quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ângela Ferreira, com uso indevido de Jorge Dias e Margot Dias

A amálgama realizada por Ângela Ferreira ao juntar imagens documentais filmadas por  Margot Dias e as montagens saudosistas do vídeo "Moçambique - Do outro lado do tempo" (de Luiz Beja - Prod. Beja Filmes, Massamá), projectadas sem identificação reconhecível, vem agravar a repugnância crescente que me tem provocado a actuação tida por artística da referida srª. 
 Parece-me do domínio do abuso de confiança, do desvio delinquente, do confusionismo ideológico primário a coberto do "pensamento pós-colonial". Não estando editados os filmes de Margot Dias, tratou-se de uma utilização autorizada? E por quem? A "obra" de A. F. tem por objecto ou ambição  denunciar o colonialismo de Jorge e Margot Dias e também a cumplicidade entre o Museu Nacional de Etnologia e o antigo Ministério do Ultramar - tudo com base na indigência analítica, na preguiça metodológica e na debilidade formal das fotos que mandou fazer, bem como da construção apresentada como escultura. 


Tratar-se-ia, diz a apresentação no catálogo, de uma "visão perspicaz da vida e da obra dos antropólogos" Jorge Dias e Margot Dias..., sobre "a agenda política escondida por trás das investigações do casal Dias e das suas alianças com o regime salazarista"..., que "faculta ao público a possibilidade de ler nas entrelinhas". É grave o equívoco em que induz os incautos.



"escultura" - apropriação arquitectónica do antigo Ministério do Ultramar, hoje Ministério da Defesa


Ora nem se trata do resultado inédito de alguma investigação original, ou do uso de informação desconhecida, nem as afirmações que constituem a denúncia de uma "agenda escondida" são legítimas e correctas.

Há mais alguém (da área da Antropologia, por exemplo) que se incomode?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Moira Forjaz, Muipiti e outras datas

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O artista espontâneo

O Rui Poças chamou fotógrafo espontâneo ao António Saramago, que expõe na Pickpocket (até 24 de Abril). A fórmula ou classificação parece-me rara, ou não me lembrava de a encontrar.

Depois encontrei artista espontâneo num escrito de Fernando Pessoa referente a Alberto Caeiro:

"Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de “maneira”, não de ser, mas de “dever ser”."
Fernando Pessoa, carta a Adolfo Rocha (Miguel Torga), Junho de 1930

terça-feira, 14 de abril de 2015

O Solar dos Jorges




O SOLAR DOS JORGES

Enquanto houver um espaço livre, Jorge Soares irá acrescentar sempre novas figuras às paredes e muros exteriores da vivenda que comprou em 1972 como casa de férias, perto de Lisboa, onde nasceu - situada a pouca distância da Praia Azul (Boavista, Silveira, Torres Vedras). Chamou-lhe Solar dos Jorges, incluindo os nomes dos dois filhos. Depois de reformado e viuvo, já no início do século, passou a dedicar todo o tempo às decorações murais em fragmentos de azulejo, pedras roladas e outros materiais encontrados, bem como às esculturas e instalações com objectos heteróclitos que foi antes acumulando e que continua a recolher para lhes dar novos usos. 

Transformou todas as fachadas da vivenda original e deu uma nova pele às paredes da casa e aos muros junto à estrada, inventou monumentos no jardim (mais um barco, um poço, uma ponte), criou um labirinto de ruas e recantos, baptizou-os com os nomes dos familiares mais próximos, ergueu uma torre e hasteou uma bandeira, gravou versos em pedra, instalou colecções e abriu um museu privado. Todas as superfícies são invadidas por uma decoração proliferante, ordenada em painéis figurativos ou caoticamente distribuida, criada com uma grande diversidade de materiais, técnicas e inspirações, sempre com materiais reciclados e meios de trabalho rudimentares. É a construção de um universo pessoal, um puzzle enciclopédico, muitas vezes paródico, obra de um mestre do azulejo recortado que é antes de tudo um humorista.

sábado, 11 de abril de 2015

Estreia do filme O SOLAR DOS JORGES, a 17 de Abril, que continuará em exibição diária, acompanhado por uma exposição fotográfica documental.