1987 - 2003: EXPRESSO, e depois
1987. I Bienal de Arte em Sintra (nota, apresentou «Prova de Contacto»). (…)
1990.«Algés - Trafaria (1990)» - Exp. individual (indicada como a 1ª), 19 fotos, 40x40 cm, brometo de prata - Ether, co-prod. Ether/ Urbe, para conferências sobre o estuário do Tejo, FIL 1990. Catálogo* com reproduções e biografia
1991. «A cidade dos objectos». Exp. ind. (2ª) para o Centro Português de Design, Fundação de Serralves. Cat.
1994
1994 - «Alguns espaços culturais no concelho de Oeiras»
Exp. ind. (3ª). Lagar de Azeite, Palácio do Marquês, Oeiras, 10-30 Out. A acompanhar o colóquio «Espaços em aberto». Ed. poster com 14 fotos*
Cartaz, 22.10.94
"Correspondendo a uma encomenda sobre espaços culturais, para acompanhar um colóquio, A.A.S. volta a pôr em prática uma atitude fotográfica que é uma das mais originais no panorama actual. Trata-se, aqui (segundo a edição de um poster-catálogo), de satisfazer o propósito documental, respeitado como exigência da informação, com um rigor formal que é, ao mesmo tempo, o exercício de um olhar analítico e a vontade de suspender quaisquer efeitos de estetização, com uma frieza ou neutralidade que, num primeiro momento, pode ser confundida com o acaso fotográfico, tal como surge no instantâneo de amador. À partida insólitas pela sua aparência não artística (a frontalidade ou o enquadramento oblíquo que deixa restos laterais aparentemente não controlados, a distância do objectos, o uso não retórico da luz), as imagens ganham uma eficácia muito complexa, acumulando, com a presença de elementos supostamente irrelevantes, sinais que se lerão como passos adicionais da construção do seu sentido global. O carácter serial, a unicidade da imagens de cada assunto e a sua variabilidade de abordagem, com a recusa de um formulário estandardizado, são outros elementos a salientar numa prática em que o testemunho se cumpre e se questiona enquanto efeito imediato da fotografia."
1995
"o que é ist?"
Revista 14 Jan. 1995
Ver tx
Notas
CGD/Culturgest: "ist"
Cartaz de 20-5-95 "Do livro à exposição, «Ist» é agora um outro objecto: apresentam-se provas a cores de grande formato (de dimensões variáveis) e a projecção de um diaporama, com imagens inéditas e a criação de novas séries e associações de sentidos, tirando partido do jogo das escalas e da mobilidade do visitante. Fotografando durante mais de um ano as obras de renovação do Instituto Superior Técnico e a vida que continuava no seu interior, A.A.S. realiza um documentário que se interroga sobre as possibilidades e os estilos da representação fotográfica, desenvolvendo diversas linguagens como uma prática de construção-desconstrução da informação, que põe à prova as convenções da neutralidade e da objectividade, da arte e da encomenda, abrindo, um campo imenso à possibilidade de ver melhor."
03-06-95: "A.A.S. pratica a fotografia com uma formação escolar feita já sobre bases conceptualistas (o que pode não ser o contrário de uma avançada formação técnica), e o seu trabalho exerce-se, com uma rigorosa disciplina intelectual, como uma desconstrução crítica daqueles formulários estilísticos, recusando os ensimesmamentos dominantes da «arte fotográfica» inexpressionista ou neo-picturialista. Com uma ironia certeira, reinjecta na sua obra as questões do uso da fotografia e da representação fotográfica, acentuando em simultâneo a eficácia da informação e a problematização da imagem, numa prática que pode viajar soberanamente entre a encomenda documental e a galeria de arte.
