quarta-feira, 4 de novembro de 2026

2026 Projecto Rogério




Fotografias de Rogério Pereira na Colecção do Centro de Arte Moderna - Fundação Gulbenkia
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PROJECTO ROGÉRIO: Lisboa, Maputo, Cape Town  


Rogério Pereira (1942, Lisboa - 1987, Setubal) não é um fotógrafo desconhecido: teve em 1981 uma exposição individual na Fundação Gulbenkian (“Momentos"), depois de regressar de Moçambique em 1979, e fizeram-lhe duas exposições de homenagem na Associação Moçambicana de Fotografia, em 1990, quando o seu espólio chegou a Maputo, e de novo em 2002, no programa do 1º PhotoFesta.


ROGÉRIO é um grande fotógrafo português (branco) activo na África do Sul, Suazilândia e Moçambique, entre 1966 e 1979, empenhado na informação e denúncia do apartheid e das desigualdades sociais, cuja originalidade não teve até agora o reconhecimento e a circulação internacional que merece. Passaram várias décadas desde as suas exposições. 


Uma equipa formada por Alexandre Pomar (autor do livro dedicado a José Cabral, “Moçambique”, ed. XYZ e Kulungwana, 2018), com o seu filho Uno Pereira, arquitecto e fotógrafo em Cape Town, e o fotógrafo e curador Filipe Branquinho, de Maputo e agora em Madrid, está a preparar a divulgação da obra de ROGÉRIO com a edição de um livro bilingue de ambição internacional e uma exposição que deverá ser itinerante em, pelo menos, Cape Town, Maputo e Lisboa. Diversos contactos com instituições estão em curso, designadamente com o Instituto Camões, bem como com possíveis entidades patrocinadoras naquelas cidades.


ROGÉRIO expôs e publicou repetidamente em Johannesburg, Cape Town e Durban, designadamente na revista "Drum", e foi muito influente no contexto da fotografia em Moçambique. Em Lourenço Marques, expôs pela primeira vez em 1973, com Ricardo Rangel e Basil Breakey, no Núcleo de Arte. Foi professor de fotografia no Centro de Estudos Culturais em Maputo e fotógrafo da Direcção Nacional de Cultura de Moçambique.


Foi um excelente impressor do seu trabalho e todo o seu espólio de provas de autor e de negativos está cuidadosamente conservado em Maputo pela família. ROGÉRIO identificou o seu trabalho com a Concerned Photography ou Fotografia Consciente, e criou uma linguagem autoral marcada pela acutilância visual, pelos grandes contrastes a preto e branco e pela experimentação da velocidade, das perspectivas oblíquas e do tratamento da imagem em sobreposições e desfocagens.


"A remarkable photographer who worked in Johannesburg in the sixties and seventies, then Mozambique and, until his death in 1987, Portugal, experimenting with extreme tonal contrasts, grain, double exposures and light effects, all in the documentary idiom."  - Michael Godby, "Arthrob" , nº 63, novembro 2002, Cape Town



 

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