sábado, 3 de fevereiro de 2007

2007, Jorge Calado, INGenuidades, Gulbenkian

 

“INGenuidades”, Fotografia e Engenharia

"Com arte e engenho "

Fundação Gulbenkian, (prolongada até 6 de Maio)


ThomasWeinberger, "Cracker", Refinaria Esso, 2003

EXPRESSO-Actual de 03-02-2007

«Fotografia e Engenharia», as forças da natureza, as obras-primas da humanidade e o estado do planeta numa exposição enciclopédica a inaugurar dia 8 de Fevereiro-   

Começa-se pelo princípio, pela separação da água e da terra (vista aérea da costa ocidental da Austrália, do grande paisagista Richard Woldendorp) e do dia e da noite (um pôr-do-sol de Ansel Adams, numa rara prova de exposição de grande formato, isolado à entrada da exposição). Segue-se assim o esforço de entendimento das coisas do mundo que parte do acto de as distinguir e que as palavras do Génesis já transmitiam. É um preâmbulo que logo nos fala da beleza do planeta e dos seus perigos, os cataclismos que o fizeram e reconstroem, sempre numa dialéctica de construção-destruição. E também comparecem, a propósito da aparição dos animais, as grandes ameaças que são as variações climáticas e as acções humanas (uma tempestade australiana olhada pelo lagarto barbudo da fotografia de Nick Moir e os dodós da ilha Maurícia ressuscitados neste século por Harri Kallio, um jovem artista finlandês presente com fotografias e esculturas).

A exposição é um panorama de todas as engenharias, das mais antigas – a
militar e a civil – às mais novas – a biotecnologia e a informática -,
mais a chamada engenharia social, com um programa científico que a
justifica como iniciativa do Serviço de Ciência da Fundação Gulbenkian,
no âmbito das comemorações do 50.º aniversário. E é «uma exposição
universal de fotografia» a pretexto da engenharia, feita por Jorge
Calado com 340 imagens de 160 autores, dos primórdios à actualidade e
das mais diversas origens e colecções internacionais, que é uma proeza
reunir em Lisboa.

«INGenuidades», o título, parte de jogos de palavras com a história e o
inglês, entre génio, ingénuo, engenho, etc. As relações da técnica e da
estética (que podem ser sinónimos, ensina o comissário), tanto nos
domínios da ciência como nos da fotografia, são um dos tópicos do
projecto – aliás, as construções da engenharia civil continuam a
chamar-se obras de arte. É «uma homenagem à liberdade e génio criativo
dos cientistas, técnicos e engenheiros» e também «um comentário sobre o
estado do nosso planeta» em tempo de alarmes ecológicos. Em síntese, um
projecto de rara dimensão em qualquer parte do mundo, que inaugura no
dia 8 na galeria principal da Gulbenkian, fica até 29 de Abril e vai em
Outubro para o Palácio de Belas-Artes de Bruxelas, por ocasião da
presidência portuguesa da União Europeia.

Terá, com atraso de alguns
dias, um catálogo de 620 páginas (impresso na Guide) e uma rede de
monitores para consulta de mais informação e exploração de itinerários
alternativos.
Neste projecto de fôlego enciclopédico distingue-se uma aproximação à
fotografia que, ao lado dos ícones famosos e dos artistas reconhecidos,
descobre e celebra muitas imagens de carácter técnico, documental,
jornalístico… e às vezes de autores anónimos, com as quais se devem
questionar as fronteiras da arte, para lá da respectiva ambição, de que
o inferno está cheio.

Têm abundado por cá contemplações autistas da
identidade do médium e da figura do autor e falta conhecer os grandes
projectos com que a fotografia actual se continua a enfrentar com o
mundo – por exemplo, na vasta obra intercontinental do canadiano Edward
Burtynsky sobre a paisagem transformada (e degradada) pelo homem, que
se expôs no último PhotoEspaña.
Muitos dos pioneiros e clássicos dos séculos XIX e XX surgem ao lado
dos autores mais recentes, com circulação como artistas (Hiroshi
Sugimoto, com Forma Mecânica, 2004, na secção Máquinas e Ferramentas)
ou premiados como fotojornalistas (Dean Sewell – o World Press Photo
distinguiu as imagens do tsunami em Aceh e foi também testemunha da
guerra em Timor).

Albuminas dos primórdios convivem sem atritos com
enormes edições digitais. O itinerário onde os fotógrafos comparecem
não é cronológico nem autoral, e os mais representados (Dean Sewell,
David Stephenson, Edward Cranstone, australianos, Kees Sherer, um
discreto holandês dos anos 50) vão surgindo em diferentes tópicos – é
preciso exercitar a atenção e voltar várias vezes, apesar de a
exposição ter bilhetes pagos (pelo menos a ciência devia ser
gratuita!). Não se trata de um «puzzle», mas de um percurso bem
arrumado, embora sempre inesperado, onde se conta uma história.

O primeiro capítulo é dedicado às «Forças da Natureza» e aí se apresenta
logo a ideia dos quatro elementos, vinda já dos gregos e hindus, que
vai estruturar toda a exposição. Começando pelo Fogo, comparecem os
vulcões (a erupção do Vesúvio em 1872 e as descobertas arqueológicas
dessa década; paisagens americanas alteradas pelo homem de Frank
Gohlke, um dos artistas das «Novas Topografias» de 1975) e depois os
incêndios às portas de Sydney e Camberra (Nick Moir e D. Sewell), ou na
Beira, Portugal, por Edgar Martins (da série «O Presente Diminuído»,
2005).