Aqui (no livro e na exposição, diferentemente), A.A.S. fotografa o Instituto Superior Técnico, e o documentário proposto é uma circulação intencionalmente interrogativa por diferentes estilos e géneros da fotografia, explorando a riqueza e a ambiguidade das imagens com um olhar que pode ser entendido como frio e objectivo mas é também uma inventiva exploração dos lugares, atitudes que se prolongam numa montagem em que todos os recursos da escala, da série, do ritmo são postos em cena. Como escreve Jorge Calado («Refutações do estilo»), «esta é uma arte difícil — aquela que teima em não ser artística».
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1998
21-02-98
Rainha Sofia, Madrid: "Uma Cidade Assim" e «Estrada em Obras»
"AAS foi destacado desta mesma exposição, por iniciativa espanhola, para ocupar uma galeria do Museu Rainha Sofia, o que significa o justíssimo reconhecimento do outro nível de qualidade atingido pelo seu trabalho (mas a recente instalação em Serralves pareceu obra falhada <?!>). "Uma Cidade Assim", projecto documental encomendado por Matosinhos, tem agora montagem mais perfeita, na instalação de um friso envolvente de provas de grande formato, em que variam as imagens aproximadas (corpos seccionados de transeuntes) e espaços urbanos ou paisagens vistas à distância, sem tema preciso. A variação das escalas motiva a instabilidade física do espectador, que ora coincide com aqueles vultos ora se aproxima das «vistas» para melhor interrogar os possíveis sentidos das imagens. Entre o anonimato das figuras próximas e os espaços abertos onde procuramos pontos de ancoragem do olhar, de interpretação e de projecção, o trânsito é infindável.
Uma outra experiência do tempo, topográfico e interior, é a que acontece no inédito Estrada em Obras, dupla projecção de diapositivos sincronizados onde se percorre, a pé, avançando e recuando, em ecrãs frontalmente opostos, um mesmo longo itinerário de montanha. Está aqui presente a mitologia da estrada e da fotografia de viagem, reconvertida numa original percepção do espaço e da velocidade, ritmada pela sequência das imagens e o som do projector, entre o sentido linear marcado no piso asfaltado e uma expectativa sempre adiada de qualquer surpresa que venha propor o significado final do percurso, entre a sujeição ao esplendor da paisagem e a constante reconstrução de um novo ponto de vista, com que cada fotografia se interpõe inexoravelmente como real fotográfico ao enleio do olhar. Imagine-se a invisibilidade desta instalação se fosse apresentada na Arco, espaço de compra e venda que por equívoco se oferece à multidão..."
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«Shortlisted»
Cartaz, "actual", 14-11-98, p. 6
O mais importante prémio inglês de fotografia tem Augusto Alves da Silva entre os cinco finalistas
imagens de «Road Works» («Estrada em Obras») que são projectadas em dois ecrãs opostos
AUGUSTO Alves da Silva é um dos cinco finalistas da edição de 1999 do mais importante prémio inglês de fotografia, o Citibank Private Bank Photography Prize, organizado em colaboração com a Photographer's Gallery, de Londres. Nas duas edições anteriores, em 97 e 98 (ver www.photonet.org.uk), os prémios distinguiram Richard Billingham e Andreas Gursky, enquanto este ano fazem igualmente parte da «shortlist» os nomes de Rineke Dijkstra – um holandês já apresentado pelos Encontros de Braga, em 1995 –, Alex Hartley, Yinka Shonibare e Paul Smith, todos eles jovens fotógrafos (ou artistas que usam a fotografia) nascidos entre 1959 e 1969.
Os cinco finalistas irão participar numa exposição conjunta na Photographer's Gallery, entre 6 de Fevereiro e 27 de Março, e ao vencedor, designado a 9 de Março, será entregue um prémio de dez mil libras. O júri desta edição, também responsável pela selecção da «short list», é constituído por Iwona Blazwick, conservadora da Tate Gallery; Richard Dorment, crítico do «Daily Telegraph»; David Mellor, professor de história da arte da Universidade de Sussex e presidente do departamento de Artes Visuais do Arts Council, e Kate Tregaskis, directora da Stills Gallery, de Edimburgo.
