sexta-feira, 3 de julho de 2009

José Cabral. ANJOS URBANOS. 2009



Condição humana

A fotografia em Moçambique foi uma grande aventura colectiva durante cerca de duas décadas. Ficaram a marcá-la alguns livros, que em geral prolongam exposições e gestos de cooperação internacional (Moçambique, A Terra e os Homens, 1983; Karingana ua Karingana, 1990; Maputo - Desenrascar a vida, 1997; Iluminando Vidas, 2002). Quando a fotografia feita por africanos foi descoberta na Europa, há poucos anos, Moçambique estava na primeira linha (Africa, Africa, Copenhaga, 1993; Revue Noire, nº 15, Paris, 1994). Com a normalização lenta da vida do país (depois da revolução e da guerra civil, depois das eleições de 1994, ou das de 99…), esse capítulo de mobilização e propaganda a que a fotografia tinha sido chamada encaminhou-se para o seu fim natural e os itinerários passaram a ter de ser individuais. Tinha havido alguns casos de excepção, como José Henriques e Silva e os Pescadores Macua (Lisboa, 1983 e 1998), Moira Forjaz e Muitipi, Ilha de Moçambique (Lisboa, 1983).
A referida aventura teve pioneiros, Ricardo Rangel e Kok Nam, que entraram muito cedo numa imprensa colonial mais liberal que a de Lisboa e construíram os modelos da transição. Mais do que uma tradição portuguesa (o Século Ilustrado?), terá contado o exemplo empolgante dos fotógrafos do magazine Drum, da África do Sul. A aventura teve depois uma sede e uma escola, a Associação Moçambicana de Fotografia e o Centro de Formação Fotográfica, no qual se fizeram dezenas de fotógrafos mais ou menos perseverantes. Teve um estilo testemunhal e militante, para responder às urgências do socialismo, da guerra, das fomes e da reconstrução. Os tempos mudaram.
José Cabral chegou por uma via original a essa história colectiva, praticando com um pai amador de fotografia e cinema – e, por sinal, também teve um homónimo avô paterno que foi governador (1910-1938) e um parque com o seu nome na velha capital (hoje Parque dos Continuadores). Começou pela fotografia de cinema e aliou a prática de foto-repórter a programas documentais menos determinados pela urgência. A seguir, terá sido o primeiro a distanciar-se da dinâmica jornalística, e tornou muito claro esse desafio com a escolha das obras para a exposição Iluminando Vidas: em vez de guerra, miséria, vítimas, ruínas e promessas de reconstrução, que podem ser ainda uma outra face do exotismo, mostrou nus femininos que não tinham qualquer pretexto etnográfico. A representação acabou por ter problemas em Bamako, no Mali, sede fotográfica e país de rigores islâmicos.
A sua fotografia – em especial a forma de a mostrar como trabalho de artista - tornou-se mais autobiográfica e até intimista, sempre sem pretender ser auto-referencial e narcísica. Essa é a outra luta que importava travar nas novas condições de crescimento do país, uma batalha já mais individualista para abrir espaços conviviais. As Linhas da Minha Mão, em 2006, por ocasião do 3º Photofesta, afirmava a dimensão pessoal de uma galeria de retratos e de lugares – encontros com pessoas, paisagens, cidades e árvores ao longo da história recente de Moçambique.
Os seus Anjos Urbanos são as crianças: os três e depois quatro filhos do fotógrafo e os filhos dos outros, as crianças da rua. Há diferenças de cor e de condição social que se não escondem, pelo contrário, e que tornam mais incisivo ou mais pungente o testemunho sobre as insuportáveis desigualdades. As imagens de José Cabral são simples e belas, ternas e terríveis, mas sempre sem os cálculos de acaso, artifício ou programa que são tantas vezes a fórmula fácil da arte fotográfica. São ao mesmo tempo directas e carregadas de emoção, sem se distanciarem da vida à procura de metáforas. Há uma história pessoal e há muitas histórias colectivas nestas imagens de Moçambique. Uma delas associa o general Mouzinho de Albuquerque, o vencedor de Gungunhana em 1895, ao bisneto do coronel José Cabral, que tinha continuado os seus planos de vias férreas e lhe ergueu a estátua, entretanto apeada. É só uma fotografia de família, uma criança que brinca…



texto do catálogo, com 3 poemas de Luís Carlos Patraquim




quinta-feira, 11 de junho de 2009

2009, Ricardo Rangel 1924-2009

Ricardo Rangel

Foto *L / Luisa Cortesão (Maputo 11 Setembro de 2007)http://www.flickr.com/photos/luisa/1361550741/

