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coisas várias, artes (plásticas, fotográficas e comestíveis), escritos, promoções e embirrações
quinta-feira, 2 de março de 2017
domingo, 19 de fevereiro de 2017
2017, Exclusões na Arco Lisboa de 3 galerias de 1º plano: 111, Barbado e Underdogs. Martin Parr...
A propósito de Martin Parr, apresentado em Lisboa pela galeria de João Barbado em 2015, lembro-me de um escandaloso incidente que impediu a sua presença com obras inéditas no Arco Lisboa de 2017, e contribuiu para o posterior encerramento da Barbado Gallery, que então mantinha uma relação directa ou privilegiada com a agência Magnum. Ficou a dever-se o ataque infame à Cristina Guerra, então à cabeça da máfia galerística em Portugal.
02/19/2017, blog typepad agora wordpress
As representações das três grandes galerias afastadas da Arco Lisboa estariam sem margem para dúvidas entre as mais fortes da Feira.
Segundo o regulamento, cada galeria tem de ter um artista em destaque, para além da eventual apresentação colectiva de outros nomes. Ora a Barbado Gallery preparava a apresentação de MARTIN PARR, um dos nomes mais famosos e mediáticos do panorama mundial da fotografia, que também ocupa hoje um lugar de grande peso na orientação da Magnum e no universos dos photobooks. Seriam apresentadas fotografias de Espanha e um outro conjunto inédito realizado em Portugal. Foi atribuído ao projecto uma pontuação muito baixa, por razões que não custa entender.
Para João Barbado que cumpriu dois anos de actividade, trata-se de «um rude golpe do ponto de vista comercial» devido à visibilidade da feira, e também em termos de relacionamento internacional. O qual, aliás, não lhe tem faltado, como demonstram os artistas da sua programação: para estar na Arco Lisboa, abdicou da Photo London 2017, onde teria lugar assegurado.
Quanto à 111 teria em destaque no seu stand da Cordoaria PEDRO A.H. PAIXÃO ( Pedro AH Paixao ), um artista exposto na galeria em Setembro de 2015 com grande sucesso da crítica e não só: http://111.pt/ É reconhecidamente um artista com uma obra muito original, com que a 111 renovou significativamente a sua actividade. É por ser uma galeria de 1º plano nacional e por apresentar na feira um projecto ganhador que a concorrência (aliás, Cristina Guerra) a excluiu: http://www.pedroahpaixao O afastamento da 111 tem já um historial anterior de hostilizações que deu lugar ao corte de relações pessoais.
Em terceiro lugar, ou 1º, a ordem é arbitrária, a Underdogs, que é orientada por Alexandre Farto – aka Vhils, e possui <ao tempo> dois espaços em Lisboa, concorreu com a apresentação destacada de dois artistas: PEDRO MATOS (Pedro Matos na Underdogs), um artista cujo trabalho se afasta notoriamente dos modelos correntes da arte pública, numa direcção mais reflexiva, com um percurso internacional que tem passado por São Francisco, Londres, Los Angeles ou Milão – http://www.pedromatos.org/ – anterior exp. individual Less Than Objects na Galeria Presença, Porto, e Underdogs Gallery, Lisboa.
Less Than Objects na Galeria Presença, Porto
E também o alemão CLEMENS BEHR , "a German graphic designer and artist with a background in graffiti, who makes use of inexpensive, discarded materials to create complex, ephemeral architectural structures based on geometric forms that reflect elements from the surrounding environment." – http://www.under-dogs.net/artists/clemens-behr/. O respectivo site permite conhecer uma obra inventiva e de grande impacto : http://www.clemensbehr.com/.
Good news first please", Solo show for the opening of Galerie Nathalie Halgand in Vienna.
A exclusão não foi uma surpresa, porque o mesmo ocorrera em 2016, mas para um dos responsáveis pela galeria-agência é uma decisão que vai ao arrepio de uma anunciada intenção de reunir na feira práticas e artistas inovadores. Note-se que Vhils esteve presente em 2016 na feira Arco de Madrid e na The Armory Show de NY representado pela galeria Vera Cortês. A oposição à chamada «street art», que está na origem da Underdogs, não é a raiz da exclusão.
domingo, 11 de dezembro de 2016
2016, Polémica
A história inovadora
´Transcrevo do Facebook (de 10 de Dez.) para não perder mais tempo. Com um ou outro acrescento pontual.
