2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas
obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.).

2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas
obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.).

3. JP e a 111 - ANOS 80. Depois de 1985: 1989 e 1990 (as séries brasileiras)
Manuel Brito nos 20 anos da Galeria 111
2. JP e a 111, 1982 e 1985
A Colecção Manuel de Brito foi apresentada pela primeira vez em 1994 no Museu do Chiado, na programação de Lisboa Capital Cultural. A exp. teve o subtítulo "Imagens da arte portuguesa do século XX" e foi comissariado pelo próprio e Raquel Henriques da Silva. Um última secção do catálogo, "Escolhas electivas" incluiu Júlio Pomar (12 pinturas) entre Dacosta, Menez, Eduardo Luiz, Paula Rego e Graça Morais. Foi depois apresentada em Macau, na Galeria do Forum 1995; no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,
1. JP e a 111: 1967 e 1973
15-09-24 notas rápidas reunidas e ± revistas
No
primeiro quadro à esquerda na sala principal da galeria lê-se Audácia na
base de uma das duas pequenas esculturas pintadas e tomadas a Degas (La
petite danceuse de 14 ans). As letras são invertidas no espelho, A I C A
D U A, mas o título "Natureza Barroca (Audácia)" não engana [33x31,5
cm a acrílico e óleo sobre óleo, já está vendida].
Audácia
é a palavra chave para referir as novas pinturas da Ana Mata, que
continuam e renovam a audácia, a coragem, a determinação, o risco, a
aventura, a qualidade pictural, que se conhecem das suas anteriores
exposições na Módulo.
Continua a
ser um choque exaltante, uma surpresa grata esta pintura, em três
grandes formatos de flores e figuras na paisagem e depois em pequenas
composições de flores, paisagens rurais, cenas domésticas ou não, mas
sempre de intimidade pessoal e/ou próxima. Onde agora se reconhece e
admira um diálogo explícito com obras do passado que continua a ser
presente, e também com com géneros e interesses que circulam no tempo
até hoje.
Há alguns meses
maio/junho 24 descobri Nathanaëlle Herbelin no Museu de Orsay, onde a
figuração se desdobrava em figuras de amigos e cenas de interiores,
renovando os pintores que a ladeavam nas galerias, Bonnard e Vuillard,
com quem aprendia e dialogava e competia, e agora é Ana Mata que está à
mesma altura audaciosa e desafiadora na exposição da 111 - merecia ser
vista lá fora, em vez de tudo ser absorvido por um mercado nacional
voraz.
Traçar paralelos, ou
coincidências, que neste caso não são influências, parece-me oportuno.
Os artistas não vivem em bolhas, coexistem, por vezes enfrentam as
mesmas questões e afrontam ambições aparentadas.
Desde ontem (já pronto o texto para o catálogo da exp. do Atelier-Museu “Revoluções 1960-1975”. que não vejo outra coisa. Só a pintura da Ana Mata na 111)
É
preciso ver in loco, ao vivo (estar vivo é uma qualidade da boa pintura,
e tb da natureza morta, “still life”). De perto e de longe, com o corpo
em movimento (a boa pintura é uma questão de corpos, do pintor e do
observador).
Audácia
podia ser o nome da exp (mas seria óbvio e pretencioso?) É de um grande
desafio q aqui se trata, com riscos mas já com experiência certa. É uma
aventura pelos terrenos do museu e da arte contemporânea. Presente e
passado redivivo, (re)encontro vital, de vidas, de gente.
Cito frase destacadas de relatórios de bolseiro de Júlio Pomar que vão incluir o referido catálogo.
“Do
corpo a corpo do espectador com a obra se recria esta, e aquele, e o
mundo em que ambos se situam." (JP, Relatório de Bolseiro Maio 1966
"O
espectador imóvel é um mito ou uma ilusão; percorre-se a pintura da
mesma maneira que se toma posse de um corpo, de uma praia, da floresta."
Idem
"A obra de arte é uma
obra em aberto: a pintura funciona como uma janela para o imaginário,
como a introdução, num espaço real, de um espaço inventado e a
re-inventar pelo espectador." Relatório fevereiro 1966.
Fica por reflectir sobre o título "Ninfas e Faunos", que dá uma orientação clássica e também erotizada à exp. É Courbet, com esse título, que está actualizado / apropriado numa tela de AM. E falta em especial seguir as referências e/ou citações a géneros e obras do passado que trazem estas pinturas (e os seus "modelos") para o presente.
2. Mais:
A
Ana Mata lembra-me o João Francisco (n. 1984, Torres Vedras), por via
da natureza morta e das flores, também pela integração de desenhos e
objetos na composição das naturezas-mortas. Os bons quadros lembram
outros quadros, sugerem coincidência, interesses convergentes ou
paralelos, que não são influências. É outro grande pintor que a 111 tem
apresentado e de quem espero ver novos trabalhos. Tive depois a sorte de
o encontrar ali mesmo (é o artista de quem comprei mais trabalhos,
desde há muitos anos, e não sou coleccionador,; escrevo diante de 7 das
suas obras e obrinhas). Em 2008 realizou a sua primeira exposição
individual "O Arqueólogo Amador (e outras naturezas mortas)" na Galeria
111 em Lisboa. A mais recente na 111 foi "mille-fleurs" já de 2018.
