Mais do que "esfregonismo" enquanto estilo, como Cabrita propõe no Público, porque usa a esfregona para espalhar tintas, em vez do pincel, como outros a vassoura, ou a lata furada, ou o pote entornado, eu falo de facilitismo, uma espécie talvez inovadora de espontaneísmo sem metafísica, notoriamente desinibida, franca, porque se trata de experimentar e propor uma prática acessível a todas as mãos (mas não a todas as bolsas), contando com grandes suportes de madeira ou tela - ou extensas e acumuladas estruturas metálicas para o que se poderá dizer escultura: há no interior espelhos que multiplicam imagens pouco distintas, ampliando caleidoscópios de brincar. Uma grande produção, portanto.

Importa a quantidade e a dimensão, importa a repetição e a variação (seguindo a lição dos grandes ateliers do barroco, e a estratégia da Factory), importa o local de acolhimento e exposição, com vantagem de se associar a um programa comemorativo (10 anos de MAAT, 70 anos do artista).
As grandes cenas talvez bíblicas, como a série de Veneza, que não vi no lugar; as variações "abstractas" (matéricas e lumínicas) alegadamente sobre as Nymphéas de Monet na Orangerie ("Ninphéas Redux" #1 a #28, 2026, tinta de óleo sobre madeira) tendencialmente ou agitadamente monocromáticas; as versões auto-retratísticas de menor formato, de contornos ou efígies mais ou menos identificáveis e raspadas, ao subir da rampa, sustentam o olhar que passa, individualizam-se ou deixam-se percorrer sem detença? E a pergunta importa, nos dias de hoje?
Os desenhos expostos em mesas inspiram-se explicitamente nos corpos eróticos de Rodin, mas justificam-se para além da referência? Distinguem-se? Há também colagens em que não me detive.
Ficam sugestões para que a crítica se pronuncie. Por mim só anotei rápidas impressões, impressionistas.
Quero acrescentar que apreciei em Braga, no Muzeu, as variações ou interpretações (24?) do Inocêncio X do Velazquez (e talvez Bacon). Às vezes sai bem.
MAAT
O evento:
E 2 comentários: 1. na velha central Tejo ainda está a exp da Margarida Correia, até 5 de out.
2. O director João Pinharanda será sempre lembrado (e louvado) por ter trazido a Miriam Cahn.
Mais: aquela nave-aquário-praça só esteve bem, que me lembre e que tenha visitado, quando acolheu as artes modestas trazidas pelo Hervé Di Rosa em 2023, exp. ARQUIPÉLAGO, programada tb pelo João:

Sem comentários:
Enviar um comentário