terça-feira, 19 de agosto de 2025
Augusto Alves da Silva 2009 - 2021 CRONOLOGIA (in progress)
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
"Batalha de Sombras", Anos 50, 2009
(até 14 de Junho de 2009)
"O movimento fotoclubista, os seus concursos e as suas publicações são, com a ilustre excepção da já referida presença de Ernesto de Sousa na revista Plano Focal, apoiantes do Regime então vigente, devedores do pequeno comércio e, na prática, sem cultura fotográfica, ignorantes do seu passado e dos movimentos fotográficos estrangeiros." (p. 287)
Aí se começa pela "herança naturalista",
que é também, em geral, a fotografia da paisagem natural (duas provas de época de Frederico Pinheiro Chagas estiveram na Exposição Geral de Artes Plásticas de 1955 - é uma descoberta importante), seguindo-se para o núcleo surrealista, restrito a Fernando Lemos, cujas últimas duas fotografias, de exteriores urbanos, já podem ter a outra leitura "fotoformalista".
Elas abrem passagem, muito acertadamente, às "incursões abstractas e explorações formais da luz", em que Varela Pécurto acompanha sem atraso a vanguarda modernista que seguia a Nova Bauhaus norte-americana, e aí está também a "fotografia pura" de Eduardo Harrington Sena e Fernando Taborda, mais uma prova "abstraccionista" de António Paixão. O núcleo é uma das surpresas fortes da exposição: o modernismo é parte do suposto salonismo.
Outras imagens de época aqui expostas permitirão pensar em extensões populistas do naturalismo (Franlkin Figueiredo e Varela Pécurto) - e estão já presentes Gérard Castello Lopes e Carlos Afonso Dias. A seguir, o núcleo final sublinha "a influência da 'fotografia humanista'" e abre para "outras derivações", com os autores já antes mais conhecidos (e mais alguns "inéditos" de Victor Palla em provas recentes - mas os inéditos póstumos, se são legítimos, precisam sempre de ser justificados); é o tempo que se segue à informação sobre "The Family of Man" (1954-55) e logo a seguir a William Klein e Robert Frank.
Entretanto, para futuras aproximações aos anos 40-50 (com abertura à tradição picturialista, agora praticamente ausente; com ou sem o incómodo Rosa Casaco...), é indispensável reunir Augusto Cabrita, Eduardo Gageiro e Francisco Keil do Amaral, mais Costa Martins, os quatro já presentes noutras colecções, e também Carlos Santos e Silva (o desconhecido colaborador na Afal, a revista da renovação fotográfica em Espanha, desde Almería), Victor Chagas dos Santos (o outro animador dos Salões da Cuf no Barreiro), Fernando Vicente, Manuel Correia, Mário Camilo, talvez Bernardino Cadete, David de Almeida Carvalho e outros mais ignorados ainda. E outros ainda, anónimos, exteriores à ambição da Arte Fotográfica ou para lá das suas fronteiras. Para conhecermos melhor a história e, em especial, para vermos mais imagens.
Inf.(O meu pai, Vitor Chagas dos Santos, abandonou os salões fotográficos no fim dos anos 60 por maiores exigencias a nível profissional, que lhe deixavam menos tempo disponível. Todos os seus negativos estavam no Fotoclube 6x6 cujas instalações arderam e só nos restam algumas das suas fotografias das exposições. Nós, a familia, lamentamos muito que a sua obra não tenha sido mais divulgada, mas algumas tentativas de compilação, inclusive vindas da parte de membros da antiga CUF, esbarraram na escassez de material disponível. Lembro-me de o meu pai falar no interesse da Agfa em ter no seu museu algumas das suas fotografias, nomeadamente Fúria, a mais famosa e premiada, mas desconheço se isso foi avante. O meu pai faleceu em 1991 aos 67 anos. Margarida Chagas França)
Anos 50 (2) as duas histórias (2009)
Fernando Lemos e
Victor Palla - com o ausente Costa Martins), ou nunca chegaram a mostrar ou publicar fotografias nos anos 50 (
Gérard Castello-Lopes,
Sena da Silva,
Carlos Afonso Dias e
Carlos Calvet) - o lugar que estes quatro autores então inéditos ocupam na história dos anos 50 foi construído - dado a conhecer ou inventado - a partir de 1982 pelas exposições da galeria Ether e por António Sena, também autor da única história da fotografia em Portugal.
