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sábado, 29 de fevereiro de 2020

2020, Ana Mata, e 2017, 2010, 2007 (Prémio Rothschild)

2/30/2020

12/21/2007

quinta-feira, 11 de junho de 2009

2009, Ricardo Rangel 1924-2009

Ricardo Rangel

Foto *L / Luisa Cortesão (Maputo 11 Setembro de 2007)http://www.flickr.com/photos/luisa/1361550741/

 

Era um nome maior da fotografia em português e também da fotografia portuguesa que se fazia em Moçambique, antes da independência. Fotógrafo moçambicano antes e depois, mestiço de muitas origens, grega por parte do pai.

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da série O Pão Nosso de cada Noite, anos 60/70

Foi o primeiro fotojornalista "de cor" na imprensa branca - desde o «Notícias da Tarde», em 1952, depois, no Notícias, 1956; A Tribuna, 1960-64; Diário de Moçambique, Beira; Notícias da Beira, 66-67; e Tempo (co-fundador em 1970); fotógrafo-chefe no Notícias em 1977; director do semanário Domingo, 1981, etc. Foi também o pilar da criação em 1983 do Centro de Formação Fotográfica em Maputo (de Documentação e Formação - a partir de 2001), que continuava a dirigir - tinha 84 anos.

A França concedera-lhe o grau de Oficial das Artes e Letras em 2008 e era doutor "honoris causa" pela U. Eduardo Mondlane (Outubro de 2009) - ver: http://www.jornalnoticias.co.mz/.

Em 2005 - http://arquivo.maputo.co.mz ** - publicou O Pão Nosso de Cada Noite, a sua mais famosa série de fotografas (as mulheres e os bares da Rua Araújo, imagens furtivas dos anos 60-70), num álbum que veio imprimir em Santo Tirso, mas sem distribuição em Portugal - onde tinha exposto em 1998 (no Arquivo Fotográfico de Lisboa - ver aqui ). 

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O Centre Culturel Franco-Mozambicain e Editions Findakly (Paris) editou uma 1ª monografia em 1994: Ricardo Rangel Fotógrafo de Moçambique / Photographe du Mozambique(bilingue), com textos de Zé Craveirinha ("Carta para o Ricardo sobre as suas fotografias") e Mia Couto ("Os deuses espreitaram por seus olhos"), e uma curta biografia. Fotografias de Moçambique, 1953-1993. 120 pp.

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Ricardo Rangel, Pão Nosso de Cada Noite / Our Nightly Bread (bilingue), textos de Calane da Silva ("Pão de neon na rua da vida"), José Luís Cabaço ("Ao Ricardo Rangel pelois seus 80 anos"), Luís Bernado Honwana ("Ricardo Rangel e o aparecimento do fotojornalismo em Moçambique"), Nelson Saúte (Carta a Ricardo Rangel) e dois poemas de José Craveirinha ("Felismina") e Rui Nogar ("Xicuembo"). Ed. Marimbique (impresso na Norprint, Santo Tirso - 1000 ex.), 2004.

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Ricardo Rangel Fotógrafo / Photographer (bilingue), texto de Calane da Silva, Col. Les Carnets de la Création, Éditions de l'Oeil, Montreuil (com a colaboração da Embaixada de França em Moçambique), 2004.  24 pp. (apenas com fotografias de crianças)

e também:

Catalogue_cover_3  disponível em http://www.p4photography.com/photography_books

Iluminando Vidas - Ricardo Rangel e a Fotografia Moçambicana, ed. Bruno Z’Graggen e Grant Lee Neuenburg -  Christoph Merian Verlag, Basel 2002. 168 pp.
textos de Allan Porter (Perspectiva de Moçambique), Simon Njami (Saudade), António Sopa (O Fotojornalismo em Moçambique), Calane da Silva (Homenagem a R. Rangel). 
Fotografias de Ricardo Rangel e também Rui Assubuji, José Cabral, Luis Basto, Joel Chiziane, Naita Ussene, Sérgio Santimano, Ricardo Rangel, João Costa [Funcho], Alfredo Paco, Alfredo Mueche, Martinho Fernando, Ferhat Vali Momade, Albino Mahumana, Alexandre Tenias