O Citibank Private Bank Photography Prize distingue a «contribuição mais significativa para o medium da fotografia no ano anterior», na Grã-Bretanha, sem distinção entre formas impressas ou electrónicas e também sem limitação de idade ou nacionalidade dos artistas. Augusto Alves de Silva foi inicialmente nomeado para o prémio e convidado a apresentar outros exemplos do seu trabalho para serem apreciados pelo júri, sendo já a sua inclusão entre os cinco finalistas uma distinção com grande projecção no meio britânico e internacional. Em 1997, tinham sido seleccionados, além dos vencedores, Uta Barth, Mat Collishaw, Philip-Lorca diCorcia e Catherine Yass e, no ano seguinte, Paul Graham, Hiroshi Sugimoto (actualmente exposto no CCB), Thomas Demand e Katia Liemann – em geral nomes destacados no panorama da fotografia e da arte contemporânea.
A nomeação do fotógrafo português resultou do acolhimento muito favorável que obteve a individual que apresentara em Junho na galeria Chisenhale, uma instituição pública londrina para a fotografia então dirigida por Judith Nesbitt, agora à frente da programação da Whitechapel. O trabalho exibido, Road Works (Estrada em Obras) – dupla projecção em dois ecrãs opostos de 324 imagens feitas ao longo de 1,6 km de uma estrada de montanha dos Picos de Europa, em Espanha, sempre com intervalos de dez metros –, merecera uma crítica de Richard Dorment intitulada «On the road to a brilliant career».
Também em 1998, A. A. S. participou com outros dois artistas numa mostra da galeria Annexed, de Londres, intitulada «Health and Safety», mostrando a vídeo-instalação Lisboa 96, antes incluída na colectiva «Livro de Viagem», comissariada por Tereza Siza para a Feira de Frankfurt e já exposta no CCB. Ambas as obras tinham sido entretanto adquiridas para a colecção do Instituto de Arte Contemporânea, no âmbito do programa de compras orientado por Isabel Carlos.
Ainda durante o ano em curso, teve uma mostra individual no Museu Rainha Sofia de Madrid, por ocasião da Arco, com Estrada em Obras e Uma Cidade Assim (Matosinhos), e publicou o livro Pasage, em edição do Centro de Fotografia da Universidade de Salamanca, expondo individualmente este trabalho durante o festival «Imago '98», na mesma cidade, para além de ter participado na exposição «À Prova de Água», no CCB, entre outras colectivas em Berlim, Santander, Pontevedra e Lyon.
Nascido em 1963, Augusto Alves da Silva estudou fotografia no London College of Printing e concluiu em 1997 uma graduação (MFA, Media) na Slade School, trabalhando actualmente entre Lisboa e Londres. Da sua actividade anterior destacam-se a participação na Europália, em 1991, e o projecto «ist», editado em livro pelo Instituto Superior Técnico e exposto na Culturgest, em 1995-96.
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Prémio União Latina
"Artista recusa nomeação"
EXPRESSO, actual, 28-11-98
A 5ª edição do Prémio União Latina de Artes Plásticas ficou reduzido a três finalistas
fotografia do livro “Pasaje'' (ed. Universidade de Salamanca, 1998)
O FOTÓGRAFO Augusto Alves da Silva recusou participar na 5ª edição do prémio de Artes Plásticas União Latina, em que era um dos quatro finalistas, ao lado de Francisco Tropa, Gilberto Reis e Patrícia Garrido. Na edição anterior, onde foi distinguido o escultor Rui Chafes, já tinha sido igualmente um dos seleccionados para a fase final do prémio e para a respectiva exposição na Fundação Gulbenkian, em Fevereiro-Março de 1997, na qual também participaram Francisco Tropa e Ângela Ferreira.
