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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

VELOSO DE CASTRO no Museu Militar (III): OS RETRATOS

O retrato na obra de Veloso de Castro, numa brevíssima amostra diversificada.

Os auto-retratos não só actos narcísicos, é evidente a ambição de se afirmar como artista


Tenente Veloso de Castro, 1910

"Avestruzes no rio Cubango", 1910 (neg. 85x115mm)

Retratos de grupo (brancos):


"Um grupo de Maianga", 1909 (neg. 80x115mm). + "Visita dos Belgas", 1912 (neg. 87x120mm)


Retratos de nativos (muito longe das fotos etnográfiacas antropométricas): há sempre a atenção à individualidade dos modelos, a afirmação da sua dignidade, uma cumplicidade empática


"Protótipo de Quissama - Um caçador, 1909"

"Prisioneiro de guerra", 1907 (neg.103x787mm.) O prisioneiro Cuamato da campanha de 1907 a quem é concedido conservar a sua arma e os adereços-amuletos vindos da derrota portuguesa de 1904 no Cunene


"Mulher do Lubango", 1910 (Vénus africana, a notar os dentes arrancados, sinal de beleza)

Rapaz de ambaca, 1905 (neg.94x77 mm)



"Casal de Gingas", 1905 (neg. 93x77 mm)

"Actual rei do Congo", 1914 (neg. 95x145mm) Sendo uma foto em pose, frontal, note-se a disposição das outras figuras e dos seus olhares

sábado, 10 de janeiro de 2026

VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 2: AS PAISAGENS

José Veloso de Castro não se fecha num género de fotografia. Tudo lhe interessa e tudo é tema de grandes fotografias: a paisagem, o retrato e o auto-retrato, a reportagem das acções militares, as populações nativas e os colonos instalados (as famílias mistas, o que é raríssimo ou único), as cenas de trabalho indígena ou oficinal, etc.

Aqui algumas paisagens, e é admirável a integração da figura na paisagem, o que só pode ver-se nas provas ampliadas a partir das chapas ne vidro (é um dos casos em que o aproximo do olhar de Sebastião Salgado):


















VELOSO DE CASTRO no Museu Militar 1: a montagem

Uma das razões da excelência da exposição dedicada a José Veloso de Castro é o cuidado posto pelo Pedro Reigadas na sua montagem
São inúmeras a associações de fotografias a peças do Museu Militar, proporcionando comparações e melhor visibilidade da obra do militar-artista





 

terça-feira, 30 de setembro de 2025

José Veloso de Castro, major; Fotógrafo de Angola 1904-1914 (II)

 O Pedro Reigadas dá a conhecer um grande fotógrafo no Museu Militar: “José Veloso de Castro. A Revelação de um Artista” até 31 de dezembro.

Com muito boas impressões feitas pelo Roberto Santandreu ( dimensão 46x61cm).

As fotografias não eram desconhecidas na área da história militar e colonial (foi também editor de séries de postais, de livros e álbuns, e revistas), mas é agora que surge agora como um excelente fotógrafo, um artista, de facto.

120 fotos são apresentadas no Museu, distribuídas ao longo de 22 salas do Palácio/Museu - se as fotografias perdem assim alguma visibilidade é certo são uma oportunidade para (voltar a) visitá-lo, e recomenda-se.




Sem querer exagerar, arrisco que por vezes me faz lembrar o Sebastião Salgado, pela relação entre a figura e a paisagem, ou o contexto próximo, pela empatia pelos personagens e grupos nativios, e a atenção à sua dignidade - pelo menos nas fotografias escolhidas para a exposição.



segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Veloso de Castro no Museu Militar (I)

 O major José Velloso de Castro não era um desconhecido, mas antes de Pedro Reigadas e Roberto Santandreu imprimirem as chapas de vidro em magníficas provas modernas não era reconhecido como um dos grandes fotógrafos das décadas de 1900-1910 - com a altura de um Benoliel seu contemporâneo.

Editou livros e séries de postais, públicos revistas, escrevia muito bem e era um dos “coloniais” (a distinguir de colonos) crítico da administração centralista e defensor de uma crescente autonomia.

As suas fotografias acompanham acções militares (a “pacificação” e ocupação de território em cumprimento de acordos internacionais) e explorações do interior de Angola; vêem indígenas e colonos brancos com as famílias mistas, costumes e trabalhos; encenam retratos e auto-retratos notáveis. É um fotógrafo consciente do valor estético das suas imagens e é um artista - agora revelado no Museu Militar de Lisboa até 31 de dez.José Veloso de Castro.  