 

Era um nome maior da fotografia em português e também da fotografia portuguesa que se fazia em Moçambique, antes da independência. Fotógrafo moçambicano antes e depois, mestiço de muitas origens, grega por parte do pai.

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da série O Pão Nosso de cada Noite, anos 60/70

Foi o primeiro fotojornalista "de cor" na imprensa branca - desde o «Notícias da Tarde», em 1952, depois, no Notícias, 1956; A Tribuna, 1960-64; Diário de Moçambique, Beira; Notícias da Beira, 66-67; e Tempo (co-fundador em 1970); fotógrafo-chefe no Notícias em 1977; director do semanário Domingo, 1981, etc. Foi também o pilar da criação em 1983 do Centro de Formação Fotográfica em Maputo (de Documentação e Formação - a partir de 2001), que continuava a dirigir - tinha 84 anos.

A França concedera-lhe o grau de Oficial das Artes e Letras em 2008 e era doutor "honoris causa" pela U. Eduardo Mondlane (Outubro de 2009) - ver: http://www.jornalnoticias.co.mz/.

Em 2005 - http://arquivo.maputo.co.mz ** - publicou O Pão Nosso de Cada Noite, a sua mais famosa série de fotografas (as mulheres e os bares da Rua Araújo, imagens furtivas dos anos 60-70), num álbum que veio imprimir em Santo Tirso, mas sem distribuição em Portugal - onde tinha exposto em 1998 (no Arquivo Fotográfico de Lisboa - ver aqui ). 

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O Centre Culturel Franco-Mozambicain e Editions Findakly (Paris) editou uma 1ª monografia em 1994: Ricardo Rangel Fotógrafo de Moçambique / Photographe du Mozambique(bilingue), com textos de Zé Craveirinha ("Carta para o Ricardo sobre as suas fotografias") e Mia Couto ("Os deuses espreitaram por seus olhos"), e uma curta biografia. Fotografias de Moçambique, 1953-1993. 120 pp.

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Ricardo Rangel, Pão Nosso de Cada Noite / Our Nightly Bread (bilingue), textos de Calane da Silva ("Pão de neon na rua da vida"), José Luís Cabaço ("Ao Ricardo Rangel pelois seus 80 anos"), Luís Bernado Honwana ("Ricardo Rangel e o aparecimento do fotojornalismo em Moçambique"), Nelson Saúte (Carta a Ricardo Rangel) e dois poemas de José Craveirinha ("Felismina") e Rui Nogar ("Xicuembo"). Ed. Marimbique (impresso na Norprint, Santo Tirso - 1000 ex.), 2004.

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Ricardo Rangel Fotógrafo / Photographer (bilingue), texto de Calane da Silva, Col. Les Carnets de la Création, Éditions de l'Oeil, Montreuil (com a colaboração da Embaixada de França em Moçambique), 2004.  24 pp. (apenas com fotografias de crianças)

e também:

Catalogue_cover_3  disponível em http://www.p4photography.com/photography_books

Iluminando Vidas - Ricardo Rangel e a Fotografia Moçambicana, ed. Bruno Z’Graggen e Grant Lee Neuenburg -  Christoph Merian Verlag, Basel 2002. 168 pp.
textos de Allan Porter (Perspectiva de Moçambique), Simon Njami (Saudade), António Sopa (O Fotojornalismo em Moçambique), Calane da Silva (Homenagem a R. Rangel). 
Fotografias de Ricardo Rangel e também Rui Assubuji, José Cabral, Luis Basto, Joel Chiziane, Naita Ussene, Sérgio Santimano, Ricardo Rangel, João Costa [Funcho], Alfredo Paco, Alfredo Mueche, Martinho Fernando, Ferhat Vali Momade, Albino Mahumana, Alexandre Tenias