A seguir, a Terra e a grande «vista de águia» das ruínas de São
Francisco após o terramoto de 1906, tirada de um engenhoso papagaio com
câmara comandada por sinal de telefone pela Geo. R. Lawrence Company. E
Carlos Miguel Fernandes, na separação das placas tectónicas eurasiática
e americana, na Islândia, em 2006, além das minas de cobre da Tasmânia
de David Stephenson (de quem se mostra também a série das cúpulas de
templos).

Abreviando, continua-se com a Água e o Ar, passando ao
capítulo «As Grandes Maravilhas» para percorrer construções em
cinco-seis continentes, das pirâmides do Egipto e do México até à ópera
de Sydney, vista como corpo em construção por Max Dupain e pelo «olho
de peixe» de John Gollings – a homenagem ao arquitecto dinamarquês Jorn
Utzon inclui um desenho e uma maqueta.
É então que se entra em pleno nas engenharias, seguindo sempre a pista
dos quatro elementos.

Terra: Máquinas e Ferramentas (Jeff Carter e o latoeiro que trabalhou 30 anos nas estradas da Nova Gales do Sul, 1955), Engenharia Civil (o jovem francês Mathieu Pernot com os postais
de arquitecturas modernas, as implosões e as «testemunhas»), Mecânica e
de Minas. Água: Hidráulica, Naval (o «Great Eastern», o maior barco do
século XIX, construído pelo grande engenheiro I. K. Brunel e
fotografado para o «Times» por Robert Howlett, os desmanteladores de
navios no Bangladesh, de Burtynsky e Gudzowaty, e a barbatana de
Tubarão II por Robert Cumming).

A seguir, um novo «Regresso à Terra» e «O Corpo Prolongado» (a série de Matthew Pillsbury iluminada só pelos ecrãs dos computadores), Biotecnologia, Engenharia Social (M. Pernot e
Sewell, ciganos e aborígenes, e um tríptico de Paulo Nozolino). Fogo:
Engenharia Metalúrgica, Química, Nuclear. Ar: Pontes, o vento,
Engenharia Eléctrica, Aeronáutica, o Espaço.
Além das fotografias da América, sempre decisiva, estão em destaque os
fotógrafos da Austrália, continuando as descobertas de outra grande
exposição de Jorge Calado, «À Prova de Água», no contexto da Expo-98.
E, além dos três portugueses já citados, a lista alarga-se a José M.
Rodrigues (um inédito cromeleque dos Almendres, visto do alto de uma
escada magirus), Luís Pavão (Auto-Europa, 1998), António Júlio Duarte
(investigação e trabalho fabril), Luísa Ferreira (laboratórios
científicos, de um projecto à espera de ser mostrado), um campo de
futebol em Alhandra, de Paulo Catrica. E os antigos Paulo Guedes, para
mostrar o aqueduto de Lisboa ao lado da muralha da China, mais Emílio
Biel e os Caminho-de-Ferro do Douro.


Parte 2: No curso da história

EXPRESSO/Actual de 03-02-2007

– (Momentos e nomes grandes da história da fotografia a pretexto das engenharias e vários jovens artistas para descobrir)-

A fotografia é a última grande invenção da primeira Revolução Industrial. Divulgada em 1839, invade rapidamente todos os campos da actividade humana, documenta as grandes explorações e construções do século XIX e acompanha a dinâmica da diversificação e especialização das engenharias. No enorme cruzamento de temas desta exposição não cabem todas as vertentes da sua história, mas estão presentes várias direcções ou movimentos marcantes e muitos nomes de primeira linha.

Exibem-se provas de excepcional importância, como A Nave da Catedral de
Wells, de Roger Fenton (c. 1860), o Pôr-do-Sol no oceano Pacífico, de
Ansel Adams, com 1,70 metros de altura (c. 1953), o topo do Empire
State em construção, de Lewis Hine (1931), também numa raríssima prova
de exposição de grande formato, e mesmo ao lado outra prova «vintage»
do famoso The Maypole, de Edward Steichen (1932), com múltiplas
exposições. Ou a também célebre curiosidade fotográfica de George
Barker, Niagara no Verão, Visto de Baixo (c. 1888), de composição
ficcionada com vários negativos (o rochedo à esquerda é acrescentado).

Noutros casos trata-se de situar alguns momentos que ampliaram a
possibilidade de ver, com O Primeiro Raio-X Humano, do professor
Wilhelm Röntgen, 1896 (a mão enluvada da mulher e moeda numa caixa),
Adam Clark Vroman, o primeiro que conseguiu fotografar bem as nuvens
(Nuvens Perto da Enchanted Mesa, 1899), as já referidas proezas aéreas
de George R. Lawrence (1906) e uma das primeiras fotografias
radiotransmitidas, de René Barthélemy, o cianotipo Aeroplano Levantando
Voo Dum Barco, 1930.

