Mostrar mensagens com a etiqueta 1996. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1996. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

1996 ARQUIVO CPF

 Arquivo CPF – 1996 – 3

«Segredo fotográfico» 
EXPRESSO/ Actual, pág. 3, 26-10-96


O Ministério da Cultura recusou revelar ao EXPRESSO quais as conclusões ou recomendações formuladas no relatório entregue, no termo da sua actividade, pelo grupo de trabalho que em Março foi incumbido de analisar a situação da fotografia. Depois de repetidas solicitações, sempre sujeitas ao adiamento da resposta, o responsável pelo Gabinete de Imprensa do MC acabou por comunicar que «o relatório é confidencial». Não se pedira o acesso directo ao relatório, mas apenas uma indicação sintética das conclusões, mesmo sob a forma de uma indicação verbal das respectivas linhas gerais.


O grupo de trabalho «para estudo da fotografia em Portugal», constituído por Teresa Siza, Luis Pavão, Manuel Silveira Ramos e Victória Mesquita, deu por terminadas as suas funções no início do Verão. De acordo com o despacho que o nomeara, competia-lhe propor as «atribuições e conteúdos funcionais de um organismo a ser criado futuramente para tutelar as políticas a desenvolver neste domínio», embora a lei orgânica do MC, que é contemporânea da respectiva nomeação, já fosse particularmente prolixa (e equívoca…) sobre as atribuições de um futuro Centro Português de Fotografia (CPF).

Atribuindo-lhe, nomeadamente, a tarefa de «orientar a criação», conforme se alertou em artigo publicado no «Cartaz» de 30-3-96. Entretanto, têm sido referidos na Imprensa um projecto de utilização da Cadeia da Relação, no Porto, como sede do CPF, bem como a eventual integração nessa entidade, sob a forma de Museu Nacional da Fotografia (hipótese apontada numa notícia de Rita Siza, no «Público» de 14 de Setembro), dos espólios que actualmente são conservados no Arquivo Nacional de Fotografia (ANF). Sobre essas questões, o MC tem-se negado a prestar esclarecimentos, usando as fórmulas «não há nada de definitivo», «ainda não se sabe», «não há nada que o ministro queira divulgar».

O mesmo porta-voz confirmou que «está-se a mexer no edifício», que o ministro vai (ou já foi) ao Porto inteirar-se dos trabalhos, que Teresa Siza é uma «hipótese forte» para vir a dirigir o CPF e que actualmente é o Instituto de Arte Contemporânea (em instalação) quem se encarrega do expediente relativo à fotografia. No entanto, sobre as linhas de orientação de uma política para a fotografia — concentração numa entidade única de todas as vertentes e áreas (artísticas, documentais, técnicas e formativas, patrimoniais, etc) ou preservação das suas diversificações funcionais — o silêncio é completo.

«Não há nada que o ministro queira divulgar» é uma resposta que desconsidera os direitos e responsabilidades da Comunicação Social. É uma posição arrogante e autista, que se furta a permitir o debate público sobre as opções estratégicas para impor factos consumados.

Tanto mais quanto aquele silêncio, interrompido por vagas notícias «sopradas» pelo Gabinete, tem dado azo à repetida formulação de pertinentes inquietações.

A 1 de Outubro, no «Público», sob o título «Defender o património fotográfico», Fernando Rosas expressou em artigo de opinião, na sua qualidade de historiador, o alarme perante a hipótese de transferência para o Porto e para o futuro CPF dos espólios conservados no ANF e na Fototeca do Palácio Foz. Tal medida, escreveu, «significaria a pura e simples paralização, inviabililização e destruição do excepcional trabalho de defesa do património levado a cabo» por essas duas entidades. Directamente interrogado sobre a matéria, o MC mostrou-se desinteressado em fazer qualquer comentário.

A política de comunicação do MC tem por base uma persistente confusão entre informação e propaganda. Pergunta-se se será reactivada e confiada ao CPF a chamada Colecção Nacional de Fotografia, criada pela antiga SEC e actualmente entregue em depósito (morto) à Fundação de Serralves. O Ministério responde que «não se sabe», mas, em troca do tema silenciado, adianta que em Novembro será lançada a primeira pedra do futuro Museu de Serralves. O que importaria saber é se o MC prevê retomar as aquisições interrompidas desde 1991 e se admite que uma política de coleccionismo público na área da fotografia será uma das atribuições do futuro Centro.

Pergunta-se se o mesmo organismo terá por missão tutelar tanto a política de apoio à fotografia contemporânea (as bolsas aos criadores, os subsídios aos festivais, a representação internacional, etc) como a preservação e estudo do património fotográfico de carácter histórico e sem imediato interesse artístico. O MC não responde, mas sugere que tem pronto um projecto de bolsas de apoio à criação literária…

O mesmo silêncio impera noutras áreas. Aquele que foi certamente o único documento de análise estratégica divulgado pelo responsável de um departamento oficial («Arqueologia portuguesa: algumas reflexões para um diagnóstico e uma estratégia», de Vitor Oliveira Jorge, «Publico» de 18-8-96) precedeu de poucos dias a respectiva demissão.

Um dos argumentos que têm sido referidos a propósito da localização no CPF no Porto é a ambição (legítima) da cidade e da sua Câmara verem regressar o arquivo Alvão, oportunamente transferido do Museu Soares dos Reis para o ANF, por não ter aí as necessárias condições de conservação. Mas iguais considerações de origem e de acesso aos espólios de interesse lisboeta e nacional desaconselhariam, por mais fortes razões, a sua transferência para o Norte.

Por outro lado, a própria atribuição à fotografia de um imóvel com as dimensões e as características históricas da Cadeia da Relação faria certamente pesar sobre qualquer nova instituição, que deveria ser leve e desburocratizada, custos fixos e uma monumentalidade de todo desproporcianada.

A unificação da fotografia sob uma tutela única, num instituto-museu centralizador, só pode resultar da ignorância do carácter diverso, indisciplinado e «intermedia» da fotografia. «A fotografia é múltipla, tão múltipla como os seus usos, e a criação artística é apenas um uso entre vários», escrevia há dez anos Jean-François Chevrier («La photographie dans les musées», «ArtPress, nº 108, Nov. 1986).

Juntar a difusão da fotografia actual (desde logo atravessada por

intenções artísticas e documentais) à conservação patrimonial (que é, em si mesmo, um campo totalmente diversificado, desde as produções de autor até aos espólios de estabelecimentos comerciais, os arquivos jornalísticos, históricos, topográficos, etc) seria criar um monstro burocrático, auto-devorador de meios e competências.


Arquivo CPF – 1996 – 4


“A gestão do segredo”
EXPRESSO/ Actual, 1-11-96


Novos dados exigem que se actualize a informação e o comentário sobre a gestão do «Segredo fotográfico», questão abordada no «Cartaz» da anterior edição (EXPRESSO, 26/10/96).

Interrogado sobre a instalação do Centro Português de Fotografia (CPF) na Cadeia da Relação, no Porto, o porta-voz do ministro da Cultura afirmou no dia 17 de Outubro que «não há nada de definitivo». Dado o calendário de fecho do «Cartaz», foi sugerido um prazo até dia 22 para a eventualidade de, entretanto, poderem ser fornecidas outras indicações sobre o assunto. Não se obteve resposta.

