segunda-feira, 10 de agosto de 2026

2026. Alice Neel e Isabel Bishop.

 Isabel Bishop e Alice Neel.

Fazem-se grandes retrospectivas de obras individuais (e individualizadas), mas não se sabe nem se mostra nada do que faziam outros (outras) artistas na mesma época, com afinidades e distâncias. Cultiva-se uma historia de bolhas e de génios, de fenómenos e de excepções mediatizáveis (de "descobertas"), sem terem rectaguardas nem companhias, sem raizes ou confrontos com os movimentos activos no início ou no curso da respectiva carreira. Sem catálogos editados a tempo (é o caso de Serralves) a falta de informação de contexto é mais abissal.

A.N. data não indicada / abaixo 1974



No caso de Alice Neel importaria saber que não era a única mulher pintora (outras eram mais conhecidas no seu tempo) e que o retrato era um género muito praticado - na tradição escolar, no realismo social e socialista (o culto das personalidades) até final dos anos 40 e depois... e regressa logo com a Pop e as figurações dos anos 60... Os retratos da Alice Neel são realmente diferentes dessa sequência.
Isabel Bishop (1902-1988), que não conhecia, é uma pintora de carreira paralela, e amiga, que ela retratou pelo menos duas vezes e foi homenageada por Jimmy Carter na mesma ocasião em 1979, com o first National Women’s Caucus award for outstanding achievement in the visual arts, a par de Louise Nevelson, Georgia O’Keeffe, essas bem conhecidas, e da escultora negra e retratista Selma Burke.
Aqui o primeiro retrato de Isabel Bishop foi pintado à maneira antiga da retratada como uma mulher moderna na cidade, e o outro é de 1974.
I.B. teve a 1ª retrospectiva no mesmo ano, 1974, no University of Arizona Museum of Art - a A.N. no Whitney de NY.
"An astute observer of urban life, Isabel Bishop was the only female member of the Fourteenth Street School, a group of realist painters who depicted New York during the Great Depression".
A.N. não fez parte de grupos, era uma comunista anárquica. À sólida formação académica de I.B., discípula de Reginald March e admiradora de Rubens confronta-se a deliberada fuga à orientaçao escolar de A.N., que faz desde o início uma pintura "primitiva", crua ou mesmo falsamente naif, dramaticamente expressionista e também caricatural, sarcática por vezes.









De Isabel Bishop: 1. mulher ; 2. "Two Women Among Men"; 3. "Encounter", 1940; 4. “Blowing smoke rings" 1938; 5. "Tidying Up", 1941. 6. Auto-retrato 1928


Selma Burke

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