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Ricardo Rangel lançou Pão Nosso de Cada Noite

O historiador e professor universitário moçambicano António Sopa considerou que o livro de fotografia "Pão Nosso de Cada Noite" do ícone da fotografia moçambicana e um dos célebres fotógrafos africanos Ricardo Rangel é a apresentação de uma realidade vivida por um grupo de mulheres no tempo colonial, obrigadas, pelos infortúnios da vida, a venderem o seu corpo para sobreviverem.

António Sopa, que fez esta apreciação momentos antes do lançamento do livro, na passada terça-feira, em Maputo, sustentou que, Ricardo Rangel, com o seu trabalho, de uma qualidade inquestionável e com uma carga artística impressionante, aproximou o considerado mundo marginal e: "tenta, através da sua arte, humanizar esse ambiente", disse o historiador. 

Num ambiente preenchido pela presença de diversas personalidades nacionais e internacionais, entre elas, académicos, políticos, fotógrafos, escritores, intelectuais, amantes e algumas figuras do "jet set" das artes moçambicanas, no seu discurso, o embaixador da Suécia, Adrian Hodom, caracterizou Ricardo Rangel como um poeta que escreve a sua poesia com a máquina fotográfica. 

Mais adiante, Hodom referiu que a presente obra retrata a Rua Araújo, famosa pela sua vida nocturna, dando-nos a imagem desse lugar de encontros, de ilusões e desenganos, que Rangel tão bem fixou com a sua objectiva. 

"Devo confessar que esta obra e a decisão do nosso apoio a ela, me deixou um tanto embaraçado. Ela associa a dor e a euforia, o boémio e a denúncia do mal-estar social. A prostituição como pano de fundo, "pão nosso de cada noite". 

Devemos apoiar tal projecto?, claro que sim porque é arte", declarou o embaixador, sustentando que, o grande poeta José Craveirinha, no poema que abre o livro, diz de uma das personagens, o seguinte: "vais evoluindo, Felismina, de mamana mal vestida / em bem despida artista de "streap-tease", ou seja, "a poesia, no caso de José Craveirinha, é a força da palavra, e em Rangel, da imagem". 

Porém, no seu delicado e afável estilo, RR, segundo Calane da Silva, disse que, ao fazer aquele conjunto de imagens a sua intenção não era publicar em livro, mas sim registar documentos de uma realidade social que ali acontecia. Contudo, mais tarde, foi seu desejo e dos poetas Rui Nogar e José Craveirinha verem esse material retratado em livro. 

"Estava interessado e gostava de conhecer mais a realidade que ali se vivia, é por isso que fotografava. Estas imagens são documentos que podem significar muito para os que queiram estudar o nosso passado. Uma fotografia pode suscitar interesse para pesquisa de várias matérias e em várias áreas. 

Para saber, por exemplo, como é que as pessoas se vestiam, os modelos de transporte, são fontes de história", disse Rangel, enfatizando que, 30 por cento das imagens ora publicadas tinha-as em negativos, tendo feito um trabalho de fundo para descobrir o que havia neles. 

Como um conjunto, o livro de fotografias, de acordo com Nelson Saúte, escritor e dirigente da Marimbique, editora que chancelou os mil exemplares, tem força de algo inédito no panorama da fotografia e edição fotográfica em Moçambique. Mais ainda, segundo suas palavras, a edição daquele livro foi um desafio estimulante, porque com o mesmo quiseram provar que é possível produzirem materiais com aquela dimensão. 

Mas também "esta é uma homenagem ao mestre Ricardo Rangel, que partiu duma aposta feita quando completou 80 anos o ano passado", frisou, acrescentando que, eventualmente, "Pão Nosso de Cada Noite" não seja o livro da vida do ícone, mas que não deixava de ser marcante. 

