O acervo fotográfico de Castro Soromenho
https://sobrecs.wordpress.com/acervo-castro-soromenho/acervo-fotografico/
O acervo fotográfico de Castro Soromenho encontra-se acessível no site dedicado ao escritor (site activo até 2020, mas acessível em 06.01.26). É uma grande colecção de provas originais de várias autorias e procedências não identificadas (também de postais). Em grande número foram produzidas por Elmano da Cunha e Costa, e incluidas no livro A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, 1946-48, em 84 “estampas”, extra-textos legendados, por vezes com duas ou três fotos. Entre estas provas contam-se muitas com marcas de corte e reenquadramento destinadas a essa edição, que dispõe de um “Indice das estampas - fora de texto”, sempre sem atribuição de autoria.
Vol. 3. 38. Uma grande orquestra – Jingas
Numa das edições que conheço, com encadernação editorial (392 pags. + 88 estampas reunidas no final), não existe nem indicação do editor; apenas a referência à “execução” na Empresa Nacional de Publicidade. (Em 1928 a Empresa do Diário de Notícias foi convertida na Empresa Nacional de Publicidade - ENP, controlada pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias e pela Caixa Geral de Depósitos.)
Noutra edição, com encadernação diferente e com as estampas distribuídas ao longo do volume, é indicada no rosto a Terra Editora, Lisboa, 1946 a 1948, e no verso a autoria da “realização gráfica” de Manuel Ribeiro de Pavia, de quem são as capitulares e inúmeras gravuras impressas a duas cores, preto e vermelho. O fotógrafo também não é referido. Pavia, 1907-1957, era então um frequente ilustrador de autores neo-realistas e expositor nas EGAP.
É referida por Cláudia Castelo e Catarina Mateus (em O Império da Visão, 2014, ver abaixo) uma 2ª edição , da Editorial Sul, Lisboa, 1956, com “nova selecção fotográfica do mesmo autor, mais uma vez sem os devidos créditos”.
Castro Soromenho foi funcionário colonial e escritor, com um itinerário intelectual e político que o afastou do regime, o fez anticolonialista e escritor angolano, e que o levou ao exílio. É um percurso fascinante
BIOGRAFIA DE CASTRO SOROMENHO (extractos)
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“A respeito dessa segunda fase, que se aproxima do neo-realismo, disse Castro Soromenho, em entrevista a Fernando Mourão[9]: “… depois de reviver [em Portugal] a minha vida de Angola, fazendo tábua rasa de idéias feitas e dando-me conta de erros de interpretação originados pelo clima social vivido desde a infância numa sociedade em formação, heterogênea pela sua própria natureza (…) Colocado, no tempo e no espaço, numa posição que possibilitou novas perspectivas, o homem e a sua vida, a terra e o meio social revelaram-se na sua forte autenticidade. (…) Desde que nos meus romances surgiram novas realidades sociais e se me apresentaram as suas contradições, logo se me impôs, naturalmente, uma nova técnica – e um novo estilo literário. O neo-realismo teria de ser o novo caminho”.
No ano de 1946, começa a sair em fascículos A Maravilhosa viagem dos exploradores portugueses, terminada a a edição no final de 1948.
Em 1948, Castro Soromenho é encarregado, juntamente com os escritores Adolfo Casais Monteiro e António Pedro, da propaganda eleitoral no rádio do General Norton de Matos, candidato oposicionista à presidência da República. O programa de rádio não pôde ir ao ar e Norton de Matos desiste da candidatura por falta de condições políticas. Nesse mesmo ano, o escritor faz sua primeira viagem à França.
Voltando atrás:
Infância e juventude em Portugal e África. Com menos de dois anos, Castro Soromenho (n. 1910, Chinde, Zambézia - 1968 São Paulo) vai para Angola (Huambo). Por volta de 1916, quando tinha cinco ou seis anos, seus pais decidem enviá-lo a Portugal, junto com seu irmão Nuno, dois anos mais novo, para cursar o ensino primário e secundário como aluno interno num colégio localizado em Lisboa. Vive em Portugal até aos 15 anos e conclui o quinto ano do liceu.
Em 1925, regressa a Angola vivendo no distrito da Huíla durante dois anos e cursa a Escola Primária Superior “Artur de Paiva”...
De junho de 1928 a janeiro de 1929, trabalha como funcionário numa agência de recrutamento de mão-de-obra da Companhia dos Diamantes, em Vila Luso, Distrito de Moxico. Permanece menos de um ano nesse cargo. Ingressa no Quadro Administrativo de Angola e exerce os cargos de Aspirante e de Chefe de Posto, funções que manteve até aos 27 anos de idade.
Nesse período, Castro Soromenho passou a maior parte do tempo nos sertões do leste de Angola (Luchazes, Moxico e Lunda) e fez, provavelmente, diversas viagens a Portugal. Devido à falta de registros oficiais dessa fase de sua vida, é difícil identificar com segurança as regiões nas quais serviu. Mas no relatório Distrito da Lunda (que se refere ao período de 1931 a maio de 1933), Castro Soromenho consta na “relação do pessoal administrativo colocado no distrito da Lunda, Circunscrição de Saurimo”, como “Aspirante”.
Nos sertões de Angola, Castro Soromenho dedica-se ao estudo da vida dos nativos, dentro dos padrões de sua cultura, e a questões coloniais. O interesse pela etnografia dos povos africanos persistiria ao longo de toda a sua vida.
Aos vinte e dois anos de idade, ainda quando vivia nos sertões, escreve seus primeiros contos, entre os quais Aves do além que é publicado no jornal Ultima Hora em abril de 1934. Esses contos seriam posteriormente reunidos no primeiro livro do escritor, Nhárí, de 1938.
Em 1936, renuncia à carreira administrativa, contra a vontade de seu pai, por incompatibilidade profissional e ideológica... Fixa-se por pouco tempo em Luanda onde trabalha como jornalista no Diário de Luanda e colaborador do Jornal de Angola. Nesse ano de 1936, é publicada sua primeira coletânea de contos, Lendas Negras, nos Cadernos Coloniais, n. 20. No começo de 1937 (ou no final de 1936), Castro Soromenho vai para Portugal e jamais retornaria a Angola.
Ilustrações de Pavia
Alguma Bibliografia
1. ROGER BASTIDE E ANGOLA - A LUNDA -- NA OBRA DE CASTRO SOROMENHO, FERNANDO AUGUSTO ALBUQUERQUE MOURÃO - DO CENTRO DE E S T U D O S AFRICANOS, U.S P
https://triplov.com/revistaTriplov/castro-soromenho-escritor-africano/
3. "CHINUA ACHEBE E CASTRO SOROMENHO: COMPROMISSO POLÍTICO E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA EM PERSPECTIVAS LITERÁRIAS" Stela Saes (USP)
https://www.abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1456150869.pdf
4. José Augusto França – "Castro Soromenho: nota brevíssima à sua memória"
https://revistas.usp.br/africa/article/view/95967/95225
5. Pavia africanista, Almanaque Silva, 2011
https://almanaquesilva.wordpress.com/2011/01/18/a-africa-negra-de-pavia/
6. "Etnografia Angolana" (1935-1939): histórias da coleção fotográfica de Elmano Cunha e Costa" de Cláudia Castelo Catarina Mateus


















