sábado, 17 de novembro de 2018

ETHER 2. 1987: Visita Presidencial às Colónias (1938/39)


"Imagens fugazes -  A visita presidencial às colónias 1938/39"
exp. na gal. Ether, 21 de Março - Abril

catálogo-cartaz (subsidiado pela Fundação C. Gulbenkian)

ETHER 3: Uma pequeníssima história de António Sena e algumas objecções

LAPIZ, Ano VIII Número 70 Verano de 1990
Nº especial sobre Portugal, pps 66-71
ANTÓNIO SENA
"Pequeñísima historia de la fotografía en Portugal"

uma cronologia, um ponto da situação, uma história em construção. 
E algumas objecções ou pistas a explorar

Parafraseando o inicio do artigo de António Sena, podemos dizer que somos hoje mais ignorantes sobre a fotografia do que os seus leitores de 1990

"A obra de Benoliel pode entender-se como uma síntese de Atget. Paul Martin e Salomon"

Marques da Costa é também o autor principal do álbum "Exposição-Feira de Angola 1938", editado em Luanda, que ficou por muito tempo desconhecido

ETHER 4. 1992 "Olhos nos olhos" (Olho por Olho)

sobre a exposição Olho por Olho - Uma História de Fotografia em Portugal 1839-1992. 

1992, Maio/Agosto


artigo de JORGE CALADO
publicado no EXPRESSO/Revista de 18 Julho 1992
pps 56-57-58-59

(Publicada a primeira história da fotografia portuguesa, António Sena mostra na Ether a primeira retrospectiva. Retoma-se parte do panorama que foi levado à Europália e assinalam-se os dez anos de actividade de uma associação a quem se deve um trabalho seriíssimo de estudo e divulgação da fotografia)
 Cunha Moraes, "Banana, Margens do Rio Zaire", c. 1878; Costa Martins / Victor Palla, foto de "Lisboa 'Cidade Triste e Alegre'", 1956-59


FOI PRECISO esperar mais de 150 anos para se começar a perceber o que foi, tem sido, é a fotografia em Portugal.  Neste processo de estudo, inventariação, pesquisa e apresentação fomos os últimos. Como escreveu um investigador inglês, «early photography in Portugal is probably the worst documented of any country with the exception of some of the more obscure areas of Africa» (a fotografia antiga em Portugal é provavelmente a pior documentada de qualquer país, à excepção da das regiões mais obscuras da África). Para citar apenas os exemplos mais próximos, pode constatar-se que a fotografia brasileira está bem estudada; a de Espanha nem é bom falar - deixa-nos a perder de vista. 
A fotografia portuguesa é toda a fotografia feita em Portugal mais a produzida por portugueses no estrangeiro. Não há especificidades estéticas que a distingam das suas congéneres europeias ou americanas. Quer queiram quer não, a fotografia é uma arte para «estrangeirados», pois, como bem notou Gérard CastelIo Lopes, os nossos fotógrafos «só se servem de um ingrediente nacional: a água» - tudo o resto é importado. Em Portugal, os fotógrafos corriam atrás do espírito dos tempos e reviam-se nos exemplos que vinham de fora. Como acontecia no resto do panorama artístico, o atraso era de rigor e os modelos seguidos nem sempre os melhores. Mas bem ou mal, o «corpus» fotográfico português é o nosso retrato; o retrato das nossas paisagens e costumes, dos nossos monumentos e das nossas histórias, que a vida é a mesma em qualquer parte do mundo - nasce-se, cresce-se, ama-se e morre-se. A pátria é um acidente geográfico, tal como a família é um acidente biológico. Mas, já que nascemos e/ou vivemos aqui, temos o dever de preservar e estudar a nossa herança cultural, e a fotografia é uma parte integrante desta, talvez a mais importante porque é, simultaneamente, cultura e reflexão e registo das outras culturas. 

ETHER 5. Olho por Olho: fotos de 1850 a 1991

edição original editada em fotocópia com 131 exemplares
20,4 x 14,5 cm
cópia anotada do exemplar 000038, oferta do autor.
128 reproduções
De J. Silveira (nº 1) a Augusto Alves da Silva (nº 128)



ETHER 6. 1992: "Olho por Olho" Parte II


No catálogo da exposição Olho por Olho, Ether 1992, propõe-se uma história da fotografia em Portugal e celebra-se a história da sua última década, isto é, comemoram-se os dez anos da Ether. A bibliografia alarga-se das exposições que tiveram lugar na galeria a diversas outras publicações em que António Sena e a associação intervieram.

ETHER 7. 1992 Olho por Olho (Parte I)



ETHER 8. A colecção escondida de António Sena


(30/12/2013)
Há meses, na inauguração da exposição das fotografias (mal) atribuídas a Sena da Silva, na Cordoria Nacional, um amigo trouxe-me uma informação surpreendente: a colecção de fotografias (e certamente também de livros e revistas) de António Sena (o autor da única história da fotografia - ou da imagem fotográfica - em Portugal, Porto Editora 1998) iria ser instalada em Cáceres. Não havia pormenores sobre o local ou a instituição que a acolheria, por doação, depósito ou venda. Ficaria certamente acessível, e melhor tratada na Estremadura espanhola que em qualquer instituição portuguesa. Era uma boa notícia.

Hoje, outro amigo tinha outra notícia, que transmitiu com idêntica convicção e falta de pormenores. Agora, a colecção (em vez de destinada a Cáceres) iria para uma ilha do Pacífico, que depois precisou que seria próxima de Timor, um ilhéu deserto. Não parecia sensível ao absurdo da história. Os meus dois amigos, diga-se, são pessoas com credibilidade, bem integradas nos meios culturais, que conviveram com A. Sena.

Somadas as informações, parece admissível que seja o próprio António Sena (o Toé que foi o animador da galeria Ether - ver saisdeprata-e-pixels.blogspot.pt/2008) a pôr a circular os boatos sobre a sorte da colecção, a qual não deve ser entendida apenas como seu património particular mas sim como um acervo único e decisivo, insubstituível, sobre a história da fotografia em Portugal: um país em que abundam negativos à mercê de quaisquer aventureiros, e falta o que é essencial, as provas de autor e de época, e também as publicações e catálogos de referência, ausentes nas bibliotecas.

duas páginas do catálogo "Olho por olho", Ether, 1992