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terça-feira, 16 de junho de 2026

1992, AAS : "Une si jolie famille", Bruxelas

"Une si jolie famille". Bruxelas, Botanique, 1992


E a primeira presença internacional, depois de três colectivas em Londres: 

"Making Time", Museum of London, 1987;

"Masks and Faces", The London Institute gallery, 1988; 

"BA Photography Degree Show", London College of Printing, 1988. (não disponho de informações sobre estas exp.)

Além de representações nacionais na Europália 81, Anvers, e na

Bienal dos Jovens Criadores, Valência, 1992.


Une si jolie famille (Portraits photographiques), 26 set a 8 nov 19921



São 6 fotografias e os personagens presentes vão subindo de 1 a 6, crianças e adultos; alguns repetem-se (todos os 3 homens, as mulheres não sei), as roupas mudam e os lugares da casa (ou as casas) e as mobílias variam, mas todos se dispõe sempre à volta de uma mesa de refeição. O Augusto comparece duas vezes (nos 2 e 5, ao lado de outro homem e com uma criança ao colo).


É uma encenação fotográfica, o que é único no seu trabalho enquanto série (há fotos com encenação discreta e ocasional noutras séries ou livros), e é também raríssima a auto-representação, não sendo aqui propriamente auto-retratos. 


O título da série é o título colectivo do projecto e do catálogo, e trata-se de uma representação dos 12 países da então Comunidade Europeia, concebido como um álbum de família ou um refrato colectivo. São retratos pouco originais as outras representações (nomes que não conheço), e excepto um caso, também com encenações, de grupos, todos P/B.


É aqui o retrato, individual e colectivo, a vários títulos identitário (a figura singular, um par de mulheres e outro de homens, as famílias ± alargadas) que se mostram e assim se questionam; quem são? que relações se estabelecem? Que grupos formam? E a repetição das figuras em situações diferentes adensam as dúvidas. É um jogo, um puzzle, um questionamento?


Do texto no catálogo: “Dès que nous abordons la mise en scène, nous quittons un peu plus le réel pour rejoindre la métaphore. C'est le cas avec la séquence imaginée par Augusto Alves Da Silva qui propose entre autres choses son regard sur l'évolution d'une famille dans le cadre délimité d'une salle de séjour. Du personnage solitaire à la tribu de six individus, il passe en revue la plupart des possibilités de cellule familiale dans un mouvement évolutif, n'omettant pas le cas échéant de remplacer un élément du groupe par un autre. Il y parle donc aussi de l'intrusion, de l'exclusion, du départ, de ces accidents qui jalonnent la vie d'une famille.” Alain D'Hooghe




1994: A série foi incluída na exp. "Depois de Amanha", CCB, Lisboa'94, comis. Isabel Carlos

com o título "QUE BELA FAMÍLIA", Fugicrome 75x93cm
e um texto de António Sena no catálogo: "Photomaton e Senso Comum". pp 27 a 34.

(os candieiros e as mesas sempre redondas, as janelas fechadas)

terça-feira, 9 de setembro de 2025

2025, O ESPÓLIO DO AUGUSTO ALVES DA SILVA

Que vai acontecer ao espólio deixado pelo Augusto Alves da Silva, na sua morte prematura e terrivelmente injusta? É uma interrogação que me assalta sempre e que tenho tentado partilhar com amigos comuns e quem o admirava mais de perto e até ao fim, mesmo quando os contactos se interrompiam. 

Soube que deixou um testamento, o qual será aberto no fim de Setembro, início de outubro. Teremos de aguardar, portanto, para sabermos qual o destino do seu corpo de trabalho que guardava em Tremês, Santarém, na casa que desenhara e fizera construir. Que nunca visitei. Sei também que deixou uma irmã, herdeira. 

Jet e Oli, 2010, prova única, 100x150cm, colecção do autor. Galeria Pente 10, 2011

terça-feira, 26 de agosto de 2025

1990, Augusto Alves da Silva, Ether: ALGÉS-TRAFARIA




Augusto Alves da Silva
Ether

EXPRESSO Cartaz 20 10 1990
Realizadas para acompanhar um ciclo de conferências sobre o Estuário do Tejo (e expostas na FIL em Junho), estas fotografias são o cumprimento rigoroso de uma encomenda sobre um determinado ambiente. Na secura dos seus enquadramentos frontais, dominados pelo poder das linhas horizontais do rio e do horizonte, elas fornecem informações e são elementos de uma pesquisa, sem procurarem concessões à anedota ou ao design. É nesse modo de ver e dar a ver que elas [são] exemplarmente límpidas.
(R.Rodrigo da Fonseca 25 - de 3ª a sáb. 15-20h. Até 17 Nov.)