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Ricardo Rangel lançou Pão Nosso de Cada Noite

O historiador e professor universitário moçambicano António Sopa considerou que o livro de fotografia "Pão Nosso de Cada Noite" do ícone da fotografia moçambicana e um dos célebres fotógrafos africanos Ricardo Rangel é a apresentação de uma realidade vivida por um grupo de mulheres no tempo colonial, obrigadas, pelos infortúnios da vida, a venderem o seu corpo para sobreviverem.

António Sopa, que fez esta apreciação momentos antes do lançamento do livro, na passada terça-feira, em Maputo, sustentou que, Ricardo Rangel, com o seu trabalho, de uma qualidade inquestionável e com uma carga artística impressionante, aproximou o considerado mundo marginal e: "tenta, através da sua arte, humanizar esse ambiente", disse o historiador. 

Num ambiente preenchido pela presença de diversas personalidades nacionais e internacionais, entre elas, académicos, políticos, fotógrafos, escritores, intelectuais, amantes e algumas figuras do "jet set" das artes moçambicanas, no seu discurso, o embaixador da Suécia, Adrian Hodom, caracterizou Ricardo Rangel como um poeta que escreve a sua poesia com a máquina fotográfica. 

Mais adiante, Hodom referiu que a presente obra retrata a Rua Araújo, famosa pela sua vida nocturna, dando-nos a imagem desse lugar de encontros, de ilusões e desenganos, que Rangel tão bem fixou com a sua objectiva. 

"Devo confessar que esta obra e a decisão do nosso apoio a ela, me deixou um tanto embaraçado. Ela associa a dor e a euforia, o boémio e a denúncia do mal-estar social. A prostituição como pano de fundo, "pão nosso de cada noite". 

Devemos apoiar tal projecto?, claro que sim porque é arte", declarou o embaixador, sustentando que, o grande poeta José Craveirinha, no poema que abre o livro, diz de uma das personagens, o seguinte: "vais evoluindo, Felismina, de mamana mal vestida / em bem despida artista de "streap-tease", ou seja, "a poesia, no caso de José Craveirinha, é a força da palavra, e em Rangel, da imagem". 

Porém, no seu delicado e afável estilo, RR, segundo Calane da Silva, disse que, ao fazer aquele conjunto de imagens a sua intenção não era publicar em livro, mas sim registar documentos de uma realidade social que ali acontecia. Contudo, mais tarde, foi seu desejo e dos poetas Rui Nogar e José Craveirinha verem esse material retratado em livro. 

"Estava interessado e gostava de conhecer mais a realidade que ali se vivia, é por isso que fotografava. Estas imagens são documentos que podem significar muito para os que queiram estudar o nosso passado. Uma fotografia pode suscitar interesse para pesquisa de várias matérias e em várias áreas. 

Para saber, por exemplo, como é que as pessoas se vestiam, os modelos de transporte, são fontes de história", disse Rangel, enfatizando que, 30 por cento das imagens ora publicadas tinha-as em negativos, tendo feito um trabalho de fundo para descobrir o que havia neles. 

Como um conjunto, o livro de fotografias, de acordo com Nelson Saúte, escritor e dirigente da Marimbique, editora que chancelou os mil exemplares, tem força de algo inédito no panorama da fotografia e edição fotográfica em Moçambique. Mais ainda, segundo suas palavras, a edição daquele livro foi um desafio estimulante, porque com o mesmo quiseram provar que é possível produzirem materiais com aquela dimensão. 

Mas também "esta é uma homenagem ao mestre Ricardo Rangel, que partiu duma aposta feita quando completou 80 anos o ano passado", frisou, acrescentando que, eventualmente, "Pão Nosso de Cada Noite" não seja o livro da vida do ícone, mas que não deixava de ser marcante. 