É possível percorrer a história da fotografia e encontrar os amadores
que usaram o novo meio para fixar imagens artísticas de sítios e
monumentos, como os ingleses Fenton e Charles Clifford, este na Corte
espanhola de Isabel II, antes de se vulgarizarem os estúdios e a
produção do exotismo. Dos pioneiros das vistas topográficas que partem
para lugares distantes e instalam as primeiras empresas estão presentes
Felice e Antonio Beato, Francis Frith, Carleton Watkins, Giacomo Brogi.

Entrado o século XX, aparece o primeiro Stieglitz simbolista, chamando
A Mão do Homem, 1902-1911, à aproximação fumarenta do comboio, e Lewis
Hine a denunciar a exploração infantil em 1908. Edward Weston
instala-se no México (Pirâmide do Sol, 1923), onde influencia Alvarez
Bravo (Instrumental, 1931), enquanto o peruano Martín Chambi, indígena
quechua, fotografava Macchu Picchu (c. 1930). Deste lado do Atlântico,
Rodchenko alia vanguarda e propaganda nos anos 20, seguido pelos heróis
do realismo estalinista de Arkadi Shaikheit e Max Alpert, que mostra a
construção dos canais de Estaline (Fergana, 1939). Margareth
Bourke-White fotografa em Moscovo, 1930?, e faz a capa do n.º 1 da
«Life», em 1936 – veja-se outra foto da revista, de Nina Leen, 1947,
sobre o trabalho da dona de casa. Em 1956, Dan Weiner regista o Boicote
dos Autocarros, Alabama, no exacto início dos motins raciais.
E o percurso segue até hoje, com os mais jovens Harri Kallio e Mathieu
Pernot, com uma alegoria do índio norte-americano Victor Masayesva Jr
ou as extraordinárias imagens de Thomas Weinberger, que sobrepõem
digitalmente o dia e a noite. A história continua

Parte 3: "O estado do Planeta"

-(Uma viagem pelas vias da criação-destruição-renascimento que põe a tónica na ideia de reciclagem)-

«Mais do que uma exposição sobre engenharia, ‘INGenuidades’ é um
comentário sobre o estado do nosso planeta, transformado e mal gerido
pelos humanos», escreveu Jorge Calado. A sua perspectiva quanto à
relação do homem com o ambiente não parece ser, no entanto, a de uma
caminhada interminável para o abismo – e, aliás, o tema último da
conquista do Espaço pode entender-se como um final optimista (ou um
começo promissor, iniciando a visita em sentido inverso), num
itinerário que tem por objectivo didacticamente assumido mostrar o
progresso técnico da humanidade.

A degradação da paisagem e os desastres causados pelas transformações
climáticas (naturais e cíclicas ou provocadas pelo aquecimento global)
atravessam a mostra e devem ler-se como sérias ameaças a que o presente
tem de dar resposta. Mas o seu sentido não é ingénuo. De facto, a
dialéctica da construção-destruição que está presente nas imagens de
toda a exposição prolonga-se numa síntese que é expressa pela ideia de
reciclagem. Esta é um dos grandes desafios do século, explica o
comissário, definindo «INGenuidades» como «uma viagem pelas vias da
criação-destruição-renascimento».
As «Grandes Maravilhas» do engenho humano e da engenharia, reunidas no
início, não são um capítulo encerrado do passado.
A fotografia feita na Austrália tem uma posição destacada na exposição
e, não por acaso, é também neste país-continente que se têm sentido com
maior violência algumas das mais preocupantes alterações do clima. A
uma situação de seca muito pronunciada seguem-se incêndios de extrema
violência, que em 2003 atingiram Camberra, a capital federal,
fotografados por Nick Moir e Dean Sewell. São do segundo, no capítulo
Fogo, um canguru reduzido a estátua em terra queimada e, já perto do
final, na secção Electricidade, a árvore que espirra faúlhas e brasas
incandescentes em primeiro plano, enquanto ao longe os automobilistas
procuram fugir da cidade.
Sempre no capítulo das «Forças da Natureza», David Stephenson fotografa
as cicatrizes deixadas pelas minas de cobre do monte Lyell, Tasmânia,
2005 (Terra) – adiante, Edward Burtynsky mostra as minas do Utah nos
seus exactos grandes formatos. Robert Polidori faz o levantamento das
devastações do Katrina em Nova Orleães (Água) e volta depois com uma
impressionante Escola: Sala de Aula de Teoria Musical, Pripyat, 2001,
visitada sob pesadas condições de segurança 15 anos depois. Nick Moir
explora os céus onde se formam as tempestades e furacões (Ar).
No final da exposição, junto aos trabalhadores fotografados por
Wolfgang Sievers, está um tríptico do islandês Hrafnkell Sigurdsson,
Conversão Dois, 2006, que se abre numa imensa paisagem azul ou fecha
sob camadas de lixo. Fica o recado final de que é preciso fazer um
esforço.


