Duas notas no Facebook e dois casos comunicados por email à empresa Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
1. "ALGUÉM ESTÁ METER A UNHA NAS COMPRAS DO ESTADO (do Estado da Sandra).
A tal comissão que compra obras para a chamada Colecção do Estado adquiriu em 2025 três trabalhos de PANCHO GUEDES - Família vegetal, 1974 / A força do seu olhar, 1996 / Um navio aborigene, 2005 - que de modo algum representam adequadamente a sua produção de pintor. Raramente Pancho Guedes aceitou vender obras da sua autoria, mas estas peças estiveram há alguns anos presentes na exposição individual de uma galeria (vendeu-as ou estiveram em depósito?). Agora integraram as aquisições da Comissão segundo o relatório comunicado. Onde foram buscar estas obras?
Pancho Guedes [Lisboa, 1925 - Joanesburgo, África do Sul, 2015]
"Família vegetal", 1974 / "A força do seu olhar", 1996 / "Um navio aborigene", 2005
Guache sobre papel, 51 x 73 cm / Acrílico sobre tela, 50 x 40 cm /
Tinta-da-china sobre papel, 21 x 30 cm
Valor de aquisição: €41.032
É grave a compra de três obras insuficientemente representativas (a haver Colecção ela deve fazer escolhas seguras e garantir acesso ao melhor) e é grave o preço especulativo que se afirma ter pago. Para além da muito original obra de escultura em madeira, Pancho Guedes fez uma pintura importante pela relação com a sua arquitectura, pela intenção do comentário sócio-político e pela procura de um estilo "luso-africano" de matriz popular - nada disso está aqui presente. Foram e fomos enganados.
Entre as compras do relatório abundam obras irrelevantes e preços muito superiores aos do mercado. Tudo ou quase tudo é muito mal feito e as responsabilidades da empresa Museus e Monumentos de Portugal E.P.E. devem ser apuradas.
Se não é possível escrutinar a idoneidade da Comissão nem ajuizar da qualidade das obras (vale tudo depois da "Merda de Artista" do Manzoni e da banana do Cattelan), pelo menos é possível averiguar como se formaram preços muito superiores aos do mercado, ou seja, falseados e especulativos.
É também o caso da pintura de Maria José Aguiar, que é sem dúvida a melhor obra do conjunto de aquisições. Ou é mesmo a única obra importante adquirida. De uma pintora original e admirada que escolheu há anos uma situação de invisibilidade face ao panorama aviltante das artes actuais. Mas o preço é exagerado e inverosímil (algum intermediário meteu a unha. Se não a própria comissão)
Não sou o único a dizer que se trata de casos de polícia.
Maria José Aguiar (Barcelos, 1948)
Festas das cruzes, 1974
Óleo e acrílico sobre tela, 160 x 130 cm
Valor de aquisição: €40.000
Impõem-se averiguações, estamos certamente perante casos de polícia.
2. Uma incorrecta homenagem a JoÃo Abel Manta
Quem escreve estas prosas oficiais disparatadas? "UMA CRÍTICA À BURGUESIA E AO CONCEITO DE FAMÍLIA"...!!!
"Fiel a uma conceção de arte como intervenção cívica, a obra em análise apresenta uma crítica à burguesia e ao conceito de família, recorrendo à representação de uma fotografia de retrato doméstico segundo os estreitos cânones formais oitocentistas."
Como se podem pedir responsabilidades a um organismo do Ministério da Cultura, a empresa MMP? A um governo de centro-direita assim infestado por complexados e provocadores (anónimos?) em rédea solta, sob tutelas ignorantes e desacreditadas, que deixam correr.
Infiltram-se aqui afirmações inconsequentes e interpretações erradas ao sabor das modas, agora parasitadas por um esquerdismo infantil.
João Abel Manta foi um homem de família, dos pais que herdou à família que criou e com quem viveu.
Falar em "crítica à burguesia" é também um abuso, e poderia dizer-se o contrário. Esta burguesia que retrata e de que faz parte é antiga e sólida, assumida como tal, digna e orgulhosa, uma burguesia consciente e interventiva - e não se trata de forma alguma de uma caricatura.
O texto oficial no Facebook:
"A profícua obra de João Abel Manta, um dos artistas plásticos mais marcantes da contemporaneidade, é lembrada sobretudo pelo cartoon político e pelos trabalhos associados à Revolução dos Cravos.
Contudo, ultrapassa amplamente esse âmbito. Fiel a uma conceção de arte como intervenção cívica, a obra em análise apresenta uma crítica à burguesia e ao conceito de família, recorrendo à representação de uma fotografia de retrato doméstico segundo os estreitos cânones formais oitocentistas.
Século XX [1956]
João Abel Manta (1928)
Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Fotografia de José Pessoa
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica"



Resposta ao email: Muito obrigado pelo seu contacto e pela atenção demonstrada, a qual mereceu a devida consideração.
ResponderEliminarCom os melhores cumprimentos,
A equipa da Museus e Monumentos de Portugal