"O pão de néon na rua da vida é-nos dado e revelado por um artista, um poeta do foto-jornalismo, um homem que retratou este pais com o qual se confunde na moçambicana cidadania conquistada a ferro e fogo, a pulso e lágrimas empunhando na sua arma em disparos "clic's" de comunicação", assim expressou Calane da Silva, numa das passagens do texto que apresentou em louvor ao trabalho desenvolvido por Rangel. 

Calane da Silva, diz igualmente, numa das passagens do seu texto que, Rangel é, em auto-retrato vivo e actuante, um eterno jovem rebelde inconformado com a injustiça, as assimetrias sociais e com a mediocridade profissional e amante incondicional da liberdade. 

Por: Francisco Manjate 

Fonte: Jornal Notícias – 17.02.05

VER: exposições e publicações : http://216.197.120.164/artistbibliog.cfm?id=8950


quinta-feira, 21 de maio de 2009

2009, René Bertholo, Nasobi, falsos

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A tela atribuida a René Bertholo (Sem Título, 1999, 81 x 100 cm - atrás reproduzida) que foi apreendida pela Polícia Judiciária antes do leilão da Sala Branca (dia 18) é uma grosseira adaptação do quadro

 
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Confusões, de 1999, 200 x 200 cm, que figura no catálogo com o mm nome editado em 2001 pela Gal. Fernando Santos, Porto. Foi tb exposto na retrospectiva do artista no Museu de Serralves (Abril/Maio de 2000) e está reproduzido no respectivo catálogo.

É aqui evidente que os falsários (autor e traficante) tiraram partido de René Bertholo usar aqui uma composição que resulta da acumulação desordenada de fragmentos onde se reconhecem pormenores de rostos, casas, frutas (abóboras e outras) e outros elementos figurativos, tomados pelo artista de anteriores obras. Essa táctica de retoma de partes de obras anteriores fazendo variar alguns elementos é característica de diversos momentos da sua obra.

Uma tal prática poderia dar azo a dúvidas de atribuição de autoria ou de reconhecimento de obras falsamente atribuidas se não existissem características autorais inscritas no seu modo de pintar, que se identificam na diferença entre uma pincelada própria e outra imitada, sem "vida", sem espontaneidade ou frescura, para além do facto bem distintivo de as cores se aplicarem numa sequência conhecida e programada.  Por outro lado, Bertholo é autor de uma obra muito escassa e que se encontra, pelo menos desde os anos 80, sempre reproduzida nos catálogos das suas exposições. Ao contrário de outros artistas, não existem obras que sejam variantes ou adaptações/reedições de outros quadros, comercializados à margem das exposições e das relações de representação estabelecidas com os seus galeristas. Não há assim situações de duvidosa avaliação por parte de quem conheça de perto a respectiva pintura.

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NOTA ALTERADA POR ESTAR A DECORRER A RECOLHA DE INFORMAÇÔES SOBRA A CIRCULAÇÃO DESTA OBRA

Uma outra obra que foi considerada como falsa, através das reproduções conhecidas, é uma pintura identificada como Ouverture II ou "As coisas mudam", ass. e dat. de 1981, com 116 x 73 cm, que foi vendida por 15 mil euros num leilão do Palácio do Correio Velho em Novembro de 2006, e igualmente reproduzida na revista L + Arte de Setembro de 2008 (nº 1). Neste caso tratar-se-ía da adaptação de uma tela constituída por três espaços sobrepostos, como planos de uma mesma cena sequencial, que surgem na tela em dúvida repetidos com aplicação de diferentes zonas de cor. O quadro original intitula-se  Ouverture (Abertura), 1980, o/t, 100x65 cm, col. part., Alemanha (reproduzido do catálogo da retrospectiva de Serralves, 2000, pág. 185) E a 2ª é designada como Ouverture II ou "As coisas mudam", ass. dat. 1981, 116 x 73.  Vendido em 2006  (lote 82, leilão nº 168, 28 Nov. 06)

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Tal como refere a notícia do Público de dia 20, a leiloeira Sala Branca identificou como origem dos quadros apreendidos, e atribuidos a Álvaro Lapa e René Bertholo, a galeria Nasoni, do Porto, de António Cabecinha. As duas "obras" encontravam-se emolduradas do mesmo modo, com molduras prateadas, e tinham sido reproduzidos em catálogos da referida galeria.

