Pasage
Harrogate Lisboa London Lousã Madrid Marbella Paris Pico Tokyo (LUGARES NOMEADOS)
76 pag., 32 fotografias cor, sem legendas, 24 x 28.5cm
Design e paginação: AAS
1989 Ediciones Universidad de Salamanca / Centro de Fotografia de la Universidade de Salamanca - Colección Campo de Agramante: [CA] | 25 (Com logotipo do Centro Porrtugês de Fotografia / MC no frontispicio)
12€
+ Folha de informação do editor.
Augusto ALVES DA SILVA, Pasaje. Ediciones Universidad de salamanca Centro De Fotografía de la Universidad de Salamanca, Salamanca, 1998,73 pags., 32 fotografías
"Pasaje no es un libro de encargo, ni el catálogo de ninguna exposición. Se trata de un libro de autor, pensado y elaborado como objeto autónomo, como una singular propuesta creativa. En este sentido, todos los aspectos de la edición han sido planteados y diseñados por Augusto Alves da Silva.
Por primera vez en un trabajo publicado por el autor, los lugares que ha registrado no se limitan a Portugal, sino que ha integrado imágenes tomadas en diferentes ciudades: Harrogate, Lisboa, Londres, Lousa, Madrid, Marbella, Paris, Pico, Tokyo. Asimismo, Pasaje ha sido elaborado a partir de diferentes trabajos y tomas realizadas por el autor en los últimos cuatro años.
Estos elementos son importantes, ya que Pasaje es una propuesta que gira en torno a la ambigüedad del reconocimiento. No hay referencia a lugares concretos, por el contrario, el autor juega sobre la duda de la indentificación. En este sentido, Augusto Alves se plantea el recorrido del libro, la secuencia de imágenes, como el ámbito donde se produce la modificación del sentido. Se aleja así completamente de cualquier idea de documentación para llevar la reflexión hacia el papel de la fotografía en las situaciones que registra. Cada fotografía se ve arrastrada en su significación por la propia cadencia de las imágenes.
Estamos pues ante una obra pensada para ser impresa, y que toma la forma de libro. El trabajo de puesta en página: la definición de la secuencia, el tamaño, el reencuadre de las imágenes, son los materiales que ha usado el autor para elaborar su propuesta. Jugando en los márgenes de la fotografía "documental", usando de hecho una "estrategia documental", nos plantea una reflexión sobre nuestra capacidad de percepción y sobre el uso de la fotografía en la época de la imagen técnica.
É o primeiro (e único) livro de AAS independente de uma exposição ou de uma encomenda documental. É o livro ou photobook mais livre, como um objecto autónomo de que é autor por inteiro, incluindo o design e a paginação.
Pasage é um livro de viagens, ou melhor, de passagens, enumerando-se logo na contra-capa e no frontispício os lugares visitados, mas sem identificar as fotografias com os respectivos lugares, percorridos e fotografados ao longo de quatro anos, e eventualmente deslocadas de diferentes trabalhos ou projectos. A secção inicial da retrospectiva de Serralves, designada como "Síntese", procede a algo de semelhante, é um trânsito entre trabalhos / obras, desligados das sequências ou das exposições em que antes se mostraram. Também o livro La Gomera, de 2003, embora fotografado numa única ilha das Canárias, percorrendo um só território limitado, é um jogo de passagens, de trânsitos, onde os nexos, os tópicos temáticos possíveis se descobrem, ou não, no percurso do livro, extenso e sem ordem aparente, mas aí ritmados por quase repetições.
Aqui, o jogo entre a capa, apenas o estore descido, e a contra-capa com as referências discretamente escritas, os lugares, aponta para a prioridade das imagens face ao texto, à legenda, à informação escrita.
Seguimos então entre o que vemos (ou não vemos no estore descido que é a capa) e o que não sabemos por que razão o fotógrafo viu, fotografou e editou, num discurso de imagens sem palavras.
A informação editorial acima copiada, que certamente o artista aceitou, sugere que "Pasage é uma proposta que gira em torno da ambiguidade do reconhecimento" - poderia dizer-se a ambiguidade do conhecimento; de facto, "o autor joga sobre (com) a dúvida da identificação", antes de ser reconhecimento.
Mas não se trata de propor enigmas ou apelar à identificação, o que seria um puzzle redutor, dos lugares de observação, nem de interpretar o que está apenas "escrito" na sequência das imagens, cada uma independente ou autónoma. Trata-se de declarar e expor uma autoria, um eu que vê, e um eu 'voyeur' (como se verá adiante) que reconheceremos como autor. "O livro, a sequência de imagens, é o lugar (el ámbito) onde se produz a modificação do sentido", ou onde ocorre, antes, a produção do sentido - se quisermos procurar e se encontrarmos um eventual sentido. No entanto, talvez não haja um sentido ou um significado - não é disso que se trata.
Propõe-se "a reflexão sobre o papel da fotografia nas situações que regista", como sugere o editor? A "proposta" do autor seria a de "uma reflexão sobre a nossa capacidade de percepção e sobre o uso da fotografia na época da imagem técnica"? São mais que frases feitas?
Julgo que o que se propõe é a observação do que foi observado, escolhido e publicado pelo autor, como uma prática do ver e uma suspensão de sentidos, no que se reconhece como uma vontade de comunicação. Vejam o que eu vi.
Poderia ser street photography, mas Pasage escapa à classificação, a todas as classificações, não é documentário, viagem nem diário.
É o espaço quase sempre urbano que é visto, a rua e edifícios, a arquitectura, com transeuntes em geral em movimento, imprecisos, como os automóveis que circulam desfocados.
As montras, os manequins, femininos sempre, a passagem de modelos (?), o corpo das mulheres (partes dc corpos), até ao show erótico explícito que por sinal se segue ao estore descido, já visto na capa. Mas também uma cabeleira loura de costas e antes a mulher num bar, vista de lado, sem rosto sob o cabelo negro. Visões fugazes.
Os cartazes, a publicidade, as marcas, palavras em geral incompreensíveis, sinais, as imagens dentro da imagem, e sempre imagens de mulheres.
Também o avião em que se viaja, exterior e interior. A margem do mar, depois de um tubarão mergulhado num mar azul.
O azul predominante e as linhas paralelas horizontais que vêm também já da capa, e marcam edifícios e riscam a estrada.
Não se põe a questão do sentido das imagens e da sequência, mas apenas ver, ou seja,
a inquietação e o prazer de ver, partilhados.
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AAS participou com fotografias de
Pasage nos Encontros / Enquentros IMAGO 98, com catálogo editado. Universidade de Salamanca
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