Foi primeiro a água em todos os seus estados e circunstâncias, em À Prova de Água ( Waterproof ), no CCB, com o gigantismo que permitia o ano da Expo’98. A edição Stemmle, 568 páginas, 380 nºs, é um imenso roteiro pelos caminhos da fotografia, dos primórdios à actualidade absoluta dos vários inéditos. Foi o primeiro grande contacto com a fotografia da Austrália (em destaque entre as várias origens), uma ruptura com o modelo rígido das montagens, um caminho para atravessar todas as fronteiras, de tempos, géneros, notoriedades, etc.
Em 2003, passou-se da água à terra com Pedras e Rochas ( Rocks and Stones ), em Évora, graças à abertura do Fórum da Fundação Eugénio Almeida, e depois em Lisboa, no Arquivo Fotográfico Municipal, que deu lugar à edição (corrigida) de Pedras & Rochas em fotografia ( Rocks & Stones in photography ), IST Press – 168 págs. impressas na Guide, 80 nºs.

O terceiro projecto enciclopédico é INGenuidades, Engenharia e
Fotografia 1846-2006
, apresentado na Gulbenkian nas condições difíceis
mas excepcionais do meio centenário, com itinerância prevista para o
Palais des Beaux Arts de Bruxelas, o Bozar, 5 Julho-9 Setembro,
correspondendo à capitalidade portuguesa (haverá catálogo em inglês). O catálogo cresceu até às 620
págs e a Guide voltou a imprimir com a qualidade máxima (para já, só
conheço uma edição antecipada, apenas com as imagens).
Mas, para além do
livro, também as condições físicas da exposição são excepcionais – o itinerário temático sempre surpreendente (a precisar de diferentes visitas); a presença do som, como uma soma global e diversas fontes particulares localizados; a montagem imaginativa e fluida das imagens, que cruza todas as origens, géneros, datas, formatos, processos, para propor leituras plurais.

A fotografia está na moda, mas é o gosto dos novos ricos que predomina. Para além ou a par do que é propriamente uma abordagem da engenharia e da ciência (do mundo em geral, e do estado do planeta em particular), a exposição abre outros caminhos de acesso à fotografia, à sua cultura, história e caminhos actuais de criação. Há vários novos fotógrafos por cá desconhecidos que aí se apresentam.


Ingen#330. NICK MOIR
Lagarto – Um dragão barbudo é testemunha duma enorme tempestade no sul da Austrália, 2005

A exposição INGenuidades, Fotografia e Engenharia, na Gulbenkian foi prolongada até 6 de Maio e o catálogo, após muitas vicissitudes, já foi finalmente posto à venda: são só 1000 exemplares de 620 págs, a 45 Euros. Com uma impressão de 1ª qualidade da Guide e um desenho gráfico excelente de Inês Sena. Tudo (imagens, texto, exposição e edição) de um nível  excepcional, apenas possível nas condições excepcionais do aniversário da casa.

Editado a 17 de Abril. (Ver textos publicados a 2 Fevereiro)

sábado, 13 de janeiro de 2007

2007, Calder em Évora sobre Papel

 

EXPRESSO/Actual de 13-01-07

"Sinais de vida"
A obra paralela de Calder, sobre papel, mostrada em Évora

F1a262

Calder, sem título, 1966, guache sobre papel, 75 x 108 cm

Calder tem um lugar de grande destaque na história da escultura do
século XX, no caminho que a afasta decididamente da estatuária e, em
paralelo, confere novas condições de viabilidade ao monumento,
separando-o das tradicionais funções representativas ou de celebração
(que funções lhe restam não é uma questão fácil). Com a invenção do
«mobile», no início dos anos 30, retirou o peso e a imobilidade à
escultura, ao criar formas em movimento, suspensas e instáveis, que
desenham no ar arabescos imprevisíveis. Marcel Duchamp, brilhante
observador dos artistas seus contemporâneos no catálogo da «Société
Anonyme», apontava em 1949 a arte de Calder como «a sublimação de uma
árvore ao vento» e «pura alegria de viver» (joie de vivre). Sartre já
escrevera em 1946 que os «mobiles» eram simultaneamente «invenções
líricas, combinações técnicas, quase matemáticas, e o símbolo sensível
da Natureza».

Uma mostra sintética da obra do escultor norte-americano (1898-1976), que chegara em 1926 a Paris e manteve sempre uma dupla presença em França, foi apresentada em Lisboa, em 1998, nos bons tempos do Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva. Agora é parte de uma colecção particular não identificada, com desenhos, guaches e duas tapeçarias, que se mostra em Évora. Sem a aura da invenção ou a importância histórica da escultura, as obras em papel têm a mesma natureza brincada, ao mesmo tempo lúdica e onírica, de toda a sua produção, que não por acaso se iniciou com a criação (e a actuação, ou «performance») de um circo de pequenas figuras de arame.

Os desenhos, datados de 1925, são, por sinal, estudos de observação de animais de circo e ilustrações, com cães que urinam, do poema humorístico «The P-culiar Dog», de Elmer E. Scott. Calder trabalhava então como engenheiro de obras públicas e fazia os primeiros ensaios artísticos.

Passa-se logo a seguir aos anos 60-70, quando o seu particular «regresso à pintura» é uma prática diária paralela à satisfação de encomendas de esculturas, em geral para espaços públicos e de grande formato, que constituía então o essencial da actividade do artista. Os guaches são uma produção gráfica muito livre e como que despreocupada – em vez do sublime que povoa e infecta as análises do modernismo, Calder propõe o humor e a liberdade da sua poesia das formas, que parece ao alcance de qualquer mão, sem fronteiras entre abstracção e figuração (a espiral e a estrela, por exemplo). Juntam-se duas tapeçarias que utilizam não o entrançado de lã mas a corda de sisal. A última, já de 1975, retoma o tema do circo, e o desenho linear reproduzido com a corda é muito semelhante ao uso do arame nas primeiras obras de Calder.