Entretanto, a directora da L + Arte, Paula Brito, refere que a publicação de fotografias dos quadros incriminados resulta da sua prévia passagem em leilões, ilustrada nos respectivos catálogos, limitando-se a revista a confirmar junto das leiloeiras os respectivos valores de venda. Apesar de a descoberta de quadros falsos reproduzidos na revista envolver aspectos desagradáveis, a revista não tem nesses casos condições para reconhecer ou não a autenticidade das obras vendidas ou apresentadas em leilão. Noutros casos, Paula Brito diz ter já recusado a publicação de obras suspeitas.

A secção "Bolsa" da revista L + Arte "pretende ser um guia de referência para aqueles que investem ou querem investir em arte". A credibilidade de tais investimentos pode ser assim contrariada.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mikael Levin's, Cristina's History, 2009 CCB

Mikael Levin's Cristina's History Opened at Museum Coleccao Berardo in Portugal

http://artdaily.com/news/33168/Mikael-

The condition of multiplicity, wandering, and exile, as shown in this story, suggests some principles for an alternative foundation for cultural identification, based on tolerance and shared patterns of  experience.

LISBON.- Cristina’s History takes as its starting point the story of four generations of a branch of 
Mikael Levin’s family, of which Cristina is a descendant.

It unfolds from the mid-19th century to our own times, and streches from the town of Zgierg in 
central Poland to the west-african nation of Guinea-Bissau, by way of Lisbon. These three places, 
photographed between 2003 and 2005, correspond in each case to a narrative which interweaves 
the lives of the characters and historical events to which those biographies are linked. As the trajectory 
of a Jewish family through modern European history, a journey in which each new hope is met with 
invariable disappointment, Cristina’s History challenges the idea of continuous progress. This does not, 
however, mean ceding to nostalgia. nor is it an affirmation of the notion of an ineradicable identity. 
What this work does do is attests to the possibility of inventing one’s life based on, but without being 
dependent of tradition. Although the story – or at least the idea of a story – no doubt determined the 
photographic project, the text and the images in a fact move along parallel lines. It is through the gap 
that the relationships are etablished; between the different histories and the images of the present, 
between the different lives described and the places where they are not, or between the narrative space, 
most often closed and familial, and the visible space, open and public.

From such simplicity shaped by numerous complexities emerges a poetic work cast as a documentary. 
It is a profound autobiographical work, though the author never appears. The space is configured 
around three projection rooms corresponding to the territories represented. Within each room, each 
cycle lasts approximately fifteen minutes and comprises some sixty images. a voice-over tells the 
story. In the rooms devoted to Zgierz and guinea-Bissau, two projectors are mounted back to back 
on a central pivot. The images rotate around the room, like the beams of a lighthouse, stretching and 
bending to the contours of the walls. In the Lisbon room, three projectors cast their images alternately 
at fixed locations.

Artist Statement:

“I met Cristina da silva-schwarz in guinea-Bissau in 2003.

Four generations back our ancestor, Isuchaar szwarc, a renowned Jewish scholar, lived in Zgierz, 
in central Poland. In his lifetime Isuchaar saw his small medieval town transformed by industrialization.
He died as the nazis exterminated the Jewish communities. Isuchaar’s eldest son, samuel, settled in 
Lisbon. a successful mining engineer also known for his scholarship, samuel lived in Portugal during 
the waning decades of its colonial epoch. samuel’s daughter Clara settled in Portuguese guinea in 1947. 
There she and her husband played a prominent role in the anti-colonial movement. since 
guinea-Bissau’s independence, Carlos, their youngest son, has devoted his life to the agricultural 
 development of this impoverished nation. 

