mostras contemporâneas), não é esse o modelo de exposição que mais importa fazer em Portugal, quando faltam ainda tantas revisões monográficas ou sectoriais.

 

Aquilo que se anuncia agora como a Europália-bis é um novo programa de aparato e festividades (a somar aos que a Exposição de Sevilha e Madrid-92 efectivamente impõem, e aos que se terão de prever para Lisboa-94). Sabendo-se que a exiguidade dos orçamentos tem condicionado fortemente a política patrimonial ou museológica (para não falar na situação do S. Carlos, das Orquestras, etc.), e mesmo tendo apenas em atenção os próprios discursos pronunciados na posse de S.L.A., há razões para duvidar da justeza das prioridades da SEC. Tanto mais que o período eleitoral já passou. 


&

Simoneta sai do IPM

22-06-96    

1º caderno


 (M.M.Carrilho foi nomeado ministro da Cultura em Outubro de 1995 e ocupou o cargo até julho de 2000 nos XIII e XIV Governos Constitucionais presididos por António Guterres. No início de 1996 a tensão era cada vez mais evidente) 


Simoneta Luz Afonso abandonou esta semana a presidência do Instituto Português de Museus (IPM) e optou por manter o lugar de comissária do Pavilhão de Portugal na Expo'98, antecipando-se assim à entrada em vigor, amanhã, da lei das incompatibilidades. O ministro da Cultura procurou contrariar a demissão e foram, entretanto, consideradas as possibilidades de contornar o efeito da lei, mediante o exercício não remunerado daquele comissariado, como, aliás, já sucedera por ocasião da Capital Cultural. Mas Simoneta manteve-se inflexível e formalizou a decisão na terça-feira, precisamente no dia em que fez 50 anos.  

Segundo a presidente do IPM declarou ao EXPRESSO, «a decisão foi difícil, mas as pessoas têm de ter a coragem de se renovar, têm de assumir projectos fortes, e o desafio da EXPO'98 é muito interessante». Por outro lado, acrescentou que «não queria que se torneasse a lei» a seu respeito: «sou sempre muito cumpridora e não quis ficar a ser uma excepção, que me deixaria numa posição difícil». 

Entretanto, um porta-voz do Ministério admitiu que o nome do novo responsável pelos museus deverá vir do interior do próprio Instituto, mas só na próxima terça-feira, depois de regressar de Cabo Verde, Manuel Maria Carrilho * se ocupará da substituição, que deverá ser rápida. O mesmo informador negou a existência de conflitos com a gestão do IPM, admitindo apenas «dificuldades pontuais» no terreno financeiro, devidas ao regime de duodécimos a que obrigou a aprovação tardia do Orçamento e também ao «aumento muito ligeiro» das verbas atribuidas aos museus.


Por seu turno, Simoneta Luz Afonso não comenta informações colhidas no IPM sobre repetidos focos de tensão com o Ministério, a propósito de restrições da competência do seu instituto nas áreas da arte contemporânea, da fotografia, da conservação e restauro e do inventário do património móvel, já anunciadas em alguns casos ou só insinuadas. A transferência dos museus de arqueologia do IPM para o futuro instituto do sector, o IPA, também chegou a ser equacionada, embora sem seguimento, e tal orientação viria pôr fortemente em causa o projecto da Rede Nacional de Museus, que constituiu uma das linhas de força da acção da ex-presidente. Entretanto, a instalação da nova sede do IPM em Belém, em paralelo com a transferência do Museu dos Coches, parece ter caído no esquecimento. Por outro lado, as obras recentes de renovação de numerosos museus implicam reforços substanciais dos orçamentos de funcionamento que, não tendo sido contempladas este ano, ameaçam criar situações de estrangulamento financeiro já a curto prazo.


«Não estou em conflito com ninguém e, aliás, é muito raro ter conflitos, apesar da fama de ter mau génio» é a resposta formal da ex-responsável pelos museus, seguida por algumas outras frases igualmente sibilinas — «a interpretação é livre» ou «eu não quero ser incómoda» —, distribuidas num discurso mais interessado em sublinhar o seu interesse pelo «grande desafio» que é o Pavilhão de Portugal: «conceber o pavilhão é como começar a escrever um livro e era muito complicado entregar o projecto a outra pessoa». 

