Um mês em 1996, abril
A circulação de exposições não era o que é hoje. Via-se Matisse na Fundação Arpad & Vieira, o Grupo Cobra (vindo do Stedelijk de Amsterdão) e Julio González (do Centro Reina Sofia) e ainda a Magnum na Culturgest, Tàpies no CCB, vindo do Auditorio de Galicia, de Santiago de Compostela - e outros mais; havia vários colaboradores a escrever notas e artigos. E viam-se pintores africanos no Espaço Oikos, uma ONG sediada junto à Sé que à época tinha uma assinalável acção cultural e importava a Revue Noire.
A circulação internacional de exposições chegava a Portugal; mais tarde são só os directores e comissários que viajam. Não há informação, não há referencias. Nesse ano ainda se poderiam ver em Lisboa GEORGE ROUAULT na Gulbenkian, ARSHILE GORKY no CAM, NAM JUNE PAIK e TOM WESSELMANN na Culturgest.
05 04 96
EDOUARD BOUBAT
Institut Franco-Portugais
Todos os lugares comuns foram ditos sobre Boubat, o «correspondente de paz» segundo Prévert, mas as suas fotografias, que se sabe serem um dos paradigmas da tradição humanista, descobrem-se ou voltam a ver-se incólumes à passagem do tempo, dos estilos ou das modas. São raras, aliás, as suas imagens que transportam a marca de um tempo preciso, talvez porque, como sucede com as fotografias da Nazaré e do Minho (1956-58) ou com a série «Anjos», sobre as procissões do Norte (1973), nelas reconhecemos — em «momentos em que não se passa nada, salvo a vida de todos os dias» — as marcas mais fundas de um país. «Les Voyages» reúne imagens feitas ao longo de quatro décadas, do México ao Tibete, e é uma notável exposição. (Até 29)
A 15 04 "Toda a beleza do mundo - as viagens fotográficas de Boubat, com passagens repetidas por Portugal"
Edouard Boubat, «Nova lorque, Ponte de Brooklyn», 1982
HENRI MATISSE
Museu Arpad Szenes/ Vieira da Silva
Nos estudos para a grande pintura mural "A Dança", encomendada pelo Dr. Barnes, no início dos anos 30, Matisse serviu-se pela primeira vez do recorte de papeis previamente coloridos a guache, processo que continuaria a usar quando a idade ia tornando mais difícil o manejo dos pincéis, e que lhe permitiria explorar novas relações entre a cor e o desenho. «Recortar a cor ao vivo lembra-me o talhe directo dos escultores», escreveu o pintor em "Jazz", um belíssimo livro publicado em 1947, impresso ao «pochoir», cujas «imagens de tons vivos e violentos provêm de memórias cristalizadas do circo, de contos populares ou de viagens». (até 5 Maio)