Alexander Calder
«A Forma e o Sonho»   
Fundação Eugénio de Almeida, Évora (até 1 de Abril)

2007, Frei Carlos no MNAA, "Devoção portátil"

 

EXPRESSO/Actual de 13-01-07

"Devoção portátil"

A propósito de uma pequena pintura de Frei Carlos

F1a261

«Ecce Homo», de Frei Carlos (pormenor)

A apresentação pública de uma obra recentemente adquirida de Frei Carlos, que não se encontrava referenciada, um Ecce Homo, ou Senhor da Cana Verde, de pequeno formato (39,5 x 31 cm), serve de pretexto ou oportunidade para uma exposição também de pequena escala mas de proveitosa concepção. O autor, as condições e características da sua actividade, a escala privada e portátil de parte da sua obra, os modelos de imagens devocionais em uso entre os séculos XV e XVI, e outros temas próximos organizam-se numa digressão que ilumina a singularidade da peça em causa e a inclui no seu contexto histórico e cultural. Sem catálogo (apenas um desdobrável), a mostra comissariada por José Alberto Seabra Carvalho é muito bem servida pelos textos informativos das tabelas.

No início apresenta-se «o pintor no convento», o mestre flamengo que professa em 1517 no mosteiro de Évora, dito do Espinheiro, onde estabelece uma oficina essencialmente dedicada à produção para a Ordem de São Jerónimo. Documentação fotográfica dá a conhecer os estudos que permitiram a atribuição de autoria, pela comparação do desenho preparatório subjacente nesta obra oriunda da colecção de Jorge O’Neill (1849-1925) e noutros trabalhos conhecidos de Frei Carlos.

Depois, outras pequenas pinturas, «Imagens de Piedade e Devoção», em especial três Virgens e o Menino e um São Jerónimo no Deserto, alargam a apresentação do pintor luso-flamengo, focando a sua singular produção de painéis vocacionados para a veneração individual. Outro subtema do itinerário mostra que idêntico uso privado das imagens religiosas se cumpria com os livros de horas e gravuras.

«Fórmulas e Variações da Imagem Devocional», a seguir, reúne um alargado conjunto de peças de diversa autoria, transferidas do percurso expositivo do Museu ou saídas das reservas, mas também de outras proveniências públicas e particulares, sendo estas às vezes inéditas em exposições. Aí figura o pequeno painel de Memling a abrir o núcleo mariano, com destaque posterior para uma tábua atribuída à oficina ou círculo de Jan Gossaert, dito Mabuse, que se diz ser muito próxima de versão existente no Metropolitan e onde se poderá reconhecer um duplo retrato privado de mãe e filho (col. particular), e também para a muito pequena pintura circular atribuída a Adriaen Isenbrandt, do Museu Machado de Castro. A parede fronteira alinha temas cristológicos, com a «santa face» e o Calvário.

O final é inesperado e assumidamente alheio à lógica da exposição, mas tem o mesmo sentido de oportunidade. Deixando as escalas próprias dos oratórios privados, apresenta-se a bem conhecida pintura de Gregório Lopes, de dimensão retabular, Virgem com o Menino e Anjos («Nossa Senhora do Paraíso», de Tomar), porque também foi recentemente restaurada.

«Frei Carlos e o Belo Portátil»
Museu Nacional de Arte Antiga (até 4 de Fevereiro)   

sábado, 6 de janeiro de 2007

2007, Jorge Molder em Madrid e Coimbra

 

Jorge Molder Madrid 2007

Autor e actor
Duas perspectivas paralelas da obra de Jorge Molder

EXPRESSO/Actual de 06-01-07

 

F1a171_2

 

Pormenor da instalação «Algum Tempo Antes», em Madrid

Em Madrid, o jogo de Molder com a auto-representação, o uso da sua própria imagem-máscara oferecida à interrogação de ser ou não ser auto-retrato, sempre organizada em sequências que põem a questão de um sentido narrativo específico (um episódio, uma acção, um título), é prolongado até novo limite: uma réplica do corpo do artista ocupa o lugar central da galeria. Segura um catálogo com uma fotografia sua (as mãos que guardam a luz, da série «The Portuguese Dutchman», 1990) e está parcialmente voltado para uma parede onde se vê um rectângulo negro (janela ou espelho obliterados, papel de impressão queimado pela luz).

Esta outra presença, em versão corporal imóvel, conduz a habitual reflexão sobre identidade e duplicidade (disfarce, ilusão, enigma, ficção, etc.) para outro patamar de intencionalidade, que se pode entender como mais dramático e talvez mais irónico. O autor-actor atribui-se aqui a condição de espectador da sua própria obra e deixa certamente sugerida ou implícita a identificação com a figura do comissário ou director de um centro de arte - sabendo-se que essa é a sua actividade paralela, à frente do CAM. Numa entrevista do catálogo, Molder refere-se a essa problemática identidade dupla: «O facto de dirigir um centro de arte inibe uma ampla série de contactos e trocas, por razões de decência, morais e deontológicas.»