O Prémio União Latina, promovido de dois em dois anos pela organização intergovernamental do mesmo nome, tem o valor de 1500 contos e é destinado a artistas com menos de 40 anos, sendo organizado pelo Centro de Arte Moderna da Gulbenkian com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.
Foi precisamente o facto de ocorrer uma repetição da indigitação como finalista em duas edições consecutivas que motivou a recusa, segundo o documento em que justificou a sua posição. Depois de manifestar o seu «respeito pela decisão do júri, que muito (o) honra», Alves da Silva afirma: «Seria deselegante da minha parte aceitar esta segunda nomeação, em duas edições consecutivas, tanto mais que tenho a certeza que existem outros artistas igualmente merecedores desta distinção. A nomeação para um prémio desta natureza significa um reconhecimento do valor do trabalho produzido e serve de estímulo para o prosseguimento do mesmo. Este é um aspecto extremamente positivo, do qual já beneficiei no ano passado.»
Conforme foi noticiado no «Cartaz» de dia 14, Augusto Alves da Silva fora entretanto nomeado finalista do mais importante prémio inglês de fotografia, o Citybank Private Bank Photography Prize, organizado pela Photographer's Gallery de Londres, cuja exposição decorrerá de 6 de Fevereiro a 27 de Março, mas o fotógrafo negou ao EXPRESSO que tal facto tenha motivado a não aceitação da nomeação pela União Latina.
Este prémio existe desde 1990, numa primeira fase orientado apenas para a pintura, tendo distinguido sucessivamente Pedro Calapez, Pedro Proença e Marta Wengorovius. A partir de 1996-97 passou a abranger qualquer produção na área genérica das artes plásticas e substituiu o seu modelo organizativo, com base no figurino do Prémio Turner, organizado também em Londres pela Tate Gallery. A apresentação de candidaturas por parte dos próprios artistas deu então lugar a uma selecção de finalistas a cargo de um júri nacional.
No entanto, foi o facto de algumas regras de funcionamento do Turner Prize e de outros prémios idênticos não terem sido exactamente seguidas que está na base do incidente agora criado. Em primeiro lugar, é habitual assegurar a concordância dos indigitados antes da divulgação pública dos seus nomes; em segundo lugar, pratica-se sempre uma rotação pelo menos parcial dos membros do júri, por forma a assegurar a independência e o pluralismo do prémio; por último, a eventual repetição de nomes dos seleccionados é rara e nunca ocorre em anos consecutivos.
No caso do Prémio União Latina, metade dos indigitados de 1998 já o tinham sido em 1996: Alves da Silva e Francisco Tropa. Não faltariam ao júri, felizmente, outros jovens artistas prometedores ou mesmo já confirmados pela regularidade das suas carreiras. Por outro lado, o júri de 96 foi integralmente mantido - integram-no Delfim Sardo, professor do Ar.Co e da FBAUL, consultor do CAM; Isabel Carlos, vice-presidente do Instituto de Arte Contemporânea (IAC); João Fernandes, adjunto do director do Museu de Serralves; e os críticos João Miguel Fernandes Jorge e João Pinharanda (também membro da comissão de aquisição do IAC). Segundo o EXPRESSO apurou, estava apenas prevista a renovação do júri ao fim de duas edições, ou seja, no ano 2000.
Reduzido a três finalistas, o prémio será atribuído por ocasião de uma exposição colectiva que terá lugar desta vez na Culturgest, de 29 de Março a 11 de Abril. Nessa última fase intervirá um júri internacional constituído por Thierry de Duve, Teresa Blanch, Ida Gianelli e Vicente Todolli, contando também com a presença de Jorge Molder e de Maria Renée Gomes, directora do escritório de Lisboa da União Latina.
