Mostrar mensagens com a etiqueta 1985. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1985. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de janeiro de 2026

JULIO POMAR e a GALERIA 111: (2) 1982 e 1985

 2. JP e a 111, 1982 e 1985

1982, nov. - Exp de pintura e desenho <OS TIGRES> . Desdobrável com desenho de Menez e texto do artista traduzido por Maria Velho da Costa (in Parte Escrita III). Pinturas, 1979-82; 13 desenhos de tigres e 5 desenhos de touros para o livro "Tauromagia" de Alberto de Lacerda, ed. Contexto; azulejos, 3 painéis ed. Hypnos, Paris - Joaquim Vital.
A série Tigres foi partilhada pelas galerias Bellechasse e 111.
Depois da exp. de 1973 na 111 e até 1985, JP teve mostras individuais na Galerie de la Différence, Bruxelas, <L'ESPACE D'ÉROS> fev. 1978, onde apresenta as primeiras colagens da chamada "fase erótica", que se verão na Retrospectiva de 1978 em Lisboa, Porto e Bruxelas;
THEÂTRE DU CORPS na Galerie de Bellechasse, Paris, mai 1979;
Painting and drawing, na Galleri Glemminge, Glemmingebro, Suécia, 1980;
LES TIGRES - Peintures Récentes, de novo na Gal. Bellechasse, nov. 1981.
PORTRAITS, drawings (retratos a lápis dos anos 70) na mesma Galleri Glemminge, 1982.
ELLIPSES Peintures Récentes, Gal. Bellechasse, 1984.



Em dez 1979, na 111, lançamento do livro "O Burro em pé" de José Cardoso Pires, ed. Moraes, e exp. das colagens da colecção do escritor.
Em dez. 1981, lançamento do livro "Com Júlio Pomar" de Helena Vaz da Silva, ed. António Ramos.
1985 dez., na 111: RAPTOS DE EUROPA E 7 HISTÓRIAS PORTUGUESAS, sem catálogo com o lançamento do livro "Mensagem" de Fernando Pessoa, com um estudo de Mário Dionísio, "O avesso dos Mitos", e também de "O livro dos Quatro Corvos", tradução portuguesa das Editions de La Différence, "Le Livre des Quatre Corbeaux", com texto de Claude-Michel Cluny.

É o início das obras de temas mitológicos, pintura de história(s), já presentes em algumas Elipses de 1983-84; os temas literários, vindos em desenhos e azulejos da decoração mural do Metro de Lisboa, Alto dos Moinhos, 1982-84 (exp. no CAM) seguem da "Mensagem" para a série dedicada a Edgar Poe e os seus tradutores (The Raven, O Corvo). Os quadros realizados a pretexto de ilustrações para o livro da ed. La Différence, por sugestão e encomenda de Joaquim Vital, nunca serão expostos em conjunto e dispersam-se passando da propriedade do editor para a de Manuel de Brito. Foram em parte mostrados na Bienal de São Paulo de 1985, na antologia itinerante de 1986-87, Brasil e Lisboa, e no Palais de Tokyo, Paris, "4 peintres Portugais à Paris" (Dacosta, Pomar, Cargaleiro, Jorge Martins.
Nas fotos: desenho de Menez, "Presentes de D. Manuel ao Papa", 1985









sábado, 12 de maio de 2018

Paulo Nozolino, 3 entrevistas (1985-1996-2005)


1985 Limbo, Gal. Módulo. Entrevista I, “Só posso fotografar a minha vida”
1996 Penumbra, CCB. Entrevista II, “Chegar à alma”
2005 Far Cry, Museu de Serralves. Entrevista III: “Continuo a afiar o lápis”

#


ENTREVISTA I, 1985

por ocasião da exp. "Limbo", na Módulo


Paulo Nozolino: «Só posso fotografar a minha vida»
(Expresso/Revista 26 Out. 1985, pag. 44-45)



EM LISBOA fica a câmara escura de Paulo Nozolino, a base de uma actividade que se dispersa na aventura das viagens e na quase rotina das exposições ou publicações. Em Lisboa também, na Módulo precisamente, estão agora as suas fotografias, três anos depois de uma primeira mostra que daquela errância dava testemunho: trata-se de um duplo regresso, porque o que Nozolino exibe sob o titulo «Limbo» são as imagens de «um voltar a casa», o retrato de um tempo e um ritmo portugueses. E sempre, aliás, o seu auto-retrato. Aos 30 anos, Nozolino tem portfolios publicados em «European Photography», «Cliches», «Camera International». Antes frequentou o London College of Printing. Vai expor em Valência, na Austrália, num museu do Texas e na Suíça. «Destino desconhecido» - acrescenta o próprio à biografia do catálogo de «Limbo».  

sexta-feira, 5 de abril de 1985

1985 Lourdes Castro, Linha do Horizonte, Exposição-Diálogo "O tempo de ver" (05 04)

 o tempo de ver 



 no âmbito da Exposição Diálogo, a abrir o programa de performances, happenings e espectáculos, quando a abertura do CAM parecia poder ser um acontecimento internacional.