Cristina is Carlos’ daughter.

I had always heard of this accomplished branch of my family. It occurred to me that their lives were 
an embodiment of modernity’s positivist belief in mobility and progress. Jewish families are often 
 characterized by patterns of dispersal and migration, patterns that have of late come to characterize 
the world population in general. While my images are specific, my intent is to go beyond the narrow 
 identifications of any particular community. It is the tension between the local and the global that 
interests me.

The condition of multiplicity, wandering, and exile, as shown in this story, suggests some principles 
for an alternative foundation for cultural identification, based on tolerance and shared patterns of 
 experience.”

— Mikael Levin

Born in 1954 in New York where he now lives, Mikael Levin has also lived in Israel and France. His 
work Notes fromthe Periphery was presented at the 2003 Venice Biennale. That same year his work 
was presented in a solo exhibition at the Bibliothèque nationale de France. In 2008, gilles Peyroulet 
& Cie (Paris) presented his exhibition Seuil/ Treshold. Mikael Levin has also published War Story 
(Kehayoff, 1997).


domingo, 10 de maio de 2009

Mikael Levin, Cristina's History, 2009, CCB

capa e guardas

Mikael Levin, Cristina's History, 2007 / 2009 (catal./livro)

edition Le Point du Jour, Cherbourg-Octeville, France / Museu Colecção Berardo, Lisboa
2009
162 pags., P/B; Fr., En., Pr.

textes : Jean-François Chevrier, Carlos Schwarz, Jonathan Boyarin 
( et Mikael Levin - legendas e agradecimentos)

images:
Zgierz, Pologne - pag. 16; 
Lisbonne, Portugal - pag. 48; 
Guinée-Bissau 80.

http://www.mikaellevin.com/cristina.html

pag. 2-3

domingo, 19 de abril de 2009

2009-2011, Influx Contemporary Gallery


Influx Contemporary Art

(depois de African Contemporary Gallery desde 2005 na Rua da Rosa)

 

 1. Chéri Cherin, pintor do Congo

 2. MISHECK MASAMVU

2009/12/12/africa-contemporanea/ 

3.  Africa 2.0

2010 (30 Jan. – 27 Mar.) ÁFRICA 2.0 > existe uma ‘arte africana contemporânea'?", Influx Contemporary Art, colectiva. No 1º aniversário do projecto que veio substituir-se a uma anterior galeria que existiu desde 2005 na Rua da Rosa com o nome African Contemporary Gallery – e que aliás continua na net: http://www.africancontemporary.com/. ( "Africa 2.0") 

 2010/02/20/africa-20/

e  28/01/2010

4. Soly Cisse
01/28/2010 4/4/2010 > http://www.influxcontemporary.com/ Um artista nascido no Senegal (1969), que já tinha exposto em Lisboa (Arte Periférica) por ocasião do 1º Lisboa-Dakar

5. Agenda: Mauro Pinto

Maputo – Luanda – Lubumbashi, fotografia. Influx Contemporary Art

  




 https://africancontemporary.com

 
 

 &

 

 cronologia "circulações africanas por Lisboa"

1972 (Out.) Bertina Lopes. Fundação C. Gulbenkian, Exposições de Bolseiros 3. Cat.

até 2011 (2 Maio-5 Junho) III Bienal de Culturas Lusófonas. Exp. colectiva de artes plásticas das culturas lusófonas. & "Sonhar Malangatana" (Coord. Fundação Malangatana – Filomena André). Centro de Exposições de Odivelas. 2 Catálogos.

in: 

https://alxpomararquivo-enzhl.wordpress.com/2012/04/16/multiculturais/ 

sábado, 29 de novembro de 2008

Nino Viegas, 2008, Arte Periférica: "A nuvem nódoa"

 11/29/2008

Nuno Viegas no CCB

A melhor exposição que se pode visitar no CCB (incluindo o Museu Berardo) é a de Nuno Viegas na galeria Arte Periférica


 


"Pizza aos pombos" e "Corrida com bilhas de gás à velocidade da luz", mais "A bandeira queimada"  "O mar de rosas", em baixo; à direita, "Jangada puxada por balões" -

A fotografia é péssima, mas esta pintura é para ver de perto (a aura, a irreprodutibilidade técnica), com o seu acerto de escalas e a densidade das matérias sobre a tela ou o papel. 


