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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

2026 Fátima Mendonça na 111

 É uma pintura que conta histórias, no caso o lobo e o capuchinho vermelho, ou que se apropria de fragmentos desse conto para tratar questões pessoais (e não só pessoais... há perigos reais, medos colectivos, ameaças que rondam). Se o medo está presente, e é o lobo, esta é uma história de luta contra o medo, e de libertação. O lobo dança mascarado com o rabo de fora, numa cena de sedução enganadora, mas a faca está prestes a espetar-se-lhe nas costas, alerta. Há sangue que é preciso lavar - no quadro maior, o retábulo da vitória, o banho purificador (um dos raros e grandes banhos femininos modernos), ficam ao lado as etapas do perigo vencido, e a fera dá lugar ao gato doméstico. Havia - em dois menores formatos sobrepostos - ameaças na floresta escura, o lobo e outros olhos ameaçadores, mas a menina do capuz vermelho está firme e determinada, é o rosto forte da coragem. Adiante o lobo é, afinal, um cavalo de pau com que se pode brincar - a ameaça era real ou só imaginária? A Fátima Mendonça que responda: é uma pintura feminina.



Durante as décadas do modernismo tardio (anos 40-60, sob a tutela do ex-trotskista Greenberg tornado um radical conservador ao tempo da Guerra Fria e do combate aos realismos), imperou no meio da crítica e das instituições associadas a interdição da figuração e todas as suas possibilidades, a ilustração, o retrato, a narração e a literatura. Foi-se saindo lentamente desse limbo, ainda sob condução norte-americana, com a aparição da arte pop e dos novos-realismos, uma figuração que se apropriava de imagens mediatizadas (a publicidade e o consumo) e mecanizadas ( o foto-realismo, o hiper-realismo...), mas condenando ainda a intervenção da mão, a expressão, o "painterly". Em paralelo, a via do formalismo radicalizava-se na direcção do minimalismo, e a reflexão essencialista sobre a noção de arte conduzia à chamada arte conceptual, incluindo as acções e performances. Com o pluralismo dos anos 80 as interdições caíram, mas grande parte da grande pintura anterior tinha sido, desde os anos 1950, uma competição hesitante com os interditos, uma figuração "desfigurada", como as De Kooming, Bacon, Kossoff, Saura e tantos outros. Havia excepções que atravessavam margens menos vistas, e que depois se reconheceram como maiores, como Kokoschka e Beckman, relegados para o seu passado inicial expressionista. Havia itinerários irredutíveis e divergentes, como Balthus, Hockney, Kitaj... Houve passagens da abstração à figuração, socialmente crítica e auto-crítica, com o Philip Guston. Houve ocultações que se desvendaram e ganharam corpos e rostos, e histórias, como no caso da Paula Rego. Venceram-se interditos e regras tornadas de novo académicas.
A narração de histórias tinha sido o terreno principal da pintura, que tivera a missão de ilustrar a Bíblia e evocar feitos heróicos das nações e dos príncipes, com abertura à ilustração "reformadora" e alegadamnente apologética de mitos pagãos (era a pintura de história) - a iconoclastia protestante reorientou o mercado da arte para a produção dos géneros burgueses, a paisagem, a natureza morta e o retrato mundano de encomenda, bem como das cenas quotidianas, a que se chamou "pintura de género".
A pintura de história (das histórias) passou depois um mau bocado, subordinada às regras das academias, salões e encomendas oficiais. No século XIX a pintura tende a afastar-se da história e das convenções académicas e, num contexto de revoluções burguesas, volta-se para a representação da vida moderna: a rua, os espaços de diversão e lazer, os cafés e a boémia, os retratos de intelectuais, artistas e amigos (e amigas), o progresso do caminho de ferro, etc.
No início do século XX ganham mais espaço os temas da intimidade, pessoal, doméstica e colectiva (as comunidades expressionistas).
As figuras da mitologia tornavam-se corpos de atelier, sem pretexto necessário, com modelos pagos e mulheres ou amantes, relacionais e/ou voyeuristas. Daí à intimidade por dois caminhos: o banho de rio ou mar, se possível nu, e o banho doméstico, que passa da tina ou selha para a banheira e depois para o duche ou chuveiro. É possível seguir esse percurso moderno e libertador através de muita boa pintura. Bonnard e a obra de algumas mulheres são passos decisivos, e Fátima Mendonça está nessa linha.