1- Já leram a promoção que um conhecido semanário (o Expresso) faz hoje de um des/conhecido historiador de arte (o BPA, catedrático)? É informação? É crítica? É recado? É bairrismo? É publicidade? É uma vergonha. Rais partam o semanário que desce, desce, desce... Fiquei espantado qd vi a revista de um amigo. Como não acreditei, vim a casa digitalizar para guardar as provas do delito (do Valdemar Cruz, um topa a tudo sem competência para se ocupar do tema, mesmo como jornalista generalista).
2- Devo dizer que comecei a ficar incomodado qd recebi um mail assim: "Conversa Pública e Lançamento do Livro
Com <...o autor> (Professor Catedrático na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto) e João Ribas (Diretor Adjunto do Museu de Arte Contemporânea de Serralves)
Com esta obra luxuosa, repleta de belíssimas imagens (mais de 500), <o autor> apresenta-nos uma visão profundamente original e inovadora da História da Arte portuguesa no último século.
Rompendo com muitas das ideias cristalizadas no tempo sobre artistas inigualáveis como Amadeo de Souza-Cardoso, e revelando a genialidade de nomes quase esquecidos, o mais importante crítico de arte da atualidade oferece-nos uma panorâmica, excecionalmente rica e solidamente fundamentada, da receção nacional aos movimentos artísticos do século XX e dos seus protagonistas.
Esta será, daqui em diante, ‘a’ História da Arte portuguesa contemporânea, referência incontornável para artistas, colecionadores, estudantes e amantes de arte.
" 'É com este alfobre de ideias, de conhecimentos enciclopédicos, de finura de observação, de alta cultura não só artística como também filosófica e literária, através de uma escrita sempre elaborada e original, rica de semelhanças e diferenças, que o leitor fica – com as imagens ao lado – habilitado a escolher de entre o ‘museu imaginário’ concebido <pelo autor> as obras que mais gostaria de levar para casa a fim de as colocar no pequeno museu da sua imaginação.' - do prefácio de Manuel Villaverde. " [Mas foi mesmo o MVC que escreveu esta prosa digna de um qq serôdio académico? Não é o Manel que eu conheci.]
Enviado pelo autor do livro, este escrito promocional está também e ainda na Agenda de Serralves: http://www.serralves.pt/pt/actividades/historia-portuguesa-do-sec-xx-uma-historia-critica/ Já tinha esquecido a coisa qd sábado deparei com a Revista do Expresso. Anote-se para a História que alinham nas sessões, no Porto, o João Ribas, o António Guerreiro e o Manuel Villaverde Cabral, e em Lisboa Margarida Acciaiuoli, o mesmo Manel e o José Bragança de Miranda, numa "conversa aberta" moderada por Margarida Brito Alves e Filomena Serra.
3- Pergunta o escriba (V.C.) para entrar na matéria: "Pode um artista integrado na lógica fascista ser em simultâneo um modernista?" (e se dissermos que a "lógica fascista" é em si mesmo modernista? - o perguntador perderá o pé?)
"Há um modernismo fora de Lisboa, porque o regime proibia as manifestações modernistas. Sobretudo a partir de 1931, procura arregimentar os artistas." Vem entre aspas, deve ser do catedrático.
'O regime' já proibia antes de 1931? Já procurava arregimentar os artistas? Mas 'o regime' existia antes de 1931? Ferro antes de Ferro?
'O regime' fazia as suas Exposições de Arte Moderna, no SPN/SNI, por onde passavam os modernos / 'modernistas' existentes, contemporâneos mais ou menos coevos das modernidades moderadas dos anos 30 com curso dominante em todo o mundo, nessa década de reafirmações realistas em diferentes formações nacionais (ver "Années 30 en Europe - Le Temps Menaçant", MAM Ville de Paris 1997) e incluindo surrealistas como Pedro, Dacosta e Cândido (eram do "contramovimento" segundo MVCabral), e até futuros neo-realistas, mas diz-se que "proibia as manifestações modernistas" (as exposições, entenda-se).