No entanto, no dia 23, aproveitando a circunstância de se inaugurar no edifício da Cadeia uma exposição dedicada ao arquitecto Viana de Lima, o ministro confirmou de viva voz o que até ao dia anterior não fora comunicado ao EXPRESSO, embora a data de publicação deste (a 26) não pudesse roubar impacto à «cacha» dos diários.


Segundo o «Público» do dia 24, Manuel Maria Carrilho «confirmou a futura instalação do CPF na Cadeia da Relação» e «considerou ainda como ‘pequena controvérsia’ a discussão acerca da possibilidade de o Arquivo Nacional de Fotografia (ANF) poder vir a ser albergado no monumento portuense».

De acordo com a notícia publicada, o ministro disse ser já «certo que o ANF irá ficar hierarquicamente dependente do CPF» e terá acrescentado: «estando o espólio digitalizado, é possível ter acesso a ele a partir de qualquer lugar». Por outro lado, o «Público» do dia 26 noticiava, a respeito das verbas do PIDDAC, que entre «os investimentos mais significativos» se contam «as obras para a instalação do CPF na Cadeia da Relação (150 mil contos)». Embora o Orçamento não esteja aprovado, é certamente difícil justificar a recusa da informação solicitada alegando que «não há nada de definitivo».

Não valerá a pena prolongar a «pequena controvérsia» sobre o destino do ANF, mas importa apontar algumas incoerências. A sua dependência hierárquica do CPF é contrária à lógica que fez retirar o Instituto de Arte Contemporânea do Instituto Português de Museus (IPM) e que mantém a autonomia da Cinemateca e do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento em relação ao IPACA, ou seja, à separação entre o apoio à produção contemporânea e a preservação do património histórico.

Por outro lado, a lei orgânica do IPM, ainda por publicar, deverá consagrar a existência do ANF sob a forma de uma nova Divisão de Serviços e esteve previsto, nesse mesmo âmbito, instituir legalmente, como há muito se aguardava, o Arquivo-Museu Nacional de Fotografia. Uma vez que essa Divisão de Serviços se irá manter no novo diploma, para assegurar um serviço fotográfico que responda às necessidades dos museus e conserve os seus espólios especializados, bem como para dar continuidade a outra direcção de trabalho prosseguida pelo ANF, o estudo técnico-científico das obras de arte através das novas tecnologias da imagem, parece certo que se irá assistir a mais uma situação de proliferação incontrolada de institutos e serviços públicos, com sobreposição de competências e custos.

Quanto à digitalização dos espólios, mais vale esquecer o que, se não é erro de transcrição, só pode justificar-se por desconhecimento do assunto. (Quantos milhões de negativos e provas se vão digitalizar? Quanto custa um disco óptico e que prazo de validade tem?)

Não há nada a acrescentar ao que se disse sobre o entendimento que o MC tem do papel da informação, nem sobre a vontade sistemática de inviabilizar qualquer debate alargado sobre quais as linhas de orientação que presidem à remodelação do aparelho administrativo central e à gestão da cultura. O anunciado Instituto de Arqueologia é um doce oferecido à respectiva corporação, e não uma condição de operacionalidade do IPPAR nem uma reivindicação dos investigadores; as autonomizações do Institutos do Restauro e do Inventário, a separar do IPM, são precipitações de uma tutela que enuncia vagas intenções antes de estudar o sector e consultar especialistas. O aumento de peso da estrutura administrativa da Cultura é apenas uma primeira consequência…



Arquivo CPF – 1996 – 5


“Foto-novela” 
EXPRESSO/ Actual, 14- 12-96


Pode parecer um absurdo folhetim a proliferação de artigos sobre a «política da fotografia» do actual Ministério da Cultura. Mas importa antes sublinhar a importância do debate público de algumas opções estratégicas (a arqueologia, o preço fixo do livro, a fotografia) quando pareciam ser apenas os interesses corporativos à volta dos subsídios a preocupar o País.
Não é por acaso que a fotografia se tornou objecto de tanta atenção: era uma área quase totalmente desacompanhada e, por outro lado, ao seu possível vector artístico, minoritário, estão associadas dimensões operativas que a relacionam com interesses que não se circunscrevem ao pequeno «ghetto» dos amadores, «amantes» e profissionais da fotografia.


A mais recente contribuição, a de António Lamas no «Público» de 7 de Dezembro («O património fotográfico e o ANF» — Arquivo Nacional de Fotografia) fica a constituir matéria de referência a propósito da origem e actividade do mesmo Arquivo, onde reside hoje o essencial do trabalho de salvaguarda e valorização do património fotográfico mas que é ameaçado de sujeição a uma tutela à qual é difícil prever qualificação para tal, e também a respeito da localização do Centro Português de Fotografia (CPF) na Cadeia da Relação, no Porto.
«Este magnífico monumento é o menos apropriado a ser adaptado a arquivo que conheço (talvez só a Torre de Belém o seja menos)», diz A.L., antigo presidente do ex-IPPC, com a autoridade que se lhe conhece.
Depois disto, prosseguir com o projecto de pôr a fotografia na Cadeia será um caso de polícia, ou de asilo.
Entretanto, importa afirmar que as fronteiras da má fé e da desonestidade intelectual são tocadas (certamente por ingenuidade ou excesso de zelo) por intervenções como a que José Aboim Borges, apresentado como investigador em história da fotografia, publicou na mesma edição do «Público». Breve exemplo, entre muitos outros: «A situação de ambiguidade e ineficácia que existe no chamado ANF radica no facto de ser tutelado pelo IPM». De facto, os problemas radicam na circunstância do ANF ser uma estrutura quase clandestina do Instituto Português de Museus, à espera, há anos, de ser formalmente institucionalizada. Mas o fantasma de Simoneta Luz Afonso continua a desnortear muitas cabeças.