segunda-feira, 13 de julho de 2026

1999 na 111, 2009 em Algés: MENEZ

 Menez no Museu

PALÁCIO ANJOS, ALGÉS, 2009 

ver a menez

foto *L: Menez no Centro de Arte Colecção Manuel de Brito, Palácio Anjos, Algés

Quando os museus oficiais são privatizados pelos respectivos directores (Chiado), ou quando se despejam ao sabor de insondáveis devaneios (Gulbenkian), crescem as responsabilidades de outro tipo de instituições, menos centrais e, afinal, mais sujeitas ao escrutínio público. É o caso  do Centro de Arte de Algés que acolhe a Colecção Manuel de Brito – o único panorama (mesmo parcial) do século XX que é agora visitável em Lisboa (que os estudantes estudem artes através de cromos assegurará sem sobressalto a descendência  das actuais e invisuais autoridades). 

 Mostram-se as primeiras décadas de 1900 através de um acervo de variável importância, de bastante irregularidade mesmo, quanto à representatividade de obras e autores, mas a uma colecção pessoal tem de se começar por agradecer que exista e se exponha. As insuficiências são também as dos próprios artistas, que, muitos deles, não  encontraram condições nem ânimo para ultrapassarem as atávicas dificuldades. O panorama é diversificado e este não é o melhor período da colecção.

Duas obras que antes (em 1994, no Museu do Chiado) não se mostraram, testemunhando a cumplicidade inicial, no Porto, entre António Quadros (A Galinha Pedrez) e Eduardo Luiz (S./T., ambas certamente de 1959) são surpresas com interesse – a tela de Charrua, terceira na parede, deveria procurar outras companhias (apesar dos azuis).

Mas a mostra dedicada a Menez é agora o que mais importa, começando a ilustrar o que foram as "escolhas electivas" do galerista, tal como se designaram os núcleos autorais mais extensos na apresentação da colecção em 1994, por ocasião de Lisboa capital cultural. E começa por surpreender a quantidade das obras reunidas, de pintura sempre, sobre tela e papel, e num caso de moderna tapeçaria: 13 telas numa sala e 24 papéis e obras diversas noutra sala,  mais algumas peças em vitrine com catálogos e livros.

domingo, 17 de maio de 2026

2007, Margarida Correia, "THINGS" na 111

Margarida Correia

 05/18/2007 (no Blog Typepad, depois Wordpress, agora Blogspot)

Com Edgar Martins, com Brígida Mendes, com Margarida Correia, e outros haverá, muitas das fotografias de novos autores portugueses estão a ser feitas fora de portas. Importa agora a terceira, com uma primeira exposição na Galeria 111, "Things", depois da presença forte na Monumental em 2006, com "Saudade", onde tinha sido também possível consultar o prometedor catálogo de  "Gueiko e Maiko", de uma exposição em Torres Vedras. 

A partilha de espaços de escrita <no Expresso>tinha então adiado um primeiro comentário, e agora confirma-se que se consolida a coerência do trabalho e a continuidade dos processos e  projectos, com a variação suficiente para se tratar de um aprofundamento de direcções.  A revisão do percurso pode fazer-se em https://www.margaridacorreia.com/


 

 Living room I, 2006, C-Print (74 x 94 cm)  