 Lourdes Castro e Manuel Zimbro

"Linha do Horizonte"   

5 Abril 1985 Expresso Revista,  pág. 28


RAROS percursos criativos testemunham uma tão grande coerência interna como o de Lourdes Castro, prosseguindo desde 1962 um trabalho com sombras, que foram primeiro impressas em serigrafia, depois pintadas na tela, recortadas cm plexiglás, bordadas em lençóis e agora são projectadas num écrã e dadas em espectáculo, tornadas movimentos e acção. 

Poderá falar-se na utilização de um achado - se através deste chegarmos ao «ready-made» e daí a uma atitude dadá que está presente em Lourdes Castro, como esteve nos novos realistas dos anos 60 em que se afirmou, e como se reactualiza também de vários modos nestes anos 80. Não é no entanto a permanência de uma inspiração que importa sublinhar a propósito de Linha do Horizonte, estreado em Lisboa a abrir o programa de acções complementares da "Exposição-Diálogo", mas o efeito próprio dessa forma particular de performance que, como as suas homólogas, inscreve o corpo e a acção do artista num objecto efémero, que retoma uma prática infantil e uma arte oriental de teatro de sombras, além de aprofundar a direcção particular da criação visual de Lourdes Castro. 


Poder-se-ia, inserindo o espectáculo na sequência já formada pelos de M. Kagel e Jan Fabre, interrogar qual é o lugar de Lourdes Castro (e Manuel Zimbro, co-autor) nesta amostragem de criações contemporâneas que fazem da inexistência de fronteiras entre géneros uma marca decisiva, e do excesso, da violência e das referências culturais a via de regresso a emoções originárias. 

Esse lugar é, primeiro, o da radical diversidade actual dos produtos em circulação, negando de forma que se espera decisiva uma crença positivista da ultrapassagem dos efeitos ou do isolamento progressivo dos elementos. Nessa diversidade se inscreve tanto uma obra como a de Jan Fabre que explicitamente refere as que lhe servem de necessário fundamento, como a de Lourdes Castro onde são as imagens de um quotidiano familiar e não as de um universo cultural que constroem o discurso. Diria, aliás, que o colocar-se como presente e o não justificar-se como história se configura como manifestação de uma diferença particularmente sugestiva.

Depois, se a sombra é a marca de uma ausência, ela é evidência de um artifício que aqui em manifestar-se se basta: o seu movimento dá-se como ficção que nenhuma narração suporta. Esse artifício, produzido por recursos técnicos que o ecrã oculta, contido num plano puramente visual (onde alguma música apenas surge como «companhia", sem produção de outros sentidos), alimenta uma ficção que de simples gestos não-artísticos, banais, se serve para inspirar uma forma de estar. Presença, afinal, de quem vê - e é ainda através do ecrã, preservando a ausência fundadora do espectáculo, que Lourdes Castro responde à tradição dos aplausos finais,

 

Uma linha é horizonte, é corrimão ou cana de pesca, é parede, moldura, eixo onde se definem planos de luz e de cor. Ou uma figura, segundo uma duração regida por uma estrita economia do tempo de ver, e de fazer dessa visão um modo de presença que é disponibilidade para acolher uma intensificação de emoções, repete actos tão usuais corno subir uma escada, folhear um livro (de imagens), comer, dançar, dormir. entrar cm casa. etc. Actos mínimos, recolhidos e não representados - e ao contrário da tradição do happening não desmontados ou denunciados mas ilusoriamente preservados para um efémero momento repetível. 

Conquista-se assim uma dignidade plena do ver (como noutros retornos ao suporte bidimensional do quadro), num percurso pela acção. Visão em acto, portanto já não marcada por qualquer fatal transgressão que praticas de crueldade antes encenaram. Apenas ver, sem mácula e sem medo.