Têm sido insuficientemente debatidas, no entanto, outras questões
colocadas logo na intervenção que inaugurou toda a foto-polémica («Fotografias desfocadas» e «Orientar a criação?», EXPRESSO/Cartaz de 30/3/96).
Deve sujeitar-se a uma tutela única quer a salvaguarda e investigação do património fotográfico quer o apoio à criação e divulgação da fotografia contemporâna? Deve a diversidade multidisciplinar da fotografia ser tutelada por uma instituição centralizadora e por «uma política global e articulada»? Deve tolerar-se uma lei orgânica do actual MC que ameaça «orientar a criação»?
Toda a polémica em torno do CPF e do ANF — a que se acrescentou, com data de 25 de Novembro, uma tomada de posição da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) — mereceria ser objecto de um livro branco (ou um «sítio branco» na Internet), embora sem atrasar-se mais a entrada em actividade de uma entidade pública que comece a prestar apoio aos fotógrafos. Para evitar equívocos, acrescente-se que a sua localização no Porto (em quatro assoalhadas alugadas num prédio modesto, não na Cadeia) e a indigitação de Teresa Siza para a respectiva direcção não são matéria de divergência.
Convirá, no entanto, que Teresa Siza não prejudique a respectiva respeitabilidade, ganha por uma sequência de esforçadas acções em prol da fotografia, com frases descuidadas como a que a mesma edição do ´Público» transcreve, a respeito dos «detractores do projecto do CPF»:
«Foi a pior desgraça que lhes podia ter acontecido: aparecer um ministro da Cultura que é um homem culto» (em «Retrato de uma polémica»). Estará a fazer escola a inabilidade política do ministro?
Última prevenção: é inexacto apresentar como modelo de articulação funcional das intervenções públicas nas áreas da fotografia histórica e da produção contemporânea o «exemplo francês da recém-criada Galerie Nationale de la Photographie», a qual constitui apenas um projecto de utilização de um edifício único por três diferentes instituições. «A Galeria só funcionará verdadeiramente se dispuser de espaços suficientes para cada uma das suas três componentes, e se cada uma delas conservar uma plena e inteira autonomia», diz Régis Durand, actual director do Centre Nationale de la Photographie em entrevista ao «ArtPress» (Novembro 1996).
Por cá, quando se ouvirá publicamente a voz de quem tutela hoje, de facto, a «política da fotografia»: José Afonso Furtado, estimável fotógrafo amador e eminência parda/Chefe de Gabinete do MC?


1982 1996 2001 Antes e depois do CPF: Arquivo Nacional, Colecção Nacional, CPF

 

 

Fototeca do Palácio Foz

Arquivo Municipal. Lisboa

Arquivo Nacional de Fotografia

Centro Português de Fotografia (1996, 1997, 1998/99: DRC/Casa das Artes, Porto, Cadeia da Relação + Torre do Tombo)


"O Centro Português de Fotografia foi criado pelo Decreto-Lei n.º 160/97, publicado no Diário da República de 25 de Junho de 1997, com sede no edifício da Ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, desafectado em 29 de Abril de 1975.
As salas de exposição do rés-do-chão foram utilizadas nesse mesmo ano, a partir de Dezembro, mas o edifício só seria ocupado na sua totalidade pelo CPF em 2001, depois de restaurado a adaptado à sua nova função, pela equipa dos Arquitectos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.
Em 2007, e no quadro das orientações definidas pelo Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), o Centro Português de Fotografia foi extinto por fusão com o Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Desta decisão resultou a criação da Direcção-Geral de Arquivos, com sede em Lisboa, actual entidade de tutela do CPF (Decreto-Lei 93/2007 de 29 de Março e Portaria 372/2007 de 30 de Março)."


Arquivo Fotográfico de Lisboa (CPF/TT): em 1998 anunciou-se a construção um edifício próprio


Actualm. (2011) o CPF depende directam. do director da Direcção Geral de Arquivos (DGARQ) e existe um Núcleo de Arquivo Fotográfico entre os serviços do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, tb. integrado na DGARQ


Instituto dos Arquivos Nacionais/ Torre do Tombo (1997-2007, extinto pelo PRACE), agora Direcção Geral de Arquivos (DGARQ) -  Decreto-Lei n.º 93/2007 , pdf: "Este organismo foi criado na sequência da extinção do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT) e do Centro Português de Fotografia (CPF), que sendo objecto de fusão, mantiveram as respectivas identidades. É dirigida por um director-geral, coadjuvado por dois subdirectores-gerais e integra, para além dos serviços centrais, os arquivos dependentes, de âmbito nacional – Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o Centro Português de Fotografia – e regional. O Guia de Fundos Fotográficos da TT abrange a documentação fotográfica do Centro Português de Fotografia e do antigo Arquivo Fotográfico de Lisboa.


1 – ARQUIVO NACIONAL DE FOTOGRAFIA

Arquivos de fotografia em Encontro Nacional 
DN 23 Nov. 1982, recorte
(iniciativa do ANF ), Palácio da Ajuda. José Luís Madeira, responsável pelo ANF; Natália Correia Guedes, IPPC


2 – A COLECÇÃO NACIONAL (1989-1996)

1. comemorações do 150º aniversário da divulgação da fotografia, criação da Colecção Nacional de Fotografia ou Colecção SEC
«1839-1989 / Um Ano Depois / Colecção Nacional de Fotografia», "Modos de ver" , 11 Jan. 1991

2. Entrevista com Jorge Calado, "Uma árvore tem muitos ramos", 23 Fev. (ver CPF)


3. Roubadas fotos da colecção da SEC, 11-02-1995, pp. 4 e 5 (Colecção nº 3 – ver CPF)


4. FOTOGRAFIAS DA SEC, «A Ordem do Ver e do Dizer», exp. de Teresa Siza, Casa de Serralves, 11-03-95: notas (Colecção nº 4 – ver CPF)


5. (A colecção em Serralves desde 1994, exposta em 1995, vai ser atribuída ao CPF): "Serralves sob pressão – parte II”, 17-08-96 (Colecção nº 5 – ver CPF)


O Centro Português de Fotografia foi criado pelo Decreto-Lei n.º 160/97, publicado no Diário da República de 25 de Junho de 1997, com sede no edifício da Ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, desafectado em 29 de Abril de 1975.
As salas de exposição do rés-do-chão foram utilizadas nesse mesmo ano, a partir de Dezembro, mas o edifício só seria ocupado na sua totalidade pelo CPF em 2001, depois de restaurado a adaptado à sua nova função, pela equipa dos Arquitectos Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira.
Em 2007, e no quadro das orientações definidas pelo Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), o Centro Português de Fotografia foi extinto por fusão com o Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Desta decisão resultou a criação da Direcção-Geral de Arquivos, com sede em Lisboa, actual entidade de tutela do CPF (Decreto-Lei 93/2007 de 29 de Março e Portaria 372/2007 de 30 de Março).


3 – ANF: 1994 1995

O ANF nunca teve a sua existência legalmente definida, esteve? integrado como Divisão de Fotografia no antigo Instituto Português do Património Cultural; em 1991 passou para a dependência do IPM, ficando a aguardar regulamentação específica. No entanto, desde 1986? (1981?), e em especial?! desde 1987, que o ANF se dedica à conservação, tratamento e estudo de espólios fotográficos, alguns adquiridos e outros doados ou depositados, depois de ter ganho a confiança de autores e herdeiros. Conta em 1996 com muito mais de três milhões de imagens, muitas dezenas de aparelhos e várias bibliotecas, que justificariam a criação de uma unidade museológica (ver «Conservar e produzir», EXPRESSO/Revista de  9/7/94). ?


Exposições do ANF/IPM

1. COLECÇÃO FLOWER, Museu do Chiado: o calotipista Frederick William Flower apresentado pelo Arquivo Nacional de Fotografia. Ver 09 julho 94, Revista: Frederick Flower "Uma família inglesa" 
 

Frederick William Flower – Um pioneiro da fotografia portuguesa
Museu do Chiado / Lisboa Capital Europeia da Cultura, 29 de Junho a 31 de Agosto 1994
Comis. científica Vitória Mesquita, comis. adjunto José Pessoa (Arquivo Nacional de Fotografia)
Cat. Electa.