"O pão de néon na rua da vida é-nos dado e revelado por um artista, um poeta do foto-jornalismo, um homem que retratou este pais com o qual se confunde na moçambicana cidadania conquistada a ferro e fogo, a pulso e lágrimas empunhando na sua arma em disparos "clic's" de comunicação", assim expressou Calane da Silva, numa das passagens do texto que apresentou em louvor ao trabalho desenvolvido por Rangel. 

Calane da Silva, diz igualmente, numa das passagens do seu texto que, Rangel é, em auto-retrato vivo e actuante, um eterno jovem rebelde inconformado com a injustiça, as assimetrias sociais e com a mediocridade profissional e amante incondicional da liberdade. 

Por: Francisco Manjate 

Fonte: Jornal Notícias – 17.02.05

VER: exposições e publicações : http://216.197.120.164/artistbibliog.cfm?id=8950


sexta-feira, 13 de julho de 2007

2007, Eduardo Luiz, 3 obras visíveis

Se alguém quiser ver Eduardo Luiz, em Lisboa, Julho de 2007, já não tem o museu do CAM (haveria alguma obra em exibição?), mas tem, por acaso (!?), um quadro importante no Museu do Chiado e outro dos primeiros anos de carreira na Colecção Manuel de Brito em Algés. E tem na Antiks uma tela em exposição e outra nas reservas. Ao contrário do título do filme e das cismas de alguns críticos, E.L. não é um artista desaparecido nem desconhecido. O que acontece é que há muitos distraídos e/ou ignorantes.

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A Grande Lousa, 1966, o/t, 97x130cm, Col. MC

O primeiro quadro referido é A Grande Lousa, de 1966, uma peça da antiga Colecção SEC em depósito em Serralves (para quê? – para emprestar ao Chiado?), que se vê numa mostra dedicada aos anos 60 dos séc. XIX e XX e ao que neles se pode designar como “momentos transformadores” – por acaso também se lhes poderia chamar momentos de continuidade para referir a mesma coisa (continuidade da figuração, depois do seu interdito, continuidade da abstracção geométrica através dos contornos recortados, etc). Ao lado de E.L. estão Lourdes
Castro e René Bertholo, Escada e João Vieira, outros transformadores-continuadores.
Trata-se de uma das suas obras maiores (também no formato) do período das lousas, onde o campo físico e intencional da ilusão começa por se construir materialmente como tal: a lousa é tela pintada a óleo e a moldura própria do quadro negro escolar comprova os outros dotes do pintor artífice, carpinteiro exímio, construtor ocasional de violinos. O artifício do quadro negro não é gratuito: aí tem lugar uma lição de coisas, já agora um corpo nu demulher – ilusão e desejo com lugar maior na história da pintura, e doimaginário em geral. Para representar o real e a ilusão serve a pintura. Reaprender a coisa, o corpo, depois da abstracção, dos interditos da figuração, censuras várias.

A lição do quadro negro: o corpo exposto, oferecido, mas em fragmentos e recortado sobre o fundo liso, como condição aceite com ironia de modernidade, acompanhado por exercícios de perspectiva e fórmulas matemáticas (aprender, reaprender a pintura das coisas). Do fragmento à metáfora, a parte pelo todo: a romã/seio, o gomo de laranja/triângulo púbico (e sobre ele um longo parafuso), o nabo-”navet” no lugar da cabeça. Objectos de comer, em mais uma inconveniência ou incorrecção, assim, no quadro, se associando prazeres da pintura, da cama e da mesa. Os críticos censores incomodam-se, claro (não são puritanos, mas estão de vigilância aos costumes, para parecerem úteis). (O filme mostra-os bem).
No Museu, agora, a tabela com texto de Emília Tavares,  é correcta ao apontar o exercício máximo da ilusão, a metáfora sobre a criação e a simbologia.

