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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

2005, Madrid, Museo Thyssen, Die Brucke, expressionismos, "Uma ponte centenária". E Paula Modersohn-Becker

Uma ponte centenária

Die Brucke, centenário em Madrid

             Cem anos de Die Brücke comemorados em Madrid no Museu Thyssen

Expresso/ Actual de 09 Abril 2005

    O ano de 1905 é apontado como a data de começo do século XX, quando se procura localizar com algum acontecimento preciso uma dinâmica de viragem no terreno das artes plásticas. A tradição francesa toma como início da era das vanguardas o escândalo desencadeado na imprensa à volta da sala que reuniu as obras de Matisse, Marquet, Derain e Vlaminck, no Salão de Outono de Paris, em Outubro; alertado a tempo, o Presidente da República recusou-se a comparecer à inauguração, e a polémica em torno da «jaula das feras» («la cage aux fauves») deu origem, como sucedera com o impressionismo, à designação de uma nova estética.

Poucos meses antes, precisamente a 7 de Junho, em Dresden, quatro jovens artistas – Ernst Ludwig Kirchner e Fritz Bleyl, arquitectos recém-diplomados, e Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff, ainda estudantes – firmavam o «acordo fundacional do grupo de artistas Brücke» (Ponte), logo depois transformado em associação, com membros activos e sócios passivos que os apoiavam. À data, não eram mais do que quatro amigos determinados a vencer as recusas das galerias, mas o grupo iria rapidamente afirmar-se, já com os ecos do fauvismo impregnados pelas raízes culturais nórdicas, como o primeiro movimento expressionista alemão – em 1911 surgiria, em torno de Kandinsky e Franz Marc, o grupo Blaue Reiter (Cavaleiro Azul)


Cat. comis. Javier Arnaldo e Magdalena M. Moeller

O nome escolhido não identificava um programa, mas uma vontade de mudança: «Do que nos tínhamos de afastar estava claro; aonde iríamos parar, porém, era algo mais incerto», escreveu depois Karl Schmidt-Rottluff. Com uma muito provável influência do vitalismo filosófico de Nietzsche, para quem «a grandeza no ser humano é ser uma ponte, não uma meta».

O centenário de Die Brücke é assinalado em Madrid (até 15 de Maio) por uma exposição organizada pelo Museu Thyssen-Bornemisza e pela Fundação Caja Madrid, em colaboração estreita com o Brücke-Museum de Berlim, que será acolhida em Junho pelo Museu Nacional da Catalunha e em Outubro estará na capital alemã. Preparada desde 2001 com base no importante acervo de obras expressionistas do Thyssen, a mostra pôde contar com numerosos empréstimos do Museu Die Brücke e do Museu Nolde de Seebüll, na Silésia, tornando-se numa muito vasta apresentação das origens e do apogeu do movimento, de 1905 a 1913/14, ilustrados com 196 obras, que se distribuem pelos dois espaços das entidades organizadoras. 

sábado, 29 de outubro de 2005

2005, Madrid, Museu Thyssen, Tomàs Llorens, «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945», "Regresso ao real"

 Regresso ao real 

    Realismo e modernidade revisitados em Madrid 


Expresso 29-10-2005   

 

«Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945»
comissário: Tomàs Llorens,
Museo Thyssen-Bornemisza / Fondación Caja Madrid, Madrid, Outubro 2005





Ultrapassado o limiar do século XXI, é verosímil que a percepção e a memória da arte dos anteriores cem anos venham a sofrer transformações comparáveis às que aconteceram quanto ao século XIX, relegando o que teve curso preponderante nos salões e nas academias para as reservas dos museus. É certamente o que tem vindo a preparar-se, há alguns anos, em retrospectivas da primeira metade do século XX e das longas carreiras criativas que estiveram no centro da modernidade desde o seu início e muito para lá do tempo das suas emergências como vanguarda, Picasso e Matisse, em especial. Trata-se, em grande medida, de desmontar a geopolítica da arte que se estabeleceu a partir do 2.º pós-guerra, com a deslocação do centro de Paris para Nova Iorque e a fixação, pelo formalismo abstracto norte-americano da Guerra Fria, da concepção historiográfica hoje ainda dominante, que entende o modernismo como encadeamento e sucessão de inovações técnicas. A exposição que se apresenta em Madrid sob o título «Mimesis. Realismos Modernos 1918-1945» (até 8 de Janeiro), da iniciativa de Tomàs Llorens, é um dos passos dessa revisão.


Intencionalmente polémica, questionável em várias das opções (por exemplo, a ausência de Picasso, como reconhece o comissário), a mostra começa por ter o mérito de dar a ver um grande número de excelentes obras de artistas menos popularizados, ou ignorados fora dos seus âmbitos nacionais, como o alemão Alexander Kanoldt, os norte-americanos Charles Sheeler e Guy Pène du Bois, os holandeses Dick Ket, Pyke Koch e Charley Toorop, o espanhol José Gutiérrez Solana, o inglês Stanley Spencer, o italiano Fausto Pirandello, entre outros. A seu lado, a presença de artistas de maior notoriedade com longos percursos independentes, como Morandi, Hopper e Balthus, e de outros associados a movimentos históricos relevantes, como Sironi e Severini, Dix e Grosz ou Siqueiros e Orozco, estabelece as coordenadas de um panorama multipolar e plural, onde a diversidade de orientações não pode ver-se como mera sucessão de «escolas» nem autoriza a síntese num estilo realista definido. Derain, e a singularidade da sua irrecusável decadência em oposição ao curso dos tempos, e Max Beckmann, com as alegorias modernas que respondem, a nível cimeiro, ao espectáculo histórico do período entre guerras, parecem definir as linhas extremas das diferentes tensões que a exposição procura explicitar.

sábado, 30 de julho de 2005

2005, Corot, Museo Thyssen, "Corot por inteiro"

Corot por inteiro

Museu Thyssen-Bornemisza

COROT. Naturaleza Emoción Recuerdo

comisario: Victor Pomarède

catálogo 408 pag.


        

            Em Madrid, uma obra do século XIX sob novas abordagens 


            Expresso30 –07-2005 

  

 


 Camponeses debaixo das árvores ao amanhecer / Peasants under the Trees at Dawn / Paisagem de Morvan ao Amanhecer, c. 1840-45, 27.3 × 38.8 cm National Gallery Londres