SAN PAYO, Museu do Chiado (4-11-95) O Arquivo Nacional de Fotografia, entidade informal ou serviço do Instituto Português de Museus (alguém irá finalmente dar-lhe agora existência legal e estatuto condigno?), revela um dos espólios que recebeu e conserva.


4 – CPF, 1996…

o grupo de trabalho nomeado em 1996

1 – “Fotografias desfocadas” – 30-03-96: aqui
2 – “Orientar a criação” – 30-03-96

3 – «Segredo fotográfico» – 26-10-96: para a Cadeia da Relação?

4 – “A gestão do segredo” – 1-11-96: inclusão do ANF

5 – “Foto-novela”  – 14- 12-96


1998 – "Fotografia na Torre do Tombo" (Expresso Actual de 06-11-98, por António Henriques)

O património do Palácio Foz vai ser dividido por três instituições (CPF, BN e TT)
O ARQUIVO Fotográfico de Lisboa, serviço regional do Centro Português de Fotografia (CPF), vai ser construído de raiz em terrenos anexos ao edifício da Torre do Tombo, prevendo-se que esteja finalizado em 2001. O novo edifício, para o qual será lançado um concurso de ideias no próximo ano, vai receber os espólios fotográficos depositados na Fototeca do Palácio Foz, bem como a fotografia histórica que se encontra no Palácio da Ajuda, no Arquivo Nacional de Fotografia, que ocupa o antigo laboratório de Física do Rei D.Carlos.


EXPOSIÇÕES de CPF (e anexos)

“Alfândega Nova, O Sítio e o Signo / The Site and the Sign”, Museu dos Transportes e Comunicações, Porto – Expresso Revista de 03-03-95: “Porto revisto” – Um projecto fotográfico para ver a Alfândega Nova no momento em que se lhe procura um novo destino + nota: 11-03-95


Aurélio Paz dos Reis
Casa das Artes, Porto (21-12-1996)
Cadeia da Relação, Porto (31-12-1998)
Palácio Foz (13- 11- 1999), "À procura de um autor"

Aurélio Paz dos Reis 
Cadeia da Relação, Porto 
(31-12-1998) 
Depois de uma primeira apresentação do fotógrafo (1862-1931) por ocasião do centenário do cinema, de que foi um dos pioneiros em Portugal, espera-se que esta seja a «edição crítica» que, através das provas originais (foram 2464 os positivos entregues ao CPF) e também das imagens impressas nas publicações da época (expondo as próprias páginas da «Ilustração Portuguesa»), permita situar a obra no seu tempo e avaliar o entendimento e o uso da fotografia por parte de A.P.R. Embora o tratamento do espólio de 9260 negativos de vidro seja aliciante por constituir um extenso acervo de imagens da cidade e da vida quotidiana do Porto das primeiras décadas do séc., e também de acontecimentos tão significativos como a implantação da República, importaria conhecer as fotografias com que se fez representar nas Exposições Universais de 1900 e 1904, e noutras posteriores; importaria mostrar e dar a entender o gosto tardio pelas vistas estereoscópicas (que tinham tido voga internacional nas décadas 70 e 80 do séc. anterior); importaria avaliar, através das imagens que ele próprio imprimiu e divulgou, vistas nos formatos e processos que usou (e não através de «inéditos»), a sua prática de foto-repórter amador e talvez depois profissional, contemporâneo de Joshua Benoliel, a sua distância em relação à escola documental de Emílio Biel ou à fotografia artística internacional do seu tempo, já marcada pelos processos pigmentares. Em suma, espera-se que o CPF saiba recentrar a investigação do passado da fotografia sobre as provas de época e resista à tentação de entender os negativos de um autor de há sete ou oito décadas como materiais livremente manipuláveis segundos os gostos e as técnicas de hoje (expondo, por exemplo, caixas de luz, dípticos e outras montagens sequenciais ou quadros fotográficos, não identificados como recriações). Mas será possível mostrar provas «vintage» nas enxovias da Relação? (Até 28 Fev.)


Paulo Catrica
Cadeia da Relação
05-09-1998
O Centro Português de Fotografia apresenta um novo fotógrafo, nascido em Lisboa em 1965, com aprendizagem no Ar.Co, em 1985, e formação em História, professor de fotografia e graduado em Imagem e Comunicação no Goldsmith College, de Londres, em 1997. Sob o título «Periferias», P.C. expõe um trabalho de encomenda do CPF, com 30 fotografias realizadas nos concelhos limítrofes do Porto, com edição de um catálogo em que se inclui um texto analítico de Ian Jeffrey. Catrica exclui das suas imagens as pessoas e o movimento dos carros, bem como (quase sempre) as variações do céu, trabalhando com a primeira luz da manhã; as suas imagens desenham-se segundo os processos de observação da paisagem definidos pela Nova Topografia, com informação também colhida em John Davies ou Gabriele Basilico e na objectividade da «escola» alemã. Aplicado com rigor, o método não é aqui um mero exercício de estilo, mas um instrumento eficaz para reconhecer a paisagem local e o original absurdo de uma muito particular sedimentação de tempos e formas de vida pré e pós-moderna. (Até 13)


Livro de Viagem
Cadeia da Relação
20-03-99
Organizada para Frankfurt 97 por Tereza Siza e já mostrada também no CCB, é uma antologia da fotografia portuguesa conduzida pelo tema da diáspora ultramarina e em geral pela ideia de viagem, tomando embora largas liberdades com tal programa de modo a incluir itinerários históricos cumpridos no interior do país (de Frederick Flower aos «pioneiros» dos anos 50/60 – mas sem Benoliel e Castello Lopes) e também autores contemporâneos alheados da observação do mundo e dos outros. A nova montagem, revista na sua sequência e algo ampliada, atribui toda uma enxovia da Cadeia à edição de Lisboa Cidade Triste e Alegre, trocando a ordem dos autores para Costa Martins/Victor Palla, sem razão compreensível, e reúne algumas páginas da maqueta original a provas oriundas de diversas colecções, mostradas sem as suas datas de reimpressão – o mesmo se passa com Fernando Lemos, embora já nos casos de Paz dos Reis e de Orlando Ribeiro se proceda à correcta datação e atribuição das novas tiragens. Entretanto, assinale-se a identificação deAgostiniano de Oliveira como autor da colecção do Museu do Dundo, antes anónima. Outra sala é atribuída a Carlos Calvet e a Paulo Nozolino, este com uma vasta selecção de 20 anos de trabalho, entrada na colecção do Centro Nacional de Fotografia sob o título «Los Angeles-Tokyo», e mais uma a Fernando Lemos e Jorge Molder, sob a epígrafe «Percursos em torno do objecto fotográfico». O gosto pelas classificações sem sentido prossegue no capítulo «Inventar um signo, revisitar uma ideia», que inclui José M. Rodrigues (portfolio «Viagem», 1997) ao lado de Helena Almeida e Valente Alves, enquanto outro espaço é intitulado «Viagens» e apresenta Aurélio Paz dos Reis, Domingos Alvão (com o trabalho no Douro para o Instituto do Vinho do Porto), Orlando Ribeiro e Albano Silva Pereira – estabelecendo também neste caso a amálgama entre projectos totalmente distintos. Do mesmo modo, «O Labirinto da Saudade» será uma designação improcedente para apresentar António Leitão Marques, António Júlio Duarte e Mariano Piçarra, com que se completa aqui a selecção contemporânea. Importa, aliás, notar o carácter sempre vago e arbitrário dos textos que acompanham os autores ou os tópicos em que se incluem, trocando a informação necessária por comentários supostamente literários (exemplo: «Inquieto e inquietante, Paulo Nozolino carrega, como aquele Fernão de Magalhães que não chegou a dar a volta ao mundo, o inconformismo com o país, a história, a claridade»). O levantamento das imagens coloniais, iniciada nos Encontros de Coimbra, é uma linha de trabalho que mereceria ser continuada. (Até 3 Abr.) 
Antes no CCB: 05-09-1998
Depois da operação Europália'91 (Charleroi e Gent, não vista em Portugal), a oportunidade da Feira de Frankfurt proporcionou um novo ensaio de reconsideração histórica da fotografia portuguesa (1854 -1997), que ganhou com os temas da viagem e do Império, adequados às celebrações em curso, a possibilidade de compensar as lacunas da investigação e das colecções nacionais. Com ausências menos explicáveis (Castello Lopes) e com algumas presenças demasiado excêntricas, o projecto de Teresa Siza é por vezes inconsequente, mas fica como mais uma etapa de um processo em aberto. (Até dom.)