terça-feira, 19 de agosto de 2025

2009-2021, Augusto Alves da Silva, CRONOLOGIA (in progress)


Em 2009 o Museu de Serralves dedicou ao Augusto Alves da Silva uma retrospectiva com o título "Sem Saída / Ensaio sobre o Optimismo" - "Dead End / An essay on optimism". Com catálogo; comissários João Fernandes e Ricardo Nicolau. (Ver aqui comentário e entrevista do sérgio B. Gomes / Público)
Em 2013 o Centro de Cultura Contemporânea - Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras mostrou "Book v2.1" , uma segunda versão da série "Book" apresentada em Serralves.

O AAS também mostrou em 2013 uma foto inédita - Sem título (tiro) - na Pequena Galeria e falámos de uma individual que não se concretizou.


1987 a 1991, AUGUSTO ALVES DA SILVA: bio e primeiras exposições: Algarve 1990, Europália 91


AAS
Vi-o pela 1ª vez na 1ª Bienal de Arte de Sintra em 1987 e escrevi ua nota no cartaz do Expresso sobre a peça exposta, «Prova de Contacto». Ele estava então em Londres e disse-me depois como foi importante ter sido apreciado.


Exp colectivas (Portugal)

Fotovisão, Lisboa, 1986

V Bienal de Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, 1986

Bienal de Lagos, Lagos, 1986

I Bienal de Arte em Sintra, Sintra, 1987

Exp. individuais:

Instituto Superior Técnico, Lisboa, 1984

Faculdade de Direito de Lisboa, 1984

Câmara Municipal de Tavira, Tavira, 1985

Museu Municipal Infante D. Henrique, Faro, 1985

Teoartis Galeria/Centro de Arte, Evora, 1985


Algarve, 1990

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

2009, Augusto Alves da Silva, Serralves "SEM SAÍDA". "QUATRO PONTOS CARDEAIS" em 1997) CPF 1999 e 2003

 Serralves

exposições coletivas (SQUATTERS, em 2001, e VIAGEM AO PRINCÍPIO: IDA E VOLTA, em 2019), individuais, QUATRO PONTOS CARDEAIS (1997)

e a exposição antológica SEM SAÍDA/ENSAIO SOBRE O OPTIMISMO, em 2009.

CPF: "Fazer Tempo" 1999 e "2" 2003




1987-2003 ...2009-2013 Augusto Alves da Silva, Expresso e depois. Exposições e notas

1987 - 2003: EXPRESSO, e depois


1987. I Bienal de Arte em Sintra (nota, apresentou «Prova de Contacto»). (…)


1990.«Algés - Trafaria (1990)» - Exp. individual (indicada como a 1ª), 19 fotos, 40x40 cm, brometo de prata - Ether, co-prod. Ether/ Urbe, para conferências sobre o estuário do Tejo, FIL 1990.  Catálogo* com reproduções  e biografia


1991. «A cidade dos objectos». Exp. ind. (2ª) para o Centro Português de Design, Fundação de Serralves. Cat.


1994


1994 - «Alguns espaços culturais no concelho de Oeiras»

Exp. ind. (3ª). Lagar de Azeite, Palácio do Marquês, Oeiras, 10-30 Out. A acompanhar o colóquio «Espaços em aberto». Ed. poster com 14 fotos*


Cartaz, 22.10.94

    "Correspondendo a uma encomenda sobre espaços culturais, para acompanhar um colóquio, A.A.S. volta a pôr em prática uma atitude fotográfica que é uma das mais originais no panorama actual. Trata-se, aqui (segundo a edição de um poster-catálogo), de satisfazer o propósito documental, respeitado como exigência da informação, com um rigor formal que é, ao mesmo tempo, o exercício de um olhar analítico e a vontade de suspender quaisquer efeitos de estetização, com uma frieza ou neutralidade que, num primeiro momento, pode ser confundida com o acaso fotográfico, tal como surge no instantâneo de amador. À partida insólitas pela sua aparência não artística (a frontalidade ou o enquadramento oblíquo que deixa restos laterais aparentemente não controlados, a distância do objectos, o uso não retórico da luz), as imagens ganham uma eficácia muito complexa, acumulando, com a presença de elementos supostamente irrelevantes, sinais que se lerão como passos adicionais da construção do seu sentido global. O carácter serial, a unicidade da imagens de cada assunto e a sua variabilidade de abordagem, com a recusa de um formulário estandardizado, são outros elementos a salientar numa prática em que o testemunho se cumpre e se questiona enquanto efeito imediato da fotografia."


