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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

2024, Maria da Graça Carmona e Costa (n.1933)

 

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Quando abriu a Giefarte, vinda a Maria da Graça da Quadrum da Dulce D’Agro, modesta aprendiz, apostou em pôr um anúncio em roda-pé no Cartaz do Expresso, e eu procurava colocá-lo nas páginas do roteiro crítico de exposições (podiam ser várias páginas nos anos 80/90). Disse-me mais tarde que era um sacrifício financeiro difícil mas que compensou, até pelos contactos internacionais que recebia. O marido coleccionava cerâmica oriental e outras coisas antigas (é um excelente acervo na Fundação ), eram ambições diferentes, ele grande proprietário agrícola e ela decidida a ter voz e recursos próprios. Na Giefarte das últimas décadas queria em especial apoiar artistas jovens e mais velhos q não vendiam. 

A sede da Fundação, quanto à parte da sua galeria, teve em anos recentes uma programação condicionada por colaboradores em que confiava, com exposições de artistas com maiores ou menores méritos e cumplicidades dispensáveis, que deixava seguir e a envolveram. Ficam muitos grandes livros em armazém (obras completas, catálogos exaustivos de desenhos): lembro-me que não pude recusar um enorme volume sobre uma casa temporária da Lourdes Castro na Madeira, que ficou muitos meses no chão do carro e acabei por conseguir destinar. Os mecenas são por vezes assim, talvez ingénuos, com amores sinceros e rodas de cortesãos. 


Mas impressionava vê-la nas inaugurações (ia a muitas e eu não) já muito debilitada mas resistindo à idade - vejo-a a subir, quase ao colo, a um impossível piso alto das galerias da Central Tejo (como terá descido?). Era uma dedicada sobrevivente, e insistia sempre q eu devia continuar (ou voltar) a escrever – eu ia respondendo que escrevia no Facebook e no blog, só às vezes, de zangas e entusiasmos. Parecia sincera mas eu estava noutro vida e não entrava na roda que a envolveu – nunca fui, nem fui convidado, aos almoços e jantares semanais em hotéis que ela pagava, e de que só há pouco soube. Num último grande jantar de homenagem e aniversário não me confirmaram a inscrição com explicações esfarrapadas (acidente ou cerco?). 

Não sei se chegou a ser informada que eu tinha proposto uma exp que me parecia fazer falta (seria dedicada ao desenho de Júlio Pomar, que nunca teve um panorama alargado e teria de seer extenso - deveria ocupar a Fundação e o Atelier-Museu). Hostilidades e outras opções. 


Ficará em aberto o destino da colecção, que se revelou mais irregular do que podia acreditar, com algumas extensas séries que não se justificavam, e ela estava agora em exposição no MAAT e na sua Fundação Carmona, cuja sede se mantém. Outras iniciativas e apoios mecenáticos chegarão ao fim com a estimável Maria da Graça. 

Lançara o BAC, que a CML apoia, para guardar memórias de artistas, e que tem o seu nome.