 

Eva Besnyo
Cadeia da Relação, Porto 
16-10.99
Húngara como tantos outros grandes fotógrafos, instalada em Amsterdão desde 1932, não é um nome conhecido, mas descobre-se com imenso prazer e proveito, graças a José Manuel Rodrigues, vindo da Holanda e que algo lhe ficou a dever (como Ed Van der Elsken, exposto há tempos). O empenhamento do seu olhar não cabe nas classificações estilísticas (modernismo, construtivismo, humanismo…) e alimenta-se sempre de uma emocionante intimidade com os modelos, como se tudo passasse pelo seu quotidiano pessoal. Os retratos são admiráveis (foi amiga da grande pintora Charley Toorop) e as fotografias de crianças estão no topo do «género»; o catálogo é uma excelente edição. (Até dom.)

1996 CPF Centro Português de Fotografia – 1 e 2

 

Artigos sobre a criação do CPF em 1996
(e referências a artigos de outros, no tempo em que havia controvérsias)

1 – “Fotografias desfocadas”         
EXPRESSO/ Actual – 30-03-96

ENTRE as originalidades da nova lei orgânica do Ministério da Cultura
conta-se a criação do Centro Português de Fotografia (CPF), a par dos
institutos dedicados às áreas do património, arqueologia, museus, arte
contemporânea, cinema e audiovisual, etc. No entanto, só poucos dias
antes da aprovação do organograma do MC fora nomeado o «grupo de
trabalho para estudo da fotografia em Portugal»
a quem compete propôr a
definição das «atribuições e conteúdos funcionais de um organismo a ser
criado futuramente para tutelar as políticas a desenvolver neste
domínio». Parece precipitado incluir na lei orgânica uma entidade para
a qual se procuram ainda atribuições e conteúdos, mas esse está longe
de ser o aspecto mais controverso das deliberações do MC.

Do grupo de trabalho fazem parte Teresa Siza (comissária de exposições e sub-directora dos Encontros de Coimbra), Luis Pavão (especialista em conservação do Arquivo Fotográfico da CML), Manuel Silveira Ramos (professor do Ar.Co) e Victória Mesquita (responsável pelo Arquivo Nacional de Fotografia, em representação do MC). O grupo, cuja qualificação se reconhece, escolherá o respectivo coordenador entre os seus membros — é uma abstenção cínica da tutela, até porque não é inocente a ordenação dos nomeados. Cabe-lhe «proceder a um estudo global da situação da fotografia no país» e deve apresentar conclusões «no mais curto espaço de tempo possível».

Entretanto, uma fonte do Ministério já referiu a intenção de transferir para o CPF o Arquivo Nacional de Fotografia (ANF), actualmente integrado no Instituto Português de Museus (IPM), e o próprio ministro anunciou que o novo organismo será instalado no Porto.

O despacho que criou o grupo de trabalho refere no seu preâmbulo que «se impõe divulgar o significativo capital fotográfico já existente, por forma a valorizar o seu conhecimento e permitir o seu usufruto através, nomeadamente, de uma instituição central e coordenadora de estudos, investigação e avaliação de grandes projectos fotográficos». Acrescenta-se que «não existe um projecto de investigação em fotografia e que a actividade editorial a nível nacional é, neste domínio, praticamente irrelevante». Parece ser, portanto, a área patrimonial, a mesma que tem vindo a ser coberta pelo ANF, embora com carências e incertezas de vária ordem, que é particularmente visada pelos «grandes projectos» do MC e não o apoio à criação fotográfica contemporânea, a promoção e divulgação da fotografia entendida como documento e meio de expressão artística.
O articulado da lei orgânica, porém, deixa antever que esta vertente será também da competência do CPF. Aí se referem «apoios a conceder à fotografia» (ver caixa), à «produção de projectos de formação e investigação», à «actividade editorial articulada com a investigação» e à «produção de eventos fotográficos», para além do lançamento das «bases para a organização de um sistema de informação e comunicação actualizado e eficiente, como sede indispensável para os criadores, investigadores e público e geral» (um banco de dados e uma «site» na Internet?).

