coisas várias, artes (plásticas, fotográficas e comestíveis), escritos, promoções e embirrações
terça-feira, 28 de junho de 2016
Moçambique depois de 1981
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Fotografia em Moçambique, história antiga
sábado, 28 de maio de 2016
2016, António Carrapato, Módulo
Módulo
2016
António Carrapato é um fotógrafo com uma carreira original, iniciada como fotojornalista, mas já com diversas exposições que foram mostrando o seu trabalho de autor (Museu de Évora, 2009, apresentada por Joaquim Caetano; A Pequena Galeria - esta uma mostra de grupo e itinerante, em 2013, que organizei ).
Está agora na galeria Módulo. Alentejano, é um homem com um humor raro - e o humor é uma das marcas fortes do seu trabalho fotográfico - de que se serve com um excepcional sentido de oportunidade para dar a ver e comentar a sua região (e não só - outra das suas direcções de trabalho é intencionalmente europeia). Com a atenção muito desperta para o acaso, para o encontro imprevisto e acidental que marca muitas das suas fotografias, o que implica um muito ágil sentido de composição <o instante decxisivo>, ele constrói, de facto, séries temáticas que se assemelham a programas conceptuais.
A opção seguida pelo comissário da mostra e pelo galerista consistiu em apresentar mais de uma centena de imagens em pequeníssimos formatos (9, 12 cm), agrupadas em conjuntos que apontam pistas de entendimento ou núcleos de trabalho. Pode não ter sido a melhor estratégia para introduzir a obra de António Carrapato no circuito dos coleccionadores de fotografia, mas esta é, por outro lado, a possibilidade de uma abordagem antológica que confirma a respectiva importância.
Não é um jovem fotógrafo (um artista emergente, uma revelação, um nome descartável na próxima época) e não tem o apoio de uma rede suspeita, para não dizer mafiosa, que consegue, por exemplo, ocupar o Museu do Chiado com uma exposição comercial acompanhada por uma iniciativa editorial também comercial - o acesso aos dinheiros da DGPC (Património Cultural, supõem-se) assegura essas e outras facilidades. Carrapato é um artista com obra feita, que às vezes me lembra o meu fotógrafo espanhol preferido, o Cristobal Hara, que ele naturalmente não conhecia.
(...desagradado dessa opção expositiva com miniprovas - acho que fazem falta formatos razoáveis).
press:
28 maio de 2016, até 28/06
António Carrapato foi durante bastante tempo fotojornalista do jornal Público, mas em paralelo foi desenvolvendo um trabalho de fotografia criativa. Conhecido num grupo mais restrito de pessoas do meio fotográfico, tem agora a sua primeira exposição antológica nesta galeria cobrindo um período desde que vai de 1985 a 2015, começando no preto e branco e prolongando-se pela cor.
A exposição tem a curadoria de José Soudo, que realizou um trabalho verdadeiramente notável na selecção e montagem das 103 fotografias que constituem a exposição.
Encantamento é o título dado pelo curador a esta seleção do trabalho fotográfico de António Carrapato, mas passemos ao texto escrito por José Soudo para a ocasião:
(... Vilém Flusser ) Vem tudo isto a propósito dos trabalhos, deste trabalho fotográfico em concreto, do António
Carrapato, amigo de longa data, com quem me cruzo há mais de 25 anos, pois sempre que os
“leio”, sou remetido para um estado de “ENCANTAMENTO”.
Estas séries, que nos são dadas a ver neste espaço da Galeria Módulo, carregadas de pequenas e enormes subtilezas, assim como de abordagens tão delicadas e intimistas, têm (para mim), o condão de nos evidenciar os poderes ocultos deste fotógrafo, qual mágico, para nos seduzir e inebriar, provocando sensações de embriaguez e felicidade, apenas porque lhe olhamos as imagens.
Percam o vosso tempo com elas, pois quem sabe se não é isto que o velho Flusser nos quer dizer quando afirma que …”as fotografias não têm nada de mágico porque são técnica pura, no entanto são imagéticas, porque vivem de magias...
António Carrapato, nascido em Reguengos de Monsaraz no ano de 1966, começa a sua carreira nos anos 90, a fotografar para os principais jornais portugueses.
Em paralelo desenvolve um trabalho de autor, em que constrói uma temporalidade de
acasos significativos com um humor muito específico.