"Não se pode dizer que aquele grupo dos neomodernistas lisboetas são pintores modernistas, porque vendiam todos para o regime". Temos aqui um 'must' entre as muitas pérolas. Eram modernos porque expunham no Salão de Arte Moderna e porque se contrapunham aos "botas de elástico" da SNBA (a Sociedade à antiga), como se devia saber, e também eram 'neomodernistas' mas não, nunca modernistas. Vá-se lá entender o que por aí se escreve, inovando, polemicando, contextualizando, e com muitas ilustrações para fazer um coffee table book a dar-se ares de hiustória crítica.
Estranho era o Botas ('o regime') ter comprado a todos - ele saberia? Assinava os cheques sem ver? O Ferro enganava-o? Temos por aí uma nova pista para abordar o fascismo nacional.
Os artistas que trabalharam para António Ferro "não são modernistas, e esta é a primeira grande dissensão relativamente ao critério de França". Etc, por aí fora, sem se perceber se o jornalista percebe o que escreve e o que cita.
Modernismo é uma palavra de uso difícil e variado, que quer dizer coisas diversas, episodicamente, em países e tempos diferentes. Modernista, em princípio, era alguém ou algum movimento que se reclamava como moderno, como do seu tempo, portanto inovador, em geral definindo-se numa "vanguarda", numa corrente, tendência ou estilo que se opunha a outros, anteriores ou diversos. Hoje já não há modernistas, o que torna mais complexo um uso útil do termo: ou é uma categoria precisa na história ou é uma sucessão ± vaga de movimentos e/ou vanguardas que têm só em comum o facto de se substituíram e/ou sobreporem desde meados do séc. XIX aos academismos e salonismos (aos gostos dos Salons) dominantes. Para muitos ficou entendido como modernismo a sua versão tardia e última, formalista à Greenberg. Mas modernismo pode ser também um não-conceito vazio, um saco de gatos, uma rasteira aos incautos, um factor de intermináveis confusões.
ADENDA
Recordo que, entre outros quiproquos, no Expresso e fora, escrevi em 1994 uma crítica sobre a 1ª versão desta mesma história nacional: EXPRESSO Actual, 12 Fevereiro, pp. 15 e 16, sob o delicado título "Borrar a pintura". O sr respondeu na edição de dia 26 (texto não transcrito no local abaixo referido) e eu respondi-lhe na mesma data ("Ponto final"): os interessados podem ler em http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2010/01/pol%C3%A9mica-em-1994.html
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
2016, POSTWAR 1945-1965, de Okwui Enwezor (Munique), Realisms (III) Alice Neel
POSTWAR 1945-1965, Okwui Enwezor (Munique 2016)
a importante exposição em Munique incluiu Alice Neel, mas chamar-lhe pioneira do realismo socialista na América é errado.
Nem as cenas urbanas que pintava desde os finais dos anos 20 e que prosseguiu nos anos 30 anti-fascistas do New Deal, quando era paga pela WPA (Works Progress Administratioin) - e menos ainda os retratos cúmplices dos seus vizinhos afro-americanos de Harlem - correspondem à "arte proletária" do John Reed Club de Mike Gold, retratado em 1952 - 1929-35: https://en.wikipedia.org/wiki/John_Reed_Clubs - nem ao realismo socialista do tempo da Frente Popular e do American Artists' Congress.
A prática do "humanismo" era outra coisa, e os arquivos da CIA (que a interrogou em 1955 e a vigiou até 1961) estavam mais certos: era uma "comunista boémia e romântica".
https://www.aliceneel.com/about/1930-1939
The United States had its own contingent of fellow travelers. As Alice Neel, considered by manv a pioneer of Socialist Realism in American painting, declared in 1951, "I am againest abstract and non-objective art because such art shows a hatred of human beings. East Harlem is like a battlefield of humanism, and I am on the side of the people here, and they inspire my paintings." The dandyish pose struck by the young George Arce in his portrait by Neel is hit a thin vencer over the violent life of teenagers of color in Spanish Harlem.
Alice Neel, quoted in Andrew Hemingway, Artists on the Left: American Artists and the Communist Movement, 1926-1956 (New Haven: Yale University Press, 2002), p. 248.