Onde terá sido exposto à época este quadro? Em Fev. de 1963 E.L. fez uma individual na Gal. Mouffe, em Paris (cat. c/ tx de Olivier Burgelin – ver ed. Ygrego, 1989, p. 106. Em 1959 tinha ido à Bienal de S. Paulo; em 66 e 67 participou no Salon de la Jeune Peinture, Paris. Não há, entretanto, outros dados de 59 a 66 – excepto a colaboração com Pierre Kast e Chris Marker no filme La Brûlure de Mille Soleils, estreado em 1965, famoso e premiado – e esquecido. Onde haverá uma cópia?).

(* outra obra maior a justificar a visita ao Chiado é o Auto-retrato em Azul de Paula Rego, 1962, uma grande tela em vermelhos adquirida pelo Museu em 1974, quando as compras, melhores e piores, se faziam quase sempre na São Mamede.) Depois de Columbano, o Museu está vazio – ninguém sabe o que lá pode estar e muito poucos arriscam depois de uma ou duas más experiências.

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Em Algés  está um Sem Título, 1959, óleo sobre tela, 89 x 130 cm, ao lado de Composição (ou a A Galinha Pedrez?), 1955-57 de António Quadros, pintor também oriundo do Porto e com quem partilhou o princípio da carreira. Uma primeira fase de figuração (nova?) estilizada, filiforme, gráfica e muito elegante. Pouco antes, em 1956, tinha feito os cenários para as Guerras do Alecrim e da Mangerona, que António Pedro (o camisa-negra auto-exilado, o democrata da BBC, o surrealista da Smarta, o ceramista do SNI, etc) encenou no Teatro Experimental do Portio. Uma das minhas primeiras grandes memórias teatrais e uma impressão forte do Porto dos anos 50, com E.L. no TEP e Quadros na sala de projecções infantis da sede do Cine-Clube, e ambos nas exposições da ESBAP. Só depois é que chegaram e se instalaram os Quatro 20 e os outros 20 <discípulos de Resende> todos a seguir.

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Quanto à Antiks, temos em exposição Le Baphomet, de 1974, uma das maiores telas de EL, de 170 x 71 cm – e nas reservas outra obra de grande força, Vertige, 1983, um círculo com um metro de lado onde se eleva nos céus um corpo nu de mulher.
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Notas: O baphomet é um suposto ídolo dos templários, identificado como uma "cabeça barbuda", às vezes uma cabeça de bode sobre um corpo composto de diferentes elementos (um seio, asas, um disco, etc), "figure panthéistique et magique de l’absolu" (abbé Constant).
    Baphomet (también Bafomet, Bafometo o Baffometo) na Wikipedia em espanhol; o português conserva o termo francês.
    Klossowski escreveu um romance com este título (1964)
    Segundo Eliphas Lévi, philosophe hermétique:

"Il existe plusieurs figures du Baphomet. Parfois il a la barbe et les cornes d’un bouc, la face d’un homme, le sein d’une femme, la crinière et les ongles d’un lion, les ailes d’un aigle, les flancs et les pieds d’un taureau.
C’est le sphinx ressuscité de Thèbes ; c’est le monstre tour à tour captif et vainqueur d’OEdipe. C’est la science qui proteste contre l’idolâtrie par la monstruosité même de l’idole. Il porte les cornes et le flambeau de la vie, et l’âme vivante de ce flambeau, c’est dieu. Il avait été défendu aux Israélites de donner aux conceptions divines la figure de l’homme ou celle d’aucun animal ; aussi n’osaient-ils sculpter sur l’arche et dans le sanctuaire que des Chérubins c’est-à-dire des Sphinx à corps de taureau et à têtes d’homme, d’aigle ou de lion.
Ces figures mixtes ne reproduisent dans leur entier ni la forme de l’homme, ni celle d’aucun animal. Ces assemblages hybrides d’animaux impossibles faisaient comprendre que le signe n’était pas l’idole ou une image d’une chose vivante, mais un caractère ou une représentation d’une chose pensée.
On n’adore point le Baphomet : on adore le Dieu sans figure devant cette forme informe et cette image sans ressemblance avec les êtres créés. Le Baphomet n’est pas un dieu : c’est le signe de l’initiation ; c’est aussi la figure hiéroglyphique du grand tétragramme divin…"
Eliphas Lévi, La Clef des Grands Mystères.