Tratava-se então (2006) de uma série de trípticos ou de composições triplas, onde constavam uma fotografia familiar recuperada, em geral cena ou retrato de grupo; o registo isolado e objectivo, actual, de um objecto reconhecível nessa primeira imagem, quase sempre uma peça de vestuário (ou chapéu, óculos), e  de um retrato contemporâneo de alguém que usa esse mesmo objecto. Nesse jogo de reconhecimentos abria-se um trânsito entre épocas, gerações, gostos ou modas vestimentares, mas era também o retrato contemporâneo, em condições de encenação e cumplicidade com o fotógrafo, que se afirmava como género, ou como problematização de uma prática. De uma adivinhada circulação familiar (passando de mães a filhas os objectos e as suas memórias, ou situações) transitava-se também para uma relação de companheirismo entre artista e modelo. O que poderia ser um exercício escolar tinha uma eficácia e uma abertura de sentidos, uma suspensão de certezas, que lhe asseguravam outra projecção.    

Agora importam os cenários domésticos e os retratos neles situados, sempre discretamente expostos, avolumando-se uma ideia de concentração sobre dois lugares (Roterdão e Lisboa) e duas famílias, num processo de lenta aproximação do observador a espaços e relações de intimidade - o site confirma a identidade e a localização de duas séries paralelas. Importam as figuras retratadas, entre exposição e intimidade, os espaços ou cenários em que se incluem, a relação entre ambos (as figuras e os seus lugares), alguns objectos que  assumem uma presença mais relevante e certamente significativa, algumas redes de relações familiares que se sugerem ou esboçam, mas também os lugares por si mesmos, só parcialmente ou parcimoniosamente legendados. Há sempre sucessivas leituras para cada fotografia, isolada, em sequência, revendo-se o conjunto, etc.

Numa grande variedade referencial das imagens fotográficas, surgem fotografias isoladas (retratos, pormenores de interiores domésticos, objectos), mas também dípticos e trípticos, por vezes incluindo páginas de álbuns fotografadas onde se reencontram os objectos vistos nas fotos actuais. Havendo um prévio projecto estabelecido, a produção dos trabalhos (as fotografias isoladas ou em séries) parece construir-se como o avolumar da distância entre o programa e o resultado - nada é óbvio ou unívoco. A cada aproximação as imagens parecem resistar mais à ideia da ilustração de um projecto, ganham  sempre mais  densidade significante,  atraem mais a curiosidade   do observador e mantêm-no à distância.

Note-se como mesmo no caso mais directo de apropriação de uma fotografia anterior se criam as sucessivas instabilizações de sentidos, num contexto (ensaio ou ficção?) em que o que se vê é sempre a pequena parte do iceberg.

(?) 


Daphne de Jong, MOMA (1982), 2006, C-Print, 25" x 20" (64 x 51 cm)




quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111 (4) : ANOS 2000

 2002. 19 fev : OS TRÊS EFES - fábulas, farsas e fintas

obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro "Apontar com o dedo o centro da terra " com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.). 

CONVITE. 19 JAN A 2 MARÇO
Ulisses e as Sereias com Guitarra Portuguesa 1001, pastel, fundo litográfico sobre tela



desdobrável capa e folha 2. design H. Cayatte e JP

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111 (3) Anos 1980 e 1990

 3. JP e a 111 - ANOS 80. Depois de 1985: 1989 e 1990 (as séries brasileiras)



1988 - MASCARADOS DE PIRENÓPOLIS, expostos no Arco Madrid (Gal. 111) e na Galeria 111, Lisboa. Catálogo com texto de Manuel Castro Caldas (separata com tradução). Com a apresentação do livro "Os Desenhos do Circo de Brasília" texto de Paulo Herkenhoff ("Pomar visto do Brasil"). .
Manuel de Brito não aceitava compradores estrangeiros, como continuará a fazer, no ano seguinte com Paula Rego, alegando ter clientes interessados. Era um erro, de todos os pontos de vista, q irá justificar o afastamento da feira.