The long pictorial tradition of a victimized yet heroic peasantry continued to empower artists to voice a strong "j'accuse!" against regimes of political domination. The Portuguese artist Julio Pomar thus painted the monumental female rice-pickers in Etude para Ciclo do Arroz II (Study for Rice Cycle II, 1953; plate 183) under the dictatorship of António Salazar.

2016, Postwar, Realismos (II)
A arte no Pós-guerra, Munique, Haus der Kunst,
14 Outubro
Será uma das mais importantes exposições internacionais do ano: a mais ambiciosa revisão revisão alguma vez realizada das duas décadas que se seguem ao fim da 2ª Guerra.
Por razões várias, porque 1945-1965 é o meu tempo, por razões de ordem pessoal (e familiares), por tratar questões que tenho investigado e divulgado (os realismos do pós-guerra, os inícios da arte moderna africana, e em Moçambique em particular; a rede informal formada nos finais da década de 1950 / inícios de 1960' por Ulli Beier na Nigéria, Pancho Guedes em Moçambique, Frank McEwen na Rodésia do Sul e Julian Beinart da África do Sul; o 1º Congresso Internacional da Cultura Africana, ICAC, em 1962, Salisbury), interessa-me muito esta exposição que inaugura a 14 de Outubro em Munique, na Haus der Kunst.
O facto de ter colaborado na recolha de documentação sobre o neo-realismo português (também com apoio do Museu de Vila Franca de Xira) e sobre alguma África ignorada dos anos 50/60, justifica ainda uma maior curiosidade. <Mas a morte de Enwezor anulou os previstos Postcolonial e Postcomunist>
Resistência, 1947 e Estudo para o ciclo Arroz, 1953. Ao lado de Alice Neel, George Arce 1953, e Beauford Delaney, Retrato de James Baldwin 1945, em cima John Biggers, The history of negro education 1955, na secção Realisms
Fica adiante um dos textos que o museu de Munique produziu para divulgação:
Postwar: Art Between the Pacific and the Atlantic, 1945-1965
Curated by Okwui Enwezor, Katy Siegel, and Ulrich Wilmes
2016, Postwar, 1945-65, Orkwui Enwezor, em Munique (I)
Post war 1 - depois da bomba
1 Hanna Arendt, "Zur Person" Full Interview. In German with English subtitles.
À entrada da exposição, com o som a ocupar a 1ª sala
2 Em frente a...
Wostell, Appel, Louis, Stella e Beuys
Joseph Beuys, Monuments to the Stag (?), 1958/82
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3 Francis Bacon (Fragment of a Crucifixion, 1950) & Andrzej Wróblewski (1927-1957, Lituânia-Polónia)
1949 Liquidation of the Ghetto / Blue Chauffeur (frente e verso)
1949, Executed Man, Execution with a Gestapo Man.
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5 Appel, Louis, Stella
SECÇÃO 1
Secção 1 / 2
Isamu Noguchi 1946, Richter 1963
(Bombers), Baj, Movimento Arte Nucleare 1951, David Smith 1949 / Joan
Mitchell 1961 (Coll. Berardo)
Secção 1 sala 2
Henri Moore 1964-65, Jess 1962, Paolozzi 1956, Appel
Tenho sérias dúvidas sobre a colocação da bomba atómica como tema e imagem iniciais da exposição Postwar. Eficaz em termos retóricos, mas talvez seja mais uma perspectiva anacrónica, uma leitura posterior aos factos. A memória directa da guerra, das destruições, bombardeamentos e campos, das mortes e das lutas de resistência parece-me dominar a criação artística internacional nos anos imediatos a 1945, em direcções opostas de dissolução da forma, destruição da figura, ou de construção figurativa, narrativa, utópica. Será no contexto da Guerra Fria que o perigo nuclear ganha consistência, como iminência de um novo conflito bélico e como referência mais assustadora.
Se o cogumelo de Henry Mooore é já de 1964-65, as obras vindas dos anos 40 respondem aos anos da guerra em geral, ou em contextos geográficos precisos, e não à "hora zero e a era atómica". O modo como a arte informal e o expressionismo abstracto mais as geometrias e concretismos se afirmam nos anos 40/50, podem corresponder a uma reconstrução de vanguardas divergentes que vai retomar dinâmicas muito anteriores à guerra e aos anos 3o de ameaças fascistas, ao mesmo tempo que reage a uma dinâmica do pós-guerra que a exposição não ilustra: a redescoberta e exaltação dos mestres modernos, após as condenações e ocultações nazis.