 E.L. é um pintor erudito.

Ver o filme de 2007

notícia da morte, em 1988



2007, Eduardo Luiz, o filme (realização de Victor Candeias) n

 Eduardo Luiz, o filme 

Em ante-estreia na Cinemateca, dia 11 *de Julho*, o filme EDUARDO LUIZ RETRATO DO ARTISTA DESAPARECIDO, de Victor Candeias produzido por Mediterrânea, 2006 – 55 min. Documenta a vida e obra do pintor Eduardo Luiz (1932-1988), “um  homem que escolheu a pintura como ofício e cujo perfeccionismo originou uma obra escassa” e que “no seu exílio voluntário  prosseguiu obstinadamente um percurso isolado dos movimentos artísticos contemporâneos e à margem da opinião crítica”. Também segundo a informação para a imprensa, com a participação de personalidades ligadas às artes plásticas e narração de Rogério Samora e Adriano Luz.

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Auto-retrato póstumo, 1984, o/t 100x50cm

É uma oportunidade para fazer reaparecer o "artista desaparecido", ou desconhecido, segundo outras vozes. O realizador optou por uma aproximação quase policial, procedendo a uma investigação sobre as circunstâncias e as causas da tal suposta desaparição – se por desaparição se refere algo mais do que a morte (em 1988). Talvez por isso o realizador tenha optado por substituir a documentação fotográfica tradicional por efeitos de trucagem ou animação (?) enquanto as obras (usando as reproduções acessíveis) são sujeitas a manipulações gráficas. Tais processos, que podem incomodar os puristas, fazem do filme uma obra acessível e comunicativa, muito diferente da generalidade dos filmes de arte sobre artistas, que são pretenciosos e chatos, a funcionarem só como  escape para frustrações cinéfilas.

A opção por Paris, a dedicação exclusiva à pintura (ao contrário das habituais vidas de amadores jeitosos de que gostam certos críticos), a extrema ambição da obra, a luta inglória e amargurada pelo reconhecimento crítico e institucional, são tópicos que o filme segue como balizas certas.

Faço parte do pequeno grupo que tem o pintor em alta estima, e, sem gostar de me ver no ecrã, acho que a chamada crítica (parte dela) aparece em cena a mostrar o seu pior lado, a recusa de quem escolhe o seu caminho, a cegueira perante o que escapa aos estilos colectivos e às alegadas marcas do tempo.

O filme passará na tv, e o Centro de Arte de Algés – Colecção Manuel Brito vai expor as 15 ou obras que  possui sw Eduardo Luiz em Setembro. Haverá oportunidades para voltar a ver e voltar a falar do pintor. 

terça-feira, 5 de junho de 2007

João Francisco 2007 e 2008 : O arqueólogo amador (galeria 111)

1 : 2007

 

sem título - arca de Noé - 2007 - grafite sobre papel, 100 x 210 cm. / untitled - Noah's ark

depois do dilúvio - after the deluge

Antigo Mercado, Ourique
8 -15 June, 2007

exposição colectiva com/group show with: Luísa Jacinto, André Romão, Filipe Oliveira, Gonçalo Sena, Luís Filgueiras, Maxime Berthou, Miguel Gomes, Miguel Pacheco, Nuno Luz.
curadores/curators: Ana Lúcia Nobre, Miguel Gomes.