À volta desse corpo, na mesma instalação que dá o título à mostra (já antes apresentada no CGAC de Santiago de Compostela), dois conjuntos simétricos de seis elementos mostram outras folhas negras e duas mãos enluvadas, uma delas com a mancha vermelha de uma gota de sangue. É, sem dúvida, a mesma luva de detective presente na série «The Secret Agent», de 1991, que tem um papel destacado nas duas exposições - todo o subnúcleo das caixas é exposto em Coimbra, e Delfim Sardo, o comissário no CAV, relaciona-o com Joseph Cornell e Marcel Broodthaers, além de referir Joseph Conrad.

É nessa série, tal como no livro intitulado Joseph Conrad, que Molder terá levado mais longe a tentativa de explorar uma possível condição ficcional do seu trabalho fotográfico, distinta quer da narratividade literária quer da ilustração, antes de essa construção de um personagem, ao mesmo tempo agente e narrador, se converter na imagem repetitiva do autor - o seu duplo e ele mesmo. À acção do «agente secreto» associa-se a ideia de enigma, e a busca que ele conduz é tomada como metáfora do trabalho do artista.

Em Coimbra, a recuperação de outro trabalho de 1991, feito com a colecção zoológica da Universidade («Uma Taxidermia de Papel»), liga-se a uma nova série de muito grande formato, em provas digitais, onde a imagem se aperta sobre o olho do fotógrafo-fotografado, jogando com dificuldades e derivas de reconhecimento que o título sublinha: «Comportamento Animal». Outras dificuldades de identificação são as de «Desconhecimento Imediato», onde o rosto é sujeito a camuflagens, ocultações ou acidentes sucessivos, apontando a autoviolência (a auto-imolação?) como decisiva questão inscrita em várias outras séries. Igualmente constante é a presença de múltiplas citações ou referências cultas nos diversos trabalhos de Molder, como sucede no vídeo inédito Vasistas, onde o Quadrado Negro, de Malevitch, é prolongado por memórias cinéfilas. As listas de livros e filmes que se incluem no final da mostra de Madrid são um útil guia para a vasta teia de interesses e informações do artista.

Jorge Molder
«Algún Tempo Antes»
Fundación Telefónica, Madrid, até dia 21
«Condições de Possibilidade»   
Centro de Artes Visuais, Coimbra, até dia 28

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

2006, Picasso, «El Contemplador Activo», Centro Cultural de Cascais: "Voltar a viver"

Voltar a viver

01-12-2006

 

    As gravuras de um momento de crise na vida e na obra de Pablo Picasso, aos 85 anos 


 

 Pablo Picasso

«El Contemplador Activo»    

Centro Cultural de Cascais

«A Inspiração Trabalha e o Pintor Está de Mãos Cruzadas», 12 de Abril de 1967; cobre, ponta seca

 


Alguns preferem a inactividade de Duchamp. Com as suas sequelas, separou-se mais a arte e a artesania, dispensando qualquer qualificação ou habilidade técnica, o que «dessacralizava» a criação e prometia a democratização universal. No pólo contrário está a hiperactividade de Picasso, habilitada pelo que se chama saber fazer, talento, dom ou génio, que são atributos desigualmente distribuídos e de origem algo obscura.


A grande produção de obra gráfica pelo velho Picasso, que culmina nas «suites» 347 e 156, de 1968 e 69-71, ambas já mostradas em Cascais, não se explica por qualquer voragem mercantil, nem corresponde a uma última estabilização de processos. Na vertiginosa luta contra a morte que se avizinhava, ela procura ainda associar vitalidade e criatividade, num tempo em que o pintor, passados os 85 anos, se encontra já quase retirado do mundo. O período final, incompreendido nas exposições do Palácio dos Papas de Avignon (1970 e 73), é um dos cumes da obra de Picasso e enfrenta plenamente os caminhos contemporâneos que pareciam esquecê-lo - esse confronto está longe de se dar por encerrado.


Não é o caso de uma outra série de 60 gravuras em que Picasso trabalhou de Agosto a Dezembro de 1966 (com a junção de algumas peças posteriores), e que nunca decidiu editar, ultrapassada pelas «suites» referidas ou preterida por razões não ditas. Impressas postumamente nas oficinas de Pierre Crommelynk, o habitual gravador de Picasso que nelas trabalhara, seriam apenas lançadas no mercado no ano do centenário do nascimento, 1981, pela Galerie Louise Leiris.