Existe na actuação do MC a evidência de um gosto por «baralhar e dar de novo» que já marcara a gestão anterior da SEC, desrespeitando a história própria das intituições e serviços existentes ao sabor de novas «arquitectónicas» delineadas no arrogante segredo dos gabinetes. Opta-se mais uma vez pelo voluntarismo das revisões orgânicas e dos «projectos especiais» inventados no papel, em lugar de se dar prioridade à satisfação de graves carências de meios e de quadros que aguardam solução nas estruturas centrais já em funcionamento. O «tratamento» a aplicar ao ANF seria mais um exemplo dessa política (os Institutos de Arqueologia e de Arte Contemporânea configuram idênticos casos), mas mais obscura ainda é a sugestão de vir a condensar num mesmo Centro actividades de diferente natureza que ganhariam em manter a sua independendência.
A criação do CPF parece pretender seguir o modelo francês do Centre National de la Photographie, dependente da Délégation aux Arts Plastiques, mas ignorando o que o diferencia da actividade paralela da Mission du Patrimoine Photographique, integrada na Direction du Patrimoine. Amalgamando, assim, a promoção do interesse público pela fotografia e o estímulo à produção artística, graças a acções concretas como exposições, edições, bolsas de criação e investigação, com a salvaguarda dos fundos fotográficos e a reunião de espólios e independentemente da sua valia estética.
O ANF nunca teve a sua existência legalmente definida, nem quando se encontrava integrado, como Divisão de Fotografia, no antigo Instituto Português do Património Cultural, nem quando, em 1991, passou para a dependência do IPM, ficando a aguardar regulamentação específica. No entanto, há perto de vinte anos, e em especial desde 1987, que o ANF se dedica à conservação, tratamento e estudo de espólios fotográficos, alguns adquiridos e outros doados ou depositados, depois de ter ganho a confiança de autores e herdeiros. Conta hoje com muito mais de três milhões de imagens, muitas dezenas de aparelhos e várias bibliotecas, que justificariam a criação de uma unidade museológica (ver «Conservar e produzir», EXPRESSO/Revista de  9/7/94).
Além de outras iniciativas menores, ficou a dever-se-lhe a exposição de Frederick William Flower integrada no programa de Lisboa 94, a que se seguiu, em 1995, a exposição do retratista San Payo, também no Museu do Chiado — o autor do despacho parece desconhecer estes «projectos de investigação», os primeiros seriamente concretizados desde a actividade pioneira da galeria Ether. Para este ano está anunciada a apresentação do fotógrafo amador Jorge Almeida Lima e suceder-lhe-á a primeira retrospectiva de Carlos Relvas.
Noutra frente de acção, o ANF encarrega-se do levantamento fotográfico do património museológico, fornecendo aos serviços oficiais e ao público as respectivas reproduções (atingiu em 94 uma capacidade de produção de 50 mil imagens/ano, passando assim a auto-financiar-se). Por outro lado, além da colaboração no inventário do património móvel, é ainda significativa a intervenção do ANF na área do restauro e investigação, de que foi exemplo o programa dedicado aos painéis atribuidos a Nuno Gonçalves.
Estava prevista, pelo anterior Governo, a criação de espaços condignos para o Arquivo nas antigas instalações militares das Oficinas de Material de Engenharia, em Belém, que acolheriam igualmente a transferência do Museu dos Coches e a sede do IPM.
No domínio da fotografia, a restante intervenção do Estado reduziu-se, em 1989-90, ao início de uma colecção de fotografia (346 imagens) que não teve continuidade e foi depositada na Fundação de Serralves já depois do roubo de algumas peças, bem como à atribuição de subsídios aos Encontros de Coimbra e Braga, para além de outros apoios pontuais e dispersos. É esta vertente que deveria ser repensada pelo Ministério e que justificaria a criação de um CPF, sediado no Porto, mas sem a ambição de tutelar todas as «políticas» para a fotografia. A reactivação da colecção da ex-SEC seria, obviamente, a primeira das suas prioridades.
As direcções de trabalho asseguradas pelo ANF, a preservação dos espólios e a documentação fotográfica, não devem ser fundidas, nem confundidas, com as acções relativas à divulgação da fotografia e à sua promoção como uma das formas da arte contemporânea.

2 – “Orientar a criação”
EXPRESSO/ Actual – 30-03-96

A DEFINIÇÃO de «uma política global e articulada para a fotografia em Portugal», confiada ao grupo de trabalho recém-nomeado, não deverá entender-se, certamente, como um excesso de ambição dirigista, porque se supõe que «global e articulada» será apenas a acção do Ministério nesta área. A fotografia em Portugal poderá, espera-se, continuar a ser livre, fragmentária e desarticulada, ao sabor das iniciativas dos diferentes interessados — os fotógrafos, os média, as associações, os coleccionadores, os investigadores e os críticos, as instituições particulares que a ela se dedicam, etc.
Há, no entanto, uma passagem da nova lei orgânica do MC (artigo 20º) que inspira as mais graves apreensões, quando, a propósito do futuro Centro Português de Fotografia, se faz acompanhar a referência aos «apoios a conceder à fotografia em Portugal» pela descuidada frase seguinte: «orientando a criação e promovendo a inserção da fotografia portuguesa nos canais privilegiados para a sua divulgação em Portugal e fora do País».
Só como um deslize de linguagem se pode entender esse «orientar a criação», mas a referência aos «canais privilegiados» não é menos reveladora de uma mal escondida tentação elitista e autoritária do actual MC. Quais são, de facto, esses «canais privilegiados» para a divulgação da fotografia e quem, a cada momento, os define? Aqueles que, no auge do «boom» do mercado, procuraram impôr à fotografia os circuitos da «arte contemporânea internacional», promovendo as provas únicas, os grandes formatos, as molduras cenográficas, os neo-picturialismos ditos conceptuais? Os que tentaram decretar, em ocasiões sucessivas, o esgotamento das tradições da fotografia documental, da fotografia de intervenção e do fotojornalismo, reeditando «secessões» fictícias que ignoram o carácter polimorfo das práticas fotográficas? Os que apostam na burocratização das instâncias de legitimação crítica, no controle dos canais da produção e circulação artística, renovando com outros alibis a dependência dos criadores perante as tutelas e os privilégios estatais?

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O IPM (Instituto Português de Museus) 1991 a 2002,:Simoneta Luz Afonso (1991.1996) e Raquel Henriques da Silva (1996.2002)

IPM, Simoneta Luz Afonso

e Raquel Henriques da Silva

1  - 1991: A nomeação de Simoneta Luz Afonso como directora do IPM 

e 1996: Simoneta sai do IPM


SLA, 1998, "Revista de Museus" nº 05

2 -  2002: Mudança em tempo de crise 

Raquel Henriques da Silva deixa a direcção do Instituto Português de Museus. Museus vão ter novo director mas menos dinheiro. 

a propósito do nº 5 da "Revista de Museus", antigos escritos de circunstância


#


Europália bis


Expresso Cartaz, Actual, 7 Dezembro 1991

(Santana Lopes anunciou que as exposições da Europália'91 na Bélgica seriam repetidas em Portugal, embora nada tivesse sido contratualizado nesse sentido. Para tal precisou de dar continuidade às funções de Simoneta Luz Afonso, antes responsável pelo comissariado das exposições da Europália, criando o Instituto Português de Museus sob a sua direcção. Assim não se pagariam novos comissariados às equipas sobb a sua dependência, mas por isso algumas exposições decisivas sobre a fotografia (António Sena) e arquitectura (Paulo Varela Gomes) não tiveram continuidade)

Na segunda-feira, Santana Lopes empossou Simonetta Luz Afonso como (primeira) directora do Instituto Português dos Museus. Nos discursos de ambos reconheceu-se o estado de abandono do património, saudou-se o êxito das exposições da Europália e referiu-se a necessidade de conseguir condignas condições de visibilidade e segurança para as peças que regressarão da Bélgica. Fizeram-se promessas (“O Estado está disposto a cumprir as suas responsabilidades», disse Santana Lopes) e estabeleceram-se as «linhas de força” de urna nova política museológica (começando S.L.A. pelo «estudo científico das colecções, sua informatização e criação de um banco de dados e imagens com futuras ligações internaclonaís»). 


Entretanto, durante a mesma cerimónia, o Gabinete do SEC distribuiu aos jornalistas urna informação intitulada «Projecto da apresentação em Portugal durante 1992 das exposições do festival Europália». Esta será uma segunda tarefa atribuída a S.L.A., mas ela esteve ausente dos discursos. Se se tratou de anunciar uma «Europália-bis», optou-se por um modo estranhamente discreto, quase envergonhado, à margem das coisas sérias de que trataram os discursos. 


