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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

2016, POSTWAR 1945-1965, de Okwui Enwezor (Munique), Realisms (III) Alice Neel

 POSTWAR 1945-1965, Okwui Enwezor (Munique 2016)

a importante exposição em Munique incluiu Alice Neel, mas chamar-lhe pioneira do realismo socialista na América é errado.

Nem as cenas urbanas que pintava desde os finais dos anos 20 e que prosseguiu nos anos 30 anti-fascistas do New Deal, quando era paga pela WPA (Works Progress Administratioin)  - e menos ainda os retratos cúmplices dos seus vizinhos afro-americanos de Harlem - correspondem à "arte proletária" do John Reed Club de Mike Gold, retratado em 1952 - 1929-35:  https://en.wikipedia.org/wiki/John_Reed_Clubs - nem ao realismo socialista do tempo da Frente Popular e do American Artists' Congress. 

A prática  do "humanismo" era outra coisa, e os arquivos da CIA (que a interrogou em 1955 e a vigiou até 1961) estavam mais certos: era uma "comunista boémia e romântica". 

https://www.aliceneel.com/about/1930-1939




The United States had its own contingent of fellow travelers. As Alice Neel, considered by manv a pioneer of Socialist Realism in American painting, declared in 1951, "I am againest abstract and non-objective art because such art shows a hatred of human beings. East Harlem  is like a battlefield of humanism, and I am on the side of the people here, and they inspire my paintings." The dandyish pose struck by the young George Arce in his portrait by Neel is hit a thin vencer over the violent life of teenagers of color in Spanish Harlem.

Alice Neel, quoted in Andrew Hemingway, Artists on the Left: American Artists and the Communist Movement, 1926-1956 (New Haven: Yale University Press, 2002), p. 248.



The long pictorial tradition of a victimized yet heroic peasantry continued to empower artists to voice a strong "j'accuse!" against regimes of political domination. The Portuguese artist Julio Pomar thus painted the monumental female rice-pickers in Etude para Ciclo do Arroz II (Study for Rice Cycle II, 1953; plate 183) under the dictatorship of António Salazar.


2016, Postwar, Realismos (II)

 A arte no Pós-guerra, Munique, Haus der Kunst,

14 Outubro

Será uma das mais importantes exposições internacionais do ano: a mais ambiciosa revisão revisão alguma vez realizada das duas décadas que se seguem ao fim da 2ª Guerra.

Por razões várias, porque 1945-1965 é o meu tempo, por razões de ordem pessoal (e familiares), por tratar questões que tenho investigado e divulgado (os realismos do pós-guerra, os inícios da arte moderna africana, e em Moçambique em particular; a rede informal formada nos finais da década de 1950 / inícios de 1960' por Ulli Beier na Nigéria, Pancho Guedes em Moçambique, Frank McEwen na Rodésia do Sul e Julian Beinart da África do Sul; o 1º Congresso Internacional da Cultura Africana, ICAC, em 1962, Salisbury), interessa-me muito esta exposição que inaugura a 14 de Outubro em Munique, na Haus der Kunst.

O facto de ter colaborado na recolha de documentação sobre o neo-realismo português (também com apoio do Museu de Vila Franca de Xira) e sobre alguma África ignorada dos anos 50/60, justifica ainda uma maior curiosidade. <Mas a morte de Enwezor anulou os previstos Postcolonial e Postcomunist>


Resistência, 1947 e Estudo para o ciclo Arroz, 1953. Ao lado de Alice Neel, George Arce 1953,  e Beauford Delaney, Retrato de James Baldwin 1945, em cima John Biggers, The history of negro education 1955, na secção  Realisms


Fica adiante um dos textos que o museu de Munique produziu para divulgação:

Postwar: Art Between the Pacific and the Atlantic, 1945-1965

Curated by Okwui Enwezor, Katy Siegel, and Ulrich Wilmes


2016, Postwar, 1945-65, Orkwui Enwezor, em Munique (I)


Post war 1 - depois da bomba

1 Hanna_19311 Hanna Arendt, "Zur Person" Full Interview. In German with English subtitles.

https://youtu.be/dsoImQfVsO4


À entrada da exposição, com o som a ocupar a 1ª sala

2 Em frente a... 

2 Beuys_1932Wostell, Appel, Louis, Stella e Beuys

Joseph Beuys, Monuments to the Stag (?), 1958/82

#

3 Francis Bacon (Fragment of a Crucifixion, 1950) & Andrzej Wróblewski (1927-1957, Lituânia-Polónia)

Bacon _0752

 4  Andrzej Wróblewski
1 Hanna_1931

1949 Liquidation of the Ghetto / Blue Chauffeur (frente e verso)

1949, Executed Man, Execution with a Gestapo Man.


#

5  Appel, Louis, Stella

8 Appel_0965

6 Gerhard Richter, ...
1 Hanna_1931

SECÇÃO 1

7 texto_0852

Secção 1 / 2

 

11 passagem_0853

Isamu Noguchi 1946, Richter 1963 (Bombers), Baj, Movimento Arte Nucleare 1951, David Smith 1949 / Joan Mitchell 1961 (Coll. Berardo)IMG_0761

Secção 1 sala 2

10 moore_0760Henri Moore 1964-65, Jess 1962, Paolozzi 1956, Appel

 

Sala_0759

 Tenho sérias dúvidas sobre a colocação da bomba atómica como tema e imagem iniciais da exposição Postwar. Eficaz em termos retóricos, mas talvez seja mais uma perspectiva anacrónica, uma leitura posterior aos factos. A memória directa da guerra, das destruições, bombardeamentos e campos, das mortes e das lutas de resistência parece-me dominar a criação artística internacional nos anos imediatos a 1945, em direcções opostas de dissolução da forma, destruição da figura, ou de construção figurativa, narrativa, utópica. Será no contexto da Guerra Fria que o perigo nuclear ganha consistência, como iminência de um novo conflito bélico e como referência mais assustadora.

Se o cogumelo de Henry Mooore é já de 1964-65, as obras vindas dos anos 40 respondem aos anos da guerra em geral, ou em contextos geográficos precisos, e não à "hora zero e a era atómica". O modo como a arte informal e o expressionismo abstracto mais as geometrias e concretismos se afirmam nos anos 40/50, podem corresponder a uma reconstrução de vanguardas divergentes que vai retomar dinâmicas muito anteriores à guerra e aos anos 3o de ameaças fascistas, ao mesmo tempo que reage a uma dinâmica do pós-guerra que a exposição não ilustra: a redescoberta e exaltação dos mestres modernos, após as condenações e ocultações nazis.

Os grandes mestres ocupam o espaço público internacional, em especial em França, enquanto a restante Europa está em ruinas e em reconstrução, e as posições críticas radicais e vanguardistas são minoritárias e marginais.

Os anos a partir de 47 são já da guerra fria, que impõe a sua lógica ao confronto entre figuração realista (associada ao nazismo e ao estalinismo, e aos movimentos antifascistas dos anos 30/40) e abstraccionismo, ao qual se associa a expressão da recusa dos totalitarismos e um entendimento finalista da arte moderna - o fim da figura e da narração-ilustração.

Embora a exp. tenha construído com a "Hora Zero" um início atraente e inovador, a realidade parece ser outra.