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sábado, 20 de setembro de 1997

1997, Lourdes Castro e René Bertholo na exp. "The Pop'60's" no CCB (20 09

 https://alxpomararquivo-enzhl.wordpress.com/

Na exp. "The Pop’60’s – Travessia Transatlântica" no CCB

Portugal Pop (4)

EXPRESSO/Cartaz de 20 09 1997

Três artistas portugueses integram a exposição «Pop'60s» do CCB: René
Bertholo, Lourdes Castro e Eduardo Batarda. A nenhum deles a
classificação Pop se pode aplicar sem reconhecer a dimensão imprecisa
de um movimento ou ambiente internacional que não tem as
características habitualmente atribuidas a um estilo definido. Mas é
exactamente essa a proposta da exposição e do seu comissário, logo
expressa por um título que se refere à década de 60, os anos Pop, e não
estritamente à «arte Pop».

Sendo inglês, Marco Livingstone está bem situado para avaliar a diversidade das «travessias transatlânticas» que então ocorriam, a partir de situações específicas que tiveram por origem independentes manifestações norte-americanas, britânicas e francesas. E também para escapar à conflitualidade com que Paris viveu a perda da sua anterior supremacia e para se desligar da resistência da crítica francesa em abandonar a velha oposição entre abstracção e figuração, então tornada caduca — temas com reflexos directos em Portugal.

 René Bertholo e Lourdes Castro, que no início dos anos 60 estavam emigrados em Paris, tiveram participação directa nas movimentações locais, nomeadamente através da evolução de uma revista de artistas, a «KWY», produzida entre 1958 e 1963 numa tiragem de cerca de 300 exemplares, com originais editados em serigrafia. A ela estiveram associados, entre Paris e Munique, Costa Pinheiro, João Vieira, Gonçalo Duarte  e José Escada e também outros estrangeiros como o alemão Jan Voss e o búlgaro Christo, com uma eclética orientação que veio a cruzar-se com o «nouveau realisme» (Christo e o crítico Pierre Restany) e com os caminhos da chamada «nova figuração» e da «figuração narrativa» (Voss e Bertholo).

Curiosamente, ambos os artistas estão representados no CCB por duas obras cada um de diferentes características formais, testemunhando mutações significativas dos seus percursos criativos ao longo da primeira metade dos anos 60. 

Lourdes Castro comparece primeiro com uma montagem ou «assemblage» recoberta por tinta prateada (Comedor, de 1961), que se relaciona com a apropriação e a acumulação de objectos do quotidiano praticada quer pelos «novos realistas» parisienses (Arman e Spoerri), quer por artistas americanos que nos finais dos anos 50 dão um novo curso à herança de Josef Cornell e de Schwitters — Louise Nevelson é uma referência decisiva, à margem de irreverências neodadaistas e «junk». A seguir, Sombras Projectadas…, em plexiglas recortado e pintado, de 1964, exemplifica um trabalho sobre contornos e silhuetas, onde a figura é definida pela presença ausente das sombras projectadas (como imagem/não-imagem).

René Bertholo, por seu turno, está representado, primeiro, por um quadro, L'Idéal, de 1966, que é um exemplo já tardio de uma pintura que vinha desenvolvendo a partir de 1962, onde concorriam figuras reconhecíveis e outras «abstractas» num processo de acumulação e espalhamento, com um sentido gráfico e narrativo próximo da banda desenhada. Essa direcção de trabalho de Bertholo teve acolhimento em 1964 numa exposição do Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, «Mythologies Quotidiennes», promovida por Gerald Gassiot-Talabot. A segunda peça é um objecto motorizado, Palmier, também de 1966, e corresponde a um período de abandono da pintura para dar volume e movimento a imagens que nelas tinham surgido. Os seus brinquedos mecânicos, «modelos reduzidos», que voltaram ao mesmo museu na colectiva «Distances», em 69, demarcavam-se radicalmente de um clima parisiense de acelerada politização da arte.

(...)