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2 : 2008


sem título - sob observação - 2007 - acrílico sobre papel, 140 x 200 cm. / untitled - under observation

 finalistas de desenho - senior students of drawing - (fbaul) 2006/2007

Ministério das Finanças, Lisboa

January 2008

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3 : 2008


sem título - a derrocada - 2007 - óleo sobre tela, 146 x 120 cm.
untitled - the downfall

 finalistas de pintura - senior students of painting - (fbaul) 2006/2007

Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa

January/February 2008

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4 : 2008


sem título - destroços; sem título - livros e cabeças; sem título - o tempo; sem título - a barricada (2008)
untitled - flotsam; untitled - books and heads; untitled - the time; untitled - the barricade (2008) 

 o arqueólogo amador (e outras naturezas mortas) - the amateur archaeologist (and other still-lifes)

Galeria 111, Lisboa

10 may to 14 june 2008








sábado, 5 de maio de 2007

Sara Maia, 2007

 A exposição "Dog's Sleep" na Sala do Veado 

"O excesso necessário"

in EXPRESSO/Actual de 5 Maio 2007

Fomos deixando de saber que a pintura é também um meio de contar histórias, e cada vez que o descobrimos - tem de ser sempre de maneira diferente - o escândalo é maior. É essencial que por esse contar histórias se entenda algo de diferente da ilustração, por mais que se preze a prática do ilustrador que verte em imagens, à sua maneira, a ficção escrita, em geral por outrem. É essencial que as histórias que se contam, as personagens que se constroem, os fantasmas e as fantasias que se soltam cresçam da realidade material da pintura, inscritas no seu fazer, sem que a tradução por palavras (prévia ou posterior) esgote os sinais visuais e sem que os seus sentidos possíveis se congelem numa narrativa estabilizada.



Sara Maia, "O Colo"


Há uma ameaça incontrolada que reside na imagem, no primado do visual antes da fala, que resiste à formulação oral, e é esse indizível - associado ao estranho poder de criar mundos e seres que os povoem - que justificou as suas inúmeras condenações. À rejeição da figura pelo esoterismo simbolista e depois vanguardista, por ela ser incapaz de representar a ideia de absoluto, ou à recusa da pintura como meio, para ser fim em si mesmo, confundindo liberdade de criação com a esvaziada autonomia do medium, associaram-se conceitos de modernidade que reeditavam os interditos iconoclastas e espiritualistas lançados contra as imagens. Elas regressam sempre com novo poder de perturbação.

Com as histórias de Sara Maia libertam-se outra vez fantasmas que partilhamos como nossos. Há cerca de dez anos, a sua pintura afirmava-se pondo em cena relações de poder e crueldade onde o absurdo explícito se reconhecia não como sonho maléfico mas como realidade mais primitiva e mais íntima. Houve figuras que pairavam como que num magma inicial e comum, antes de ganharem autonomia física e espaço próprio. Houve depois teatros que faziam revisitar a tradição do imaginário diabólico e fantástico (Bosch) e a verve caricatural pós-Dadá (Grosz, Dix), sem que essa circulação culta diminuísse a intensidade ficcional das obras.

Agora, Sara Maia aprofunda a raiz popular desses realismos grotescos (há algo de ex-votos nas suas telas) com figuras que se destacam sobre fundos lisos em situações mais cruas e nítidas, assim mais desafiadoras e incómodas. Duas figuras femininas isoladas (A Santa das Garrafinhas e Rainha em Campânula de Vidro) aparecem como imagens de veneração, com os seus estigmas de doença e pesadelo. Quatro casais (A Fingida, O Colo, A Ceia e Ovelha Negra...) traçam um roteiro do convívio conjugal, com os seus rituais de sobrevivência, as suas máscaras, os enredos e engodos. Dois outros quadros referem o triângulo familiar, ambos protagonizados por uma «boa filha». Quem se reconhece nestes retratos ficcionais?

Sara Maia fornece-nos ela mesma o guião e as chaves das suas imagens para tornar mais real a nossa incerteza face ao que vemos. Apesar de haver diversos exemplos anteriores em que o imaginário revelado só poderia ser feminino (Frida Kahlo, Louise Bourgeois, Ana Mendieta, Paula Rego, etc.), ela usa a efabulação e a necessidade do excesso como ninguém o fez antes.

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No mm Expresso/Actual de 5 de Maio, um retrato da artista por Cláudia Galhós