1990, 14 dez. - LOS INDIOS, Arco Madrid (Gal. 111), fevereiro (7 quadros que não estiveram à venda, cedidos pela galeria de Paris, enquanto outros 8 se encontravam no Rio de Janeiro), e LES INDIENS, Galerie Georges Lavrov, Paris, setembro. (10 quadros). Catálogos com o mesmo texto de Michel Waldberg.
Apresentação do livro "Pomar", texto de Mário Dionísio, Publ. Europa-América - é a versão portuguesa de "Pomar" com texto de Michel Waldberg, Éditions de la Différence.

As séries brasileiras estiveram na antologia “Pomar/Brasil” (org. FG: Rio, São Paulo, CAM) mas nenhuma obra podia ficar no mercado brasileiro. Tudo estava capturado pelo mercado nacional.





















Os Desenhos do Circo de Brasília, 1987, estudos para painéis de azulejo, q se seguiram às decorações murais para o Alto dos Moinhos, Metro de Lisboa, participaram em "Pomar/Brasil" e tiveram circulação no Brasil - galerias Paulo Figueiredo, Brasília, e Anna Maria Niemayer, no Rio, acompanhadas pelo referido volume com texto de Paulo Herkenhoff editado pela 111.




Entretanto, Manuel de Brito organiza duas mostras antológicas em Macau: "Pomar" 1989, Gal. do Leal Senado - catálogo com texto de Helmut Wohl; e "Júlio Pomar", com obras da sua colecção, em 1999, Centro de Arte Contemporânea com a Fundação Oriente; cat com tx de José Luís Porfírio.. É levada em 2000 à Galeria Nacional de Pequim

Outras exp em galerias: 1986 - Desenhos, Clube 50, Lisboa, "Páginas de álbum, estudos de bichos", e Gal de Arte de Vilamoura, a convite de Cruzeiro Seixas. 1987, Gal. Gilde, Guimarães.
1996, "Cinco figuras de convite", azulejo, Ratton

4. ANOS 90
Pomar não expõe na 111 na década de 1990.

Em galerias de Paris nos anos 1990-2001:
FABLES ET PORTRAITS, Galerie Gérald Piltzer, 1994, com a publicação de um livro, texto Claude-Michel Cluny.
L'ANNÉE DU COCHON OU LES MÉFAITS DU TABAC, Gal. Piltzer, 1996 (a série dedicada a Ulisses e outrostemas); com um deficiente Jornal da exposição com texto de José Cardoso Pires)
LES JOIES DE VIVRE, Galerie Gérald Piltzer, 1997 (passagem a grandes formatos durante uma grave situação de saude, um cancro; regresso ao tema do Xingu; publicado um álbum com ensaios de Marcelin Pleynet e António Lobo Antunes.
LA CHASSE AU SNARK, L'ENTRÉE DE FRIDA KHALO AU PARADIS, CONTES MORAUX, Galerie Gérald Piltzer, 1999, e Salander O'Reilly Gallerie, Nova Iorque, 2000; publicação de um álbum com texto de Marcelin Pleynet, ed Piltzer.
QUELQUES DESSINS, Galerie Flora J, 2001; com livro homónimo. (A exp entrou em itinerância em Portugal: "Alguns desenhos", Gal. Valbom 2003)
Nesses anos de voragem do mercado, e altos valores, Manuel de Brito recusa-se a comprar em França, o que incrementa a acção de intermediários, galerias Antiks, Cordeiros, Quadrado Azul, Fernando Santos, Valbom etc, e de vários dealers.