Se a vida pessoal e a do seu tempo está sempre presente na obra de Picasso, sem que a mais profunda meditação sobre os problemas da pintura se distancie em busca de uma qualquer pureza ou autonomia, esta sequência de gravuras dá conta da mais grave das crises por que passou o pintor. O que continuou a referir-se como uma operação ao estômago (ainda no Dictionaire Picasso, de Pierre Daix, 1995), encobria um cancro na próstata. «Abriram-me como a um frango», brincava o pintor, enquanto reaprendia a viver diminuído na anterior equivalência pública entre potência sexual e artística. Interrompida a pintura por mais de um ano, Picasso recomeça a desenhar no cobre, com hesitações ou dificuldades visíveis. O tema o pintor e a modelo dá lugar crescente ao dos velhos e mulheres nuas, vendo-se o artista a si mesmo como espectador, enquanto o ateliê se torna sala de teatro; há falos que surgem como personagens, mas será só em séries seguintes («Rafael e a Fornarina», de 68, por exemplo) que a «excitação do fazer» segue com êxito os caminhos da sexualidade explícita. Esta é apenas uma produção de crise, quase sempre menor, embora iluminada por alguns súbitos fulgores.



sábado, 23 de setembro de 2006

1994, 2006, Sommer Ribeiro

 Sommer Ribeiro, a Gulbenkian, o CAM

...a propósito da exposição "50 Anos de Arte Portuguesa" e dos 50 anos da Gulbenkian... porque faltam alguns dados para se fazer a história.

1 . Em 28/05/94 referi no Expresso  a saída por reforma do arq. José Sommer Ribeiro do Centro de Arte Moderna, que dirigira desde o início (1983):
"CAM: passagem de testemunho"

2 . e a 23/09/2006 publiquei uma brevíssima notícia necrológica

Sommer Ribeiro (1924-2006)

#

Também se pode ver, no Diário de Notícias de 20 de Julho de 1981, em página inteira, n.n. ("Reportagem"):

"No 25º aniversário da Fundação
SEGUNDO MUSEU GULBENKIAN É DEDICADO À ARTE MODERNA"

publicado na véspera da inauguração da exposição "Antevisão do Centro de Arte Moderna", com base numa entrevista com Sommer Ribeiro, defenindo-se aí o respectivo programa e recordando-se as vicissitudes que conheceu o seu projecto.

1 .

Image2

2. Sommer Ribeiro (1924-2006)
23-09-2006

"Director e administrador da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, desde a sua inauguração em 1994, José Sommer Ribeiro faleceu no dia 16, em Lisboa, vítima de cancro. Foi também o primeiro director do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian (FG), entre 1983 e 94, e em ambos os casos esteve desde o início associado à definição dos respectivos projectos e à sua instalação. Anteriormente, dirigira o Serviço de Exposições e Museografia da FG, criado em 1969, mas a ligação a esta instituição iniciara-se logo no ano da sua criação, em 1956, ao participar na equipa que lançou os primeiros estudos relativos à construção da futura sede.
Nascido a 26 de Junho de 1924, em Lisboa, José Aleixo da França Sommer Ribeiro, que se formara em arquitectura em 1951, teve um papel decisivo na renovação e abertura do panorama artístico nacional ao longo de várias décadas, com independência face às diversas tendências e gerações. Na Fundação Gulbenkian, sobre a qual gostava de dizer que entrara como soldado raso e saíra como coronel, contou com uma relação pessoal de grande confiança da parte de Azeredo Perdigão, o que lhe foi permitindo lançar sucessivos projectos na área das artes plásticas.
Para além da organização de centenas de exposições, e em especial de numerosas retrospectivas, teve uma participação muito influente na aquisição pela Gulbenkian do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso e de parte significativa da colecção de Jorge de Brito, bem como na criação da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva."

sábado, 16 de setembro de 2006

2006, Temporada 2006/07: Fundação Ellipse, Amadeo etc (16 09)

Para abrir a temporada

    A apresentação internacional da Fundação Elipse e as iniciativas em torno de Amadeo de Souza-Cardoso marcam o calendário dos próximos meses 


Expresso 16-09-2006  

 «Cabeça Mongol», de Amadeo de Souza-Cardoso, no CAM

 

Vão estar em destaque no calendário dos próximos meses a apresentação internacional da colecção da Fundação Elipse, com a inauguração oficial do seu «Art Centre» em Alcoitão (15 de Outubro); a exposição que o Centro de Arte Moderna vai dedicar a Amadeo de Souza-Cardoso, no âmbito do projecto de publicação do respectivo catálogo «raisonné» (14 de Novembro); e, em data ainda a confirmar, a abertura do Palácio Anjos, em Algés, onde ficará instalada a Colecção Manuel de Brito. Outros acontecimentos anunciados, além do festival Luzboa, serão a feira de arte de Lisboa (de 8 a 13 de Novembro) e a apresentação no Museu de Serralves de uma revisão da década de 80 proposta pelo respectivo subdirector, Ulrich Lock. Entretanto, também é notícia de primeira linha o prolongamento até 15 de Outubro da mostra da Colecção Rau, no Museu de Arte Antiga, certamente o ponto mais alto do calendário do ano.

A primeira montagem de obras da Fundação Elipse, num armazém industrial adaptado às novas funções pelo arquitecto Pedro Gadanho, termina este fim-de-semana (sábado e domingo, 11-18 horas; Rua das Fisgas, Pedra Furada, perto do Makro de Cascais). Entretanto, já a partir da próxima sexta-feira, no Centro Cultural de Cascais, apresenta-se um outro conjunto de peças da colecção dinamizada pelo banqueiro João Rendeiro, ainda a anteceder a inauguração oficial da galeria de Alcoitão. O acto trará a Lisboa muitos convidados, em articulação com o calendário da feira de arte de Londres, a Frieze. «Open House» é o título do catálogo a lançar na ocasião, reunindo mais de 200 obras de um acervo que irá pelas 350.



