Antes da colagem. E a ruptura de 1967
Com obras que vão de 1944 (pinturas anteriores ao neo-realismo) até aos anos 2000 (as pinturas com objectos, em especial), a exp "A cola não faz a colagem", centrada na prática da colagem e da assemblage, não segue um itinerário cronológico, e ainda bem. Uma visita pode ter vários começos e proporcionar pistas diversas sobre uma produção sempre a transformar-se.
Nas obras experimentais de 1944, com estudo do cubismo e de Léger, as formas recortadas e lisas "circulam" no espaço abstracto e plano da tela, como voltará a acontecer na série dos "Banhos Turcos d'aprés Ingres" (1968) e nas colagens do chamado "Teatro do Corpo" que lhe sucedem (1976).
"Pintura", 1944, ø 86cm. Col. Rui Victorino (1944 e 45, Exposições Independentes, Coliseu do Porto e IST, Lisboa)
São de 1960 esculturas de FERROS SOLDADOS, associadas às ilustrações para D. Quixote sem serem ilustrativas; o seu desenho em volume liga-se à sua pintura gestual e a uma nova escultura expressionista da época. Não tiveram continuidade, até por razões oficinais, e só já no novo século a escultura voltou a ter importância em peças em bronze que resultaram da assemblagem de peças encontradas numa fundição francesa (só uma pequena tartaruga é mostrada).
Bispo, Sem Título (Pássaro) e Guerreiro, 1961 (antigas Colecções Manuel Torres, 1 e 2; e Alice Jorge>Atelier-Museu, 3)
Estão num lugar próximo das ASSEMBLAGES que Pomar realizou nos anos 1967 e 1977 (e continuou depois até ao fim) com objectos recolhidos nas praias, usados pelo mar e dispostos num jogo formal não representativo mas com referências corporais e por vezes eróticas. Uma tradição clubista-dadaísta que só deu a conhecer na 1ª retrospectiva, 1978, e ocupou a mostra "Trabalho de Férias" que se deferia ter chamado ...de Verão.
Sem título, 1967 ou 1977?, alt. 49cm