Outras exposições em galerias:
1993 Tapeçarias recentes, Gal. Tapeçarias de Portalegre;
"Caracóis", azulejos, Ratton Cerâmicas, com álbum de poemas de Pedro Tamem


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

1984, a GALERIA 111 por MANUEL DE BRITO: 20 anos

 Manuel Brito nos 20 anos da Galeria 111

Um curioso texto encontrado em folhas soltas publicadas por ocasião de uma exposição comemorativa em 1984. Foi reeditado no volume "50 Anos 1964-2014", ed. 111 (este inclui um breve texto de JP sobre Manuel de Brito)
Como começou a galeria, a importância de Jorge de Brito - afirmada dez anos depois da sua queda como banqueiro (antes bancário) e coleccionador - ; o percurso profissional; os episódios maiores da transacção dos quadros do Grupo do Leão para Jorge de Brito, dos painéis madrilenos de Almada Negreiros descobertos por Ernesto de Sousa, dos cartões originais das tapeçarias de Vieira da Silva. É interessante a referência à colaboração parisiense com a Galerie Bellechasse, que expunha Júlio Pomar, e com as Editions de La Différence, de Joaquim Vital.





A compra do Grupo do Leão foi em 1969, os painéis do Almada vieram em 1972. A obra de VieIra da Silva foi o grande foco do Jorge de Brito, com a actuação internacional de Manuel de Brito e do arq. João Teixeira. Os dois chegavam a competir entre si no mesmo leilão: uma vez o MB foi dizer ao JB que um certo quadro lhe tinha escapado, mas ele já estava com o banqueiro, adquirido por João Teixeira. 
Jorge de Brito queria e conseguiu sustentar as cotações da Vieira, quando toda a abstracção lírica francesa, a segunda Escola de Paris, descia de importância (Bissière, Bazaine, etc). Depois foi a sua colecção que sustentou por muito tempo o Museu Arpad e Vieira, também graças à relação de confiança que tinha com José Sommer Ribeiro, e deste com o casal de pintores em Paris, já antes de transitar do Centro de Arte Moderna para o novo Museu. 

Este testemunho sobre Jorge de Brito é importante e raro. Percebe-se que MB, até há pouco tempo apenas livreiro, conseguiu circular depressa em meios internacionais, de que depois viria a distanciar-se e que passaria a ignorar. Nas décadas de 60/70, atrair, apoiar e representar os artistas portugueses que viviam no estrangeiro (Eduardo Luiz, Júlio Pomar, Jorge Martins, Costa Pinheiro, René Bertholo, Lourdes Castro, depois Paula Rego e Bartolomeu dos Santos) foi um objectivo firme de Manuel de Brito, apostado em trazer as suas obras para Portugal e para os coleccionadores de quem tinha a confiança, no contexto do boom do mercado iniciado em 1967, interrompido em 1974-75, depois relançado. Mais tarde passou a não acompanhar com interesse as exposições dos "seus" artistas no estrangeiro, recusando negociar com os respectivos galeristas, o que deixou o campo aberto para outras galerias e dealers passarem a intermediar as obras de modo por vezes especulativo. Entretanto, em participações da galeria 111 no Arco de Madrid, passou mesmo a recusar vender obras dos seus artistas a compradores estrangeiros, reservando-as para os seus clientes nacionais. O que viria a justificar a sua exclusão da feira.
Manuel Brito não comprava obras dos seus artistas no estrangeiro, não se associando às respectivas galerias, tal como não as comprava em leilões, considerando que tal seria visto como posição de defesa das respectivasa cotações (mas era essa defesa que seria legitimamente conveniente para sustentar o respectivo mercado.

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Sobre a 111, as fontes principais são o catálogo da exposição "Anos 60", de 1984, texto de Gonçalo Pena, e o livro de Adelaide Duarte, "Da Colecção ao Museu", 2016, capítulo "MB, a colecção de um Marchand e galerista", um estudo de caso.



domingo, 11 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111: (2) 1982 e 1985

