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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

1984, a GALERIA 111 por MANUEL DE BRITO: 20 anos

 Manuel Brito nos 20 anos da Galeria 111

Um curioso texto encontrado em folhas soltas publicadas por ocasião de uma exposição comemorativa em 1984. Foi reeditado no volume "50 Anos 1964-2014", ed. 111 (este inclui um breve texto de JP sobre Manuel de Brito)
Como começou a galeria, a importância de Jorge de Brito - afirmada dez anos depois da sua queda como banqueiro (antes bancário) e coleccionador - ; o percurso profissional; os episódios maiores da transacção dos quadros do Grupo do Leão para Jorge de Brito, dos painéis madrilenos de Almada Negreiros descobertos por Ernesto de Sousa, dos cartões originais das tapeçarias de Vieira da Silva. É interessante a referência à colaboração parisiense com a Galerie Bellechasse, que expunha Júlio Pomar, e com as Editions de La Différence, de Joaquim Vital.





A compra do Grupo do Leão foi em 1969, os painéis do Almada vieram em 1972. A obra de VieIra da Silva foi o grande foco do Jorge de Brito, com a actuação internacional de Manuel de Brito e do arq. João Teixeira. Os dois chegavam a competir entre si no mesmo leilão: uma vez o MB foi dizer ao JB que um certo quadro lhe tinha escapado, mas ele já estava com o banqueiro, adquirido por João Teixeira. 
Jorge de Brito queria e conseguiu sustentar as cotações da Vieira, quando toda a abstracção lírica francesa, a segunda Escola de Paris, descia de importância (Bissière, Bazaine, etc). Depois foi a sua colecção que sustentou por muito tempo o Museu Arpad e Vieira, também graças à relação de confiança que tinha com José Sommer Ribeiro, e deste com o casal de pintores em Paris, já antes de transitar do Centro de Arte Moderna para o novo Museu. 

Este testemunho sobre Jorge de Brito é importante e raro. Percebe-se que MB, até há pouco tempo apenas livreiro, conseguiu circular depressa em meios internacionais, de que depois viria a distanciar-se e que passaria a ignorar. Nas décadas de 60/70, atrair, apoiar e representar os artistas portugueses que viviam no estrangeiro (Eduardo Luiz, Júlio Pomar, Jorge Martins, Costa Pinheiro, René Bertholo, Lourdes Castro, depois Paula Rego e Bartolomeu dos Santos) foi um objectivo firme de Manuel de Brito, apostado em trazer as suas obras para Portugal e para os coleccionadores de quem tinha a confiança, no contexto do boom do mercado iniciado em 1967, interrompido em 1974-75, depois relançado. Mais tarde passou a não acompanhar com interesse as exposições dos "seus" artistas no estrangeiro, recusando negociar com os respectivos galeristas, o que deixou o campo aberto para outras galerias e dealers passarem a intermediar as obras de modo por vezes especulativo. Entretanto, em participações da galeria 111 no Arco de Madrid, passou mesmo a recusar vender obras dos seus artistas a compradores estrangeiros, reservando-as para os seus clientes nacionais. O que viria a justificar a sua exclusão da feira.
Manuel Brito não comprava obras dos seus artistas no estrangeiro, não se associando às respectivas galerias, tal como não as comprava em leilões, considerando que tal seria visto como posição de defesa das respectivasa cotações (mas era essa defesa que seria legitimamente conveniente para sustentar o respectivo mercado.

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Sobre a 111, as fontes principais são o catálogo da exposição "Anos 60", de 1984, texto de Gonçalo Pena, e o livro de Adelaide Duarte, "Da Colecção ao Museu", 2016, capítulo "MB, a colecção de um Marchand e galerista", um estudo de caso.



sábado, 10 de janeiro de 2026

JÚLIO POMAR e a GALERIA 111 (1), desde 1967

 1. JP e a 111: 1967 e 1973

Exposição Desenhos para "Pantagruel", de Rabelais, em 30 maio de 1967 - dizia que foi a 1ª vez que um editor devolveu os originais publicados; o hábito, tb nos periódicos, era ficarem por lá, perderem-se. Foram devolvidos num álbum organizado por Alice Jorge e adquiridos por Manuel Vinhas. Edição Prelo, do amigo Rui de Moura.
O livro fora uma iniciativa do artista, que convidou como tradutor Jorge Reis (exilado em Paris, inconfundível locutor das Actualidades Francesas e autor do premiado romance "Matai-vos uns aos outros", 1961, Prelo) e acompanhou o design gráfico de Alice Jorge. Dispersaram-se os desenhos muito mais tarde, e encontram-se alguns no acervo do Atelier-Museu e no espólio dos herdeiros.
Fotos com Manuel Vinhas, Mário Dionísio e José Sommer Ribeiro (©ccângelo Gonçalves)

"Pomar 69/73" A seguir, exp de dezembro 1973, catálogo com texto ensaístico do autor (no III volume da "Parte Escrita", ed. Atelier-Museu). Em 1969 iniciara-se uma colaboração regular com Manuel de Brito.
A segunda exposição na 111, aconteceu dez anos depois da instalação do pintor em Paris, e reuniu obras dos anteriores cinco anos, com séries dos Banhos Turcos d'après Ingres e retratos, 46 pinturas e 12 desenhos; catálogo com um longo texto do artista. Seguiam-se já às séries dedicadas ao Rugby e a Maio de 68, adquiridas quase totalmente por Jorge de Brito, que foram vistas pela 1ª vez em 1986 numa mostra antológica da Gulbenkian (Brasil e Lisboa).
Manuel de Brito comprava então no estrangeiro muitas obras para Jorge de Brito, nomeadamente em leilões e com o foco em Vieira da Silva, às vezes mesmo em concorrência directa com o arq. João Teixeira, fazendo subir preços e cotações. (ver "20 Anos" de MB, 1984, in "50 Anos 1964-2014"
As obras das novas séries de Pomar eram compradas quase na totalidade, antes de serem expostas, por Jorge de Brito, Manuel Vinhas e Augusto Vieira de Abreu. Em 1973 Jorge de Brito adquiriu um grande número de pinturas e as outras são disputadas por colecções particulares.
Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual, desejada por Pomar, depois de fazer em 1964 (Tauromachies) e 1965 (Les Courses) duas exposições na Galerie Lacloche, na Place Vandôme, que surgira por intermediação de Manuel Vinhas e entretanto passara a dedicar-se a múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver Pomar, Alexandre, 2023).
Foi a 1ª individual de pintura em Lisboa depois da de 1966 na SNBA, a então Galeria de Arte Moderna, montada com os quadros de Paris, em geral já de colecções privadas. Era o início do boom do mercado.






sexta-feira, 18 de agosto de 2006

2003, 2006, Jorge de Brito

 Jorge de Brito, a colecção e a Gulbenkian