domingo, 17 de agosto de 2025

2007, 2025, Augusto Alves da Silva, Lau, Col. Berardo

LAU (2007), de Augusto Alves da Silva, Berardo Collection. 91 fotografias C print; 300 x 400 cm. Homenagem de Lau Costa, modelo nesta série-instalação:

17 08 2025

"Homenagem a Augusto Alves da Silva
O olhar de Augusto era único: preciso, íntimo, atento ao detalhe e ao instante. A sua capacidade de captar não apenas a imagem, mas também a essência e a atmosfera invisível ao redor, transformou este nosso trabalho numa experiência marcante.
“LAU” nasceu desse encontro — de uma entrega mútua, da confiança no olhar do outro e da coragem de revelar camadas que não se dizem, apenas se mostram.


1999-2009, 2025, Augusto Alves da Silva, Galeria Pedro Oliveira

Quatro exposições individuais do AUGUSTO ALVES DA SILVA na galeria Pedro Oliveira, de 1999 a 2009.

Pedro Oliveira: “Quem o conhecesse podia achá-lo difícil, fechado. Não era. Era sim discreto, e bastaria encontrar a chave da gaveta da bondade e depois da amizade. Éramos amigos.
Trabalhou comigo cerca de 10 anos, fazendo quatro exposições individuais e participando na coletiva dos 30 anos da galeria:
1999 “Distância Dupla”( emparceirando individualmente com o artista fotógrafo Luis Palma ) com curadoria do Miguel Von Hafe Pérez ;
2003 “Vende-se”;
2006 “Die Schönste Fahne der Welt” ;
2009 “5 Dias em Veneza” ;

2020 “Seize the day People” (exp. coletiva comemorativa dos 30 anos da galeria ) com minha curadoria.“








"Partiu um grande senhor da fotografia portuguesa.
Augusto Alves da Silva, o artista fotógrafo que nos surpreendia, preferencialmente nos seus grandes formatos, com retratos ou paisagens de expectante deceptividade. As suas imagens convidavam-nos a discernir o particular, do importante óbvio. Manobrando com exímia mestria a provocação/sobressalto levava-nos ao real significado do todo.
Um artista discretamente conceptual em que a beleza aparecia em toda a sua plasticidade, fosse no silêncio das belas paisagens, nos segredos dos retratos, na elegância dos vídeos.
...
Lembro-me bem dos cuidados técnicos que ele também tinha na produção e apresentação dos trabalhos. Eram produzidos num dos melhores laboratórios da Europa na Alemanha e ele deslocava-se propositadamente a Düsseldorf para os supervisionar.
Foram assim anos de grande cumplicidade profissional que geraram muita amizade.
Cabe a todos os que em algum momento foram tocados por esta impressiva personalidade, colecionadores e agentes do meio artístico, o devido respeito pela sua memória e integridade da sua obra.
...



2025, Augusto Alves da Silva : Apontamentos

 apontamentos

«esta é uma arte difícil — aquela que teima em não ser artística»,
Jorge Calado, «Refutações do estilo», Ist 1995.
"Não vou estar presente na Inauguração
Sofro de Claustrofobia". - mail de 19 01 20. (FINE PRINT EXPO 2O08)
"o Augusto defendia aquilo em que acreditava mesmo que isso o alheasse do meio por ser considerado uma pessoa difícil", Lúcia Marques, no FB.

"As minhas imagens são claras e o que nelas aparece é reconhecível. São, de certa forma, aquilo que um fotógrafo amador tenta fazer quando traz fotografias das viagens para mostrar aos amigos: imagens que, à partida, estarão nítidas e enquadradas – não meia maçaneta da porta ou o parapeito da janela.
Quero que as minhas imagens, porque aparentemente cristalinas, possam cativar quaisquer pessoas, para depois confundi-las. Se se sentirem confusas é porque estão a raciocinar. Talvez comecem a não tomar como garantido aquilo que está à frente delas".
AAS