Os grandes mestres ocupam o espaço público internacional, em especial em França, enquanto a restante Europa está em ruinas e em reconstrução, e as posições críticas radicais e vanguardistas são minoritárias e marginais.
Os anos a partir de 47 são já da guerra fria, que impõe a sua lógica ao confronto entre figuração realista (associada ao nazismo e ao estalinismo, e aos movimentos antifascistas dos anos 30/40) e abstraccionismo, ao qual se associa a expressão da recusa dos totalitarismos e um entendimento finalista da arte moderna - o fim da figura e da narração-ilustração.
Embora a exp. tenha construído com a "Hora Zero" um início atraente e inovador, a realidade parece ser outra.
domingo, 28 de agosto de 2016
Fernando Guedes
O crítico de arte Fernando juedes
Editor, poeta, amigo e cúmplice de Fernando Lanhas desde os anos 40, Fernando Guedes (n. Porto, 1929 - 2016) foi também crítico de arte, e nesse papel assumiu uma importância que tem sido pouco reconhecida por razões ideológicas e em especial pelo inquistamento de posições dominantes neste meio.
Entre outras publicações, F.G. reuniu colaborações dispersas em "Pintura, Pintores, etc", ed. Panorama - SNI, 1952 (actividade e livro que mereceu menos do que uma menção de J. A. França na sua história do séc. XX - a oposição entre os dois permite situar uma linha de omissões e incorrecções da historiografia portuguesa). Depois, "Estudos sobre Artes Plásticas - Os anos 40 em Portugal e outros estudos", INCM, 1985, é uma justa resposta à exposição sobre os Anos 40 organizada sob a tutela do mesmo J.A.França na Fund. Gulbenkian. Em especial, o seu testemunho analítico é essencial para acompanhar a intervenção do grupo dos Independentes do Porto, activos de 1943 a 1950, e onde se integram os inícios das carreiras de Júlio Resende, Fernando Lanhas (o principal animador), Nadir Afonso, Júlio Pomar, Arlindo Rocha, Victor Palla e outros. E também, por consequência, os inícios da abstracção, no Porto, depois atrasada para 1952, em Lisboa, entre outros efeitos.
Escreveu textos de crítica e divulgação nas revistas Graal, Tempo Presente, Rumo e Panorama, e nos jornais Diário Ilustrado (nº 1 em 1956, vespertino de qualidade impresso na gráfica do Diário da Manhã, orgão oficial do regime), Diário de Notícias e Diário da Manhã, o que o situa desde logo como um autor da direita ideológica, mas que no seu caso não diminui a qualidade da observação crítica. Foi um crítico atento e isento, particularmente interessado no abstraccionismo (ver a "Tábua cronológica da pintura abstracta em Portugal", de 1952), escreveu também alguma coisa sobre arte infantil e apresentou no pós-guerra artistas ingleses como Wyndham Lewis, Paul Nash, Henry Moore e Sutherland
Tive há tempos a indicação de que Fernando Guedes organizou (ou foi só um dos participantes?) uma intervenção provocadora que ocorreu em 1960 contra a estreia no Teatro Capitólio, em Lisboa, da peça "A Alma Boa de Setsuan", de Bertold Brecht, apresentada pela Companhia de Maria della Costa, visando a sua interdição. O episódio motivaria algumas rupturas pessoais definitivas no meio ligado às artes. (Se não corresponde à realidade, desminta-se agora.) <Jorge Silva Melo já veio dizer que sempre ouviu "falar de Manuel Múrias como o organizador dos "eventos" anti-brecht-della costa; mas também de Goulart Nogueira">
Em termos pessoais, cabe referir a gentileza de me ter enviado, nos anos 90, fotocópias de todos os catálogos dos Independentes e alguns outros da época, num gesto raro de colaboração e reconhecimento mútuo.
(capas da ed. cartonada e corrente)