Já se sabia que estão a fazer-se esforços para apresentar algumas das exposições em Lisboa no seu regresso de Bruxelas, e que outras serão cedidas a Madrid por ocasião da respectiva Capital Cultural de 92. É oportuno, inegavelmente, mostrar a pintura flamenga conservada no Funchal em paralelo com a colecção do Museu de Arte Antiga; é desejável que os instrumentos científicos da Universidade de Coimbra se possam ver (em Queluz) antes de regressarem ao seu depósito confidencial; outras exposições, construídas de raiz, como a relativa à arquitectura contemporânea, devem, naturalmente, circular no país e no estrangeiro <mas tal não aconteceu>. 

Também se sabe, porém, que durante a preparação da Europália nunca se quis estabelecer qualquer programa de exploração futura das exposições, devendo cessar os compromissos do Comissariado com a devolução aos respectivos proprietários (Estado, Igreja, autarquias, particulares) de todas as peças reunidas para a embaixada enviada à Bélgica. 


Por isso, todo o projecto de exposição implicará que se recomecem os contactos com vista à cedência das peças, e que se substituam os objectos não emprestados. Haverá que renovar seguros, repetir, em muitos casos, os transportes, rever (nalguns casos traduzir textos) e reeditar os catálogos, para além de se terem de reconsiderar os planos expositivos em função dos novos espaços, certamente com a colaboração dos anteriores comissários sectoriais. A estas operações haverá que somar as acções relativas à montagem das exposições em lugares tão pouco preparados (em termos de equipamentos, climatização, iluminação, segurança, etc.) como são o Mosteiro dos Jerónimos (“Portugal e Flandres”), o Museu Machado de Castro (“De Goa a Lisboa”), a Central Tejo («Tríptico»!!) ou o Centro Cultural de Belém ( «O triunfo do barroco» ??) . 

Mas há ainda uma questão de fundo: as exposições da Europália foram pensadas para a representação do país no exterior e são, em geral, mostras generalistas ou de vasta síntese histórica. Para lá do interesse pontual de algumas peças menos conhecidas (além do caso excepcional dos «mecanismos do génio» e das mostras contemporâneas), não é esse o modelo de exposição que mais importa fazer em Portugal, quando faltam ainda tantas revisões monográficas ou sectoriais.

 

Aquilo que se anuncia agora como a Europália-bis é um novo programa de aparato e festividades (a somar aos que a Exposição de Sevilha e Madrid-92 efectivamente impõem, e aos que se terão de prever para Lisboa-94). Sabendo-se que a exiguidade dos orçamentos tem condicionado fortemente a política patrimonial ou museológica (para não falar na situação do S. Carlos, das Orquestras, etc.), e mesmo tendo apenas em atenção os próprios discursos pronunciados na posse de S.L.A., há razões para duvidar da justeza das prioridades da SEC. Tanto mais que o período eleitoral já passou. 


&

Simoneta sai do IPM

22-06-96    

1º caderno


 (M.M.Carrilho foi nomeado ministro da Cultura em Outubro de 1995 e ocupou o cargo até julho de 2000 nos XIII e XIV Governos Constitucionais presididos por António Guterres. No início de 1996 a tensão era cada vez mais evidente) 


Simoneta Luz Afonso abandonou esta semana a presidência do Instituto Português de Museus (IPM) e optou por manter o lugar de comissária do Pavilhão de Portugal na Expo'98, antecipando-se assim à entrada em vigor, amanhã, da lei das incompatibilidades. O ministro da Cultura procurou contrariar a demissão e foram, entretanto, consideradas as possibilidades de contornar o efeito da lei, mediante o exercício não remunerado daquele comissariado, como, aliás, já sucedera por ocasião da Capital Cultural. Mas Simoneta manteve-se inflexível e formalizou a decisão na terça-feira, precisamente no dia em que fez 50 anos.  

Segundo a presidente do IPM declarou ao EXPRESSO, «a decisão foi difícil, mas as pessoas têm de ter a coragem de se renovar, têm de assumir projectos fortes, e o desafio da EXPO'98 é muito interessante». Por outro lado, acrescentou que «não queria que se torneasse a lei» a seu respeito: «sou sempre muito cumpridora e não quis ficar a ser uma excepção, que me deixaria numa posição difícil». 

Entretanto, um porta-voz do Ministério admitiu que o nome do novo responsável pelos museus deverá vir do interior do próprio Instituto, mas só na próxima terça-feira, depois de regressar de Cabo Verde, Manuel Maria Carrilho * se ocupará da substituição, que deverá ser rápida. O mesmo informador negou a existência de conflitos com a gestão do IPM, admitindo apenas «dificuldades pontuais» no terreno financeiro, devidas ao regime de duodécimos a que obrigou a aprovação tardia do Orçamento e também ao «aumento muito ligeiro» das verbas atribuidas aos museus.


Por seu turno, Simoneta Luz Afonso não comenta informações colhidas no IPM sobre repetidos focos de tensão com o Ministério, a propósito de restrições da competência do seu instituto nas áreas da arte contemporânea, da fotografia, da conservação e restauro e do inventário do património móvel, já anunciadas em alguns casos ou só insinuadas. A transferência dos museus de arqueologia do IPM para o futuro instituto do sector, o IPA, também chegou a ser equacionada, embora sem seguimento, e tal orientação viria pôr fortemente em causa o projecto da Rede Nacional de Museus, que constituiu uma das linhas de força da acção da ex-presidente. Entretanto, a instalação da nova sede do IPM em Belém, em paralelo com a transferência do Museu dos Coches, parece ter caído no esquecimento. Por outro lado, as obras recentes de renovação de numerosos museus implicam reforços substanciais dos orçamentos de funcionamento que, não tendo sido contempladas este ano, ameaçam criar situações de estrangulamento financeiro já a curto prazo.


«Não estou em conflito com ninguém e, aliás, é muito raro ter conflitos, apesar da fama de ter mau génio» é a resposta formal da ex-responsável pelos museus, seguida por algumas outras frases igualmente sibilinas — «a interpretação é livre» ou «eu não quero ser incómoda» —, distribuidas num discurso mais interessado em sublinhar o seu interesse pelo «grande desafio» que é o Pavilhão de Portugal: «conceber o pavilhão é como começar a escrever um livro e era muito complicado entregar o projecto a outra pessoa». 

Quanto à situação do IPM, Simoneta considera que deixa «o Instituto em velocidade de cruzeiro: as estruturas dos museus estão montadas, há muita gente a trabalhar, com experiência de investigar e de fazer exposições, o público habituou-se a frequentá-los, ganhou-se reconhecimento internacional e conseguiu-se envolver o tecido social e empresarial nas nossas iniciativas, como aconteceu durante a recente 'Semana dos Museus'». «Nada está pronto e há muito que fazer, mas os museus têm capacidade para dar o salto qualitativo que ainda é necessário», acrescentou.

