AS COMPRAS “DO ESTADO” DESDE 1976: NEM SEMPRE SE DESRESPEITARAM OS MUSEUS COMO AGORA (4)
As aquisições programadas de obras de artistas nacionais (para além das compras do antigo MNAC até c.1987, de compras para sedes de embaixadas e outros destinos estatais) foram iniciadas por David Mourão-Ferreira, então secretário de Estado da Cultura (1976-Janeiro de 1978, e 1979), sendo Fernando Calhau, funcionário da Divisão de Artes Plásticas da Direçcão-Geral da Acção Cultural (DGAC), o seu primeiro responsável.
Nos anos 70 e 80, "o compromisso entre a ação do Estado e a Coleção teve maior continuidade" (cit. A. Carita, abaixo), através de Fernando Calhau e Fernando Pernes, no quadro do projecto do Museu de Arte Moderna no Porto, que viria a ser Serralves. E em 1985, a SEC apresentou a sua colecção destinando-a expressamente ao MAM do Porto.
Em 1995, o previsto MAM surge designado como Museu Nacional de Arte Contemporânea, fixado o limiar dos anos 60 como programa de acção, em articulação com a periodização prevista para o Museu do Chiado, instalado em 1994, após o fecho do MNAC em 1987.
V. Todolí fixa, em 1997, um novo programa cronológico para a colecção de Serralves, que passa a ter por limiar o final da década de 60, de acordo com uma suposta «mudança de paradigma» que será exemplificada na exposição inaugural «Circa 1968». Através de novo protocolo com o MC, Serralves abdica das obras que lhe tinham sido antes atribuídas e não se enquadram nesse período, a favor dos Museus Soares dos Reis e do Chiado, mas a partilha com este foi um processo tempestuoso. Entretanto um conjunto de obras foi entregue em depósito à Câmara de Aveiro, num episódio mal esclarecido.
Nas décadas que vão de 1990 a 2019, as aquisições da chamada Colecção SEC pararam, mas outras sempre aconteceram por iniciativa de diversas entidades, a Assembleia da República, Comissão dos Descobrimentos, Museus de Serralves, do Chiado e CCB (foi importante a parceria Berardo/Estado, com 1 milhão de euros/ano, obras que vieram a ser recompradas por Berardo)... E é em 2018/19 que António Costa responde a reivindicações económicas de alguns artistas re-iniciando a velha colecção, mas então sem destino atribuído e à revelia dos Museus.
Em 2022 a Fundação de Serralves, a Fundação do Centro Cultural de Belém, a Fundação e Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, o Museu do Chiado ou Museu Nacional de Arte Contemporânea, o Município de Aveiro e o Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (?) eram os espaços que acolhiam a ex-Coleção SEC e nova Colecção do Estado.
É de 2022 uma notícia-entrevista com David Santos no Observador, por Alexandra Carita, que fornecia alguns dados sobre a actualidade da ex-Colecção SEC. David Santos era então o coordenador da Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea (CAAC) e/ou curador da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE). https://observador.pt/.../para-preservar-patrimonio-e.../#
Fotos do catálogo de 1985 e da insólita montagem da exp na então Galeria Almada Negreiros, na sede da SEC. Uma notícia da colecção em Aveiro, anos 90. Extracto da entrevista citada.