"Há dois anos, num regresso ao London College of Printing (hoje London College of Comunication), falei durante três horas com a Professora Anne Williams, que agora se encarrega de saber sobre o que aconteceu aos antigos alunos. Mostrei-lhe vários livros meus e falámos da vida, nomeadamente do ponto de vista económico. Foi curioso e estranho, porque há trinta anos esta mesma pessoa estaria apenas a falar sobre assuntos como “The Consequences of the Male Gaze and Sexual Objectification” sem qualquer preocupação sobre o futuro económico dos alunos – por exemplo nunca se falou sobre os mecanismos do mercado da arte, as galerias, as feiras e outros aspectos igualmente tão importantes.
De repente, ao ver os livros que lhe apresentei, diz-me: “Oh Augusto! You are one of those few people that could have had a fabulous commercial career and at the same time a brilliant artistic career as well”. Fiquei “speechless”, como se diz em português." AAS, "Entrevista (in)completa" 2019, in "Tecnico"

&
Vi-o pela 1ª vez, por acaso, na 1ª Bienal de Arte de Sintra em 1987 e referi-o numa nota no cartaz do Expresso sobre a peça exposta, «Prova de Contacto». Ele estava então em Londres e dizia-me depois como foi importante ter sido apreciado..

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

2019, Augusto Alves da Silva – Entrevista, Técnico Ist

Augusto Alves da Silva – Entrevista (in)completa in Valores Próprios

18 Novembro 2019

(sem indicação de autor)

Quando é que surge o seu interesse pela fotografia? 

Na casa dos meus pais existiam várias máquinas fotográficas que me causavam curiosidade.  Não me lembro como comecei a fazer fotografias, mas, a dada altura,, criei uma rotina de fotografar, com uma máquina Kodak, a mais simples de usar, e, quando esgotava o filme, ia à loja perto da nossa casa e esperava pela revelação. Tinha que esperar sete dias para ver o resultado, um objectivo que me orientava no tempo. Quando a minha avó catalã me levou a Barcelona, o interesse aumentou.  Fiz-lhe um retrato junto ao museu de cera, sentada num banco, com uma figura de cera ao seu lado. Revelado o filme, achei que eram dois bonecos de cera. Eu tinha 10 anos de idade.


    
Da série Marta, nove fotografias, 2016,                                                             

sábado, 23 de novembro de 2013

Augusto Alves da Silva, "Book v2.1", Torres Vedras, 2013

A série "Book" que se viu em Serralves em 2009, Sem Saída / Dead End, pp. 132-157, teve uma nova versão em Torres Vedras, apresentada pela Cooperativa de Comunicação e Cultura / Centro de Cultura Contemporânea, na inauguração do espaço Camara Escura. De 26 outubro 2013 a 4 janeiro 2014.
Com o título Book v2.1, incluindo novas fotografias.




No blog do Augusto Alves da Silva, esta foto levou o tratamento conveniente e ficou outra coisa (a partir do meu fb); até me pareceu uma boa foto.

https://www.facebook.com (28 de Outubro) FB da C|amara Escura

http://augustoalvesdasilva.blogspot.nl blog do A.A.S.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

2009 Augusto Alves da Silva, Serralves: "Sem Saída / Ensaio sobre o Optimismo"


"Sem Saída / Ensaio sobre o Optimismo" - "Dead End / An essay on optimism".

Com catálogo; comissários João Fernandes e Ricardo Nicolau.


Em Serralves, a antologia de Augusto Alves da Silva não é uma defensiva demonstração de existências, mas um teia de desafios (teia e não rede – é uma exposição sem rede) onde se põe o espectador à prova, sem concessões de facilidade, pondo-se também o autor e a sua obra sempre em questão.


Serralves Augusto Alves da Silva Iberia 2

Iberia, 2009 (pormenor de projecção aleatória de cerca de 5000 fotografias digitais)


Uma inicial selecção de (18?) fotografias entre as muitas que foi mostrando desde "ist" (1994) desliga-as do seu contexto serial e temático, retirando-lhes os títulos próprios, deslocando e isolando o que foi um elemento de um conjunto ou de um discurso preciso e referenciado. São agora peças soltas e descontextualizadas, mas também se propõe que sejam as partes de uma outra nova série aqui reunida sob um sóbrio título comum, "Síntese". Sem contiguidades de espaço, de tempo ou de projecto, sem legendas e/ou sentidos reconhecíveis, a nova série põe-se à prova como série, que só dificilmente pode ser vista como tal, e reforça uma orientação presente na recente exposição "Paisagens inúteis" (Chiado 8, 2006). O que tinha sido inquérito ou testemunho, documental ou referencial, com um sentido oferecido ao espectador, passa a ser um "abstracto" momento fotográfico, uma intrigante ou insólita suspensão do tempo, um acaso (uma visão sem sentido, talvez inútil, como dizia o título). E por aí essas vistas se reaproximam da tradição da imagem furtiva ("à la sauvette"), mas com um possível acréscimo de inquietação ou de ironia.