 2. JP e a 111, 1982 e 1985

1982, nov. - Exp de pintura e desenho <OS TIGRES> . Desdobrável com desenho de Menez e texto do artista traduzido por Maria Velho da Costa (in Parte Escrita III). Pinturas, 1979-82; 13 desenhos de tigres e 5 desenhos de touros para o livro "Tauromagia" de Alberto de Lacerda, ed. Contexto; azulejos, 3 painéis ed. Hypnos, Paris - Joaquim Vital.
A série Tigres foi partilhada pelas galerias Bellechasse e 111.
Depois da exp. de 1973 na 111 e até 1985, JP teve mostras individuais na Galerie de la Différence, Bruxelas, <L'ESPACE D'ÉROS> fev. 1978, onde apresenta as primeiras colagens da chamada "fase erótica", que se verão na Retrospectiva de 1978 em Lisboa, Porto e Bruxelas;
THEÂTRE DU CORPS na Galerie de Bellechasse, Paris, mai 1979;
Painting and drawing, na Galleri Glemminge, Glemmingebro, Suécia, 1980;
LES TIGRES - Peintures Récentes, de novo na Gal. Bellechasse, nov. 1981.
PORTRAITS, drawings (retratos a lápis dos anos 70) na mesma Galleri Glemminge, 1982.
ELLIPSES Peintures Récentes, Gal. Bellechasse, 1984.



Em dez 1979, na 111, lançamento do livro "O Burro em pé" de José Cardoso Pires, ed. Moraes, e exp. das colagens da colecção do escritor.
Em dez. 1981, lançamento do livro "Com Júlio Pomar" de Helena Vaz da Silva, ed. António Ramos.
1985 dez., na 111: RAPTOS DE EUROPA E 7 HISTÓRIAS PORTUGUESAS, sem catálogo com o lançamento do livro "Mensagem" de Fernando Pessoa, com um estudo de Mário Dionísio, "O avesso dos Mitos", e também de "O livro dos Quatro Corvos", tradução portuguesa das Editions de La Différence, "Le Livre des Quatre Corbeaux", com texto de Claude-Michel Cluny.

É o início das obras de temas mitológicos, pintura de história(s), já presentes em algumas Elipses de 1983-84; os temas literários, vindos em desenhos e azulejos da decoração mural do Metro de Lisboa, Alto dos Moinhos, 1982-84 (exp. no CAM) seguem da "Mensagem" para a série dedicada a Edgar Poe e os seus tradutores (The Raven, O Corvo). Os quadros realizados a pretexto de ilustrações para o livro da ed. La Différence, por sugestão e encomenda de Joaquim Vital, nunca serão expostos em conjunto e dispersam-se passando da propriedade do editor para a de Manuel de Brito. Foram em parte mostrados na Bienal de São Paulo de 1985, na antologia itinerante de 1986-87, Brasil e Lisboa, e no Palais de Tokyo, Paris, "4 peintres Portugais à Paris" (Dacosta, Pomar, Cargaleiro, Jorge Martins.
Nas fotos: desenho de Menez, "Presentes de D. Manuel ao Papa", 1985









sábado, 10 de janeiro de 2026

JÚLIO POMAR, 1989 - 2025, a Colecção Manuel de Brito e quatro exposições monográficas

 A Colecção Manuel de Brito foi apresentada pela primeira vez em 1994 no Museu do Chiado, na programação de Lisboa Capital Cultural. A exp. teve o subtítulo "Imagens da arte portuguesa do século XX" e foi comissariado pelo próprio e Raquel Henriques da Silva. Um última secção do catálogo, "Escolhas electivas" incluiu Júlio Pomar (12 pinturas) entre Dacosta, Menez, Eduardo Luiz, Paula Rego e Graça Morais. Foi depois apresentada em Macau, na Galeria do Forum 1995; no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,

Já em 1989 MB apresentara uma mostra antológica de Júlio Pomar na Galeria do Leal Senado em Macau com um texto crítico de Helmut Wohl no catálogo. (eram 8 pinturas da colecção MB, 2 indicadas como de Arlete Alves da Silva, e outras proveniências)
Nova exp em Macau aconteceu em 2000, no Centro de Arte Contemporânea de Macau com apoio da Fundação Oriente. Catálogo com texto de José Luís Porfírio, "Mudança e estrutura . J.P. em 26 exemplos 1948-1998" (com 26 obras da colecção de Manuel de Brito). Foi seguidamente apresentada na Galeria Nacional de Pequim, em 2001