    


Por exemplo, em: acrílico, esmalte sintético, tinta da Índia, cola de madeira, marcador de têmpera e grafite sobre tela (em 80 cm de lado).

Daí o título geral "A nuvem nódoa" -  "A nuvem que surge no céu limpo - a nódoa que vem perturbar a quietude. (...)", assim começa o seu próprio texto do catálogo - falando da mancha, da pasta, da tinta e do fazer do quadro: "espécie de sopa primordial ainda sem nome para as coisas". Essas coisas têm depois nomes e títulos às vezes descritivos ("Natureza morta com bifes temperados", "Jangada puxada por balões", por exemplo), e em mais casos títulos narrativos, enunciados ficcionais, fazendo prolongar o que acontece na tela para o campo do imaginar: o magnífico "O engole-sapos" (de 199 por 140 cm) que na feira Arte Lisboa se destacava entre o que havia para ver.

O que podia ser uma retórica do acontecer da pintura, do fazer enquanto processo ou maneira, da vibração da matéria, do aparecer da forma, etc, torna-se exercício do ver e do efabular, presença real do imaginário, estórias. Por vezes parece faltar ao pintor um projecto ou programa para cumprir, onde um só tema ou assunto (sujet, subject) fosse metodicamente explorado de cada vez por exposição, mais reflexivamente, numa produção disciplinada por séries e menos convulsivamente acidentada. Mas não é esse o rumo actual de Nuno Viegas, e o seu caminho está aberto a todas as possibilidades, sem se encerrar precocemente num formulário estreito.

  


"O ossário", a seguir "O burro muribundo" e "Confissão aos cães", à direita "A serpente engasgada". Uma presença insistente dos animais: fábulas

A "nuvem nódoa" foi antes "Lava" (2003) e "Tinta envenenada" (2004, Cascais) num constante acentuar da "massa lodosa" que é tinta despejada, amassada, raspada, arrastada, lavada, acumulada, etc, sempre à beira ou por dentro do caos, antes de ser figura e imagem, narração observada ou imaginada. "Esse trabalho é também o das ideias", alerta o pintor, mas "mais do que fixá-las, importa soltá-las, ir ao encontro da sua flexibilidade e desmultiplicação". Como ele diz - e explica-se cada vez melhor -, "a experiência prossegue num confronto entre o visível e o imaginável", numa recusa da ilustração do quotidiano observável, às vezes presente sob a capa do humor, contrariando o talento gráfico para tornar mais inquietante o comentário sobre o mundo.

A exposição da colecção (e escolhas afins) do Museu Berardo, "Não te posso ver nem pintado", centrada na permanência da figuração pictural, da representação da vida e do mundo, do retrato (um programa aliciante à partida que é prejudicado por compromissos de circunstância ou conveniência, e escassez de desafios), torna mais evidente a força explosiva desta pintura que se tem mantido na margem exterior do academismo dominante. Pode ser que haja um excesso de ambição na pintura de Nuno Viegas, face aos reducionismos formais e conformismos aplicados que ocupam os salões. Pode ser que a determinação solitária desta pintura não respeite os protocolos de dependência que a circulação pelos salões exige. Mas ela é mais interessante pelos riscos que corre, pelos desafios que faz, pelas recusas que enfrenta. Um desses riscos é o grande êxito de mercado que acompanha desde o início a carreira de Nuno Viegas.

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Se o que se expõe agora no Museu Berardo não me parece empolgante, é surpreendente e muito positivo o grande número de visitantes que o percorrem numa tarde de sábado.

