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sábado, 9 de março de 2002

2002, MIGUEL ÂNGELO LUPI (1826-1883) no Museu do Chiado

“Verdade e convenção”

EXPRESSO/Cartaz de 9/3/2002  (Capa: «Retratos com vida»)

Museu do Chiado. 28 de Fevereiro até 26 de Maio, 2002

Retrospectiva de um académico do século XIX, entre o intimismo do retrato e a pintura de Salão

Graças a uma fortuita coincidência de programações, expõem-se em Lisboa as retrospectivas dos dois pintores que o catálogo do Museu do Chiado, de 1994, agrupou sob a designação de pré-naturalistas: Miguel Ângelo Lupi (1826-1883) e Alfredo Keil (1850-1907). Ambos foram figuras singulares no seu tempo respectivo, arredadas de intervenções programáticas e de grupo, e às suas obras se atribuíram lugares individualistas e de transição entre as caracterizações dominantes da segunda metade do século XIX, romantismo e naturalismo. Keil era, em grande medida, um desconhecido e a mostra do Palácio da Ajuda projecta numa nova dimensão o seu paisagismo topográfico e sensível que concorreu até final do século com a academização folclorizante dos naturalistas de escola.

Lupi, depois de ter sido hostilizado pela crítica naturalista (Ramalho Ortigão), foi consagrado ao longo da primeira metade do século XX como o melhor mestre académico de Oitocentos, em especial graças à admiração que lhe votava Columbano, seu discípulo e director do antigo Museu de Arte Contemporânea, onde ficou reunido o essencial da sua obra.
A actual revisão vem confirmar a qualidade da sua produção como retratista e também a incerteza das tentativas que fez noutras direcções, no quadro de uma prática de pintor desinteressado de outros programas estéticos que não fossem os da disciplina académica, histórica e intemporal.