Mais tarde Júlio Pomar no Centro de Arte Manuel de Brito, Palácio Anjos, Algés, 2009. Texto de Celso Martins, "JP e o princípio da adequação" (30 pinturas)

A colecção foi depois parcialmente dividida com o filho mais velho de M de B, de nome Manuel Brito, que apresentou a sua colecção em 2024 sob o título "O nome igual nos dois? Um receituário para a Liberdade na coleção de Manuel Brito", na Galerias da Casa Comum (Reitoria) da Universidade do Porto. Com 8 pinturas de Júlio Pomar. O título veio de uma obra de circunstância, oferta do artista por ocasião de uma homenagem.

Em 2026, desdee 10 jan. no actual Centro de Arte Manuel de Brito, Campo Grande, antigas instalações da Galeria 111. até 12.06



JÚLIO POMAR e a GALERIA 111 (1), desde 1967

 1. JP e a 111: 1967 e 1973

Exposição Desenhos para "Pantagruel", de Rabelais, em 30 maio de 1967 - dizia que foi a 1ª vez que um editor devolveu os originais publicados; o hábito, tb nos periódicos, era ficarem por lá, perderem-se. Foram devolvidos num álbum organizado por Alice Jorge e adquiridos por Manuel Vinhas. Edição Prelo, do amigo Rui de Moura.
O livro fora uma iniciativa do artista, que convidou como tradutor Jorge Reis (exilado em Paris, inconfundível locutor das Actualidades Francesas e autor do premiado romance "Matai-vos uns aos outros", 1961, Prelo) e acompanhou o design gráfico de Alice Jorge. Dispersaram-se os desenhos muito mais tarde, e encontram-se alguns no acervo do Atelier-Museu e no espólio dos herdeiros.
Fotos com Manuel Vinhas, Mário Dionísio e José Sommer Ribeiro (©ccângelo Gonçalves)

"Pomar 69/73" A seguir, exp de dezembro 1973, catálogo com texto ensaístico do autor (no III volume da "Parte Escrita", ed. Atelier-Museu). Em 1969 iniciara-se uma colaboração regular com Manuel de Brito.
A segunda exposição na 111, aconteceu dez anos depois da instalação do pintor em Paris, e reuniu obras dos anteriores cinco anos, com séries dos Banhos Turcos d'après Ingres e retratos, 46 pinturas e 12 desenhos; catálogo com um longo texto do artista. Seguiam-se já às séries dedicadas ao Rugby e a Maio de 68, adquiridas quase totalmente por Jorge de Brito, que foram vistas pela 1ª vez em 1986 numa mostra antológica da Gulbenkian (Brasil e Lisboa).
Manuel de Brito comprava então no estrangeiro muitas obras para Jorge de Brito, nomeadamente em leilões e com o foco em Vieira da Silva, às vezes mesmo em concorrência directa com o arq. João Teixeira, fazendo subir preços e cotações. (ver "20 Anos" de MB, 1984, in "50 Anos 1964-2014"
As obras das novas séries de Pomar eram compradas quase na totalidade, antes de serem expostas, por Jorge de Brito, Manuel Vinhas e Augusto Vieira de Abreu. Em 1973 Jorge de Brito adquiriu um grande número de pinturas e as outras são disputadas por colecções particulares.
Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual, desejada por Pomar, depois de fazer em 1964 (Tauromachies) e 1965 (Les Courses) duas exposições na Galerie Lacloche, na Place Vandôme, que surgira por intermediação de Manuel Vinhas e entretanto passara a dedicar-se a múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver Pomar, Alexandre, 2023).
Foi a 1ª individual de pintura em Lisboa depois da de 1966 na SNBA, a então Galeria de Arte Moderna, montada com os quadros de Paris, em geral já de colecções privadas. Era o início do boom do mercado.






domingo, 15 de setembro de 2024

Ana Mata, 2024, Galeria 111

 Ana Mata na 111, Audácia