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1999
Prémio Citibank
"Fotografia a prémio"
Expresso, Actual, 30 Jan. 99
PARA além de Augusto Alves da Silva, há outra presença portuguesa na edição de 1999 do Citibank Private Bank Photography Prize, cuja exposição final decorrerá a partir do dia 6 de Fevereiro na Photographer's Gallery de Londres (até 3 de Abril). Trata-se de uma série de retratos de forcados apresentada pela fotógrafa holandesa Rineke Dijkstra, que em 1995 participara nos Encontros de Braga com um trabalho intitulado Beaches. Aí, mostrava adolescentes em praias da Europa e da América do Norte, vistos isolados e de corpo inteiro frente ao mar, inseguros e desengonçados, em fotografias que tanto lembravam retratos amadores como outros corpos e retratos célebres da história da pintura; agora expõe retratos frontais de forcados, fotografados após a pega e conservando no rosto e nas roupas as marcas deixadas pelo combate.
Vistos de busto, em retratos formais de estúdio, as equimoses, o sangue e os rasgões conferem-lhes uma estranha identidade, que a legenda («Montemor, Portugal, 1994») não esclarece por completo.
O Prémio Citibank, no valor de 10 000 libras, será atribuído no dia 9 de Março, a um dos cinco jovens fotógrafos - ou artistas que usam a fotografia -, de vários países, escolhidos por um júri britânico por terem apresentado, ao longo de 1998, na Grã-Bretanha, «as contribuições mais significativas para o médium da fotografia», incluindo instalações, projecções e manipulações informáticas ou fotografia tradicional. Nas edições anteriores foram premiados Andreas Gursky e Richard Billingham, fotógrafos com grande presença nos circuitos da arte contemporânea.
Outros dois fotógrafos seleccionados este ano, Paul Smith e Yinka Shonibare usam a «performance» e o auto-retrato em trabalhos referidos como explorações sobre a construção da identidade cultural. O primeiro encarna estereótipos sociais masculinos, usando fardas militares ou trajes da vida nocturna, multiplicando a sua presença por meios informáticos, enquanto Shonibare trabalha com um grupo de actores na criação de cenas de filme histórico em que ele próprio ocupa o lugar central na figura de um «dandy» negro (o seu trabalho Diary of a Victorian Dandy foi primeiro apresentado em painéis de publicidade do metropolitano de Londres). Outro finalista, Alex Hartley, expõe fotografias de arquitecturas modernistas e de interiores, onde a desfocagem se aproxima de um efeito pictural, no interior de caixas de grande formato que têm uma presença escultórica; distanciando a fotografia da representação, as obras são objectos que participam de múltiplas disciplinas.
Quanto a Augusto Alves da Silva, apresenta Road Work, uma dupla projecção paralela de imagens fixas realizadas ao longo de uma estrada de montanha, e também parte do projecto documental Uma Cidade Assim (Matosinhos, 1995). A partir do dia 1 de Fevereiro, o Chanell Four apresentará, depois do noticiário da noite, curtos filmes sobre os cinco artistas escolhidos para o Prémio Citibank, cujos trabalhos já são apresentados no site da Photographer's Gallery (www.photonet.org.uk). Entretanto, Alves da Silva estará na Arco de Madrid com imagens da série Pasage, apresentadas pela galeria Rocket.
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VER, de Jorge Calado, Expresso Revista de 06-03-99: "Da estrada para o metro"
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Cadeia da Relação, CPF
Fazer Tempo
EXPRESSO, Cartaz, 6 Nov. 99, pp. 22-23 -in "De viagem" (extracto)
Fazer Tempo, de Augusto Alves da Silva, vídeo-instalação com projecção simultânea em três grandes ecrãs, dispostos lado a lado na mesma parede, com duração de 58 min. em banda contínua, sem princípio nem fim. São imagens em movimento, em sequências que quase sempre se repetem nos diferentes ecrãs, ritmando o tempo e condicionando o fluxo do espectáculo, acompanhadas pelos respectivos sons ambientes (sobrepostos, cacofónicos, em geral estridentes), às quais os espectadores dedicarão diferentes tempos de observação, vendo-as brevemente como justaposição de imagens banais, recusando-as como uma situação incómoda, ou deixando-se invadir por uma expectativa ou um fascínio hipnótico que o fará demorar longamente, mas que nunca se resolverá num sentido explicativo, ficcional ou documental.