Quanto à situação do IPM, Simoneta considera que deixa «o Instituto em velocidade de cruzeiro: as estruturas dos museus estão montadas, há muita gente a trabalhar, com experiência de investigar e de fazer exposições, o público habituou-se a frequentá-los, ganhou-se reconhecimento internacional e conseguiu-se envolver o tecido social e empresarial nas nossas iniciativas, como aconteceu durante a recente 'Semana dos Museus'». «Nada está pronto e há muito que fazer, mas os museus têm capacidade para dar o salto qualitativo que ainda é necessário», acrescentou.

Nomeada no final de 1991, na sequência do êxito alcançado pelas exposições da Europália, Simoneta encontrou os museus nacionais, até então integrados no antigo IPPC, numa situação de quase paralisia, frequentemente encerrados por greves do pessoal e por interrupção dos fornecimentos de água e luz. Entretanto, o IPM tornou-se nos últimos quatro anos o único domínio cultural tutelado pelo Estado a merecer uma apreciação consensualmente positiva, situação que não terá facilitado a transição para o novo Governo. 



                                      #


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 "Mudança em tempo de crise"

Expresso Actual 12/10/2002 

Museus vão ter novo director mas menos dinheiro. Raquel Henriques da Silva deixa hoje a direcção do Instituto Português de Museus

mais ministros:

José Sasportes


12 de julho de 2000 a 3 de julho de 2001 Gov. Guterees

Augusto  Santos Silva


3 de julho de 2001 a 6 de abril de 2002  Gov. Guterres

Pedro Roset
6 de abril de 2002 a 17 de julho de 2004  (Gov. Durão barroso)
Raquel Henriques da Silva considera «gravíssimo» o corte de seis por cento no orçamento de funcionamento dos 29 museus dependentes do Instituto Português de Museus (IPM), previsto no Orçamento de Estado. Diz que se «está a cortar onde não há rigorosamente mais nada para cortar, recuando para níveis de 1998, apesar de se terem ampliado as áreas de vários museus, de aumentarem as despesas de electricidade, comunicações e segurança, das elevações dos escalões salariais por antiguidade.»

Assegura que «os museus não vão encaixar os cortes» e refere-se à penúria orçamental como uma «situação alarmante», uma «catástrofe anunciada», «uma vergonha».

Não são estas, no entanto, as razões que a levam a recusar o insistente convite do ministro da Cultura para permanecer à frente do Instituto. Há mais de um ano que tinha decidido regressar à Universidade Nova e à carreira académica, quase interrompida durante dez anos, desde que em 1992 se dedicou à refundação (e depois direcção) do Museu do Chiado. Permaneceu cinco anos como directora do IPM, onde trabalhou com quatro ministros, e considera encerrado «um ciclo de vida pessoal».

Lamenta a coincidência da sua saída com «a apresentação de um orçamento gravoso» para o IPM, que imporá «uma vida árdua» à equipa seguinte, onde a continuidade das linhas de orientação fica assegurada pela substituição pelo anterior subdirector, Manuel Bairrão Oleiro. Mas lembra que as suas críticas à insuficiência dos orçamentos não são de agora. Já em Julho do ano passado, na reabertura do Museu Soares do Reis, o primeiro-ministro de então não gostou de ouvir uma dura chamada de atenção para as carências dos museus.

Outras oportunidades para alertar a tutela não foram perdidas, como sucedeu no Dia dos Museus, a 18 de Maio, quando se referiu a uma «situação calamitosa» onde há riscos de se «ultrapassarem os limites mínimos de segurança», apesar de prosseguir um intenso esforço de modernização de edifícios e equipamentos, com apoios comunitários. O último Verão passou-o «a travar o fecho dos museus», proposto por quase metade dos directores, face à dificuldade de assegurar os mínimos indispensáveis em matéria de vigilância e à acumulação de facturas por pagar, enviadas para o IPM à espera de um reforço do orçamento para o corrente ano. Absolutamente indispensável, sob pena de paralisação das actividades e do fecho de portas, já a partir de Abril de 2003. Sintomático é o caso há pouco ocorrido com o Museu de Etnologia, encerrado quase dois meses quando o ar condicionado parou pela falta de meios para a assistência atempada.

Raquel H. Silva insiste que «é impossível cortar no orçamento de funcionamento» e diz que «tem de se gastar mais dinheiro para, pura e simplesmente, manter os museus abertos». Mas também diz que a contenção orçamental «não será totalmente impeditiva da acção» e, adoptando uma perspectiva optimista, considera que vai ser necessário (e possível) «fazer uma gestão mais rigorosa» e «aguçar o engenho», à procura de outras fontes de financiamento e de parcerias com outros agentes, autárquicos ou particulares. É preciso, diz, «que os serviços não entrem em depressão».