Por outro lado, são hoje em geral ignorados os nomes que então se publicitavam com regularidade, em função das presenças frequentes nas exposições e nas revistas da especialidade:
Adelino Lyon de Castro,
Frederico Pinheiro Chagas,
Franklin Figueiredo,
João Martins,
António Paixão,
Varela Pécurto,
Eduardo Harrington Sena,
Fernando Taborda.
sábado, 11 de julho de 2009
2009, Fazal Sheikh (e Martin Parr) em Bamako
Fazal Sheikh é um dos fotógrafos presentes no programa das representações individuais dos Encontros de Bamako, que hoje inicia a sua semana de inauguração para profissionais (e onde eu gostava de estar). Martin Parr comparece com Luxury em resultado de uma primeira parceria de Arles com Bamako. É uma mostra sobre a ostentação da riqueza, à roda do mundo e tb nos novos meios emergentes em Moscovo, Pequim ou Dubai:
Martin Parr / Magnum Photos: Glyndebourne, Inglaterra, 2008.
Nascido em 1965 em Nova Iorque (de ascendência keniana e indiana), mas sediado também em Zurique e no Kénia, Fazal Sheikh é um "artista-activista" (e é assim que o seu site o apresenta) que tem trabalhado longamente com as populações deslocadas em África, mas também no Paquistão e na Índia, no Brasil ("Simpatia", um projecto em curso), Cuba , etc.
"Fazal Sheikh is an artist-activist who uses photography to create a
sustained portrait of different communities around the world,
addressing their beliefs and traditions, as well as their political and
economic problems. By establishing a context of respect and
understanding, his photographs demand we learn more about the people in
them and about the circumstances in which they live"
Em Bamako mostra duas das suas séries mais importantes: A Sense of Commun Ground (Scalo, 1996) – que foi brevemente mostrada nos Encontros de Coimbra de 1996 (na Galeria-Bar de Santa Clara) – e A Camel for the Sun (IHRS – International Human Rights Series , 2001) / Un Chameau por le Fils, Actes Sud 2005 (Um camelo para o filho), dedicada aos refugiados somalis que vivem desde há 16 anos no Kénia e em especial nos campos de Ifo, Dagahaley, and Hagadera – cerca de 120 mil e 80% são mulheres e crianças. É uma exposição com uma grande circulação, por exemplo, em 2005, no Martin-Gropius-Bau, Berlin; 2004, The United Nations, New York City; Henri Cartier-Bresson Foundation, Paris (Prémio HCB em 200); Museum of Contemporary Art, Moscow; Museum Ludwig, Cologne; 2003, Tate Modern (nós por cá é mais arte como diria o outro).
"A Sense of Common Ground" is the culmination of three year's documentation of the African refugee camps of Kenya, Tanzania and Malawi. In chronicling these camps, Sheikh captures the aftermath of conflicts throughout African countries including the Sudan, Ethiopia, Somalia, Mozambique and Rwanda."
"As part of the ideology behind the International Human Rights Series and in order to bring the issues contained within A Camel for the Son to an international audience, it may be read in its entirety on-line in both English and Somali. For more information about this project and other projects visit http://www.fazalsheikh.org
Retrospectiva em Madrid em 2009: Mapfre
e agora em San Diego: beloved-daughters-at-museum-of-photographic-arts-in-san-diego
sexta-feira, 3 de julho de 2009
José Cabral. URBAN ANGELS. 2009 ("Human condition")
Human condition
Photography in Mozambique was a great collective adventure for about two decades. It was defined by a few books, which, as a rule, were an extension of exhibits and gestures of international cooperation (Moçambique, A Terra e os Homens, 1983; Karingana ua Karingana, 1990; Maputo - Desenrascar a vida, 1997; Iluminando Vidas, 2002). When Europe discovered photography made by Africans, a few years back, Mozambique was in the front line (Africa, Africa, Copenhagen, 1993; Revue Noire, n. º 15, Paris, 1994). With life slowly turning normal in Mozambique (after the revolution and the civil war, after the election of 1994 or 1999…), the chapter of mobilization and propaganda that had called for photography headed to its natural demise and the routes forcibly turned personal. There had been nototious exceptions, such as José Henriques da Silva with Pescadores Macua (Lisbon, 1983 and 1998) and Moira Forjaz with Muitipi, Ilha de Moçambique (Lisbon, 1983).
