domingo, 7 de junho de 2026

2026, Atelier-Museu: A sequência da assemblagem (1967) e da colagem (1975) na obra de JP. Parte I

Metro 1964

1967 assemblages

1967-75 Rugbys, Maios, Banhos Turcos, Retratos, até Gris/Chardin em 76

1975 guaches recortados

1976 serigrafias

Considerando a exp do Atelier-Museu "A cola não faz a colagem", deve dizer-se que os comissários não entenderam seguir um critério estritamente focado na colagem e assemblagem, fazendo digressões periféricas e interrompendo a exibição sequencial de colagens entre 1980 e 2000.

Parte-se, no Piso 1, sem ordenação cronológica (há vários começos), de uma pintura que se pode dizer premonitória, um Metro de 1964 (50x150cm), que teve o motor de um brinquedo colocado sobre um rasgão da tela: foi um acidente feliz e um 1º objecto colado. É exposto ao lado de uma das 1ªs colagens de 1976, Sem Título, nº 154, uma banda de tela também horizontal, 37,5x93cm, com as figuras recortadas em tela crua, e de uma pequena tartaruga em bronze de 2003 (o único bronze presente, e eles partem de assemblages de peças encontradas numa fundição francesa).


Metro 1964, pormenor com objecto colado


De facto, a colagem como processo sistemático aparece muitos anos mais tarde nas séries que vieram a ser referidas como O Espaço de Eros e Teatro do Corpo, títulos de textos de catálogos de exposições em Bruxelas 1978 e Paris 1979. Note-se q a anterior exp de JP ocorrera num já longínquo 1973 na 111 (5 anos antes e nas vésperas do 25 de abril, que interrompeu o mercado de arte, e só volta a expor na 111 em 1982, os Tigres). Na individual de1973 havia apenas 'pinturas pintadas' (Banhos Turcos e Retratos); antes Jorge de Brito comprara quase por completo as importantes séries dos Rugbys e Maios'68, que não se mostraram em Paris e só se puderam ver na antologia de 1986 devido à captura da sua colecção.
1978 é o ano da 1ª retrospectiva, na FCG, levada ao Soares dos Reis e em parte a Bruxelas. Aí se mostraram pela primeira vez, com surpresa e escândalo, as séries eróticas que vinham de 1976 e também em estreia as assemblages de 1967 e 1977.


Assemblage de 1967, col. Cruzeiro Seixas (FCM - VNFamalicão), exposta em 1979

Para fixar a sequência da obra de Pomar há que voltar atrás e registar em 1966 a destruição das telas que vinham das pesquisas da "figuração dinâmica" (cenas de trabalho, tauromaquias, metros e corridas de cavalos, em especial), e que se abeiravam da abstração não referencial. É também o ano em que a anterior Galerie Lacloche, na turística Place Vendôme, muda de programa e interrompe as exposições de sucesso de 1964 e 65, 'Tauromachies' e 'Courses' - só voltará a ter galeria em Paris em 1979, a Bellechasse.
Em 1967 aconteceram as primeiras assemblages de materiais encontrados na praia, com um jogo de relações formais não narrativo e onde estão presentes sugestões fálicas que depois passarão às colagens de telas <ver FOTO>.
Nesse ano e no seguinte, a pintura muda nos Rugbys, um espectáculo não presenciado (o que acontece pela 1ª vez) e apoiado em recortes fotográficos. Os fundos tornam-se lisos e a pincelada vai conter-se na definição de formas que vão parecer cada vez mais recortadas, distantes do arabesco painterly anterior. Em 1968 aparece em simultâneo e em sequência a série dos Maios e logo os Banhos Turcos e outros "Ingres", de que agora se mostram 4 peças, de 1968 a 1970, uma delas inédita. Não há colagem, mas as formas contornadas e nítidas, sem modelação nem contexto, por vezes com presença da tela crua, antecipam-na. Existe então em Pomar uma (insuspeita e só mais tarde reconhecida) aproximação à Pop norte-americana e inglesa, no jogo gráfico do cartaz e no interesse por Ingres e Matisse que são revisitados na época (Wesselmann, Larry Rivers, Martial Raysse, etc: o Louvre inclui Pomar numa grande mostra internacional dedicada ao Banho Turco em 1971).


Ilustração de Rose et Bleu, de Jorge Luis Borges, 1976, ed. Différence (primeiro tigre)

A colagem como processo, em papel, à maneira de Matisse, aparece em 1975 nos guaches recortados das ilustrações para Pour l'Amour de Mourrir de Malcolm Lowry (ed. Différence 76 - nº 132 do CR II), e volta para ilustrar Rose et Bleu de Jorge Luis Borges (Différence 1977, nº 204), uma 1ª história de tigres <ver FOTO 2>.
Também em papel são os estudos para a série de cinco grandes serigrafias editadas pela Galerie Bellechasse em 1976 - primeiras colagens efectivas <ver FOTO 3>.

No tempo das rupturas pós-68 afirma-se a suspeição face à pintura e ao mercado, trocados por intervenções, acções e objectos, e múltiplos. Alinham-se depois com abril-74 os efeitos da revolução sexual e novas abordagens da psicanálise e da (anti)psiquiatria - no texto de JP para o catálogo de 1973, na 111. Em Pomar, os retratos pintados de cores lisas e formas recortadas em dispersão no plano da tela assumiam desde 1971 a 75 (Manuela, Annie, Graça, Ju,Teresa - e o retrato nu é raro quando não se recorre a modelos pagos) até uma sexualização explícita que vai transitar para as colagens, mas nestas a cor começa por reduzir-se e os corpos são desenhados e colados em tela crua - e em tela livre não engradada, só mais tarde passando ao quadro.


Chambre Noire, serigrafia, 1976, ed. Bellechasse.

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