sexta-feira, 29 de maio de 2026

2026, COLAGEM / ASSEMBLAGEM, Atelier-Museu Júlio Pomar: de 1964 (Metro acidentado) a 2002 (Expulsão do Paraíso)

1. 1964

A primeira inclusão de um objecto num quadro de JP aparece numa pintura de 1964: METRO (col. Manuel de Brito, exposto pela 1ª vez em 1966 na SNBA e depois incluído em várias antologias). Um corte acidental da tela justificou a colagem de um motor de brinquedo, o que se adequa bem ao tema da energia mecânica do Metro e à questão da velocidade do trânsito que é representado e em especial do movimento como aparição-formação-passagem de uma imagem fugaz. O formato de 50x150cm encontra-se noutras telas da época (Uccello em 1964 - e corridas de cavalos/Vincennes por três vezes, os primeiros Rugby já de 1967).


quinta-feira, 28 de maio de 2026

2026, Paris

 Kerry James Marshall: no Musée d'Art Moderne de Paris de 18 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027

ZURBARAN

7 Oct 2026 - 25 Jan 2027, Louvre


TINTORETO

11 set a 24 jan, Jacquemart-André

quarta-feira, 27 de maio de 2026

2026, a arte contemporânea do Estado, as aquisições de 2025 são caso de polícia

€79.950 pelo varão de roupa usada?

€40.000?

€41.032??
Quem está a roubar? (notas publicadas no facebook desde 15 05, revistas)
Algum jornal dito de referência pega no escândalo dos preços pagos pelas aquisições anunciadas para a chamada colecção do Estado no Relatório de 2025 agora divulgado? Sim, parece que um orgão da Imprensa vai tratar do assunto> A empresa MMP (Museus e Monumentos, que depende do MC) foi alertada sobre as dúvidas que se levantam, e agradeceu a informação que enviei, mas fará averiguações? Da PJ nada se sabe.
São bastantes as vozes informadas que falam em casos de polícia e que dão exemplos de valores anteriores dos mesmos artistas que agora surgem multiplicados por insondáveis manobras comerciais, à distância dos preços do mercado. Obras ora relevantes ora indigentes, de artistas com e sem notoriedade ou só "emergentes", aparecem com números empolados e injustificados, que não são especulativos porque o mercado está sem regras e sem procura.



O caso mais espantoso é a "obra" The Tearoom (blusões de cabedal, cabides, etc) vinda directamente de algum bar especializado ou loja de roupa usada e que teria custado ao Estado €79.950...
João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira.
Adquirido na Galeria Cristina Guerra

Descrição: Blusões de cabedal, cabides, estrutura metálica e espelho. Dimensões variáveis

segunda-feira, 18 de maio de 2026

2026, MMP, AVERIGUAÇÕES : "Colecção do Estado", 3 obras de PANCHO GUEDES + valores de compra absurdos + Disparates oficiais sobre JOÃO ABEL MANTA

Duas notas no Facebook e dois casos comunicados por email à empresa Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

1. "ALGUÉM ESTÁ METER A UNHA NAS COMPRAS DO ESTADO (do Estado da Sandra).

A tal comissão que compra obras para a chamada Colecção do Estado adquiriu em 2025 três trabalhos de PANCHO GUEDES - Família vegetal, 1974 / A força do seu olhar, 1996 / Um navio aborigene, 2005 - que de modo algum representam adequadamente a sua produção de pintor. Raramente Pancho Guedes aceitou vender obras da sua autoria, mas estas peças estiveram há alguns anos presentes na exposição individual de uma galeria (vendeu-as ou estiveram em depósito?). Agora integraram as aquisições da Comissão segundo o relatório comunicado. Onde foram buscar estas obras?

domingo, 17 de maio de 2026

2007, Margarida Correia, "THINGS" na 111

Margarida Correia

 05/18/2007 (no Blog Typepad, depois Wordpress, agora Blogspot)

Com Edgar Martins, com Brígida Mendes, com Margarida Correia, e outros haverá, muitas das fotografias de novos autores portugueses estão a ser feitas fora de portas. Importa agora a terceira, com uma primeira exposição na Galeria 111, "Things", depois da presença forte na Monumental em 2006, com "Saudade", onde tinha sido também possível consultar o prometedor catálogo de  "Gueiko e Maiko", de uma exposição em Torres Vedras. 

A partilha de espaços de escrita <no Expresso>tinha então adiado um primeiro comentário, e agora confirma-se que se consolida a coerência do trabalho e a continuidade dos processos e  projectos, com a variação suficiente para se tratar de um aprofundamento de direcções.  A revisão do percurso pode fazer-se em https://www.margaridacorreia.com/


 

 Living room I, 2006, C-Print (74 x 94 cm)  

Tratava-se então (2006) de uma série de trípticos ou de composições triplas, onde constavam uma fotografia familiar recuperada, em geral cena ou retrato de grupo; o registo isolado e objectivo, actual, de um objecto reconhecível nessa primeira imagem, quase sempre uma peça de vestuário (ou chapéu, óculos), e  de um retrato contemporâneo de alguém que usa esse mesmo objecto. Nesse jogo de reconhecimentos abria-se um trânsito entre épocas, gerações, gostos ou modas vestimentares, mas era também o retrato contemporâneo, em condições de encenação e cumplicidade com o fotógrafo, que se afirmava como género, ou como problematização de uma prática. De uma adivinhada circulação familiar (passando de mães a filhas os objectos e as suas memórias, ou situações) transitava-se também para uma relação de companheirismo entre artista e modelo. O que poderia ser um exercício escolar tinha uma eficácia e uma abertura de sentidos, uma suspensão de certezas, que lhe asseguravam outra projecção.    

Agora importam os cenários domésticos e os retratos neles situados, sempre discretamente expostos, avolumando-se uma ideia de concentração sobre dois lugares (Roterdão e Lisboa) e duas famílias, num processo de lenta aproximação do observador a espaços e relações de intimidade - o site confirma a identidade e a localização de duas séries paralelas. Importam as figuras retratadas, entre exposição e intimidade, os espaços ou cenários em que se incluem, a relação entre ambos (as figuras e os seus lugares), alguns objectos que  assumem uma presença mais relevante e certamente significativa, algumas redes de relações familiares que se sugerem ou esboçam, mas também os lugares por si mesmos, só parcialmente ou parcimoniosamente legendados. Há sempre sucessivas leituras para cada fotografia, isolada, em sequência, revendo-se o conjunto, etc.

Numa grande variedade referencial das imagens fotográficas, surgem fotografias isoladas (retratos, pormenores de interiores domésticos, objectos), mas também dípticos e trípticos, por vezes incluindo páginas de álbuns fotografadas onde se reencontram os objectos vistos nas fotos actuais. Havendo um prévio projecto estabelecido, a produção dos trabalhos (as fotografias isoladas ou em séries) parece construir-se como o avolumar da distância entre o programa e o resultado - nada é óbvio ou unívoco. A cada aproximação as imagens parecem resistar mais à ideia da ilustração de um projecto, ganham  sempre mais  densidade significante,  atraem mais a curiosidade   do observador e mantêm-no à distância.

Note-se como mesmo no caso mais directo de apropriação de uma fotografia anterior se criam as sucessivas instabilizações de sentidos, num contexto (ensaio ou ficção?) em que o que se vê é sempre a pequena parte do iceberg.

(?) 


Daphne de Jong, MOMA (1982), 2006, C-Print, 25" x 20" (64 x 51 cm)




sexta-feira, 15 de maio de 2026