quinta-feira, 21 de maio de 2009
2009, René Bertholo, Nasobi, falsos
René Bertholo 3
A tela atribuida a René Bertholo (Sem Título, 1999, 81 x 100 cm - atrás reproduzida) que foi apreendida pela Polícia Judiciária antes do leilão da Sala Branca (dia 18) é uma grosseira adaptação do quadro
Confusões, de 1999, 200 x 200 cm, que figura no catálogo com o mm nome editado em 2001 pela Gal. Fernando Santos, Porto. Foi tb exposto na retrospectiva do artista no Museu de Serralves (Abril/Maio de 2000) e está reproduzido no respectivo catálogo.
É aqui evidente que os falsários (autor e traficante) tiraram partido de René Bertholo usar aqui uma composição que resulta da acumulação desordenada de fragmentos onde se reconhecem pormenores de rostos, casas, frutas (abóboras e outras) e outros elementos figurativos, tomados pelo artista de anteriores obras. Essa táctica de retoma de partes de obras anteriores fazendo variar alguns elementos é característica de diversos momentos da sua obra.
Uma tal prática poderia dar azo a dúvidas de atribuição de autoria ou de reconhecimento de obras falsamente atribuidas se não existissem características autorais inscritas no seu modo de pintar, que se identificam na diferença entre uma pincelada própria e outra imitada, sem "vida", sem espontaneidade ou frescura, para além do facto bem distintivo de as cores se aplicarem numa sequência conhecida e programada. Por outro lado, Bertholo é autor de uma obra muito escassa e que se encontra, pelo menos desde os anos 80, sempre reproduzida nos catálogos das suas exposições. Ao contrário de outros artistas, não existem obras que sejam variantes ou adaptações/reedições de outros quadros, comercializados à margem das exposições e das relações de representação estabelecidas com os seus galeristas. Não há assim situações de duvidosa avaliação por parte de quem conheça de perto a respectiva pintura.
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NOTA ALTERADA POR ESTAR A DECORRER A RECOLHA DE INFORMAÇÔES SOBRA A CIRCULAÇÃO DESTA OBRA
Uma outra obra que foi considerada como falsa, através das reproduções conhecidas, é uma pintura identificada como Ouverture II ou "As coisas mudam", ass. e dat. de 1981, com 116 x 73 cm, que foi vendida por 15 mil euros num leilão do Palácio do Correio Velho em Novembro de 2006, e igualmente reproduzida na revista L + Arte de Setembro de 2008 (nº 1). Neste caso tratar-se-ía da adaptação de uma tela constituída por três espaços sobrepostos, como planos de uma mesma cena sequencial, que surgem na tela em dúvida repetidos com aplicação de diferentes zonas de cor. O quadro original intitula-se Ouverture (Abertura), 1980, o/t, 100x65 cm, col. part., Alemanha (reproduzido do catálogo da retrospectiva de Serralves, 2000, pág. 185) E a 2ª é designada como Ouverture II ou "As coisas mudam", ass. dat. 1981, 116 x 73. Vendido em 2006 (lote 82, leilão nº 168, 28 Nov. 06)
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Tal como refere a notícia do Público de dia 20, a leiloeira Sala Branca identificou como origem dos quadros apreendidos, e atribuidos a Álvaro Lapa e René Bertholo, a galeria Nasoni, do Porto, de António Cabecinha. As duas "obras" encontravam-se emolduradas do mesmo modo, com molduras prateadas, e tinham sido reproduzidos em catálogos da referida galeria.