Entretanto, a diminuição mais importante das verbas do IPM ocorre no PIDDAC, envolvendo o financiamento nacional (menos um milhão de euros, agora 7,8 milhões) e o comunitário (de 16,09 para 9,1 milhões), a que corresponde uma quebra total de cerca de 24%. Para a directora do IPM, trata-se não de um «corte», mas de um abrandamento do investimento devido ao facto de as grandes obras previstas para os museus de Aveiro, Évora e Coimbra só começarem no final de 2003. Quanto a Aveiro, que tem um projecto de remodelação e recuperação patrimonial de Alcino Soutinho, vai ser lançado em Janeiro o concurso para a escolha do empreiteiro. Raul Hestnes Ferreira está a fazer o projecto final para Évora, depois da atribulada fase que envolveu três estudos prévios, pesquisas arqueológicas e difíceis opções quanto à museologização dos vestígios. Para o Machado de Castro, o projecto está a ser terminado por Gonçalo Byrne. «Sem qualquer dúvida, o ano de 2004 será totalmente diferente» quanto aos investimentos, diz Raquel H. Silva.

Em 2003 ficarão concluídas a renovação do Museu Grão Vasco e a última fase da do Museu Abade de Baçal, em Bragança, avançando-se no Museu de D. Diogo de Sousa, de Braga, com a respectiva museografia, enquanto o de Lamego entra em fase de projecto. A situação é pior na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde, já sem fundos comunitários, estão retidos os planos para os museus das Caldas (José Malhoa e Cerâmica) e se encaram apenas acções de requalificação faseada para o Traje. O Museu do Chiado não tem ampliação à vista, um desejado Museu da Música, a construir no Parque do Monteiro-Mor, é ainda uma miragem, mas no caso do Museu de Arqueologia prevê-se o prosseguimento dos projectos já em estudo.

Uma parte essencial da acção de Raquel H. Silva foi dedicado à concretização dos projectos de requalificação de museus, que herdou já anunciados, mas em estado de indefinição ou paralisia. Outra linha de trabalho, mais silenciosa, diz respeito à consolidação do próprio IPM, à revisão da sua lei orgânica e das carreiras da área da museologia, com vista à aprovação de novos quadros de técnicos e funcionários. O desenvolvimento do projecto Matriz (inventário e base de dados informática), a renovação e rejuvenescimento das direcções dos museus, a realização do «Inquérito aos Museus em Portugal», como base para a definição programática da Rede Portuguesa de Museus, são outros aspectos que mereceriam desenvolvimento, se a crise orçamental não fosse agora o centro das atenções. Deixa adiantada a elaboração da Lei-Quadro dos Museus, com inovações destinadas a alterar estruturalmente o mapa museológico do país.

Manuel Bairrão Oleiro entra em funções na segunda-feira e Raquel Henriques da Silva apresenta-se na Universidade Nova. Continuará ligada à área dos museus só no campo do ensino, com um projecto de reformulação do mestrado em Museografia e planos editoriais: uma história dos museus em Portugal e uma colecção de traduções de textos fundamentais sobre museologia.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111 (4) : ANOS 2000

 2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas

obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.). 

CONVITE. 19 JAN A 2 MARÇO
Ulisses e as Sereias com Guitarra Portuguesa 1001, pastel, fundo litográfico sobre tela



desdobrável capa e folha 2. design H. Cayatte e JP

domingo, 15 de maio de 2016

Nuno Viegas 2001 2002 2003 2004 (Cascais) 2008 2009 (Arte Periférica) 2016 (Col. Cachola)

 Nuno Viegas desde 2001

2011 A de Animal

Arte Periférica 5 nov. CATÁLOGO (tx NV)

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05/15/2016

Nuno Viegas na Colecção Cachola

sábado, 12 de outubro de 2002

Fátima Mendonça, 1996 (Arte Periférica), 1998, 1999 (Fernando Santos), 2001 (Prémio Maluda), 2002 (111)

 Picture 3

2009: Exposição na Galeria 111, de 10 de Setembro a 7 de Novembro

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Escritos desde 1994

FÁTIMA MENDONÇA, Arte Periférica, Massamá
Expresso Cartaz de 17-09-1994

Um desenho que é aparentemente infantil para falar de experiências e violências físicas suporta a narração de histórias em que entram uma noiva, um bolo e um cão mau. São as grandes telas, onde um corpo flutua, exposto e pensado do interior, num espaço vago de manchas e rasuras, que melhor traduzem, depois de Dubuffet e Paula Rego, mas sem epigonismo, a energia de um discurso que aqui começa. Uma primeira individual que nos faz aguardar novos trabalhos. (Até 5 Out.)
 