É no território rural do Alentejo, mas também em contextos urbanos internacionais, que utiliza a sua capacidade de observação para criar um universo visual onde a relação entre o homem e a sua envolvente revelam subtis ironias ou absurdas coincidências.
António Carrapato estou fotografia no Ar.Co e apresenta um curriculum de exposições colectivas apreciável de que poderemos destacar Aldeias Gémeas, Museu da Aldeia da Luz (2013), Riso, Fundação EDP (2012), Nós, Museu de Évora (2009). Recentemente figurou na exposição intitulada Grupo de Évora com curadoria de Alexandre Pomar ,que se iniciou na Pequena Galeria em Lisboa e depois circulou por Sines (Centro Cultura Emérito Nunes) e Évora (Palácio D.Manuel) durante o ano de 2013.
A obra fotográfica de António Carrapato encontra-se em várias publicações como Planeta Ovibeja(2008, Arte na Fundação Luso-Brasileira(2007) e Extensão do Olhar, Uma antologia visual da fotografia portuguesa contemporânea (2005) da Fundação PLMJ.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Jorge Calado: escolhas para o Dubai; Dubai Photo Exhibition 2016
Spain and Portugal—Dr. Jorge Calado
Edgar Martins
Gérard Castello-Lopes
Helena Almeida
Jose Luis Neto
Joshua Benoliel
Maria Lamas
Cristina Garcia Rodero
Cristóbal Hara
Joan Colom
Ramón Masats
Dubai Photo Exhibition will bring together artworks from 23 countries, selected by 18 curators, celebrating the harmony and diversity of global photography on an unprecedented scale. Guided by the curatorial vision of Head Curator Zelda Cheatle and other world-renowned curators, visitors will experience the evolution of photography through a selection of artworks from the 20th and 21st century.
The exhibition will be presented in a purpose-built “temporary museum” in Dubai Design District (d3), Dubai’s centre for art and design industries. Dubai Photo Exhibition is created by HIPA to promote Dubai as a cultural hub, cultivate artistic appreciation for photography, foster dialogue, and nurture photographic excellence through education.
Countries and curators:
Australia—Alasdair Foster
Belgium and Holland—Els Barents
Brazil—Iata Cannabrava
China—Huang Yihuang
Morocco & Egypt—Hicham Khalidi (Morocco) and Ayman Lotfy (Egypt)
France—Fannie Escoulen
Germany—Frank Wagner
Hungary and Czech Republic—Kincses Karoly
India—Devika Singh
Japan—Mariko Takeuchi
Korea—Sunhee Kim
Mexico—Magnolia de la Garza
South Africa—Federica Angelucci
Spain and Portugal—Dr. Jorge Calado
UAE—Jassim Al Awadhi
UK and Ireland—Martin Barnes
USA and Canada—Natasha Egan
domingo, 15 de maio de 2016
Nuno Viegas 2001 2002 2003 2004 (Cascais) 2008 2009 (Arte Periférica) 2016 (Col. Cachola)
Nuno Viegas desde 2001
Se há artistas dos anos 00, da primeira década do século, Nuno Viegas é um dos primeiros.
Apareceu em 2001, na colectiva dos dez anos da Arte Periférica com A rotina do engomadinho, 2001, 250 x 200 cm.
(As obras não são cromos, são pinturas, com o que isso implica de matérias, sobreposições, densidades, vestígios, e são de grande formato - ao contrário do que sucede aos artistas de reproduções: são para ver ao vivo, frente ao corpo, com o corpo)
Não são pinturas "perfeitas", são obras que têm ambições e correm
riscos. Não se nasce ensinado, nem os artistas se "consagram" nas
primeiras exposições: a maturidade de um pintor é uma palavra com
sentido.
1 . 2002, "Captura"
Arte Periférica, Outubro-Novembro.
"Medusa surround" (Medusa I, II, III, IV) 2002, cada 80x70 / "Jogo" 2002, 200x170cm
2.
2003 "Lava"
Arte Periférica
15-11-2003
N.V. surgiu em 2002 com uma mostra individual que constituiu uma das boas surpresas do ano, vindo da Faculdade de Belas Artes de Lisboa e notado em anteriores colectivas. Confirma agora essa aparição com uma mostra que se apresenta em duas partes, reunindo a primeira trabalhos sobre papel, de desenho e pintura, e a seguinte, a partir de 6 de Dezembro, pinturas de grande formato.