(https://111.pt/exposicoes/mille-fleurs/)
A Ana Mata lembra-me a Nathanaëlle Herbelin (Israel 1989 / França) que fui ver em Março a Paris, no Museu d'Orsay. É muito diferente, claro (não me venham falar de uma nova vaga de pintores figurativos, quando eles sempre continuaram, ± apagados pelo mercado das "novidades" na lógica dos consumos que substituíram ou, melhor, continuaram as chamadas vanguardas, de interesse para o mercado especulativo e institucional - o que é a mesma coisa). O auto-retrato, o corpo no espaço interior e doméstico ou exterior, a relação próxima com os modelos, alguma vegetação, etc, convergem discretamente com Ana Mata. Em 2022 fez uma breve residência em Lisboa, não soube. http://www.nathanaelleherbelin.com/
duas notas:
1. Desagrada-me que se nomeie um comissário ou curador nas exp individuais de galeria. Como agora acontece. Esse é o papel do galerista em cumplicidade com o artista. O “curador” não vai lá fazer nada, às vezes escreve um texto que é em geral ilegível e pretensioso.
2.
A Módulo do Mário Teixeira Silva e a 111 foram ou têm sido mantidas à
margem da circulação institucional, por características pessoais
idiossincráticas dos galeristas e por maquinações das chamada galerias
"leader" que estabelecem os links vantajosos com o mercado oficial,
institucional, fundacional e corporate, e portanto com a programação dos
museus, com três ou quatro comissários e e meia dúzia de
coleccionadores com que se articulam, num trânsito malicioso e também
corrupto. Seria possível dar exemplos dos raros que esse mercado admitiu
(Batarda) e dos que ficaram sistematicamente de fora até abandonarem
essas duas galerias. Isso passou por exemplo pela exclusão do Arco de
Madrid e Lisboa.
É certo que
as galerias (a Módulo a partir de certa altura) descuraram a circulação
internacional, que tb passa muitas vezes por trocas pouco sérias, ou não
(eu exponho-te um e tu metes um nosso). As galerias, algumas galerias,
privilegiam o seu pequeno mercado envolvente, doméstico, e não levam lá
fora, não querem que as obras saiam do país, preferem satisfazer os seus
clientes certos, em vez de apostarem no mercado internacional, de
abrirem caminhos. Aliás, e pelo contrário, também procuraram absorver a
produção dos que viviam fora, em vez de apoiaram a circulação
internacional. Foi essa uma das marcas negativas de Manuel de Brito. Os
directores dos maiores museus, Serralves e Gulbenkian, além de serem
ignorantes e desinteressados do que não são os seus interesses e dos
seus círculos, têm sido cúmplices dessas estratégias de ocultação dos
independentes. Acontece que o meio rodou à volta de 2 ou 3 artistas
(Sarmento e Cabrita; Vasconcelos e também Chafes são casos à parte, que
correm por si), e que foram intencionalmente rodeados por artistas
menores para criar a imagem da diversidade, mas excluindo os melhores
que podem fazer sombra.
https://anamata.pt/
3. A propósito de um texto crítico (Artecapital): 18-10-24
Por vezes a arte não é um exercício só formal, uma prática escolar, uma habilidade ou amabilidade ociosa, uma diversão ou uma facilidade, uma intenção ou a ocupação de uma parede, como quase tudo que vamos vendo à nossa volta, e às vezes acontece que uma obra exposta reage (comenta, acusa, intervém), age no presente, por exemplo sobre o que é a guerra actual a que assistimos com a confortável distância do lá fora, lá longe, como aliás sempre nos aconteceu, irremediavelmente periféricos.
Será uma imagem decorativa ou será incómoda? Será só uma peça de colecção, ou de museu? Como podemos conviver com ela, se nos interpela, incomoda e desafia? E é agora o contexto, as outras imagens expostas, as obras que as acompanham, de facto como um diário nascido no tempo da pandemia, antes de ser um projecto de exposição, que lhe asseguram a urgente necessidade de comunicar.
Ainda é possível representar a História? Pintura de história? Pintura de Guerra? Acontece que esta é uma representação sentida, pessoal, e é íntima também, verdadeira, e não apenas a oportuna apropriação de uma imagem mediática, então mais vista que criada. Há afinal quem desenhe, ou pinte, aqui a pastel de óleo e pastel seco, com uma qualidade material que se sente, mais do que só se observa, e com uma intensidade emocional que se faz partilhar; e a íntima verdade que aqui assim se reconhece importa-nos.
Os aviões, com pás giratórias de helicópteros, investem sobre a paisagem, sobrevoam-na e incendeiam-se, são ameaça e ameaçados, cenário de batalha, há explosões, fogo e fumo por toda a parte, um céu opaco, os foguetes descem a tracejado e uma casa arde. É a casa que vemos noutros desenhos, protecção ou prisão. Há outros desenhos que trazem imagens de terror e morte, rostos escondidos entre as mãos e caveiras. Mas logo aparecem flores, animais domésticos, paisagens amenas. A vida é diversa.
“Diário - dias incertos”, até 25 Fev.
2017
http://111.pt/exposicoes/caravela-salao/
14 de janeiro – 04 de março 2017
#
http://111.pt/exposicoes/a-cura/
Em torno das tapeçarias mille fleurs, caracterizadas pelo fundo preenchido por vegetação, produzidas no norte da França e na Flandres entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento...
E cenas de naufrágios e refugiados, que têm a ver com notícias e imagens de travessias do Mediterrâneo - e o pintor inclui-se como retrato nessas cenas
Parte de um mail pessoal do João Francisco, e depois a folha de sala
Da natureza-morta à Pintura de história