FÁTIMA MENDONÇA, Arte Periférica/Belém
Cartaz Expresso 18-11-1995
Três telas de grande formato dão sequência a uma pintura que joga abertamente na criação de uma narrativa centrada numa personagem feminina e num quotidiano de aspirações comuns, convenções, desejos e alegrias, medos e protestos — «estórias da menina mal-amada», no título da apresentação de Rocha de Sousa. O uso da cor vem agora dar uma outra intensidade a um grafismo aparentemente ingénuo, próximo do graffiti, enquanto as anotações escritas («ela explicava ao cão que era uma rapariga sincera», «descobrira-lhe mais de dez namoradas iguais a ela», «ela esforçava-se muito por lhe agradar») recriam episódios de uma intimidade ficcionada de menina ou noiva «saloia», entre formas de bolos e «suspiros», que também pode surgir travestida de toureira. As histórias são mais sangrentas do que parecem.
 
1997
"A sedução e a culpa"

Cartaz Expresso 11 Jan. 1997

Arte Periférica CCB, Dez. 1996 / Jan. 97

sábado, 15 de junho de 2002

Fernando Calhau (1948-2002)

"Carreiras paralelas"

FC, artista plástico e ex-director do IAC

Expresso Actual de 15/6/2002

Artista plástico e primeiro director do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), Fernando Calhau faleceu na quarta-feira, após prolongada doença. Tinha 54 anos, e as suas últimas obras podem ver-se ainda até ao fim do mês no Pavilhão Branco do Museu da Cidade, numa mostra conjunta com Rui Chafes onde a presença da morte se podia reconhecer logo no título escolhido, «Um Passo no Escuro».

Formado em pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1973, com estudos de pós-graduação na Slade School de Londres, com Bartolomeu dos Santos, Calhau começou por dedicar-se à gravura. Logo no início dos anos 70, a sua obra tomou a direcção das pesquisas minimalistas e conceptuais, que nunca mais abandonou, tendo participado activamente nas movimentações vanguardistas da década, juntamente com Ernesto de Sousa, Julião Sarmento e outros, nomeadamente na exposição «Alternativa Zero», em 1977. A utilização da fotografia, do filme Super 8 e depois do vídeo tiveram então um largo espaço no seu trabalho, a par da realização de séries de pinturas monocromáticas, onde dominam as superfícies negras.

A seguir, o envolvimento com responsabilidades administrativas na Secretaria de Estado da Cultura, pouco depois do 25 de Abril, tornou mais discreta a sua presença como artista plástico, espaçando-se a sequência das exposições individuais - registem-se, entre outras, as que realizou na Galeria Cómicos, em 1987, 89, 91 e 93, passando à utilização de suportes recortados, de chapas de ferro e do néon. Uma perspectiva global do seu trabalho foi apresentada numa antologia organizada pelo Centro de Arte Moderna em Outubro de 2001, a que se seguiu a atribuição do Prémio AICA-Ministério da Cultura desse ano.

Fernando Calhau deixara já a direcção do IAC, por doença. Sucedeu-se então um breve período de maior intensidade criativa, de que resultaram exposições de pintura, na Galeria Cristina Guerra, e de desenho, também no CAM («Passageiro Assediado»), onde as linguagens reducionistas de sempre se orientaram num sentido menos formalista, em que a emotividade e a inquietação estavam notoriamente presentes.

No âmbito da administração cultural, Calhau manteve uma intervenção oficial continuada ao longo de 25 anos, através de variados contextos políticos (interrompida no mandato de Santana Lopes), tendo chefiado a divisão de Artes Plásticas e o serviço de Comunicação Visual da antiga Direcção-Geral de Acção Cultural da SEC, onde trabalhou com João Vieira, Julião Sarmento, Cerveira Pinto, Margarida Veiga e Delfim Sardo <com os dois últimos criou a empresa Modus Operandi, de prestação de serviços>. Foi membro da comissão organizadora do Museu de Arte Moderna do Porto e integrou as comissões de compras de obras de arte para a SEC e para a Fundação de Serralves, passando a assegurar também a orientação da colecção de arte contemporânea da Caixa Geral de Depósitos entre 1992 e 96. Essa experiência culminaria na actividade à frente do IAC, criado em 1997, depois de já ter presidido à respectiva comissão instaladora.

sábado, 13 de abril de 2002

1998, 2002, 2004, Culturgest, Colecção CGD

 1998