É uma produção proliferante e convulsiva, torrencial, nos seus
materiais e processos (tintas plásticas, esmaltes sintéticos, colas e
vernizes, papel fotográfico, etc.), o que o título «Lava» traduz,
acompanhando-se por um curto texto do autor sobre «a matéria fervente»,
instável e devastadora, com que constrói e destrói, arrasa e regenera,
a imagem - «impregnada pelo germe que foi buscá-la ao imprevisto,
trazendo-a para um estado de constante iminência, que não permita que a
ideia se consolide ou se mantenha na aparência e que a forma se feche
ou acabe».
É uma forma de dizer que o que acontece sobre o suporte
é muito mais do que uma imagem aparente, a qual é visível como matéria
e acção para lá do que se reconhece como motivo e ideia gráfica -
observe-se a distância que vai das reproduções do catálogo às obras
realmente vistas, na sua densidade material e no acerto das escalas, do
pequeníssimo formato dos desenhos à vastidão das telas.
Sublinhe-se
o humor figurativo dos desenhos, a passagem irónica ou perversa da
observação à monstrificação das figuras, a luta contra o fácil e
agradável, a diversidade das experiências e a ambição patente nas
grandes pinturas, onde se circula entre o real quotidiano e o
imaginário. À margem das normas que o sistema recomenda. (Até 5 Dez.) CATÁLOGO, tx NV
Sauna, 2003, esmalte sintético, tinta plástica, acrílico, verniz, cola de madeira e caneta de feltro sobre tela, 220 x 180 cm
3.
2004 "A tinta envenenada"
Centro Cultural de Cascais, Julho
31-07-2004
Um
novo conjunto de pinturas e outro de desenhos dão continuidade ao
trabalho de um dos mais interessantes jovens artistas surgidos já na
presente década. Enfrentando a figura em situações contemporâneas (o
acidente de automóvel, uma devassa de arquivos) ou mais ou menos
fantasistas, aproximando-se de uma visão crítica da sociedade, com um
humor que transcende a observação, N.V. enfrenta o que parecia
impossível nos dias de hoje à figuração pictural.
A invenção de
processos e de materiais (a «lavagem» dos desenhos a tinta da Índia, o
uso de esmaltes sintéticos, cores fosforescentes e colas) sustentam uma
exuberância oficinal paralela à veemência das imagens. (Até 4 Set.)
4.
2006, "O Precipitado", Arte Periférica.
#
VER : 11/29/2008
Nuno Viegas no CCB : A Núvem Nódoa
Arte Periférica 1ª parte: 15 nov. CATÁLOGO tx NV
2ª parte: 15 dez. CATÁLOGO
#
2009 "Temor e tremor"
Arte Periférica, CCB, até 13 de Janeiro
12/24/2009
Pinturas maximalistas
acrílico, esmalte sintético, tinta da índia, verniz, marcador de têmpera, lápis de cor e grafite sobre tela, 220 x 180 cm
"Le Flâneur" - esmalte sintético, acrílico, verniz, tinta da índia,
marcador de têmpera e lápis de cor sobre tela, 220 x 180 cm.
NUNO VIEGAS
desde 2002 regularmente (n. 1977, Almeida), sempre na mesma galeria, salvo em 2004 no Centro Cultural de Cascais, e em 2005, data de dois nºs da revista Colóquio muito ilustrados.
Neste caso há um personagem (o mesmo?) quase sempre presente nos quadros de maior formato. Primeiro "Em águas de bacalhau"; ao centro e ao fundo a "Lavar a roupa suja - despir, torcer, esfregar" (um tríptico que se mostrara na feira de Lisboa), e por fim, no catálogo, a declarar "Lavo daqui as minhas mãos", o que é literalmente feito. As águas são turvas e agitadas, como a pintura que se solidifica sobre a tela sem deixar de ser viscosa, turbulenta e sempre aparentemente ainda líquida, a escorrer entre as figuras e o fundo. Os flamingos são aves aquáticas e o gato que cai ou nada sobre elas calça braçadeiras (quem é aqui o flâneur?); também parece haver uma bóia, ou será satélite?, sobre a cabeça invisual do impaciente, mas há mesmo um balde que se entorna. A tinta está por toda a parte, como a "Lava" e a "Tinta envenenada" de anteriores exposições, é matéria e motivo da pintura, mais do que meio de representação. Inunda a tela e ameaça diluir a figura e a acção. É onda que submerge o protagonista da primeira cena.