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Datas de produção 1904  a  1914 

existem 1 álbum com 2355 positivos fotográficos e 7 caixas de negativos em vidro.

Veloso e Castro prestou serviço como militar durante cerca de quatro décadas em África, sobretudo em Angola, terminando a sua carreira como Major de Infantaria em 1924. Durante a sua passagem por Angola dedicou-se não só às operações militares, como também à fotografia, deixando-nos um valioso legado fotográfico onde são retratadas não só a fauna e a flora angolanas, como também a sociedade, cultura e elementos geográficos desse mesmo país. É ainda autor de livros técnicos militares e, também, de história militar do Ultramar.


Divulgação: FBAUL
 José Veloso de Castro: A Revelação de um Artista, a primeira grande exposição dedicada à vida e obra do major e fotógrafo José Veloso de Castro (1869-1945).
Com um espólio de enorme relevância histórica, composto por 2.355 positivos fotográficos e sete caixas de negativos em vidro, esta mostra reúne 120 provas inéditas, realizadas a partir de negativos originais (1904-1912), preservados desde 1917 no Arquivo Histórico Militar.

As imagens foram captadas em Angola, durante as comissões militares de Veloso de Castro, e revelam muito mais do que documentação colonial: mostram um olhar artístico singular, sensível ao movimento, à paisagem e ao quotidiano humano no início do século XX.
Nascido em Braga, em 1869, Veloso de Castro serviu o exército português durante 38 anos, primeiro sob a Coroa e, após 1910, ao serviço da República. Entre 1902 e 1919, passou 16 anos em Angola, onde conciliou operações militares com levantamentos topográficos, fazendo da fotografia uma ferramenta científica e criativa.

A sua obra distingue-se pela modernidade e experimentação: registo de velocidade e movimento, exploração de ângulos inusitados, uso de primeiros planos para criar profundidade. Retratou o seu grupo militar em ambiente natural, mas também dirigiu a lente ao “outro lado” da estrutura colonial, documentando habitantes locais, costumes, rituais, práticas de trabalho, saúde e habitação.

O auto-retrato, presença constante, evidência a afirmação da sua personalidade e o desejo de marcar a sua posição enquanto artista.
Nascido em Braga, em 1869, Veloso de Castro serviu o exército português durante 38 anos, primeiro sob a Coroa e, após 1910, ao serviço da República. Entre 1902 e 1919, passou 16 anos em Angola, onde conciliou operações militares com levantamentos topográficos, fazendo da fotografia uma ferramenta científica e criativa.

A sua obra distingue-se pela modernidade e experimentação: registo de velocidade e movimento, exploração de ângulos inusitados, uso de primeiros planos para criar profundidade. Retratou o seu grupo militar em ambiente natural, mas também dirigiu a lente ao “outro lado” da estrutura colonial, documentando habitantes locais, costumes, rituais, práticas de trabalho, saúde e habitação.

O auto-retrato, presença constante, evidência a afirmação da sua personalidade e o desejo de marcar a sua posição enquanto artista.
Ao longo de 26 salas, a curadoria estabelece diálogos entre o espólio fotográfico e as coleções do Museu Militar, revelando coincidências temáticas, simbólicas, materiais e temporais entre as imagens de Veloso de Castro e o património artístico e militar português.

Na Sala de Exposições Temporárias mostram-se documentos do Arquivo Militar de Lisboa e livros da Biblioteca do Exército que contextualizam o autor e o seu legado fotográfico.
A exposição é comissariada por Carlos Pedro Reigadas, no âmbito do mestrado em Curadoria, Crítica e Teoria da Arte da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Direção de História e Cultura Militar, que tutela o Museu Militar de Lisboa, o Arquivo Histórico Militar e a Biblioteca do Exército.
 
 





Na Sala Vasco da Gama, a representação de Vénus em Concílio dos Deuses, 1903, de Carlos Reis, associada à fotografia Mulheres do Lubango, 1919.


Castro, José Veloso de, 1869-1930

1.

Representações metropolitanas do(s) Outro(s) colonizado(s) nas fotografias
da campanha do Cuamato de 1907 no sul de Angola: Hugo Silveira Pereira

2.
http://www.culturaspopulares.org/textos7/articulos/costa1.htm
Costa, Cátia Miriam. “O outro na narrativa fotográfica de Velloso de Castro: Angola, 1908”. Culturas Populares. Revista Electrónica 7 (julio-diciembre 2008)