As sequências e os seus diversos lugares (dos elevadores de um centro comercial em Lisboa a um espectáculo em Las Vegas) não comportam referências localizáveis, igualizando todos os espaços urbanos, nem se impõem por qualquer estranheza ou estímulo particular (artístico, emocional, etc). Muitas das imagens poderiam ter sido captadas por câmaras de vigilância, e outras perseguem ou recortam corpos em movimento, em geral femininos, pondo à prova o lugar e a condição do espectador (que olha sem ser visto), num espaço-tempo desrealizado onde se exercita o fascínio da imagem fílmica e a obsessão voyeurística, questionando o mecanismodo desejo e o excesso de visão.
in "De viagem"
Quatro fotógrafos à volta do mundo, expostos em Lisboa e Porto - JOSÉ MANUEL RODRIGUES, «Chorar por Água», Arquivo Fotográfico de Lisboa / PAULO CATRICA, "Liceus de Portugal", Biblioteca Nacional / ANTÓNIO JÚLIO DUARTE, "Peep Show", Cadeia da Relação, Porto, e "Espaços de Sedução", Silo, NorteShoping, Senhora da Hora / AUGUSTO ALVES DA SILVA, "Fazer Tempo", Cadeia da Relação: OS FOTÓGRAFOS continuam a viajar à volta do mundo, apesar de se dizer que não já há lugares por descobrir. A viagem é um destino pessoal e um estado interior, por vezes uma retórica fotográfica, ou pode ser uma condição para afinar o olhar e manter um estado de alerta perante o mundo e os outros. José Manuel Rodrigues percorreu as ilhas de Cabo Verde, António Júlio Duarte visitou o Japão, Augusto Alves da Silva circula por toda a parte sem referenciar o mapa da viagem e mostrando como todos os lugares podem ser iguais, Paulo Catrica deu a volta ao país para fazer um inventário de liceus.
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"Dois fotógrafos em Londres"
1999 - EXPRESSO, actual, 13-11-99
Rocket, Ferrari
fotografia da série «Ferrari»
AUGUSTO Alves da Silva inaugurou ontem na galeria Rocket, em Londres, uma exposição intitulada «Ferrari», onde apresenta a série de 11 fotografias com o mesmo título que produzira para a recente Bienal da Maia. A mostra, patente até 8 de Janeiro, inclui também uma projecção vídeo, White Line, que é visível do exterior da montra da galeria, enquanto a banda sonora só é audível no interior.
Ferrari foi realizada nas oficinas e stands da marca no Porto e na Maia, concentrando-se no impacto visual da respectiva cor vermelha, dos emblemas e uniformes dos mecânicos. O fotógrafo trata o automóvel como um ícone, mas com uma visão objectiva e crítica que se distancia das imagens promocionais e da procura da beleza formal. A mesma série fora já incluída na mostra «Surface Speed», comissariada por Jonathan Stephenson na Galeria Cirrus de Los Angeles, no passado Verão. White Line associa-se-lhe através de imagens ambíguas e abstractas em que domina a cor vermelha, sobre sons de tráfego urbano. No Porto, na Cadeia da Relação, Augusto Alves da Silva apresenta actualmente a instalação vídeo Fazer Tempo.
Entretanto, Paulo Catrica, que expõe agora a série «Liceus de Portugal» na Biblioteca Nacional, vai também ter uma exposição na Limelight Gallery da Lewisham Library, intitulada «SE 8 * 14», de dia 25 até 2 de Janeiro, com apoio do Centro Português de Fotografia.