Nas pinturas de menor formato, naturezas mortas, ou fragmentos de interiores, onde os objectos são animados por acções inexplicadas, vêem-se outros desastres ou a iminência deles, numa sempre presente instabilidade que é ameaça ou já situação de derrocada. Uma barra de krytonite na cesta das frutas e um computador a explodir iniciam a série de desastres. A terra treme.
O título geral é o do mais famoso livro de Kierkegaard
#
2010 O Náufrago
Teatro Municipal da Guarda
nov.2010 jan: CATÁLOGO tx NV.
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2011 Parafrenália
1ª parte - Desenhos
Arte Periférica 30 Abril. CATÁLOGO
terça-feira, 3 de maio de 2016
João Francisco 2016 "Predelas e Volandes"
A loja de Gersaint (3 de maio - Il de junho 2016)
João Francisco
Predelas e Volantes
3 a 7 de maio
Espaço Cultural das Mercês
















2011 A de Animal
05/15/2016
Nuno Viegas na Colecção Cachola
Certamente a lista de artistas da Colecção António Cachola está ainda "in progress", mas parece-me chocante notar-se já a falta de um pintor que o próprio colecionador quis associar especialmente à inauguração do seu Museu em Elvas: o Nuno Viegas, que pintou três grandes telas à escala dos corredores do antigo hospital, com destino à instalação inaugural: essas grandes pinturas sobre tela, que se referem ao lugar do museu enquanto hospital e à específica função deste, bem como uma série associada de trabalhos sobre papel, foram realizadas num atelier em Benfica, alugado durante um ano - e aí as pude ver logo que concluídas. Mas as obras não foram apresentadas na inauguração, de que encarregou João Pinharanda, e só algumas outras obras foram mais tarde expostos (2012).
Acho o Nuno Viegas um dos artistas mais importantes entre os surgiram ou se afirmaram nas primeiras décadas do novo século, mas o "gosto oficial", o mecanismo das exclusões institucionais, com a sua lógica clientelar, tem coartado a visibilidade da sua obra. Aposto que é uma das grandes apostas originais da colecção - que na maior parte dos nomes segue a rotina dos artistas do sistema galerístico-oficial. N.V. teve uma única mostra institucional em 2004, “A tinta envenenada”, no Centro Cultural de Cascais, e expõe regularmente, desde 2002, na galeria Arte Periférica. Não é fácil resistir ao muro de isolamento que é habitualmente levantado à volta dos artistas que se destacam da mediania que o sistema favorece, mediania formada por pequenas promessas surgidas à volta de três ou quatro nomes oficiais, envolvidos num sistema protector que eles próprios controlam, sob a tutela das "galerias líder". Acontece que a protecção dada às emergências fugazes e à mediocridade ambiente - tal como a insignificância de uma crítica oportunista - está a tornar o meio das artes visuais num terreno sem credibilidade, minado pelas suspeitas e só sustentado por tutores institucionais, de que se afastam espectadores e compradores. Os leilões, onde o segundo mercado estabelece os valores do reconhecimento das carreiras, estão a confirmar o descrédito do sistema oficial.
Duas pinturas de grande formato do Nuno Viegas mostradas na exposição "Génesis" do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (na foto instaladas no Museu): "A colisão improvável", 270 x 360cm, 2008, e "A nuvem que nos separa", 270 x 360cm, 2008.
Têm o defeito de serem a cores e não do preto e branco, conforme o regime vigente, e de não serem "minimalistas" - pelo contrário, são maximalistas, podem ser observadas como comentários do presente (em vez de serem apenas um exercício formal, ou uma obra de arte sobre a ideia de arte), são comunicativas e despertam emoções, são livres de tutelas escolares ou críticas, são formal e materialmente poderosas na sua realização pictural, são abertamente imaginativas quanto à sua temática figurativa e narrativa.
Da colecção António Cachola fazem parte as três telas adquiridas pelo coleccionador na perspectiva da inauguração do seu museu, a que acima me refiro, mais 14 desenhos dentro da mesma temática, bem como outras duas telas de grande formato adquiridas mais tarde e que integraram a exposição "Génesis" do MACE em 2012. Defendo que são obras mais poderosas e radicais do que a generalidade das peças da colecção. Suspeito que é por isso que se exerce alguma censura - ou será distração?