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quarta-feira, 15 de julho de 2026

2015, Colecção SEC, artigos de Vanessa Rato no PÚBLICO

 Uma viagem ao acidentado mundo da Colecção SEC

Vanessa Rato 

PÚBLICO, 25/07/2015 - 07:58


NÃO PEDI AUTORIZAÇÃO À VANESSA RATO E AO PÚBLICO PARA TRANCREVER OS ARTIGOS, MAS SÂO TEXTOS ESSENCIAIS PARA A HISTÓRIA DA COLECÇÃO SEC/MC. À DATA AINDA SE INVESTIGAVA


Muitas peças estão por localizar. Outras têm entradas como a misteriosa “Gaveta Lis” que ninguém na tutela parece conhecer. Poucos parecem conhecer também a própria Colecção SEC. O PÚBLICO foi consultar o “dossier verde” onde se elencam as suas obras. Uma viagem cheia de acidentes de percurso.


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Foto: Parte da Colecção SEC está agora em exposição na nova ala do Museu do Chiado (foto Daniel Rocha) 


Uma exposição e um catálogos esquecidos de há 40 anos

A COLECÇÂO SEC EM 1985


É um volumoso dossier de capas verdes – talvez mais de 20 centímetros de altura. Lá dentro, centenas e centenas de páginas com entradas de obras de arte. Número de registo, nome do autor, título da obra, técnica e suporte, data de realização, valor de aquisição e actual localização – quando conhecida.

Ao longo das últimas duas semanas a Colecção da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) tem estado ao centro de acesa polémica. Foi a partir da demissão do director do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado e da "disputa gestionária" travada entre esta instituição e o Museu de Serralves.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O CASO DA COLECÇÃO ELLIPSE. COLECÇÂO BERARDO. COLECÇÂO CACE (3)

... E O ATAQUE AO ACERVO BERARDO DO/NO CCB. CARTA PESSOAL A UMA MINISTRA MAL INFORMADA

 


1. Como se pode considerar pela foto junta, ignoro se a Colecção Ellipse é mesmo importante dentro dos acervos de arte contemporânea existentes no CCB, de que é parte central e essencial a Colecção Berardo, que se encontra sob tutela judicial. Os compradores de João Rendeiro para o Fundo e depois Fundação Ellipse, Alexandre Melo (então assessor de Sócrates) e Pedro Lapa (então director do Museu do Chiado) - duas acumulações inaceitáveis, como se discutiu à época -, nunca me pareceram figuras de gosto seguro.

2. Se José Berardo ganhar os processos judiciais q se eternizam, levantados pelos bancos de que é devedor, é provável q lhe interesse manter a colecção no CCB e ressuscitar o (seu) respectivo nome original. A sua ambição foi dotar o país com um museu de arte contemporânea... e depois moderna por dedicação, amor à arte (e à camisola), responsabilidade social e altruísmo. Nunca quis vender as obras que adquiriu, e ouvi-lo a comentar as peças da colecção era uma experiência muito generosa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O NOVO MUSEU RENDEIRO: A Colecção do Estado da D. Sandra* (1 e 2)

 2. (FB: 13.01.26) Um museu ou Centro de Arte Contemporânea para a rua das Fisgas, Pedra Furada - Alcoitão / Alcabideche / Cascais?




É significativo que quem vem a público alarmar-se com a confusão da anunciada localização futura da Colecção de Arte Contemporânea do Estado (CACE é um nome muito feio) no antigo barracão da rua das Fisgas, vindo da falência do BPP (a Fundação Ellipse do banqueiro João Rendeiro), sejam dois antigos responsáveis pelo Museu do Chiado (também erradamente dito Museu Nacional de Arte Contemporânea) que tiveram depois funções, seguintes ou em acumulação, como presidente do Instituto Português de Museus, num caso, e como curador da tal Fundação Ellipse e director do Museu de Arte Moderna - Colecção Berardo, no outro, sem ele se distinguir como director de museus..
Se é insólita a informação oficial sobre a Colecção, que diz retirá-la do CCB, ao qual estava atribuída, para a instalar no labirinto de armazéns em Alcoitão, promovendo-o a uma espécie de novo museu, os dois artigos publicados no Público por Raquel Henriques da Silva e Pedro Lapa não conseguem ser esclarecedores: levantam incertezas, manifestam dúvidas e inquietações, enquanto a tutela dos museus (desde 2023 Museus e Monumentos de Portugal, EPE) se ausenta da sua suposta responsabilidade, sem orientação vocal nem legítimo protagonismo.
A ministra ainda conhece mal a casa, o sector e o meio, está "verde", pelo que surpreende a urgência em anunciar decisões mal fundamentadas. Mais Museu, menos Museu, a Arte Contemporânea goza de uma sabida incompreensão e mesmo desconfiança, rejeição. As trocas de obras e de lugares de arrumação ou reservas, as trocas de programas de museus existentes, e o anúncio de mais um, enquanto faltam recursos e "vontade política" para os que estão no terreno, não defendem a arte nem conferem segurança. Entretanto os profissionais calam-se - estão amordaçados?.
Aliás a Colecção do Estado é um equívoco desviante que se sobrepõe aos museus, esvaziando-os de autonomia e competência e verbas, comprando obras a seu bel-prazer, em geral obras definitivamente efémeras. E a respectiva direcção não inspira nenhuma confiança, o que não se tem dito em voz alta.
Aliás, ao Museu do Chiado veio sobrepor-se o Museu do CCB, sem clareza dos seus respectivos destinos, ambos ditos de Arte Contemporânea, contrariando as expectativas de ampliação que sempre se foram renovando e sempre se atraiçoam: o Convento de São Francisco não se resolve como devia, ali, naquele lugar estratégico.
Aliás, outros museus que deveriam ser fulcrais em Lisboa, o Museu Nacional de Etnologia e o Museu de Arte Popular, continuam esmagados e desertos.
O terreno está um pântano.
*Sandra Vieira Jürgens (https://sandravieirajurgens.com/)





1 (FB 11-01)


(1)
O BARRACÃO RENDEIRO, A COLECÇÃO CACE da D. SANDRA E UMA MINISTRA DESORIENTADA
Nem a Isabel Salema consegue entender as trapalhadas da Colecção do Estado (ex-Colecção SEC)... e as trapalhadas vêm dos anos 80. ENTRETANTO, os museus, os que poderiam ser e já foram grandes museus, os Museus de Etnologia e de Arte Popular continuam sem resolução à vista (o MAP envergonhado) e sem as verbas mínimas para actuar com dignidade (o MNE). Também podiam ser sucessos turísticos, mas nada se faz.
A prioridade é o barracão Rendeiro (e Pedro Gadanho) em Alcoitão/Alcabideche, a arte contemporânea tipo Ellipse/BPP e outras arbitrariedades muito caras - a ministra chegou a parecer mais orientada (nas visitas pelo país e na entrevista única no Expresso) mas parece ter sido capturada. Esta direita não se enxerga, e o PS também andou perdido: apostava em Coches e Tesouro Real... o PSD fez Serrralves, o CCB e o Museu do Chiado ).