O que foi parte de "ist", "Ar.Co 25 Anos", "Ferrari", "Shelter" (Finlândia, <aliás, |slândia>), "Animais", "La Gomera" (Canárias), passa a ser, para alguns, a memória desse lugar de origem, ou é uma vista inexplicada, mais ou menos gratuita, mais ou menos intrigante. Mas, entretanto, num processo simultâneo e paralelo, e afinal oposto, põem-se em exposição os livros onde essas imagens se publicaram – visíveis em longas mesas com exemplares abertos – e também outros catálogos e publicações diversas que traçam o registo da carreira de A.A.S. 

Mais exaustivo que os muitos escassos dados biográficos do catálogo (por opção do próprio ou ineficácia dos serviços documentais?) aí aparece documentada uma  primeira individual no IST e outra na galeria Teoartis (se não erro) que não aparecem citadas no final e não apareciam já no catálogo da Ether em 1990, tal como não aparecia o envio à Bienal de Arte de Sintra onde se viu pela 1ª vez a Prova de Contacto, de 1987.


As duas opostas formas de visibilidade – o livro aberto e a possível série designada "Síntese" – não confortam o espectador na sua inércia: oferecem-lhe duas abordagens alternativas e complementares, deixando-o de certo modo desamparado entre elas. 


Depois, os vídeos, as vídeo-instalações, as duas novas séries longamente sequenciais (de imagens projectadas, Iberia, ou fixas, Book) também põem à prova o seu interesse em ver, ou a sua disponiblidade, ou resistência.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

2009, Serralves, Augustro Alves da Silva, Entrevista no Público, Sérgio B. Gomes

 Augusto Alves da Silva e uma história da sobrevivência

PÚBLICO 28 de Outubro de 2009 por Sérgio B. Gomes




https://www.publico.pt/2009/10/28/culturaipsilon/noticia/augusto-alves-da-silva-e-uma-historia-da-sobrevivencia-243945?fbclid=IwY2xjawSSY1xleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFEN095V2I3TVhWbjg0bWkzc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHmg1D7a5LF-apwJK_I73r7yBgMwKF1cHoiCXPRQDFjPu0LkPCtoWuiuch2HW_aem_GmYqqzjZghBYQdtZsfVWDg


0 Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, inaugurou há precisamente uma semana, uma das exposições do ano: "Sem Saída/Ensaio Sobre o Optimismo", de Augusto Alves da Silva (Lisboa, 1963), nome fundamental da fotografia portuguesa contemporânea. A mostra, comissariada por João Fernandes, reúne um assinalável corpo de trabalho realizado pelo artista desde meados dos anos 1980. Entre as obras apresentadas, que incluem também vídeos e livros de artista, destacam-se quer "Síntese", composta por imagens provenientes de séries anteriores, uniformizadas agora através de novas impressões, quer dois novos projectos, "Iberia", exercício sobre a paisagem composto por mais de cinco mil instantâneos, e "Book", que coloca questões relacionadas com o incessante consumo de imagens "supostamente eróticas". Neste caso, o processo iniciou-se com a publicação de um anúncio na Internet, através do qual o artista se propunha contratar para sessões fotográficas modelos não profissionais, com a condição de estas não terem experiência nos contextos da moda e da arte. 

Neste conjunto de imagens, Augusto Alves da Silva confronta o espectador com situações na fronteira entre o erotismo e a pornografia - embora não exista uma única fotografia em que o rosto e a nudez surjam associados e a modelo, que recebe parte do dinheiro de uma futura venda, tenha tido sempre a última palavra. Entre o vagabundo que realiza um gesto obsceno diante de um "stand" de Ferraris e um homem com uma espingarda junto a uma piscina, entre o aterrar dos aviões para a Cimeira das Lajes e umas unhas pintadas de vermelho, entre o desejo e o comentário político, entre a natureza e a arte, esta é uma exposição contra a hipocrisia.

sábado, 14 de novembro de 1998

1998, Augusto Alves da Silva, Londres, City Bank Prize: Shortlisted

 «Shortlisted» 