Na sequência de Periferias, de 1998, o trabalho de Paulo Catrica, realizado em Londres, é apresentado por Ian Jeffrey como uma «experiência da cidade» na linha de uma Nova Topografia pós-moderna. Paisagens urbanas, aparentemente vulgares mas destituídas de referências que as tornem familiares, mostram espaços vazios, ruas e cruzamentos com uma objectividade fria de que nasce uma impressão de estranheza e inquietação, ao mesmo tempo que se reconhecem como imagens «exactas» da cidade actual.
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2002
Xerox
Promontório Arquitectos
cartaz 9/11/2002
Poderão ver-se tanto a exposição como o livro que a acompanha — Xerox (editado por Prototypo Books, Lisboa, e impresso por Guide, Artes Gráficas) — apenas (?) como a apresentação de um projecto de arquitectura: a nova sede lisboeta da empresa do mesmo nome, da autoria do atelier Promontório. É especialmente dedicado a esse «edifício sem qualidade», analisando-o no quadro da tipologia dos edifícios de escritórios e no contexto da renovação da paisagem edificada da Lisboa Oriental, o texto de Yehuda Safran incluído no volume. O trabalho fotográfico da A.A.S., mostrado numa breve sequência de dez imagens expostas e muito prolongado no livro, joga com a ambiguidade da situação, propondo-se como execução de uma encomenda e como documentário frio em que a autoria, no que ela pode ter de afirmação de idiossincrasias ou estetização dos produtos, parece apagar-se o mais possível. As características do edifício, na sua regularidade modular e na surpreendente correspondência entre o exterior e o seu imenso átrio interior, prestam-se ao exercício desse jogo de aparentes indiferenças, que depois podemos prolongar, atraídos para uma observação mais atenta, por um demorado percurso através de variações de espaços e pontos de vista, acidentes, ocultações e enganos, construído pelo calculado «layout» do álbum. (Até 20)
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2003
06-09-2003
Cadeia da Relação, Porto: "2"
"Últimos dias da mostra intitulada «2», que inclui 15 fotografias a preto e branco de grande formato que A.A.S. realizou durante ensaios da Companhia Nacional de Bailado, apresentadas na grande sala do tribunal. O título pode ser lido como uma referência a uma exposição anterior resultante duma encomenda da mesma Companhia («CNB 2001»), na qual o fotógrafo fizera uso da cor, mas ganha um outro sentido possível se notarmos que se trata aqui sempre de um só par de bailarinos, observado durante os ensaios de um «pas-de-deux». Através da sequência das imagens, simetricamente expostas, que recortam fragmentos de corpos em exercício, em contacto e em descanso, alternando situações de tensão e distensão, momentos de esforço físico e de relação erótica, os figurinos e a nudez, estabelece-se um contexto de incerteza sobre a dimensão ficcional correspondente à peça coreográfica representada pelas personagens e a intimidade real do relacionamento pessoal dos bailarinos, desestabilizando a abordagem documental através de um olhar talvez «voyeurista» e, em consequência, a interpretação segura das imagens. Expostas sem qualquer argumento explicativo, as fotografias transformam a realidade que observam num enigma visual, projectando sobre o observador a dúvida sobre o que vê e sobre as motivações do olhar. Ao contrário da série que A.A.S. expôs no CCB, em «Arquivo e Simulação» <?!>, onde um texto pré-determinava o sentido do trabalho e da sua leitura, de um modo unívoco, estética e politicamente pobre.»
¶ ...e depois
2009
Serralves
Augusto Alves da Silva: o espectador à prova
12/11 2009
ver tx
Iberia, 2009 (pormenor de projecção aleatória de cerca de 5000 fotografias digitais)
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2013
Book v2.1
Torres Vedras, Câmara Escura
No blog do Augusto Alves da Silva, esta foto levou o tratamento conveniente e ficou outra coisa (a partir do meu fb); até me pareceu uma boa foto.
https://www.facebook.com (28 de Outubro) fb da C|amara Escura
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