Comments

Este final de artigo é uma tapona na Bescolecção? Seria interessante elaborar... Posted by João Henriques

1 - O começo e o fim do artigo fazem implícitas referências a outras exposições, entre as quais se inclui naturalmente a colecção Bes e a mostra Corral (a srª teve a sua importância, gastou-a e hoje já não serve de aval à coisa: má escolha). Não sei ainda se vale a pena entrar nessas questões, a começar pelas relações problemáticas dos nossos banqueiros com as artes (bens especulativos, activos tóxicos ou apenas trocos?): os 85 Mirós do BPN, o elíptico Alcoitão do Rendeiro/BPP (mais Melo e Lapa), e noutro plano a CGD e o BES - há por aqui um vale tudo que é uma funda marca nacional. Mas não se pode "dizer mal" de tudo, mesmo que quase tudo seja medíocre e entendido como descartável. (Aliás, nunca disse mal de tudo: defendi a colecção Berardo e a solução Berardo para o CCB. Contra quase todos.)

Mostrar assim é parolo (um pouco de tudo, como na botica; a espuma dos magazines, as vedetas e as "emergências", um bodo aos jovens, a alguns e a algumas galerias; uma caderneta de cromos), mas sempre se prestam contas do que se anda a fazer e se fica a saber que ficam por cá umas coisas com qualidade que poderão estar um dia disponíveis para outras exibições.

Aquele salonismo não ajuda a ver: é a arte oficial de hoje. A maioria deslumbra-se com a ostentação do luxo/lixo e alguns procurarão as pérolas e quererão entender como se organiza o sistema da arte. Tratar-se-á de tentar distinguir e escolher, quando tudo está feito para diluir diferenças entre obras e valores, universalizando a ignorância, "democratizando" o acesso ao espectáculo mas sempre com a lógica de diferenciar/distanciar o mais possível os que decidem e os que consomem. Logo à entrada distinga-se a desagradável e ingénua tontice da nossa Almeida e o excelente inventor de acontecimentos que é o chinês Zhang Huan.

Obrigado pelo catálogo, que é um caro coffee-table book natalício mas deu trabalho a muitos "comissários" com pouco emprego. Há sempre um lado positivo em tudo.

2 - Mas o que importa é dizer apenas que a admiração pelo Nuno Viegas não tem nada a ver com esta conversa (terá a ver, de facto, com a exp. "Não te posso ver nem pintado", onde teria lugar de pleno direito, com o risco de fazer sombra a outros, e aí é que bate o ponto - mas o Museu Berardo não precisava de se tornar tão complacente com o nosso podre e pobre stablishment, e por essa via perderá a força da sua diferença inicial). Posted by A.P.

Grato pela resposta, esclarecedora de algumas subtilezas do meio. Se tivesse um pedido a fazer-lhe, seria o de discorrer sobre a colecção própriamente dita, dado que sobre o critério da mostra já se pronunciou. Posted by J.H


Agradeço a boa vontade, mas há certamente outras boas exposições que têm prioridade. E dizem-me que é no espaço BES do Marquês Pombal que estão reunidas obras dos fotógrafos regularmente expostos pela Módulo: António Júlio Duarte, Catarina Botelho, Rodrigo Amado, Duarte Amaral Netto. Tenho que ir ver. Estranho critério de separação esse, entre outras opções dificilmente compreensíveis ou aceitáveis. Mas são grandes questões sobre o actual entendimento salonista da Arte Fotográfica, os neo-picturialismos sustentados no mero aproveitamente dos novos recursos técnicos, a voga do "quadro fotográfico", os mimetismos mundanos das escolhas curaturiais "cosmopolitas", o provincianismo lisboeta em versão espanholada, etc, que valeria a pena abordar com vagar. Posted by A.P

Numa outra nota, acharia interessante uma iniciativa deste género Critical Mass http://www.photolucida.org/current.php ou em tom próximo esta http://powerhousebooks.com/portfolioreview09/ cá em Portugal? Como forma de não só oferecer uma crítica especializada ao trabalho do artista, mas tam´bém de poder proporcionar uma mostra, para além da óbvia montra dos "prémios" instituídos? Posted by J.H