Nomeada no final de 1991, na sequência do êxito alcançado pelas exposições da Europália, Simoneta encontrou os museus nacionais, até então integrados no antigo IPPC, numa situação de quase paralisia, frequentemente encerrados por greves do pessoal e por interrupção dos fornecimentos de água e luz. Entretanto, o IPM tornou-se nos últimos quatro anos o único domínio cultural tutelado pelo Estado a merecer uma apreciação consensualmente positiva, situação que não terá facilitado a transição para o novo Governo. 



                                      #


2

 "Mudança em tempo de crise"

Expresso Actual 12/10/2002 

Museus vão ter novo director mas menos dinheiro. Raquel Henriques da Silva deixa hoje a direcção do Instituto Português de Museus

mais ministros:

José Sasportes


12 de julho de 2000 a 3 de julho de 2001 Gov. Guterees

Augusto  Santos Silva


3 de julho de 2001 a 6 de abril de 2002  Gov. Guterres

Pedro Roseta 
6 de abril de 2002 a 17 de julho de 2004  (Gov. Durão barroso)
Raquel Henriques da Silva considera «gravíssimo» o corte de seis por cento no orçamento de funcionamento dos 29 museus dependentes do Instituto Português de Museus (IPM), previsto no Orçamento de Estado. Diz que se «está a cortar onde não há rigorosamente mais nada para cortar, recuando para níveis de 1998, apesar de se terem ampliado as áreas de vários museus, de aumentarem as despesas de electricidade, comunicações e segurança, das elevações dos escalões salariais por antiguidade.»

Assegura que «os museus não vão encaixar os cortes» e refere-se à penúria orçamental como uma «situação alarmante», uma «catástrofe anunciada», «uma vergonha».

Não são estas, no entanto, as razões que a levam a recusar o insistente convite do ministro da Cultura para permanecer à frente do Instituto. Há mais de um ano que tinha decidido regressar à Universidade Nova e à carreira académica, quase interrompida durante dez anos, desde que em 1992 se dedicou à refundação (e depois direcção) do Museu do Chiado. Permaneceu cinco anos como directora do IPM, onde trabalhou com quatro ministros, e considera encerrado «um ciclo de vida pessoal».

Lamenta a coincidência da sua saída com «a apresentação de um orçamento gravoso» para o IPM, que imporá «uma vida árdua» à equipa seguinte, onde a continuidade das linhas de orientação fica assegurada pela substituição pelo anterior subdirector, Manuel Bairrão Oleiro. Mas lembra que as suas críticas à insuficiência dos orçamentos não são de agora. Já em Julho do ano passado, na reabertura do Museu Soares do Reis, o primeiro-ministro de então não gostou de ouvir uma dura chamada de atenção para as carências dos museus.

Outras oportunidades para alertar a tutela não foram perdidas, como sucedeu no Dia dos Museus, a 18 de Maio, quando se referiu a uma «situação calamitosa» onde há riscos de se «ultrapassarem os limites mínimos de segurança», apesar de prosseguir um intenso esforço de modernização de edifícios e equipamentos, com apoios comunitários. O último Verão passou-o «a travar o fecho dos museus», proposto por quase metade dos directores, face à dificuldade de assegurar os mínimos indispensáveis em matéria de vigilância e à acumulação de facturas por pagar, enviadas para o IPM à espera de um reforço do orçamento para o corrente ano. Absolutamente indispensável, sob pena de paralisação das actividades e do fecho de portas, já a partir de Abril de 2003. Sintomático é o caso há pouco ocorrido com o Museu de Etnologia, encerrado quase dois meses quando o ar condicionado parou pela falta de meios para a assistência atempada.

Raquel H. Silva insiste que «é impossível cortar no orçamento de funcionamento» e diz que «tem de se gastar mais dinheiro para, pura e simplesmente, manter os museus abertos». Mas também diz que a contenção orçamental «não será totalmente impeditiva da acção» e, adoptando uma perspectiva optimista, considera que vai ser necessário (e possível) «fazer uma gestão mais rigorosa» e «aguçar o engenho», à procura de outras fontes de financiamento e de parcerias com outros agentes, autárquicos ou particulares. É preciso, diz, «que os serviços não entrem em depressão».

Entretanto, a diminuição mais importante das verbas do IPM ocorre no PIDDAC, envolvendo o financiamento nacional (menos um milhão de euros, agora 7,8 milhões) e o comunitário (de 16,09 para 9,1 milhões), a que corresponde uma quebra total de cerca de 24%. Para a directora do IPM, trata-se não de um «corte», mas de um abrandamento do investimento devido ao facto de as grandes obras previstas para os museus de Aveiro, Évora e Coimbra só começarem no final de 2003. Quanto a Aveiro, que tem um projecto de remodelação e recuperação patrimonial de Alcino Soutinho, vai ser lançado em Janeiro o concurso para a escolha do empreiteiro. Raul Hestnes Ferreira está a fazer o projecto final para Évora, depois da atribulada fase que envolveu três estudos prévios, pesquisas arqueológicas e difíceis opções quanto à museologização dos vestígios. Para o Machado de Castro, o projecto está a ser terminado por Gonçalo Byrne. «Sem qualquer dúvida, o ano de 2004 será totalmente diferente» quanto aos investimentos, diz Raquel H. Silva.

Em 2003 ficarão concluídas a renovação do Museu Grão Vasco e a última fase da do Museu Abade de Baçal, em Bragança, avançando-se no Museu de D. Diogo de Sousa, de Braga, com a respectiva museografia, enquanto o de Lamego entra em fase de projecto. A situação é pior na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde, já sem fundos comunitários, estão retidos os planos para os museus das Caldas (José Malhoa e Cerâmica) e se encaram apenas acções de requalificação faseada para o Traje. O Museu do Chiado não tem ampliação à vista, um desejado Museu da Música, a construir no Parque do Monteiro-Mor, é ainda uma miragem, mas no caso do Museu de Arqueologia prevê-se o prosseguimento dos projectos já em estudo.

Uma parte essencial da acção de Raquel H. Silva foi dedicado à concretização dos projectos de requalificação de museus, que herdou já anunciados, mas em estado de indefinição ou paralisia. Outra linha de trabalho, mais silenciosa, diz respeito à consolidação do próprio IPM, à revisão da sua lei orgânica e das carreiras da área da museologia, com vista à aprovação de novos quadros de técnicos e funcionários. O desenvolvimento do projecto Matriz (inventário e base de dados informática), a renovação e rejuvenescimento das direcções dos museus, a realização do «Inquérito aos Museus em Portugal», como base para a definição programática da Rede Portuguesa de Museus, são outros aspectos que mereceriam desenvolvimento, se a crise orçamental não fosse agora o centro das atenções. Deixa adiantada a elaboração da Lei-Quadro dos Museus, com inovações destinadas a alterar estruturalmente o mapa museológico do país.

Manuel Bairrão Oleiro entra em funções na segunda-feira e Raquel Henriques da Silva apresenta-se na Universidade Nova. Continuará ligada à área dos museus só no campo do ensino, com um projecto de reformulação do mestrado em Museografia e planos editoriais: uma história dos museus em Portugal e uma colecção de traduções de textos fundamentais sobre museologia.