  «Ping-Pond1», de Gabriel Orozco no Art Centre da Fundação Elipse

 
Já em Novembro, a exposição dedicada a Amadeo ocupará as galerias dos dois pisos da sede da Gulbenkian, no âmbito das comemorações do seu cinquentenário, e colocará o pintor português (1887-1918) em relação com o contexto internacional, como anuncia o título «Diálogo de Vanguardas». Comissariada por Maria Helena de Freitas, que dirige igualmente o projecto do catálogo «raisonné», com um primeiro volume a publicar no próximo ano, a mostra decorre de um longo trabalho de investigação que promete revelar obras inéditas e renovar o conhecimento da breve carreira do pintor, falecido com 30 anos. Geralmente apreciado sob a visão canónica do cubismo e da abstracção, Amadeo será agora revisto numa perspectiva alargada que inclui os amigos próximos como Modigliani e Brancusi, bem como as relações vienenses e o ensino do espanhol Anglada Camarasa. Além do catálogo, vai publicar-se uma fotobiografia com recurso a abundante documentação inédita e a edição facsimilada de "La Légende de Saint Julien l’Hospitalier", de Flaubert, um texto manuscrito e ilustrado por Amadeo em 1912, doado pela viúva à FG e até agora inédito. O volume contará com um ensaio de Maria Filomena Molder.
 
A abertura do Palácio Anjos, em Algés, adaptado para acolher a colecção do galerista Manuel de Brito (o fundador da 111) é aguardada para 29 de Novembro, no primeiro aniversário da sua morte. A montagem inicial do acervo do novo centro de arte, da iniciativa da Câmara de Oeiras, deverá prestar homenagem a António Dacosta, um dos artistas mais representados na colecção.

Regressando ao calendário de Setembro, que hoje conta com as inaugurações simultâneas de 15 galerias de Lisboa, devem pôr-se na agenda as exposições das fotografias de Paulo Catrica na Gal. Carlos Carvalho (dia 20) e de pinturas do espanhol Santiago Ydañez na Gal. Fernando Santos (dia 21), enquanto, no Porto, a Pedro Oliveira apresenta Augusto Alves da Silva e Teresa Henriques, em antecipação às aberturas simultâneas do próximo sábado. No Palácio Galveias inaugura, dia 20, o concurso Purificación García, com fotógrafos de toda a Península; a 23 abrem os Encontros da Imagem de Braga, comemorando 20 anos com a revisão de anteriores temáticas, e a edição 2005 do World Photo Press chega no dia 28 ao CCB. A seguir, a mostra de desenhos de Miguel Ângelo Rocha na Fundação Carmona e Costa (dia 26) e uma antologia de João Paulo Feliciano na Culturgest (dia 29).

 


«Swinging Chair», de João Paulo Feliciano, na Culturgest


 
Em Outubro, o Museu do Chiado associa-se ao festival Temps d’Images para apresentar trabalhos da série «Pine Flat» da fotógrafa norte-americana Sharon Lockhart (dia 4). No CAM, onde Pedro Cabrita Reis dará por terminada a instalação "Fundação" no dia 15, ocupando também o espaço do «hall» com "The White Room", um conjunto de pinturas, vão apresentar-se no dia 10 as gravuras de grande formato de José Pedro Croft, que também inaugurará com esculturas as instalações em Lisboa da Galeria Quadrado Azul, no Largo Stephens (dia 19). Entretanto, os Artistas Unidos retomam as suas exposições, agora na Capela das Mónicas, com pinturas de Ivo (dia 12), e para a Gal. Cristina Guerra anuncia-se (dia 17) uma colectiva da responsabilidade de Marc-Olivier Wahler, o novo director do Palais de Tokyo, de Paris. Francisco Tropa ocupará a Culturgest-Porto a partir de dia 27.

Em Novembro, o segundo leilão de fotografias organizado por Potássio Quatro vai acontecer no CCB no dia 9, enquanto a Arte Lisboa estará a decorrer na FIL. Em Serralves é aguardada (para dia 10) a exposição «Anos 80», de Ulrich Lock, que sublinhará as continuidades com as anteriores neo-vanguardas, e não as rupturas e retornos que agitaram a década: a escolha de artistas que emergem nos anos 80 irá valorizar os artistas que «exploram, desenvolvem e expandem criticamente as premissas dos anos 70», excluindo, «por esse motivo, a pintura então realizada na tradição do Neo-Expressionismo alemão e seus parceiros internacionais». A Casa de Serralves acolherá também o próximo concurso BES Revelação.

Para 11 de Novembro anuncia-se a primeira Bienal de Aveiro, com um sector de artistas a concurso e outro de convidados a cargo de Delfim Sardo. O CAM vai expor de novo Fernando Calhau (dia 21), com base na doação efectuada pela sua viúva, e o CCB fará as últimas inaugurações da actual programação: a arquitectura de Gonçalo Byrne e as fotografias e vídeos de Nuno Cera (dia 23), seguidas pelo projecto fotográfico desenvolvido em Portugal pela alemã Candida Hoffer (1 de Dezembro). A abertura do museu da Colecção Berardo fica para 2007.

 

Foto do projecto português de Candida Hoffer