14-11-98, actual, p. 6


O mais importante prémio inglês de fotografia tem Augusto Alves da Silva entre os cinco finalistas 

Imagens de «Road Works» («Estrada em Obras») que são projectadas em dois ecrãs opostos


 

 AUGUSTO Alves da Silva é um dos cinco finalistas da edição de 1999 do mais importante prémio inglês de fotografia, o Citibank Private Bank Photography Prize, organizado em colaboração com a Photographer's Gallery, de Londres. Nas duas edições anteriores, em 97 e 98 (ver www.photonet.org.uk), os prémios distinguiram Richard Billingham e Andreas Gursky, enquanto este ano fazem igualmente parte da «shortlist» os nomes de Rineke Dijkstra – um holandês já apresentado pelos Encontros de Braga, em 1995 –, Alex Hartley, Yinka Shonibare e Paul Smith, todos eles jovens fotógrafos (ou artistas que usam a fotografia) nascidos entre 1959 e 1969.


 Os cinco finalistas irão participar numa exposição conjunta na Photographer's Gallery, entre 6 de Fevereiro e 27 de Março, e ao vencedor, designado a 9 de Março, será entregue um prémio de dez mil libras. O júri desta edição, também responsável pela selecção da «short list», é constituído por Iwona Blazwick, conservadora da Tate Gallery; Richard Dorment, crítico do «Daily Telegraph»; David Mellor, professor de história da arte da Universidade de Sussex e presidente do departamento de Artes Visuais do Arts Council, e Kate Tregaskis, directora da Stills Gallery, de Edimburgo.


 O Citibank Private Bank Photography Prize distingue a «contribuição mais significativa para o medium da fotografia no ano anterior», na Grã-Bretanha, sem distinção entre formas impressas ou electrónicas e também sem limitação de idade ou nacionalidade dos artistas. Augusto Alves de Silva foi inicialmente nomeado para o prémio e convidado a apresentar outros exemplos do seu trabalho para serem apreciados pelo júri, sendo já a sua inclusão entre os cinco finalistas uma distinção com grande projecção no meio britânico e internacional. Em 1997, tinham sido seleccionados, além dos vencedores, Uta Barth, Mat Collishaw, Philip-Lorca diCorcia e Catherine Yass e, no ano seguinte, Paul Graham, Hiroshi Sugimoto (actualmente exposto no CCB), Thomas Demand e Katia Liemann – em geral nomes destacados no panorama da fotografia e da arte contemporânea.


 A nomeação do fotógrafo português resultou do acolhimento muito favorável que obteve a individual que apresentara em Junho na galeria Chisenhale, uma instituição pública londrina para a fotografia então dirigida por Judith Nesbitt, agora à frente da programação da Whitechapel. O trabalho exibido, Road Works (Estrada em Obras) – dupla projecção em dois ecrãs opostos de 324 imagens feitas ao longo de 1,6 km de uma estrada de montanha dos Picos de Europa, em Espanha, sempre com intervalos de dez metros –, merecera uma crítica de Richard Dorment intitulada «On the road to a brilliant career».


 Também em 1998, A. A. S. participou com outros dois artistas numa mostra da galeria Annexed, de Londres, intitulada «Health and Safety», mostrando a vídeo-instalação Lisboa 96, antes incluída na colectiva «Livro de Viagem», comissariada por Tereza Siza para a Feira de Frankfurt e já exposta no CCB. Ambas as obras tinham sido entretanto adquiridas para a colecção do Instituto de Arte Contemporânea, no âmbito do programa de compras orientado por Isabel Carlos.


 Ainda durante o ano em curso, teve uma mostra individual no Museu Rainha Sofia de Madrid, por ocasião da Arco, com Estrada em Obras e Uma Cidade Assim (Matosinhos), e publicou o livro Pasage, em edição do Centro de Fotografia da Universidade de Salamanca, expondo individualmente este trabalho durante o festival «Imago '98», na mesma cidade, para além de ter participado na exposição «À Prova de Água», no CCB, entre outras colectivas em Berlim, Santander, Pontevedra e Lyon.


 Nascido em 1963, Augusto Alves da Silva estudou fotografia no London College of Printing e concluiu em 1997 uma graduação (MFA, Media) na Slade School, trabalhando actualmente entre Lisboa e Londres. Da sua actividade anterior destacam-se a participação na Europália, em 1991, e o projecto «ist», editado em livro pelo Instituto Superior Técnico e exposto na Culturgest, em 1995-96.