Entretanto, a directora da L + Arte, Paula Brito, refere que a publicação de fotografias dos quadros incriminados resulta da sua prévia passagem em leilões, ilustrada nos respectivos catálogos, limitando-se a revista a confirmar junto das leiloeiras os respectivos valores de venda. Apesar de a descoberta de quadros falsos reproduzidos na revista envolver aspectos desagradáveis, a revista não tem nesses casos condições para reconhecer ou não a autenticidade das obras vendidas ou apresentadas em leilão. Noutros casos, Paula Brito diz ter já recusado a publicação de obras suspeitas.
A secção "Bolsa" da revista L + Arte "pretende ser um guia de referência para aqueles que investem ou querem investir em arte". A credibilidade de tais investimentos pode ser assim contrariada.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Mikael Levin's, Cristina's History, 2009 CCB
LISBON.- Cristina’s History takes as its starting point the story of four generations of a branch of
Mikael Levin’s family, of which Cristina is a descendant.
It unfolds from the mid-19th century to our own times, and streches from the town of Zgierg in
central Poland to the west-african nation of
Guinea-Bissau, by way of Lisbon. These three places,
photographed
between 2003 and 2005, correspond in each case to a narrative which
interweaves
the lives of the characters and historical events to which
those biographies are linked. As the trajectory
of a Jewish family
through modern European history, a journey in which each new hope is met
with
invariable disappointment, Cristina’s History challenges the idea
of continuous progress. This does not,
however, mean ceding to
nostalgia. nor is it an affirmation of the notion of an ineradicable
identity.
What this work does do is attests to the possibility of
inventing one’s life based on, but without being
dependent of tradition.
Although the story – or at least the idea of a story – no doubt
determined the
photographic project, the text and the images in a fact
move along parallel lines. It is through the gap
that the relationships
are etablished; between the different histories and the images of the
present,
between the different lives described and the places where they
are not, or between the narrative space,
most often closed and
familial, and the visible space, open and public.
From such simplicity shaped by numerous complexities emerges a poetic work cast as a documentary.
It is a profound autobiographical
work, though the author never appears. The space is configured
around
three projection rooms corresponding to the territories represented.
Within each room, each
cycle lasts approximately fifteen minutes and
comprises some sixty images. a voice-over tells the
story. In the rooms
devoted to Zgierz and guinea-Bissau, two projectors are mounted back to
back
on a central pivot. The images rotate around the room, like the
beams of a lighthouse, stretching and
bending to the contours of the
walls. In the Lisbon room, three projectors cast their images
alternately
at fixed locations.
Artist Statement: “I met Cristina da silva-schwarz in guinea-Bissau in 2003. Four generations back our ancestor, Isuchaar szwarc, a renowned Jewish scholar, lived in Zgierz,
in central Poland. In his lifetime
Isuchaar saw his small medieval town transformed by industrialization.
He died as the nazis exterminated the Jewish communities. Isuchaar’s
eldest son, samuel, settled in
Lisbon. a successful mining engineer also
known for his scholarship, samuel lived in Portugal during
the waning
decades of its colonial epoch. samuel’s daughter Clara settled in
Portuguese guinea in 1947.
There she and her husband played a prominent
role in the anti-colonial movement. since
guinea-Bissau’s independence,
Carlos, their youngest son, has devoted his life to the agricultural
development of this impoverished nation.
Cristina is Carlos’ daughter. I had always heard of this accomplished branch of my family. It occurred to me that their lives were
an embodiment of modernity’s
positivist belief in mobility and progress. Jewish families are often
characterized by patterns of dispersal and migration, patterns that have
of late come to characterize
the world population in general. While my
images are specific, my intent is to go beyond the narrow
identifications of any particular community. It is the tension between
the local and the global that
interests me.
The condition of multiplicity, wandering, and exile, as shown in this story, suggests some principles
for an alternative foundation for
cultural identification, based on tolerance and shared patterns of
experience.”
— Mikael Levin Born in 1954 in New York where he now lives, Mikael Levin has also lived in Israel and France. His
work Notes fromthe Periphery was
presented at the 2003 Venice Biennale. That same year his work
was
presented in a solo exhibition at the Bibliothèque nationale de France.
In 2008, gilles Peyroulet
& Cie (Paris) presented his exhibition
Seuil/ Treshold. Mikael Levin has also published War Story
(Kehayoff,
1997).
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