sábado, 31 de agosto de 2002

2002, Fernando de Azevedo (1923-2002)

 Memória do surrealismo

 

Fernando de Azevedo (1923-2002)

 


    Ocultação, 1950

 

Fernando de Azevedo, pintor, «designer» gráfico e crítico de arte, um dos fundadores, em 1947, do Grupo Surrealista de Lisboa, faleceu em Lisboa, na madrugada do dia 28, vítima de súbita doença cardíaca. Foi director gráfico da revista «Colóquio/Artes» e assistente da direcção e depois director do Serviço de Belas Artes da Fundação Gulbenkian, sendo desde 1979 presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes. 

Nascido em 1923 em Vila Nova de Gaia, formou-se na Escola de Artes Decorativas de António Arroio, em Lisboa, expondo pela primeira vez em 1943 <1942>, com Vespeira, Pedro Oom, José Gomes Pereira e Júlio Pomar, quando iniciava o curso de pintura da Escola de Belas-Artes.

Depois de ter acompanhado o início do movimento neo-realista, em 1945-46, colaborou na organização do movimento surrealista e, em 1949, na primeira (e única) exposição do Grupo de Lisboa. Em 1952, participou com Vespeira e Fernando Lemos na famosa exposição da Casa Jalco.

Na sua obra desses anos tem particular significado a prática da «ocultação», técnica iniciada em Portugal por Alexandre O'Neill que consiste no encobrimento parcial de imagens pré-existentes com tinta da China e guache, criando assim diferentes imagens e sentidos poéticos.

Também em 1947, Fernando Azevedo iniciou a sua actividade na área da publicidade, como «designer» gráfico, e na crítica de arte, nas revistas «Mundo Literário» e «Horizonte». Foi igualmente decorador, distinguido pela sua colaboração no Pavilhão de Portugal na Exposição Mundial de Bruxelas, em 1958, e realizou cenários para peças de teatro e de bailado, nomeadamente para o Ballet Gulbenkian. Em 1961 recebeu um 1º Prémio de pintura (ex-aequo) na Exposição Gulbenkian e em 1971 foi um dos artistas convidados a realizar novas pinturas para A Brasileira do Chiado. Nos últimos anos esteve presente com colagens em numerosas mostras colectivas, mantendo uma intensa actividade de montagem de exposições e de publicação de textos de apresentação de outros artistas plásticos.

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