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domingo, 15 de março de 2026

2026, Luis Campos, Endscape, Gal. Carlos Carvalho

 notas do fb



(1) A fotografia de causas é uma das grandes escolas (e tradições) da fotografia. Luís Campos fotografou na Argentina (glaciares da Patagónia que recuam mais de cem metros por ano), na Namíbia (o barco no deserto, neste único caso de avião), nos EUA e em Portugal, "um mundo depois do fim, paisagens desabitadas em que a natureza viva se tornou vestígio". Desde 2013. A mensagem é eficaz e não se trata de ilustrar: as imagens, num preto e branco cortante, têm uma energia própria, uma beleza fatal. Na última das fotos fotografadas (pormenor) há uma ténue flor que se eleva. Expõe-se também um vídeo de 10 minutos trabalhado com os poderes da Inteligência Artificial. (Gal. Carlos Carvalho, até 30 de maio)




(2) "Endscape", vídeo projectado, 10'04'', foi realizado com recurso à Inteligência Artificial e é uma sequência contínua de paisagens de lugares arruinados, vistas urbanas (também Lisboa, Nova Iorque, Paris, etc), lugares públicos (cinema, biblioteca, fábricas), mares, cemitérios de aviões e de navios. Definido e escrito um breve guião, surgiram as imagens em movimento que na montagem digital se vão sucessivamente fundindo numa sequência terrível de catástrofes. É aqui ainda mais explícito e mais inquietante o alarme sobre a degradação e a morte do planeta, ou da civilização. O espectador é capturado, e é difícil esquecer.
Numa exposição anterior na mesma galeria, Luis Campos, médico e fotógrafo, tinha mostrado "Fading" (2023), "uma reflexão sobre extinção dos animais e a degradação dos ecossistemas". Agora em "Enscape" não há seres vivos.